O Outro Lado Da Escuridão
17 Encontros Explosivos – Primeira Parte
Notas iniciais
“Shun, perdoe-me mas é para o nosso bem!” pensava Shiryu enquanto Hyoga ajeitava o microfone que estava escondido em seu terno. Estavam na sala de Hyoga na delegacia e se preparavam para a operação de captura de Shun, ele marcara um encontro com Shiryu ao meio dia na estação de metrô onde o detetive entregaria o dossiê com os resultados das suas investigações. Shiryu acreditava na inocência de Shun, sabia que, com a continuação das investigações, poderia provar isso; mas 300 mil era tanto dinheiro...”Seiya no fundo ficará feliz, se bem que ele vai querer me matar quando souber” — você não vai desistir agora vai? Perguntou Hyoga desconfiado, — Não, disse o moreno, vai ser melhor para ele. — Sei, disse o loiro sorrindo com deboche, olha Shiryu, EU logicamente estou feliz por colocar as mãos no príncipe fujão mas, pensando pelo lado dele, você tá sendo um tremendo salafrário e traidor! — ei! Quem você pensa que é pra me xingar desse jeito? disse o moreno vermelho de raiva e vergonha, afinal ele era aquilo mesmo...- Deixa de bancar o inocente e fique aqui, vou ver se o esquema está do jeito que armei. Disse Hyoga o deixando só — mas esse loiro é muito cara de pau! Me dando lição de moral mas tá todo feliz porque vai prendê-lo, esses tiras não valem nada mesmo! Disse Shiryu chutando o sofá, estava nervoso e se sentia mal, tentava de algum modo aliviar a consciência, “Shun fique calmo, continuarei investigando e vou te tirar da prisão, é o único jeito de te recompensar pelo mal que te farei daqui a pouco” Shiryu não contou sobre suas investigações a Hyoga por não confiar nele, aliás ele não confiava na polícia de modo algum. Pouco depois o investigador volta com uma caneca de café e a oferece ao detetive que a recusa, — não vou conseguir engolir nada enquanto tudo isso não acabar — Pois então vamos repassar o plano porque só falta uma hora disse o loiro.
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“onze horas, preciso me apressar!” Pensou Shun, havia acordado cedo devido o nervosismo, afinal hoje ele terias as informações para começar a executar seu plano de vingança e estava feliz com isso. Decidira limpar o pequeno quarto onde estava hospedado para mudar o foco do pensamento. Estava na região mais pobre de New York, porém ali sentia-se seguro, costumava comer Hambúrguer numa barraquinha na esquina do hotel e andava pelo bairro à noite para ver o movimento; via os traficantes, prostitutas e travestis negociando seus serviços e produtos e pensava em como antes aquilo tudo lhe parecia tão distante e irreal. — como eu era cego! Esse é o mundo real, de dores, mentiras, traições mas também de gente simples e que luta para sobreviver e que consegue amar e ser feliz apesar de tudo...Pensava em seus amigos: Seiya, Cársius, Jamian e Shiryu, quando conseguisse acabar com aquele pesadelo, iria fazê-los felizes de algum jeito. — e por falar em Shiryu tenho que ir! Disse ao seu reflexo no espelho
Ao sair do hotel, encontrou Nachi, um dos travestis que faziam ponto na esquina do hotel e com quem costumava conversar enquanto os clientes dele não apareciam. Shun o achava muito estranho, para não dizer feio, tinha aparência masculina demais para um travesti e as roupas femininas não ajudavam a disfarçar a situação, ainda mais com o cabelo cortado no melhor estilo Punk ou seria moicano? Tentava lembrar...
-oi lindinho, aonde vai com essa pressa toda? Perguntou sorridente e de modo afetado – vou encontrar um amigo disse Shun alegre, — hum, e esse amigo tem um irmão? Perguntou Nachi piscando os olhos e colocando as mãos no queixo fazendo biquinho. — oh, não é o que você está pensando! Ele ficou de me arrumar um emprego... — tudo bem, boa sorte então Mime, aparece mais tarde lá no ponto, você atrai muitos clientes pra mim sabia? — ah é? Perguntou Shun corando, bem fico feliz por poder ajudá-lo ainda que dessa forma...
Despediu-se e seguia seu caminho tranquilamente, já estava na esquina quando ouviu os gritos do travesti, virou-se e viu que ele tentava correr mas estava cercado por três rapazes. — me deixem em paz! gritava ele, já disse que não tenho grana! — ora ora, teu rabo não vale mais nada mesmo hein? Pois então tu vai fazer um servicinho em nós três pra compensar! Disse o líder do grupo rasgando a blusa de lantejoulas de Nachi enquanto os outros dois o seguravam e o colocavam de joelhos, — Não, eu não quero! Gritava chorando mas ninguém se atreveu a fazer qualquer coisa, aqueles rapazes formavam uma gangue muito violenta e os moradores do bairro tinham medo.
- Parem! Gritou Shun, os rapazes viraram-se para vê-lo e o examinaram da cabeça aos pés. — hum, você é bem gostosinho, muito melhor que esse viado decadente, você vai ser nosso brinquedinho, vamos nos divertir muito! Disse o líder.
Vamos nos divertir muito, divertir muito...aquelas palavras ecoaram na cabeça de Shun e ele lembrou-se da noite em que fora violentado pelo caminhoneiro, aquilo despertou todo o ódio que sentira naquele momento e a fúria apoderou-se dele. — Errado vermes, disse entre dentes, sou eu quem irá se divertir com vocês! E partiu pra cima deles com socos e chutes tão violentos que rapidamente derrubou dois, o terceiro correu para o beco mas foi perseguido até um ponto sem saída. Pararam frente a frente e o marginal puxou um canivete – anda super vadia, vem me enfrentar agora! Provocava o outro – não seja por isso! E Shun avançou, aprendeu muito bem tudo que Cársius e Seiya haviam lhe ensinado e rapidamente tomou a arma; depois disso começou a espancá-lo furiosamente, mas não era o rapaz que Shun estava enxergando e sim o Caminhoneiro e depois a imagem mudava e era Afrodite. Depois Shun tirou o canivete que carregava e fez um X na cara do marginal e já iria golpeá-lo novamente quando sentiu Nachi o segurando pela cintura – Mime pare! Você vai matá-lo desse jeito! — Mas é isso que eu quero! Disse ele frio — Não Mime! você não é um criminoso! Pare por favor! Ofegante, Shun largou o rapaz que estava desmaiado e banhado em sangue, olhou para as próprias mãos e viu que estavam ensanguentadas. O torpor do ódio havia passado e deixara a sensação de vazio e sujeira da mesma forma como ocorrera no dia seguinte ao ataque ao seu algoz. Apoiando as costas na parede, escorregou até o chão com o olhar perdido — No que me transformei? Se perguntava. Nachi o segurou e o levou para sua casa, a polícia apareceu mas ninguém disse nada, estavam felizes por alguém ter tomado alguma atitude.
Após tomar banho estava menos pior, não se arrependia pelo que fizera mas sentia-se vazio, sua alma havia partido naquela maldita noite... — obrigado Nana, mas preciso ir, disse Shun calmo, estou atrasado, espero que meu amigo me espere... — tem certeza que está em condições de sair? Perguntou o outro – tenho! — tudo bem, cuidado e obrigado por me defender, nunca esquecerei disso Mime, você é meu herói!
Saiu rapidamente e correu até o metrô pegando o de meio dia, “droga! Espero que Shiryu me espere por mais meia hora...”
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Na estação Shiryu estava banhado em suor de tão nervoso enquanto Hyoga disfarçava a irritação pelo atraso de Shun; o loiro estava escondido em uma loja em frente a estação e se comunicava com o detetive pelo fone de ouvido. O plano era rápido e eficaz, um grupo de policiais estava disfarçado cercando as saídas da estação enquanto outro grupo monitorava as ruas laterais, havia um próximo a Shiryu e outros dois estavam circulando em meio a multidão. Quando Shun chegasse, Shiryu diria “enfim apareceu” era a senha, nisso ele seria cercado e preso, simples assim! Só que já eram meio dia e quinze e nada do príncipe fujão...- merda! Porque esse lugar hoje está tão cheio? Perguntou o detetive – época de liquidação nas lojas disse o policial que fingia ler um livro de sociologia.
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Foram os trinta minutos mais longos da vida de Shun, tinha medo de que Shiryu desistisse e fosse embora, depois do que fizera, teria que sair daquele hotel mas precisava antes pegar aquelas informações. Quando as portas abriram saiu rapidamente torcendo para encontrá-lo...
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-Esse china tá enrolando o russo! disse o policial Simon bocejando.
-Tava na cara que o japinha não ia dar as caras em plena estação de metrô onde todo mundo poderia reconhecê-lo, só o loiro pra cair numa dessas disse Roger, outro policial, enquanto acendia um cigarro. Nisso uma ruivinha bonita passava por ele e foi cantada – ei foguinho, como vai? Disse o policial dando um tapa na bunda dela mas ela não parou para reclamar. — Roger! Estamos trabalhando, quer ser preso no lugar do japa? Disse Simon aborrecido por estar ali perdendo tempo. — ah pelo menos achei algo legal pra fazer disse o outro, será que as ruivas são quentes na cama?....
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- Filho da puta! Disse Shun baixinho, a simples ideia de ser tocado com intenção sexual era o bastante para deixá-lo com raiva, sentia que nunca mais iria conseguir transar com alguém, ficara com medo. “preciso encontrá-lo logo...ah! ali está ele!” E começou a se aproximar quando percebeu que algo estava errado “ por que ele está de mãos vazias? era pra trazer o dossier, tinha que está com uma pasta ou sacola!” e parou, nisso Shiryu o viu e pareceu dizer algo e nesse momento percebeu que um homem saiu de onde estava indo em sua direção.
-traidor! é uma armadilha!
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- lá vem ele! Disse Shiryu, enxugando o suor do rosto com um lenço — ótimo! Como ele está vestido perguntou o loiro eufórico, — Jeans, camisa preta e uma boina me parece, ah merda! — O que foi? gritou Hyoga — eu o perdi de vista, será que era ele mesmo? Disse o chinês — deixa de gracinhas e diz onde ele está! Vociferou Hyoga, — já disse que o perdi de vista... — merda! Roger, Simon, viram alguém com esse perfil? Perguntou por rádio aos policiais que estavam circulando em meio a multidão. — tem muito homem usando esse tipo de roupa! Disse Roger – mas Shun é diferente, disse o loiro, cabelos castanhos, magro e de estatura baixa. — não há ninguém com essas características senhor! Disse Simon. — fiquem alertas! Mandou Hyoga....
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Saiu correndo enquanto escondia o gorro no bolso da calça e já havia conseguido passar pelos policiais que estavam na saída lateral da estação quando ouviu uma ordem de pare! Sem olhar pra trás correu até uma loja que estava lotada, o policial o continuava perseguido porém a multidão o atrapalhava, com isso Shun consegui esconder-se entre os balcões e araras com roupas e aos poucos afastou-se do policial que tentava encontrá-lo em meio aos clientes até chegar a saída. Enquanto isso um desesperado Hyoga no meio da avenida gritava com Deus e o mundo pelo comunicador – peguem-no! Espalhem-se, ele está em meio a multidão! E voltou para a estação.
Quando conseguiu chegar a estação, Shun percebeu que havia outros policiais observando a multidão e que estavam muito perto dele; faltavam apenas dez minutos para o metrô chegar e ele estaria a salvo, nisso viu o tarado que o havia assediado e foi até ele com um belo sorriso – oba! disse Roger, você voltou! — voltei! Disse Shun com o tom mais suave que pode e começou a beijá-lo enquanto Roger estava com as duas mãos em em sua bunda, pelo canto dos olhos viu quando os policiais se afastaram e parou o beijo. — ei gostosa, quer sair comigo agora? — não idiota! E saiu correndo para a plataforma. Quando Simon voltou encontrou um Roger com cara de idiota – o que foi? — sei lá! A ruiva gostosa lembra? Ela voltou, me beijou e quando a chamei pra sair ela me disse não e saiu correndo! — Correndo? Como ela estava vestida?perguntou Simon — o que? Tá pensando que era o japa? Não!, ela tava de Jeans e blusa preta mas é ruiva, é mulher e tá sem boina! — mas tu é muito burro mesmo! era ele! Hyoga, ele foi pra plataforma!
Hyoga procurava naquele mar de gente que saia e entrava no metrô quando finalmente o avistou — Preciso entrar! dizia Shun desesperado mas era empurrado pra fora – não vê que tá lotado? Foi quando ouviu o grito de pare e nem precisou se virar para saber que era Hyoga, seu caçador! Mas não seria pego, não agora! Continuou correndo até que no último vagão conseguiu entrar segundos antes da porta fechar. Naquele instante estavam cara a cara, Shun e Hyoga, os olhos se encontraram e algo aconteceu, como se um raio os atingisse mas tudo muito rápido, o metrô partiu e Hyoga ficou imóvel na plataforma sem saber o que faria.
- Hyoga, vou mandar a equipe para a próxima estação dizia Simon, o pegaremos hoje!
- Certo, faça isso Simon. E voltou para a entrada da estação, Milo já o esperava furioso.
- mas que merda foi essa Hyoga? Como o deixou fugir assim? Sentando-se em um dos bancos Hyoga limitou-se a dizer – não sei senhor! — o que houve com ele Simon? — sei lá! Disse o policial, ele viu o Shun de perto e ficou assim... — ih, eu não tô gostando dessa cara....disse Milo.
Roger chegou desconfiado, Milo soube do beijo e não perdeu a chance de fazer piada. — e ai? Como é o beijo do homem mais procurado do país?kkkkkkkkkkk mais vermelho que um tomate o jovem disse – ela, digo, ele, beija muito, mas muito bem mesmo! Hyoga ficou incomodado com o comentário e foi logo o despachando – deixe de conversa e ande, a próxima estação fica a meia hora daqui!
Quando os policiais já estavam afastados Milo falou – cuidado pato, bastou um olhar para eu me interessar pelo Camus...- Por que está me dizendo isso agora? Perguntou o loiro desconfiado – só por precaução! E já ia saindo quando o loiro o perguntou – e o que você sentiu quando o viu pela primeira vez? Milo sorriu e disse — Parece que fui atingido por um raio!
“Me ferrei?!” pensou Hyoga
Notas finais
Desculpem-me pela formatação e prováveis erros...
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