O Olho de Jade
1 Prólogo
Notas iniciais
A lua já ia alta no céu quando Lady Charlotte chegou ao ponto marcado da floresta. As três velas estavam dispostas uma ao lado da outra, já acesas. Ela ouviu barulho de passos arrastados por entre as árvores, logo uma sombra apareceu. O bebê em seu colo se agitou, mas Charlotte o segurou mais firme contra o peito, protegendo-o do frio.
O que antes era apenas uma sombra, logo tomou a forma de uma idosa ao se aproximar. Possuía cabelos brancos e a pele tão fina que evidenciava todos os ossos do corpo. Quando falou foi com uma voz áspera, como se não a usasse há muito tempo.
— Fez tudo o que lhe foi pedido?
— Sim. – E ela realmente tinha feito. Por três meses não havia vestido a filha com nada que não fosse de seda pura, não a tinha alimentado com nada que não fosse o leite de seu próprio seio, não havia deixado que nenhum homem a tomasse no colo e não lhe dera um nome.
— Dê-me a criança. — Não era a primeira vez que se encontravam, mas a voz daquela mulher nunca deixara de lhe causar arrepios.
Por um momento Charlotte pensou em desistir, será que no fim estava condenando a filha a um destino cruel? Mas ela nada podia fazer, não deixaria que seus esforços tivessem sido em vão. No fundo ela sabia que fazia tudo aquilo para protege-la.
A velha tomou sua filha nos braços e a embalou por um instante, sussurrando palavras em uma língua que ela não conhecia.
E então soltou-a no chão. A criança ergueu os bracinhos enquanto chorava e Charlotte contemplou mais uma vez o quão linda era: tinha a pele tão alva quando a da mãe e os cabelos de fogo do pai, ainda que fossem poucos. Além de olhos do mais vivo verde.
A mulher a sua frente espalhava sementes de romã no chão formando desenhos que não faziam o menor sentido.
— Cersey! — ela gritou, e repetiu o nome mais outras duas vezes.
O vento tinha cessado há muito tempo, mas, mesmo assim, duas das velas se apagaram, apenas a do meio permanecia acesa, com sua chama mais viva do que nunca.
Óleo de romã foi passado na cabeça do bebê, junto com palavras incompreendidas e então ela estava novamente no colo da mãe, adormecida.
— Cersey a escolheu. — Dessa vez Charlotte não temeu a voz da senhora. — Ela irá prever o futuro para heróis dos quatro reinos, suas profecias serão tão certeiras quanto as flechas de Omir. Servirá a Cersey de agora até a sua morte, se assim ainda desejar aos doze anos. Agora, qual o nome do oráculo?
— Eve. Eve Castleroy — Ela disse com uma convicção que não sabia de onde vinha.
— Que assim seja. Eu nomeio Castleroy Eve como Nascida da Visão, o Oráculo de Cersey.
Por um momento pareceu que as árvores se agitaram e o vento soprou uma canção só dele. Mas Charlotte não sabia se aquilo era verdade ou se apenas fruto de sua imaginação.
— Obrigada. Obrigada — ela agradeceu.
— Não tens que me agradecer, mulher tola. Não estou te fazendo favor algum e não pense que o está fazendo para sua filha.
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