O Orgulho Queima em Silencio
9 Capítulo 9 — No Silêncio Entre Nós
Seireitei — Jardim Privado da 6ª Divisão
O crepúsculo tingia o céu em tons de púrpura e dourado.
O vento sussurrava entre as cerejeiras, espalhando pétalas rosadas como véus de seda sobre o chão polido de pedra. No centro do jardim, Rukia permanecia sentada em uma pedra lisa, com o olhar distante. Seus dedos brincavam com uma única pétala caída em seu colo. Desde sua escolha pública, três dias haviam se passado.
Três dias em que Seireitei murmurava nas esquinas, em que olhares a perseguiam, cheios de julgamento e curiosidade.
E, principalmente, três dias em que Renji havia desaparecido de sua vista.
Ele não a procurou.
Nem uma carta.
Nem um olhar furtivo.
Nada.
Um silêncio pesado, cortante.
E no meio daquele peso, apenas um homem permaneceu constante — firme, gelado e inquebrável:
Byakuya.
Rukia ergueu o olhar para o céu, onde as últimas faixas de luz se dissolviam.
Ouviu passos sutis, quase imperceptíveis, deslizando pelo caminho de pedra.
Não precisou virar-se para saber quem era.
Sabia.
Seu reiatsu era inconfundível — uma presença sólida, fria, mas estranhamente reconfortante.
Byakuya.
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Byakuya observou-a por um instante.
A silhueta pequena, frágil à distância, coberta pelas sombras douradas do pôr do sol.
Havia algo em Rukia naquele momento — uma vulnerabilidade silenciosa que fazia seu peito apertar.
Ele caminhou até ela com a elegância habitual.
Parou a poucos passos.
— Rukia — disse, em seu tom baixo e controlado.
Ela virou-se, oferecendo um sorriso pequeno, mas genuíno.
— Nii-sama.
Byakuya permaneceu imóvel, as mãos escondidas nas mangas do haori.
O silêncio pairou entre eles, espesso e cheio de tudo o que não era dito. Finalmente, foi Rukia quem rompeu:
— Renji... se afastou.
As palavras saíram como uma confissão, baixa, quase dolorosa.
Byakuya inclinou ligeiramente a cabeça, como se ponderasse cada sílaba antes de responder.
— Era esperado.
Sua voz era neutra, mas seus olhos…
Seus olhos traíam um brilho quase imperceptível — de algo que se assemelhava a ira contida.
Rukia baixou o olhar para a pétala em seu colo.
— Ele… não me procurou desde a cerimônia.
Byakuya permaneceu em silêncio.
Não havia consolo fácil a oferecer. E ele não era um homem de palavras vazias.
Mas algo dentro dele — algo que jamais ousaria nomear — queimava de forma incômoda ao ver a sombra de tristeza nos olhos dela.
— Talvez tenha sido melhor assim — Rukia continuou, a voz embargada. — Não sei se seria justo… continuar algo que já nasceu sobre dúvidas.
Ela ergueu os olhos para Byakuya, buscando — ansiando — por algo.
Aprovação.
Compreensão.
Qualquer coisa.
Byakuya respirou profundamente, imperceptivelmente.
Então deu um passo à frente.
A proximidade dele fez o ar entre eles vibrar.
— Você tomou sua decisão — disse ele, finalmente, com a serenidade de um lago congelado. — Não há por que duvidar dela agora.
Rukia sorriu tristemente.
— Às vezes ainda é difícil… acreditar que eu tenha mesmo o direito de escolher.
Byakuya inclinou a cabeça, seu olhar ficando mais intenso.
— Você não é mais uma criança para ser conduzida — disse ele, a voz tão baixa que quase se confundia com o vento. — Você é Kuchiki Rukia.
Ele pronunciou o nome dela como se fosse um juramento.
Rukia sentiu o coração acelerar.
E, por um instante, esqueceu como de respirar.
⸻
O vento soprou entre eles, levantando as pétalas que cobriam o chão.
Algumas ficaram presas nos cabelos negros de Byakuya, outras nos ombros de Rukia.
Ela estendeu a mão, hesitante, retirando uma pétala da manga do haori branco dele.
O gesto era pequeno.
Inofensivo.
Mas, para Byakuya, foi como se o mundo tivesse se estreitado até conter apenas aquela mão delicada tocando-o.
Sua pele parecia queimar sob o toque.
Ele não se moveu.
Não ousou.
Observou-a em silêncio, cada fibra de seu ser tensa.
Rukia sorriu timidamente, ainda sem perceber o que causava dentro dele.
— Obrigada, Nii-sama.
Byakuya fechou os olhos por um instante, reprimindo a súbita vontade insana de segurar aquela mão e não deixá-la ir.
Quando voltou a abrir os olhos, ela já se afastava, sentando-se novamente.
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Rukia virou-se para contemplar o céu.
Seu perfil era sereno.
Tão sereno quanto o próprio céu que começava a salpicar estrelas.
E Byakuya…
Byakuya a observava com a intensidade de alguém que sabia que não deveria desejar.
E mesmo assim, não podia impedir.
Seus olhos percorreram as linhas suaves do rosto dela.
O traço delicado dos lábios.
O arco fino das sobrancelhas.
A curva do pescoço exposto.
Desejou — com uma força que o surpreendeu — incliná-la para si.
Tomar aqueles lábios entre os seus. Marcar sua existência de forma irreversível.
Mas, ao invés disso, permaneceu imóvel.
Como sempre.
Como era esperado dele.
Porque Byakuya Kuchiki era feito de gelo e honra e dever.
E também, agora, de desejo silencioso que o corroía de dentro para fora.
Rukia suspirou, perdida em pensamentos. Inconsciente da guerra silenciosa travada a poucos passos de si.
Inconsciente do quanto já havia se enraizado no coração daquele que jurou jamais amar novamente.
O silêncio entre eles era confortável. Rukia sentiu-se estranhamente em paz. E sem pensar, falou:
— Eu… estou feliz aqui.
As palavras escaparam, simples, sinceras. Byakuya sentiu algo ceder dentro dele.
Permitiu-se um leve, quase imperceptível, relaxar dos ombros.
— Esta sempre foi sua casa — respondeu ele, a voz tão macia quanto seda fria.
Rukia sorriu para ele — um sorriso pequeno, mas tão bonito que fez o peito de Byakuya apertar.
— Obrigada, Nii-sama.
E, sem pensar, ela inclinou-se levemente, tocando o braço dele em um gesto breve, quase fraterno.
Mas para Byakuya… Foi um golpe mortal. O calor do toque atravessou seu haori e queimou sua pele como brasas.
Ele cerrou as mãos nas mangas para conter o impulso.
Não era o momento.
Não era o lugar.
E, talvez, nunca fosse permitido.
Mas no fundo de sua alma silenciosa e orgulhosa, Byakuya prometeu:
“Um dia. Um dia, você será minha — livremente, sem obrigações, sem barreiras. ”
Até lá, ele esperaria.
Como esperou por tudo em sua vida.
Com paciência.
Com dor.
Com uma dignidade tão feroz que parecia impossível.
A noite caiu sobre Seireitei.
O céu era um manto escuro salpicado de estrelas tímidas.
Rukia permaneceu ali, sentada ao lado dele, sem saber que o coração de Byakuya pulsava tão violento quanto a tempestade mais bravia.
Sem saber que seus lábios haviam sido desejados com uma intensidade que quebrava até o orgulho mais absoluto.
Sem saber que, naquele silêncio confortável, ela já era mais preciosa para ele do que qualquer honra.
Byakuya a observou mais uma vez, e então voltou o olhar para o céu. Ali, sob as cerejeiras em flor, selou um voto silencioso.
Ele a protegeria.
Ele a guardaria.
E um dia… a teria.
Mas por enquanto…
Silêncio.
Apenas silêncio.
Entre eles...
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