O Oráculo Perdido

4 A Viagem até os Pilares


Depois de darem a reunião por encerrada, Percy falou para seus amigos irem até a praia; ele precisava passar em um lugar antes, e os encontraria lá.

O filho de Poseidon foi em direção ao arsenal, e quando entrou no local olhou de um lado para o outro, tentando avistar o que viera buscar. O arsenal estava lotado de espólios de batalha, dezenas de espadas de ouro e bronze guardadas metodicamente, com armaduras combinando ao lado. O menino se dirigiu para o fundo da construção até ver, em uma prateleira no canto, uma caneta esferográfica comum, esquecida lá. Ele correu e pegou a caneta, respirou fundo, e destampou-a.

Nada aconteceu. Era só uma caneta esferográfica.

— Ela não vai funcionar, sabe. — Percy se virou rapidamente, assustado. Sentado em um canto escuro, com o rosto apoiado em uma das mãos, estava Nico. O menino parecia mais triste do que de costume.

— Nico. — Percy adiantou-se para conversar frente a frente com o amigo. — Porque diz isso?

— Porque Anaklusmos só funciona com heróis. Ela não te escolheu. — O filho de Hades pegou a caneta das mãos de Percy e a revirou nos dedos, sem abri-la. — Ela não escolhe ninguém faz muito tempo.

Percy olhou atentamente para o menino sentado à sua frente. Ele nunca havia parado para realmente notar a aparência de Nico, não depois de dois anos sem vê-lo. Agora com 16 anos, Nico dava mostras de que havia crescido: ele estava mais alto, com a expressão mais madura, seus cabelos negros estavam mais despenteados do que de costume, e suas olheiras eram notáveis mesmo na pele morena. Toda a sua linguagem corporal indicava derrota, cansaço, como se ele não dormisse faz muito tempo.

Ao final da batalha contra Gaia, depois de Nico subitamente confessar que tinha se apaixonado por Percy há muito tempo, o menino se sentia levemente desconfortável perto do amigo. Não por conta de sua homossexualidade, mas sim pela falta de reação dele mesmo. Ele não sabia mais como agir perto de Nico, não sabia mais como conversar com ele. E no final não precisou, pois ele perdera contato com todos depois de sair do acampamento, no dia seguinte à guerra.

Devia ser por isso que Contracorrente não via Percy como um herói; ele não queria ser um, logo, não era. Se isso não o fazia mais merecedor da espada, paciência.

— Bom, eu vou precisar de uma espada. Pode me ajudar? — Percy estendeu a mão para Nico, que o olhou de soslaio antes de levantar-se sozinho, espanando as roupas. Abaixando a mão, levemente embaraçado, Percy seguiu Nico enquanto o mesmo fazia uma varredura no arsenal, e se surpreendeu quando o jovem adiantou-se para pegar uma espada de empunhadura prateada e lâmina preta, cheia de arestas afiadas.

O menino pigarreou. — Essa deve lhe servir bem.

— Mas essa é a sua espada! — Percy protestou. — Apenas os filhos de Hades podem usar uma espada de ferro estígio!

— Errado. Qualquer semideus pode usar uma espada de ferro estígio, contanto que um filho de Hades a entregue de bom grado. — Ele olhou na direção da porta, parecendo desconfortável. — E é uma coisa para você lembrar de mim na viagem. — Percy corou, de repente sem palavras. Ele pegou a espada, admirando a lâmina negra feito o submundo, e Nico se adiantou para pegar uma bainha e prendê-la em volta da cintura do companheiro. Ele se afastou e pigarreou mais uma vez. — Bom, é isso, Jackson. Tenta não morrer.

— Vou tentar. — Percy embainhou a espada e encaminhou-se para a saída, dando uma última olhada para trás. No escuro, com as sombras obscurecendo-lhe o rosto, Nico mais parecia uma sombra do que uma pessoa real. E quando piscou, ele havia desaparecido.

A areia da pequena praia que margeava a floresta do acampamento estava brilhando no sol, tão branca que cegava temporariamente quem olhasse direto para ela. O céu estava azul, límpido, as bordas tocando um mar tão verde quanto os olhos do menino que agora chegava ao local.

Jason e Hazel esperavam-no perto de uma estranha formação que flutuava no mar, coberta por um pano roxo com o brasão SPQR, o que indicava que aquilo viera do acampamento romano. Hazel sorria, acenando para Percy enquanto Jason semicerrava os olhos azuis no sol forte. Frank e Piper também estavam lá, meio afastados; provavelmente já haviam dito adeus para seus respectivos namorados.

— Percy! — a filha de Plutão adiantou-se, sorrindo e pegando na mão de Percy para puxá-lo para mais perto da estrutura. — Você não vai acreditar no que o acampamento conseguiu fazer pra gente!

Teatralmente, ela segurou um lado do pano e puxou. Um pequeno barco a motor flutuava atracado no cais. Era branco, com listras azuis e vermelhas pintadas na proa, e o nome Pax 2 brilhava em vermelho, recém pintado.

— O que achou? — Jason perguntou, parecendo inseguro.

— Parece bom. Só espero que ele não termine que nem o primeiro. — Percy brincou, ganhando um aceno de cabeça de Hazel. Ele se virou para trás, fitando a floresta.

— Annabeth não se despediu, né? — Jason se aproximou, colocando a mão no ombro do amigo. De fato, Percy nem vira a namorada depois de ela sair tão furiosamente da reunião com Quíron.

— Não. — Percy suspirou. — Achei que ela estaria aqui, mas...

— Eu vou tentar falar com ela. — Piper adiantou-se para Percy, enquanto Frank ainda mantinha sua distância. — Talvez ela ouça a voz da razão e pare de ser tão teimosa. Vai ficar tudo bem, Percy!

Piper usava o charme em sua voz sem querer às vezes, e Percy se pegou tomando uma perspectiva mais positiva em sua missão. Sim, as coisas iam dar certo. Afinal, era sua terceira vez salvando o mundo de acabar, então o que poderia dar errado?

— Certo. Vamos então? — Percy, sentindo-se mais motivado do que nunca, entrou no barco enquanto Piper abraçava Jason e Frank beijava a testa de Hazel uma última vez. Os dois semideuses entraram no barco, e o veículo foi impelido pelas águas, com os três heróis acenando para seus companheiros em terra.

— Alguém faz alguma ideia de onde Héracles está? — Hazel perguntou subitamente. Eles já estavam enfurnados na cabine principal há 5 horas, conversando ocasionalmente (por sorte, Jason lembrara-se de levar um baralho, então a questão de entretenimento estava resolvida).

— Jason já encontrou com ele antes. — respondeu Percy, ocupado com o jogo. — Ele fica nos pilares de Hércules, na entrada para o mar Mediterrâneo.

— E quanto tempo até a gente chegar lá?

O menino se concentrou. — Se continuarmos em uma velocidade constante de 40 nós... Uns três dias.

— Três dias? — Hazel gemeu, desanimada. — E como a gente vai durar esse tempo todo?

— Você podia vir jogar com a gente. — ofereceu Jason, ao que Hazel declinou, sacudindo a cabeça uma vez. Comida e água não eram problema, com a mochila mágica de mantimentos que estava convenientemente guardada em uma das cabines do barco. A área do mesmo também era bem grande. Mas o que preocupava Percy era o longo tempo no mar; ele já podia sentir a volta da apatia que sempre o perseguia quando ele saía dos limites do acampamento, e não duvidava de que seus companheiros sentiam o mesmo.

— Ou nós podíamos conversar. — sugeriu Percy, deixando o baralho de lado.

— Isso é porque você cansou de perder pra mim, Jackson! — brincou Jason, e Percy sorriu. Ele se levantou da mesa onde estava sentado, sendo acompanhado por Jason, e foi sentar-se perto de onde Hazel estava, na pequena área comunal da cabine, que tinha um sofá pequeno e duas poltronas.

— Então, eu queria perguntar uma coisa pra vocês há um tempo... — começou Percy. O aceno de cabeça de Hazel lhe deu coragem para continuar. — Aconteceu alguma coisa nos acampamentos enquanto eu estive fora?

— Bom, nós recebemos alguns campistas novos... Mas não tivemos nenhum ataque de monstros ou qualquer coisa do gênero. — replicou Jason, esfregando o queixo com a mão, pensativo.

— Eu ganhei uma irmã nova, mas você já sabe disso. — Hazel sorriu, e Percy se lembrou que, de fato, Cecília era tanto irmã de Nico quanto de Hazel.

— De onde ela surgiu, aliás? Achei que o acordo dos Três Grandes de não terem mais nenhum filho ainda estava valendo.

— Todos nós achávamos isso, mas o acordo é quebrado a toda hora, não é? — argumentou a menina. — Quer dizer, existem muitos filhos dos três grandes andando por aí, então não foi tanta surpresa quando ela apareceu...

— Ela apareceu? Nenhum sátiro foi buscá-la ou algo assim? — espantou-se Percy.

— Não. Ela apareceu de repente no acampamento, com a roupa em farrapos e segurando aquele urso de pelúcia remendado que ela leva pra todo lugar. Ela estava sendo perseguida pelo Minotauro...

— Pelo Minotauro?!

— Sim, Percy. — ela suspirou. — Ele mesmo. Ele havia voltado do submundo, mas não por muito tempo. Will e Nico estavam passando por perto na hora, e eles viram o Minotauro correndo atrás dela. Ela mal tinha forças pra ficar em pé!

— E o que aconteceu?

— Will começou a atirar flechas feito louco na direção do monstro, enquanto Nico corria para atacá-lo com a espada. Alguns campistas que viram a cena disseram que foi muito engraçado, o Nico estava sem camiseta na hora, sem armadura, só com uma calça jeans e a espada dele... — Percy colocou a mão na bainha da espada, como que por reflexo. Hazel seguiu o movimento com os olhos, e deu um sorrisinho consigo mesma. — Enfim, eles salvaram a vida dela. Mas ela está muito assustada, só tem 8 anos, e não quer contar de onde veio. Hades reclamou-a assim que ela ultrapassou a fronteira.

— Estamos todos cuidando dela, desde então. — intrometeu-se Jason.

— Bom. — disse Percy com a voz fraca, a mão ainda repousando no punho da espada. — Isso é bom.

Hazel abriu a boca, como que para perguntar algo ao amigo, mas desistiu. Do lado de fora, na janela circular acima de sua cabeça, dava para ver uma chuva fina que começava a cair enquanto o barco seguia viagem.

Na madrugada do terceiro dia, o tédio já começava a reinar no barco, com a leve fagulha de esperança de que a viagem já estava no fim. A chuva fina crescia gradualmente, impedindo a visão da lua cheia no céu, e agora virara uma tempestade torrencial, sacudindo o veículo que seguia em movimento constante graças aos poderes do filho de Poseidon.

Um tranco no barco acordou Percy, que tomara para si o sofá pequeno da cabine principal. Levantando-se cuidadosamente e pegando a espada em cima da mesa, o menino foi na ponta dos pés até a porta que dava para o convés inferior e as duas cabines privativas, e espiou pela janela para a escada escura. E então gritou, pois algo o encarava de volta.

— Cala a boca, Jackson! — sibilou Jason, abrindo a porta rapidamente e entrando na cabine comum.

Percy colocou uma mão sobre o peito, tentando acalmar o coração acelerado. — Você me assustou, cara.

— Fala baixo. — sussurrou o loiro, correndo os olhos pelo aposento. — Eu ouvi alguma coisa.

— Você também? — admirou-se Percy, seguindo o companheiro. — Alguma coisa me acordou, como se tivessem batido no barco... — Sua fala foi cortada por outro thump que vinha da parte de baixo do barco, como se algo batesse no casco do mesmo. Jason sacou seu gládio enquanto uma Hazel sonolenta entrava no salão, esfregando os olhos e bocejando.

— Gente, o que está acon...

— Shh. — fez Jason, levantando uma mão para pedir silêncio. Os três escutaram atentamente. O próximo thump foi tão forte que derrubou as coisas da mesa enquanto o barco balançava, impotente.

— O que é isso? — sussurrou Hazel, alarmada, segurando o punho de sua espada com mãos trêmulas.

— Vamos descobrir. — sussurrou Percy, encaminhando-se para a porta que dava para o convés principal. Ao abrir a porta, a tempestade que uivava lá fora pareceu aumentar, encharcando os semideuses. Não se enxergava um palmo à frente do rosto. — Uh, Jason, se importa em limpar os céus um pouco pra gente enxergar?

— Vou tentar. — o menino se concentrou, e aos poucos as nuvens foram perdendo a cor escura e se afastando, dando lugar à uma bela lua cheia. Os joelhos de Jason cederam e Percy teve que segurar o filho de Júpiter para ele não desmaiar lá mesmo.

— Pensei que você já tinha aprendido a controlar seus poderes. — brincou Percy, com uma ponta de preocupação. Hazel passou o braço do amigo em volta de seus ombros e começou a levá-lo para dentro, a fim de deitá-lo.

Mas então algo surgiu dos mares, fazendo o barco balançar fortemente e derrubando todos os heróis no chão. Do meio de um redemoinho, uma cabeça do tamanho da estátua da Liberdade apareceu. A criatura tinha cabeça de cobra, com uma pelagem clara feito um cachecol descendo pelo pescoço e sumindo no oceano. Seus olhos ofídicos eram avermelhados e opacos, e quando silvou Percy conseguiu distinguir uma dúzia de dentes enfileirados dentro de sua boca.

— Ótimo. — murmurou o garoto, enquanto a criatura mergulhava novamente no mar e mais um barulho abafado no casco se fazia ouvir. A cabeça reptiliana apareceu mais uma vez, dessa vez do outro lado do navio, e silvou para os semideuses. — O que é isso?!

— Não faço ideia! — respondeu Hazel, ainda apoiando um Jason agora inconsciente. A cobra gigante investiu no convés e Percy pulou para fora de seu caminho, fazendo os dentes da criatura se estraçalharem no convés de madeira e quebrarem parte do piso. Um líquido verde fumegante espirrou de dentro de sua boca, por pouco não atingindo Percy, e dissolveu o piso onde entrou em contato.

Percy se pôs de pé rapidamente e segurou firme a espada de Nico, atacando a criatura com ferocidade. Mas suas escamas eram extremamente rígidas, como que feitas de aço, e a criatura se esquivou, sibilando, e recuou mais uma vez para dentro do mar.

De repente, duas cabeças idênticas de cobra apareceram, uma de cada lado do navio. Uma delas investiu por cima do barco e mergulhou do outro lado, enrolando seu corpo escamoso em volta do veículo. Ao que Percy tentava em vão golpear o corpo da criatura e Hazel arrastava Jason para um lugar mais seguro, a cabeça reapareceu do outro lado e começou a se distanciar, apertando o barco com seu corpo enquanto a outra cabeça espirrava veneno, tentando acertar os semideuses.

O barco começou a ceder sob o aperto incansável da criatura, e Percy desistiu de suas investidas inúteis; ele precisava de outro plano. Claro que seria útil se ele soubesse qualquer coisa sobre esse monstro. “Se apenas Annabeth estivesse aqui...”, pensou ele, desesperado.

E então, como que por mágica, um grito de guerra fez-se ouvir por entre as nuvens. A criatura levantou suas duas cabeças para cima e silvou, afrouxando o aperto no barco. Ela se desenrolou e afundou pela última vez, lançando um olhar cruel para o semideus no convés. Percy nem reparou; estava ocupado demais tentando entender o que era a forma escura que se aproximava dele...

— Oi, cabeça de alga.

— Annabeth?! — A loira sorriu, pousando levemente com o pégaso negro no convés danificado do Pax 2 e desmontando. Ela se adiantou para abraçar o namorado, que cruzou os braços, esperando uma explicação. — Não era para você ter vindo.

— Uau. Eu não ganho nem um “obrigado por salvar minha vida, Annabeth. Sem você, estaríamos fritos.”?

Percy estremeceu, lembrando-se da visão que Poseidon lhe mostrara. — Essa não é a sua missão.

— Agora é. — Annabeth falou confiantemente, acenando para Hazel que só agora juntava-se à cena, depois de deitar Jason no sofá da cabine comum. A filha de Plutão parecia levemente ansiosa com a presença da outra, como se sentisse que havia algo errado. — E, se alguém quiser saber, aquilo era uma Anfisbena. Elas morrem de medo de pégasos, o que foi meio conveniente, já que eu estava seguindo vocês junto com o Blackjack.

O pégaso relinchou, orgulhoso. “Pode crer, nós mostramos para aquela serpente idiota! E aí, chefe!”

— Blackjack, você não deveria ter vindo. E nem você, Annabeth. — censurou Percy.

Blackjack bufou, indignado. “Realmente, chefe, você ia virar cola na boca daquele monstro.”

— Eu não me importo que essa não seja a minha missão. Eu estou aqui agora. Eu vou ajudar. — decidiu Annabeth. — Agora, porque você não faz alguma coisa útil e conserta o barco, ou algo assim?

Percy bufou, dando as costas para a namorada. Mais uma vez, era só sua pura força de vontade que mantinha o Pax 2 funcionando e em velocidade constante. Ele teria que se concentrar durante as próximas 3 horas de viagem, para não afundar a todos.

Blackjack olhou para Percy, notando o ar pesado que se instalara depois da última fala da filha de Atena. “Uh, já que eu não sou mais necessário aqui, já vou voltar para o acampamento. Tchau, chefe! Boa sorte com os monstros!”, dito isso, o pégaso abaixou a cabeça uma vez à guisa de despedida e alçou vôo. Percy mal reparou, concentrado na tarefa à frente.

Ele mal percebeu quando as meninas entraram na cabine, nem quando o sol finalmente nasceu, tingindo as nuvens de tons alaranjados e brilhando sobre sua fronte contemplativa.

Annabeth não sairia por vontade própria, isso era óbvio. Mas se a menina não desistisse da missão, a profecia de sua morte realmente se cumpriria, e Percy nunca se perdoaria por não ter evitado esse destino. Depois de lutar contra tantos, era impensável que ele não pudesse mudar as regras do jogo mais uma vez.

Agora ele precisava de um plano, algo a fazer. Algo para salvar a vida de sua namorada, para evitar que ela fosse torturada e morta nas mãos do senhor das trevas, fosse ele quem fosse. Com essa resolução, Percy finalmente subiu os olhos de sua muda contemplação e viu terra, uma ilha sozinha no meio do mar com duas rochas gigantescas de cada lado. Os pilares de Hércules. Eles haviam chegado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se gostaram, por favor, deixem um comentário ou favoritem a fanfic, isso me motiva muito a continuar escrevendo! Obrigado por lerem, e nos vemos na próxima! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.