O Oráculo Perdido
1 Prólogo
Notas iniciais
Acordei sentindo gotas de by Browse to Save\">água caírem no meu rosto, minha cabeça doía, tentei mexer os braços, mas só para constatar o que eu já sabia, eu estava presa. O lugar estava escuro e úmido, por mais que forçasse minha visão eu não conseguia enxergar nada, mas podia sentir as gotas de água que caíam do teto molhando minha roupa aos poucos, e me deixando com mais frio do que eu já estava.
Tentei forçar meu cérebro a lembrar do que havia acontecido, mas a única coisa que vinha na minha mente era estar fugindo de uma quimera, depois houve uma explosão e eu acho que eu apaguei, por que essa era única coisa que eu conseguia lembrar.
Fui tirada de minhas lembranças pelo barulho de uma porta se abrindo, não fazia ideia de quanto tempo havia se passado, mas já devia ser de manhã, levantei a cabeça para ver quem estava entrando e a luz machucou meus olhos, já acostumados com a escuridão de meu cativeiro, encarei meu carcereiro, um ciclope de quase dois metros de altura vestindo uma camisa com estampa do “My little poney” e um short ainda mais chamativo, a cena teria sido cômica em qualquer dia normal, mas meu humor tinha desaparecido completamente.
Ele colocou a bandeja na minha frente e só então eu percebi o quanto estava faminta, ele prendeu um de meus tornozelos com outra corrente que saía da pedra fria às minhas costas. Só então soltou meus braços para que eu pudesse desfrutar de meu suntuoso café da manhã. Uma maçã, torradas e café. Ataquei tudo sem me importar com quem pudesse estar olhando, quando terminei o ciclope prendeu meus braços novamente e soltou meu tornozelo e saiu fechando a porta e me confiando novamente à escuridão.
Depois de um tempo que pareceu longo demais fechei os olhos e deixei que meus pensamentos viajassem até o dia em que tudo havia começado, o dia em que eu descobri o mundo que eu pensava existir somente em filmes e livros.
“Era uma tarde de sol, eu estava sentada do lado de fora de um Starbucks saboreando um delicioso capucchino de chocolate e lendo um livro quando todos a minha volta de repente caíram no chão e se enroscaram como se os lugares em que estavam fossem as camas mais confortáveis do mundo. Levantei da cadeira e entrei na loja, todos estavam desacordados, cutuquei a moça do balcão, que tinha caído por ali mesmo para tirar uma soneca, mas ela só resmungou e virou para o outro lado
Saí da loja assustada, tentei ligar para minha mãe, mas a ligação caía na caixa postal. Como seria impossível pegar um taxi então comecei a andar o mais by Browse to Save\">rápido que podia para casa, precisava ver se minha mãe estava bem.
Já tinha andado várias quadras e meus pés doíam quando vi alguma coisa atravessando a rua a minha frente, fiquei paralisada ao ver um monstro que parecia metade mulher, metade cobra vindo em minha direção, antes que ela pudesse fazer qualquer coisa saí correndo pelo caminho que tinha vindo. Ouvi o sibilar de sua calda enquanto ela me seguia, dobrei na primeira esquina que vi, mas isso só aumentou meu desespero, uma dúzia dessas mulheres estava parada na minha frente.
Olhei a minha volta, eu não tinha saída, eu estava cercada por mulheres cobra com um olhar sanguinário e que não pensariam duas vezes antes de me destroçar, mesmo assim tentei manter a calma, uma delas a que eu presumi ser a líder pela a armadura que usava se aproximou e me ergueu pelo pescoço.
– Uma ssssssssemi deusssssssa? – quis saber um dos monstros
–Não, não cheira a meio sssssssangue, mas também não é uma mortal comum – ela continuou me cheirando.
–Escuta – eu disse tentando controlar o tremor de medo em minha voz – Eu não faço ideia do que está acontecendo aqui, eu só quero ir pra casa, então se a sra. me colocasse no chão e me deixasse ir eu realmente agradeceria.
Todo o bando explodiu em gargalhadas sibilantes enquanto eu me debatia e tentava me soltar.
–Vamossss levá-la, ela pode sssssssser de utilidade para do sssssssenhor Cronossssss – uma delas sibilou aproximando-se.
–Por que nósssss não a devoramosssss aqui? Faz tempo que eu não ssssei o que é uma refeição dessssscente.
A líder inclinou a cabeça como se ponderasse sua decisão e deu um sorriso frio. Imediatamente senti meu sangue gelar. Ela tinha decidido e algo me dizia que não tinha sido a meu favor. Ela levantou suas garras e eu fechei os olhos esperando o golpe final. Mas a única coisa que senti foi a mão que estava no meu pescoço desaparecer. Caí no chão e senti meu tornozelo se dobrar num ângulo doloroso.
Abri os olhos e vi uma mão estendida para mim. Um grupo de garotas me encaravam indiferentes. Todas elas usavam roupas prateadas e carregavam arcos e aljavas, apenas uma se diferenciava das demais, ela usava um arquinho prateado cabelos curtos e pretos tinha poderosos olhos azuis, usava uma blusa preta com uma Barbie morta e calças camufladas. Todas elas eram acompanhadas por lobos brancos. A garota de olhos azuis se abaixou e começou a examinar meu tornozelo.
–Não parece ser nada grave, você só caiu de mau jeito – ela me ofereceu a mão e me ajudou a levantar. – Onde estão suas armas?
–Minhas o que? – perguntei
–Suas armas, ou aquele cabeça de alga não lhe deu armas? – ela falou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo
–Cabeça de alga? Quem é esse? E o que está acontecendo aqui?
–Você não veio com o acampamento? – ela parecia intrigada
Fiz que não com a cabeça
–Não faço ideia do que você está falando.
–Bom, nesse caso eu acho melhor você ir para casa, não é seguro para mortais como você ficarem no meio da rua enquanto tem uma guerra rolando.
–Mortais como eu? – perguntei confusa, ela agia como se não fosse uma adolescente como eu.
–Capitã, estamos atrasadas, o pelotão principal está a nossa espera. – disse uma das garotas de cinza
–Bom, então acho melhor nós irmos. E você ,– ela disse colocando uma das mãos no meu ombro – procure um lugar seguro, a cidade vai ficar mais perigosa nas próximas horas.”
Senti a água pingando em meu rosto novamente e abri os olhos atordoada. Tentei focalizar alguma coisa no lugar onde eu estava, mas a única coisa que eu podia ver eram os dentes amarelos e sujos que sorriam para mim.
–Gostando de suas acomodações, serva de Apolo? – a forma como ele disse o nome do meu “chefe” me fez estremecer
Soltei uma risada fraca me recusando a demonstrar medo.
–O serviço poderia melhorar as acomodações não são o que eu esperei para uma hóspede do meu nível, sabe como é, como oráculo eu estou acostumada a acomodações melhores. – eu disse dando de ombros – Mas não sei se vermes como vocês conseguiriam fazer melhor que isso.
Ouvi um chiado e um segundo depois minha bochecha queimava como se tivesse sido atingida por ácido. Olhei para o lado e vi um espinho que eu não fazia ideia de onde tinha vindo. O monstro saiu da escuridão e eu pude vê-lo pela réstia de luz que entrava pela porta, era um homem alto, com cabelos pretos, dentes amarelos e olhos de duas cores, um castanho e outro azul, uma cauda de escorpião balançava de um lado para outro as suas costas. Um mantícore.
–Cuidado com a boca mocinha – ele disse chegando bem perto de mim – Eu não costumo errar dessa distância. – engoli em seco – Pronta para conhecer seu novo chefe?
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