O Outro.
4 Luto com uma deformidade da natureza.
Notas iniciais
-- Você quer que a gente lute contra aquele bicho?! Tem noção do que acabou de dizer!? -- disse para Dony
-- Eu sei que você não tá entendendo nada. -- disse Dony -- Mas confia em mim, nossa única chance de sair daqui vivos é enfrentá-lo. E aquele não é um bicho qualquer, é uma Quimera.
--- Quime o que?
--- Q-U-I-M-E-R-A! O monstro grego parte serpente, parte leão e parte cabra.
--- Monstro Grego? Do que você tá falando?
Ele não teve tempo de explicar, pois a Quimera estava na nossa frente pronta para atacar.
-- Você está com o cordão de seu pai? -- ele perguntou.
-- Co... Como você sabe disso? -- eu nunca falei do cordão para ninguém, nem mesmo para Dony.
-- Eu explico depois. Você está com ele aí?
-- Si... Sim -- eu ainda estava surpreso. Como ele sabia daquele cordão? Como um cachorro tinha virado um monstro de 5 metros de altura? Como eu havia parado no meio daquela história?
-- Use o cordão! -- disse Dony me tirando do transe -- Segure o cordão e pressione ele até não poder mais.
-- Por quê?
Ele me lançou um olhar dizendo apenas só faz logo o que eu disse! Então, eu segurei meu cordão e fiquei pressionando por um momento que pareceu durar séculos. Quando olhei para cima vi aquela aberração da natureza se aproximando de nós dois bem devagar, eu imaginei que ela queria fazer um certo "momento de drama" antes de nos devorar.
Eu fiquei me perguntando o motivo de eu estar sendo atacado por aquela coisa e motivo de o único jeito de eu me defender era apertar um cordão velho.
Mas de repente o pingente do meu cordão estava crescendo e mudando de forma até se transformar em uma espada de prata que tinha o peso perfeito para mim. Eu fiquei contemplando a lâmina por um segundo, mas aí vi a Quimera partir pra cima de mim.
Eu não sei porque, mas eu avancei.
A Quimera atacou minha cabeça, mas eu desviei o ataque e fiz um arranhão em seu pescoço-cabeça de leão. A cauda-serpente prendeu minhas pernas em seu corpo e abriu a boca em minha direção, como se fosse lançar um veneno em mim.
Dony bateu na serpente e me segurou. Por sorte, ambos caímos... em pé? Como Dony podia estar de pé sem suas muletas?
Depois, eu olhei mais atentamente para ele e vi que ele tinha cascos.
Antes que eu pudesse dizer algo, a parte de cabra da serpente me atacou; por sorte eu rolei para um lado e Dony para o outro. Aproveitando que a cabra estava de costas, eu subi nas costas da Quimera, enquanto Dony encarava a serpente.
Eu aproveitei a distração para cortar o rabo-serpente. Então o rabo-serpente havia caído, só faltava a cabeça-cabra e o corpo-leão.
A Quimera gritava de agonia, enquanto eu furava suas costas, mas o monstro simplesmente se virou e eu caí do outro lado do corredor.
Eu olhei em volta: O museu estava cheio. Como ninguém via aquilo tudo acontecendo?
Eu parei de pensar quando vi Donny desviando da cabeça de cabra.
Eu corri e me joguei na frente do monstro, quando ele havia se levantando para me abocanhar com o pescoço de leão; e isso foi tempo suficiente para Donny usar seus cascos para derrubar o bicho.
Quando a Quimera estava deitada, eu fui até a cabeça-cabra e tirei um chifre (por algum motivo estranho) e depois cortei o resto fora.
O resto do corpo não conseguia se mexer, então as partes do monstro estavam virando pó e depois todo o pó desapareceu.
Eu olhei para Donny e disse:
-- Agora, eu exijo uma explicação.
Ele olhou para mim sorrindo. Depois de lutar contra um monstro metade serpente, metade leão e metade cabra, ele conseguia sorrir.
-- Tá bom. -- ele assobiou -- mas é melhor se segurar.
Eu ia perguntar para ele o que ele quis dizer com isso. Mas aí eu ouvi um bater de asas, e tudo que eu lembro a partir daí e de um casco bater bem na minha cabeça.
Eu havia acordado em uma cama de um lugar que devia ser a enfermaria do museu , pois tinha várias pessoas deitadas em outras camas. Como tanta gente se machucava em um museu?
Dony estava sentado em uma cadeira do meu lado, e quando viu quando eu havia acordado ele fez um sorriso do tamanho da ferida da minha cabeça.
Eu sorri de volta para ele e virei a cabeça para olhar a paisagem pela janela do... nós não estávamos no Museu do Louvre. Não estávamos nem mesmo em Paris.
Eu decidi olhar com mais atenção o lugar e vi vários adolescentes, não muito mais velhos que eu vestindo, camisas laranjas com alguma coisa escrita.
Dony olhava para mim esperançoso.
Fiquei assustado e ao mesmo tempo aliviado. Assustado por não estarmos mais com o grupo, ou seja, eu ia ser suspenso ou expulso da melhor escola feita para um orfão. E aliviado por não estar mais sendo perseguido por uma cabra deformada.
Eu olhei para Dony e perguntei:
-- Onde nós estamos?
Ele olhou em volta, e ficou um tempo em silêncio; então, ele finalmente olhou para mim e disse:
-- Você está em casa Fábio. Você está no Acampamento Meio-Sangue.
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