O Ordinário Homem-Aranha

13 O retorno do Homem-Areia


Notas iniciais
O objeto-chave é: Cadeira!

O tempo era curto para Flint Marko. Sabia que a polícia já cercava o museu, o alarme barulhento logo atrairia também o Homem-Aranha. A parte engraçada era que ele não fez nada.

Um grupo de bandidos pôs todos os visitantes e turistas do prédio como reféns — ele incluso — e começou a saquear o lugar. “Idiotas”, pensou Marko. Tanto faz se eles pegarem aquelas relíquias velhas, ele só queria a peça mais valiosa do museu. E já havia identificado qual era.

Começaria a agir para acabar com aquela brincadeira, mas uma voz cômica chamou a atenção de todos.

—Uau, criminosos assaltando um museu! Não se vê isso com frequência.

—É o Homem-Aranha!

—Homem-Aranha? Onde?

O herói saltou da parede, pousou em uma cadeira e chutou-a num bandido. Três deles saqueavam com mais pressa enquanto os três restantes lutavam inutilmente contra o Homem-Aranha. Num momento em que o aracnídeo estava encurralado, Flint Marko esticou seu corpo arenoso e atingiu dois bandidos ao mesmo tempo, enquanto o terceiro, confuso, ficou com as mãos presas com teia e foi derrubado com uma rasteira.

—Que bela dupla. Homem-Aranha e Homem-Areia. Isso só dá mais munição pro Jameson — ironizou o herói.

—Não somos uma dupla! — O punho de Flint havia crescido de tamanho e estava pronto para golpeá-lo, mas recuou. — Esses idiotas estragaram meus planos.

—Beleza, não somos uma dupla. Não vou reclamar disso.

—Apenas fique fora do meu caminho — esbravejou Marko, espalhando-se pelo chão e prendendo os pés dos ladrões.

—Aí, eu sou o herói aqui! Deixa pra lá. Pessoal, formem fila única e corram para a saída!

Enquanto os civis corriam desorganizadamente para fora, um deles se distanciou da vista do Homem-Aranha. Usava uma máscara antiga sobre o rosto. Largou uma abóbora perto do extintor de incêndio. O homem retornou para a multidão, sendo um dos últimos a sair.

Peter prendeu os últimos bandidos. O sentido-aranha vibrava levemente, porém não sabia qual era o perigo. “Talvez o Areia fosse a ameaça da vez?”, cogitou.

—Valeu pela ajuda. Se fugir em cinco minutos, prometo não ir atrás de você.

—Não quero brigar com você, Aranha.

—Bom saber. — A latência da vibração aumentava, mas Peter não sabia o motivo. — Eu sei que você tem uma filha.

O Aranha mostrou a foto deixada por Marko no último encontro.

—Penny — murmurou Flint.

Flint sempre carregou essa foto consigo, desde antes de ser o Homem-Areia. “Como pude ser descuidado?”

—Obrigado por guardá-la. Faço isso pela minha filha. O tratamento dela é caro, o salário não era suficiente. Foi minha única opção. Depois do primeiro roubo, se tornou fácil. Aí você me capturou. E de novo, e de novo. E hoje, é difícil para um condenado arranjar um emprego decente, então eu apenas continuo.

—Eu sei que sou sua pessoa menos favorita para passar um conselho, mas poderia tentar parar. Como quer que sua filha o veja? O pai herói ou o vilão Homem-Areia?

—Eu…

—Sabe, um sábio me disse certa vez: Grandes poderes trazem…

Peter não completou a frase. Seu sentido-aranha vibrou tão forte que quase o nocauteou. Foi então que ele finalmente viu a origem do problema. Era uma bomba-abóbora prestes a explodir.

—Cuidado! — gritou, mas era tarde demais.

Peter tossia.O museu estava em chamas, praticamente destruído. Os criminosos presos pelo Aranha tentavam fugir da teia, eles morreriam se ficassem ali. Uma bomba-abóbora não seria capaz de causar tamanha destruição, Peter sabia disso. Havia mais de uma escondida e todas explodiram ao mesmo tempo.

—Flint? — gritou, meio fraco. Seu uniforme estava rasgado, felizmente a máscara ainda estava intacta. Sentia-se sufocado, entretanto. — Homem-Areia?!

—Estou aqui. — Flint Marko era um pequeno monte de areia no chão, porém, havia areia em todas as relíquias do museu. — Não lembrava como era sentir dor.

—Precisamos sair daqui agora.

—Você precisa sair daqui.

—O quê? Não, você também. Escuta, o calor… — Interrompeu-se para uma tosse. Seu sentido-aranha ainda vibrava, logo um suporte cairia do teto. — Se a areia for exposta à alta temperatura, se torna vidro. Você corre risco de vida, Flint.

—Eu sei, e estou disposto a isso. Quer saber como quero que minha filha me veja? Como um herói.

—Não precisa se matar para salvar essas coisas!

—Não vou salvar essas coisas. Vou ser o homem que salvou o Homem-Aranha. Agora, sai daqui!

Peter continuou hesitando. A fumaça estava começando a dificultar a visibilidade do local. O suporte do teto, como previra o sentido-aranha, despencou e quase atingiu o Aranha, que deu um salto para trás. Não havia como retornar ao Flint Marko.

Precisou de esforço, mas o Homem-Aranha escapou do museu em chamas. Via o corpo de bombeiro já se posicionando para apagar o incêndio. Os bandidos foram recapturados e embalados para a polícia. Seu trabalho estava feito, mas o custo era alto.

Não parou para pensar que o Duende Verde estava de volta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! É, o desafio termina em um dia. Não consegui concluir a história dentro do prazo, mas, como já disse antes, vou finalizar assim que chegar a 10k.