O Olho de Jade
27 Eve
Notas iniciais
A súbita parada de Shae assustara Eve, a outra garota parecia perdida em lembranças e ela podia entender o porquê. Shae havia passado a infância ali, fôra nesse reino que seu pai havia sido assassinado, talvez já tivessem até mesmo passado em frente a sua antiga casa.
O trio continuou caminhando, Eve observava com cuidado cada hospedaria pela qual passavam, ela queria ter certeza que não escolheria a que pegaria fogo, mas não conseguia distinguir, apenas se lembrava do local em chamas.
No fim das contas, Daan a convenceu de pegarem quartos numa pequena hospedaria, com um lago artificial nos fundos. Eve tinha certeza que em sua visão não havia nenhum lago.
— Podemos vender as coisas amanhã de manhã e começar a ir em direção ao castelo a tarde. — Shae compartilhara seus planos enquanto pegava as chaves do quarto.
— Me parece bom. — Eve começou a subir a escada de madeira.
— Temos que procurar algum curandeiro para você, Shae. Ainda está fraca — Daan insistiu, fazendo um arrepio subir pela espinha de Eve diante da palavra curandeiro.
— Eu já estou bem, preciso apenas descansar um pouco e me alimentar. Depois disso estarei ótima.
— Também acho que não precisamos procurar um curandeiro. — Eve foi recebida por um olhar crítico de Daan, tinha que admitir que ele estava certo. — Tudo bem, também acho que você precisa de remédios.
Ela subiu bufando enquanto os dois a seguiam. Daan colocou um braço na frente de Eve, impedindo sua passagem.
— Eu sei o que está tentando fazer — sussurrou. — Pare com isso.
— Como posso parar? Não consigo simplesmente aceitar que vou perder você — ela respondeu fazendo o seu melhor para Shae não ouvir.
— Você mesma disse que eu não devia lutar contra isso, então não lute também. — Por um momento Daan parou e ela achou que ele tinha terminado, mas logo ele continuou. — Se quiser fazer algo contra isso, tudo bem. Não posso reclamar, mas não faça nada que possa nos prejudicar, está bem? Shae não pode continuar nessas condições, você sabe disso, é só questão de tempo até ela voltar a passar mal e, se não voltar, ela não vai poder usar a espada dela em um bom tempo.
— Tudo bem, Daan. Mas amanhã você fica aqui com ela e eu procuro o curandeiro.
— Vou conseguir fazer você mudar de ideia?
— Você sabe que não. — Gentilmente Eve levantou o braço dele e continuou a subir os degraus.
Quando o Sol se infiltrou pela janela e atingiu os olhos de Eve, ela resmungou, virou para o lado e tentou dormir novamente. A última coisa que queria era levantar e ser arrastada para a realidade.
Seus sonhos estavam tão bons: ela estava na praia, mergulhando no mar, caminhando sobre a areia, observando as ondas, parecia que nada podia atingi-la ali. Nada a não ser a realidade, que tomou conta dela como uma mão gélida em volta de seu pescoço assim que ela começou a acordar.
Com muito mais esforço do que pensava, se levantou. Tomou um banho, colocando as mesmas roupas do dia anterior e ajeitou os cabelos, prendendo-os num coque.
Desceu para o restaurante da hospedaria e se surpreendeu ao perceber que Daan e Shae já estavam reunidos numa mesa.
— Por que não me chamaram? — Se sentou ao lado da amiga.
— Você parecia cansada, não queríamos te incomodar. — Shae ofereceu uma torrada para Eve, que aceitou.
— E então, já pensaram no que vamos fazer hoje?
— Eu e Shae vamos vender as coisas que você pegou de Erickson. — Daan tomou um gole do que parecia ser suco de laranja. — E você vai procurar um médico ou coisa parecida.
Eles não ficariam na pousada, Shae estava fora de perigo e, portanto, Daan também. Ela se sentiu aliviada.
— Parece ótimo para mim. — Forçou um sorriso.
Shae a observava, desconfiada. Era obvio que a garota começava a perceber alguma coisa, mas o que Eve podia fazer? Não contaria a verdade de jeito nenhum, era melhor que ela continuasse sem saber de nada, tanto sobre sua morte quanto sobre a de Daan.
Comeu mais um pouco e então se levantou.
— Então acho que é melhor eu ir, não faço a menor ideia de onde procurar isso.
Ela saiu do prédio quase que as pressas, quanto mais rápido encontrasse alguém para cuidar de Shae, melhor.
Andou pelas feiras e mercados abertos, procurando qualquer um que parecesse saber curar alguma coisa. Passou por pessoas que a encararam de cima a baixo, medindo suas roupas baratas. Era estonteante a diferença entre as pessoas do Primeiro Reino e as dos outros, até mesmo do Segundo.
No templo, por ser numa parte mais nobre do reino, Eve estava acostumada a ver pessoas que se vestiam bem, mas uma volta pela cidade demonstrava que nem todos eram assim.
No Primeiro Reino parecia ser tudo diferente, ela não achou que deveria existir periferias ali, muito menos encontrou pessoas dormindo nas ruas ou maltrapilhas, tão pouco encontrou crianças roubando ou fazendo truques baratos em troca de moedas. Tudo ali era limpo e bem arrumado, as casas possuíam jardins bem aparados, coisa rara em outros lugares.
Por um momento pensou como seria bom morar ali, de qualquer forma ela não tinha um lugar para onde voltar mesmo, mas pela primeira vez se perguntou o que aconteceria com ela se sua visão se concretizasse. Shae estaria morta e então o que fariam com ela? Uma traidora? Não achava que depois disso teria lugar em algum sobrado por ali.
Mas aquele não era o momento para pensar naquilo, tinha que procurar alguém para cuidar de Shae. Era nisso que tinha que focar. Deu mais alguns passos antes de ser atingida nas costas, foi empurrada para o chão.
— Cuidado! — gritou e então saiu debaixo da pessoa que também já se levantava. — Shae? — Ela mal acreditou quando viu a morena se apoiando sobre a Invocadora de Almas até ficar completamente de pé.
— Vamos, rápido. — Ela ofereceu a mão e ajudou Eve.
— Onde está Daan? —Sem perder tempo, Eve começou a correr na direção em que a outra garota apontava.
Olhou para trás e relanceou um grupo de homens correndo na direção delas enquanto gritavam. Não conseguia entender o que estava acontecendo, mas desconfiava que não era uma boa ideia deixar que eles se aproximassem.
— Eu e Daan estávamos indo para o mercado, vender as coisas e então esses caras nos encontraram. Eles querem a Invocadora, Daan me mandou correr e... Eu não sei o que aconteceu com ele.
O medo tomou conta de Eve enquanto elas continuavam pela rua, o que aqueles homens poderiam ter feito a Daan?
— Por que você não usou a espada?
— A rua estava cheia de gente, eu não podia arriscar chamar a atenção de mais pessoas para ela. Por aqui. — Ela puxou Eve para uma rua paralela que estava vazia.
— Por que eu sinto que essa situação já aconteceu antes? — Eve se encostou na parede enquanto observava Shae se ajoelhar.
— A diferença é que dessa vez Erickson não vai aparecer para nos ajudar.
— Graças aos deuses. — Ela viu os homens aparecerem na rua e por um momento sentiu pena do destino deles.
Ela já tinha visto Shae dizer aquelas palavras diversas vezes e visto o que acontecia com quem se colocava em seu caminho, mas sempre se surpreendia com os corpos sendo destruídos daquela forma. Quando ela matara Erickson e seus amigos, Shae tinha feito algo para que seus corpos continuassem intactos, de forma a faze-los de exemplo, mas agora não se incomodara com isso. De relance ela viu um dos homens fugindo, mas Shae pareceu não perceber isso. Enquanto Eve olhava aterrorizada para a cena, ela trazia um sorriso nos lábios.
— Revigorante. — disse quando tudo acabou, mas assim que se levantou seus olhos se fecharam e ela caiu no chão com um baque.
— Shae? — Eve gritou, correndo e a colocando em seus braços.
Deu tapinhas leves em seu rosto tentando acorda-la, mas não adiantou. Ela sabia que a garota estava fraca demais para usar a espada, mas quando a vira correndo, com meia duzia de homens a perseguindo, não tinha passado pela sua cabeça o que poderia acontecer se ela fizesse o ritual de novo.
— O que eu vou fazer com você, Shae?
Eve não tinha certeza se conseguiria carrega-la de volta até a hospedaria, por fim acabou decidindo alugar uma charrete para levá-las.
Assim que colocou a garota na cama, ela se deixou cair no chão, exausta.
Não podia deixar Shae dessa forma, não de novo. Rapidamente se levantou e lavou o rosto na pia do banheiro, depois desceu para o primeiro andar e saiu novamente, dessa vez encontraria um curandeiro, tinha certeza que tinham passado por uma botica enquanto fugiam dos homens.
— Eve? — Ela ouviu Daan chamando-a.
Ela cambaleou enquanto o homem jogava todo seu peso sobre ela, abraçando-a.
— Shae... Eu não sei o que aconteceu com ela, fomos atacados, ela sumiu... Eu a procurei em todos os lugares, eu juro.
Ela o encarou por um momento, um dos olhos estava inchado, como se tivesse levado um soco e ele tinha um corte num dos braços, tirando isso parecia bem.
— Está tudo bem, Daan. Eu a encontrei, ela matou os homens, mas desmaiou. Eu preciso encontrar um curandeiro, agora.
— Foi culpa minha, eu que insisti que ela levasse a espada. Pode ficar com ela, eu procuro.
Ele saiu correndo sem deixar que ela respondesse, logo sumiu no meio da multidão de pessoas do mercado. Não, ela não ia permitir aquilo, iria atrás de Daan e o faria voltar para seu quarto, depois ela procuraria alguém que pudesse cuidar dos dois, afinal de contas, ele também estava machucado.
Eve também entrou no mar de pessoas, empurrando um a um, passando por barracas e tentando distinguir o rosto tão conhecido na multidão. Ele parecia não estar em lugar nenhum, por mais que ela erguesse os pés para observar por cima das cabeças com chapéus dos cidadãos do Primeiro Reino, não via nada.
Era impossível que ele tivesse sumido assim, tinha saído apenas alguns minutos na frente dela, a não ser que tivesse entrado em alguma loja ou numa rua lateral, não deveria ter sumido daquele jeito. Mas Daan era mais alto e tinha muito mais força que Eve, de forma que provavelmente avançaria mais rápido que ela.
Foi quase meia hora andando a esmo, procurando o homem. No fim, Eve sentou-se no chão, comendo uma maçã que acabara de comprar. Não tinha jeito, o melhor era voltar para a hospedaria e ficar ao lado de Shae.
Ela se levantou, preparando-se para voltar quando viu o rosto de Daan no meio da multidão. Ele corria contra as pessoas que caminhavam lentamente, carregando sacolas e malas.
— Eu encontrei. Eu encontrei um curandeiro, Eve.
O queixo de Eve caiu, ela olhou para o céu a tempo de ver uma fumaça negra subindo de algum lugar próximo dali. Estava acontecendo, sua visão começara.
— Não. Não. Não. — Lágrimas surgiram em seus olhos.
— O que foi?
— Na minha visão você diz exatamente isso e... — Ela apontou para a fumaça espiralando pelo céu.
Ele passou a mão pela cabeça, como se a ficha do que estava acontecendo tivesse caído e então fez algo que surpreendeu Eve: segurou sua mão.
— Vamos, eu tenho que tirar Shae de lá. Vai dar tudo certo.
Ele começou a puxá-la na direção da rua, mas ela apertou mais forte sua mão.
— Não vá! Corra para longe daqui! Eu tiro Shae de lá.
— Não posso. — Ele a puxou para um abraço demorado. — Sei que você quer me proteger, mas é o meu destino. Você e Shae tem coisas para fazer, eu não tenho ninguém, nenhum objetivo na vida. Nada.
— Se você sobreviver pode arrumar um.
— Então vamos torcer para que eu sobreviva. — Ele se afastou e abriu um sorriso. — Vamos. — Começou a puxá-la na direção da hospedaria.
Era tão horrível quanto sua visão. O fogo subia tantos metros que ela não podia nem contar. Um homem saiu correndo de dentro do lugar, Eve demorou alguns instantes para perceber que era o mesmo homem que havia fugido de Shae no beco.
— Você! — ela acusou, se aproximando.
— Eu não queria queimar o lugar todo, eu juro. Só ia roubar a espada e dar um susto nela. — Ele disse nos intervalos da tosse e então caiu no chão, desmaiado.
Eve o teria chutado naquele momento, se Daan não tivesse saído correndo em direção ao fogo, assim como na sua visão. Dessa vez ele não a abraçara.
Ela ficou encarando o prédio em chamas, sem esboçar nenhuma reação. Sabia que ele voltaria, isso estava certo já. Mas algo a consumia por dentro na mesma intensidade que o fogo consumia o local. Não se contentava que aquela seria a última vez em que veria Daan. E, se era assim que se sentia agora por conta dele, como se sentiria quando fosse a vez de Shae?
Pela primeira vez em muito tempo, Eve pensou em seu pai. Será que ele tinha se sentido da mesma forma quando a vira escolher o caminho de Cersey? Depois de assumir como oráculo, ela tinha feito o melhor possível para não pensar em sua família e, estava conseguindo, mas em momentos assim se perguntava o que os irmãos fariam em seu lugar e como estavam naquele momento. Será que ainda pensavam nela? E a mãe? Sentia saudades da filha? Ela duvidava.
Quando ela já achava que Daan estava demorando demais, sua silhueta apareceu, saindo do fogo, como um anjo protegendo Shae. A garota estava enrolada em panos, igual em sua visão. Quando foi colocada no chão, Eve percebeu que ela estava bem, mas ainda continuava desmaiada.
— Você está ouvindo isso? Eu estou ouvindo desde que chegamos aqui. — Daan franziu o cenho.
— Não. — As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela enquanto ela observava o rosto suado do amigo. — Você fez de novo.
— O quê?
— As mesmas palavras da minha visão, de novo.
Ele deu de ombros, como se não fosse importante, mas Eve sabia que era.
— Mas você não está ouvindo o choro de criança? Preciso voltar lá.
Ela segurou seu braço, ele se encolheu quando os dedos dela tocaram numa queimadura, mas ela não se importou com a dor dele. Queria fazê-lo enxergar a realidade, ver o que aconteceria se ele voltasse para lá.
— Você não precisa ir, não mesmo.
— Eu preciso, Eve. Eu preciso salva-lo. — Havia um brilho estranho em seus olhos, o caminho que as lágrimas faziam ao escorrer marcavam seu rosto sujo de fuligem.
— Não precisa — ela gritou, já se desesperando. Sabia que estava sendo um pouco egoísta, mas que fosse, ela não queria perder Daan também. — Por que você insiste em salvar essa criança se sabe que vai morrer?
Ele se curvou para ficar na altura dela e segurou seu rosto entre as mãos.
— Por que você disse que não tinha um lago na hospedaria, por que na sua visão ninguém saia de lá dentro e confessava a culpa. Se essas coisas mudaram, talvez eu posso mudar um pouco mais e salvar essa criança.
— Isso são detalhes, Daan. Coisas simples. — Ela soluçou e o abraçou, agarrando sua camiseta com força. — Você não precisa ir, não quero perder mais ninguém.
— Você sabe que se eu não aceitar meu destino agora, algo pior vai acontecer depois. Você mesma disse isso. — Ele deu um beijo na testa dela. — Adeus.
— Adeus. — Sua voz tremeu tanto que ela não soube se ele conseguiu entender o que ela disse.
Mas no fim, aceitou que ele estava certo. Detalhes da visão podiam mudar, mas sua essência não. Daan estava destinado a morrer salvando aquela criança, no fundo ela entendeu: ele não se importava de morrer se conseguisse salvá-la. E mesmo que não conseguisse, precisava tentar, Daan era bom demais para se perdoar caso virasse as costas para isso.
Alguns minutos depois que ele entrou, assim como em sua visão, ela viu uma criança sendo empurrada de lá de dentro, pouco antes de uma das colunas de sustentação se partir ao meio, derrubando o prédio todo. E assim, num segundo, tudo estava destruído. Eve não fazia a menor ideia de quantas pessoas tinham ficado dentro da hospedaria e perderam suas vidas, mas não acreditava que muitas tinham conseguido sair.
Ela ficou ali, sentada no chão, com Shae ainda adormecida com a cabeça em seu colo. Pessoas começaram a se aproximar, formando uma densa multidão que observava enquanto os últimos resquícios de madeira queimavam. Alguns choravam, provavelmente pensando nos parentes que tinham perdido, mas Eve não se permitiu derramar uma lágrima sequer.
Ela continuou ali por muito tempo, mesmo quando começou a chuviscar e as pessoas ao redor se dispersaram. Mesmo quando começou a escurecer. Mesmo quando o fogo começou a se extinguir.
Agarrou o pingente do seu colar com tanta força que o desenho da pata ficou gravado em sua mão. Kaylan podia estar ali naquele momento, ele saberia o que dizer, sempre soube.
Aos poucos, Shae saiu de seu sono tranquilo e começou a virar de um lado para o outro. Lentamente, ela abriu os olhos.
— O que houve?
E então, olhando para aqueles olhos castanhos, aqueles olhos tão bonitos, sempre tão cheios de vida, Eve não aguentou. Se debruçou sobre Shae e chorou, sabia que logo teria que ver sua morte também, como podiam dar esse fardo para ela? Colocar tantas pessoas maravilhosas em sua vida, simplesmente para arranca-las de novo? E fazê-la assistir várias vezes suas mortes.
— O que estamos fazendo no meio da rua? Por que você está chorando? — A outra garota ainda não tinha entendido o que estava acontecendo.
— Daan está morto. — Ela não usou eufemismos, não precisava disso. Era melhor dizer as coisas de uma vez, sem explicações.
Shae a abraçou, confortando-a de uma forma que ela jamais imaginara.
— Está tudo bem — ela disse alisando os cabelos ruivos de Eve.
— Só um minuto. — Ela se soltou dos braços da morena e caminhou em direção a hospedaria em pedaços.
Passou por cima de madeira queimada e coisas que ela nem fazia ideia do que eram, também não queria saber, preferia não pensar muito naquilo e descobrir que era o corpo de alguém. Não demorou muito para que ela visse, brilhando embaixo de uma tora completamente negra estava a Invocadora de Almas. Sem nenhum arranhão, mais verde do que nunca, trazendo desgraça para a vida de todos.
“Tudo culpa sua”. Não conseguiu reprimir o pensamento.
Mas também se perguntava se não era culpa dela própria, que tinha decidido pedir ajuda à Daan, ainda no navio de Erickson.
Não podia pensar naquilo. Abaixou-se para pegar a espada e assim que a tocou sentiu o chão girar sob seus pés, piscou por um momento e então, quando abriu os olhos novamente, estava de volta aquela sala do trono.
Shae passava pelo tapete vermelho e subia os degraus que levavam ao trono, ela então se sentou na enorme cadeira e olhou para Shae.
Eve então viu, o brilho esverdeado da Invocadora de Almas, chamando sua atenção como nunca fizera antes. Estava na mão de alguém, mas quem? Por mais que forçasse a vista, era apenas um vulto que ela não conseguia distinguir. Por que não conseguia ver quem era?
Logo a espada foi erguida e em seguida abaixada em direção a Shae, cortando, mais uma vez, sua cabeça. O sangue vermelho formando um horroroso mosaico com o verde da lâmina.
— Por que fez isso? — Ela sentiu as palavras escapando de sua boca, apesar de não ter dito nada.
Ouviu uma risada que cortou seu coração.
— Eu fiz porque eu quis.
Fale com o autor