O Olho da Tempestade
17 Três em um
Notas iniciais
Eros com seus olhos de cores caleidoscópicas, covinhas ao rosto e cabelos negros cortados curtos, se senta ao trono central, e assim se fez magia... Ou a tecnologia. O seu trono possuía o símbolo de um coração sendo cruzados por uma flecha, ao se sentar, os tronos brilharam intensamente, todos no salão se curvaram aos três, meu corpo estava paralisado com aquela luz.
O som de motor preencheu o salão, observei que os tronos eram ligados a correias de ferros dentadas, elas começaram a rotaciona em sentido anti-horário, os tronos começaram a se aproximar, fumaça era expelidas por canos que se encontravam na parte traseira do encostamento.
Os tronos se chocavam, mas não sofriam nenhum dano. Eros, Filias e Ágape se mantinham em suas mesmas posição, era como ver três corpo se misturando. “Dois corpos não ocupam o mesmo espaço”, nada diz sobre três corpos. O brilho cessou e um novo ser surgiu, devia ter uns dois metros de alturas, calvo, um cavanhaque ao queixo, covinhas, corpo musculoso, definido e com tons cobreados.
— Filágeros! Rei das virtudes do amor, da amizade, da fraternidade e do prazer, senhor dos ventos. — anunciou o ser que surgiu da junção dos três.
— Salve Filágeros! — bradou todos em uníssono.
— Serafins, continuem a música, liberdade à diversão a todos! — retumbou pelo salão a voz de Filágeros, em seguida virou se para mim com seus olhos leitosos e disse — Venha ao meu jardim, temos muito que conversar em particular!
Filágeros nos conduziu por duas portas de ferro aos fundos do salão de baile, por trás do único trono feito de bronze, ouro e pedras que brotaram do chão, parecia uma flor germinando ao solo. Élpis disse algumas palavras em outra língua, parecia grego ou latim, as portas abriram diagonalmente, revelando um jardim de flores e pomares de frutas: rosas, violetas, cravos, margaridas, uma macieira, oliveira e pés de morango e abóbora ao solo.
Filágeros caminhou a um banco de madeira pintado a branco, a estrutura do banco era sustentada por barras de ferro. Ele se sentou em uma das pontas, cruzou as pernas, em sua mão surgiu um arco enquanto o outro braço se esticava sobre a cabeceira do banco.
— Por favor, sente-se! — ordenou ele.
Mesmo não agindo sobre sua vontade, me sentei o pouco afastado do mesmo, ele ainda era um dos Setes Virtudes e não me senti confortável do seu lado, ele era muito benevolente, mas isto possa ser o seu poder de ataque, o seu charme.
— Talvez este tipo de vestimenta não seja habitual na estufa em que habita! — disse vendo o meu constrangimento, então os laços dourados o nortearam com mais velocidade, seu corpo brilhou. — Perfeito! — o brilho cessou e deu passagem a um rapaz vestido calça de linho branco e camisa regata branca — Então, faça suas perguntas?
— Onde está Élpis?
— Está vindo, digamos que seu ferimento requer um pouco mais de tempo! Fobius a machucou muito!
— Desgraçado...
— Não o culpe, ele... Foi apenas mais um peão de Dynami em seu jogo! — Filágeros me interrompeu.
— Perdão!
Por um momento senti que Filias fosse a responsável por esta última resposta, queria lhe fazer mais algumas perguntas sobre este garoto-demônio e seu relacionamento, mas lembrei de que o corpo também era de Eros e Ágora. Dentre os seres que habitavam o jardim, um deles era familiar, um réptil rastejava sobre o gramado enquanto comia o cálice de algumas flores.
— Tsur-U?! — perguntei.
— Uma criatura incrível, é uma pena ser um dos últimos de sua espécie. Vocês seres humanos desprezam inteiramente outra vida biológica, a não ser que ela seja fundamental a vocês. — respondeu Filágeros.
— Nossos professores sempre dizem que todo animal é selvagem! — exclamei.
— Seu professor é um selvagem e nunca sentiu o carinho de um cão ou gato, todos os seres vivos amam, o amor é tão forte que não é apenas uma virtude humana, estou presente nos mais antigos tempos!
— O que você quer de mim?
— Como Élpis disse anteriormente, você passou de minha casa depois do horário fornecido ao meu tempo de poder, como dizer, induzi-lo a entregar sua alma a mim.
— Sei disto, mas então.
— Isso talvez fosse culpa minha, por ser muito benevolente, ou talvez seja uma forma de não me fortalecer; a maioria dos escolhidos que chegam ao meu templo entregam sua alma a mim e isto irritou as outras virtudes, como punição, meu tempo em geral é recortado sobre os testes de Prosochí!
— Mas o que faz os escolhidos lhe entregarem a alma de boa vontade... Dinamy usa da força, Prosochí desafia o inimigo em troca da alma; vocês têm este campo de amor e felicidade, é tudo lindo, ok, mas como que você persuadiu os escolhidos?
— Eu apenas consumo parte de sua alma!
— Parte dela? — questionei.
— Todas as virtudes consomem sua alma por inteiro, mas o que elas não sabem é que sua alma é dividida em três partes, e cada uma dela são seus desejos e paixões, às vezes um indivíduo tende a dar mais valor a uma do que as outras partes. A primeira parte é racional, a ela é guardado o aprecio pelo saber, pela experiência, pelo conhecimento, Prosochí tem afeto a esta parte da alma.
Lembrei em como Prosochí me acalentava em uma cadeira de balanço, ele tinha dito apreciar os mais sábios. Estava fraca, pois se alimentava dos inteligentes, mas somente os mesmo conseguia vencer os seus testes.
— A segunda parte é irascível, a ela é apreciada o gosto pela batalha, pelo trabalho, pela vitória pessoal, é preservado o espirito de guerreiro e honra! A terceira parte da alma é a apetitiva, eu aprecio esta alma, ela dar valor ao prazer carnal e material.
— Como você fez para ter seus escolhidos de volta ao templo?
— Eu o ajudei! — disse uma voz atrás de mim.
Virei-me para notar uma garota. Diferente dos restantes das mulheres e seres do sexo feminino da ilha, ela não trajava poucas roupa, usava vestido azul preso por um laço branco em sua cintura. Seus pés estavam descalços e ela carregava uma adaga presa a seu laço e um relógio de bolso a mão.
— Meu nome é Auras, deve ter conhecido minha mãe no templo anterior, sou a Virtude do altruísmo. Este relógio permite que eu avance ou retorne ao tempo, em busca de proteção, venho agindo no tempo para a guerra que se aproxima.
— Guerra? Que guerra?
— No momento não tenho explicação a tudo. Filágeros negociou sua oferta?
— Qual oferta?
— A oferta é de ser meu protegido aqui na ilha, você viverá feliz eternamente e pode até amar, ter a liberdade de ser independente, comer de quaisquer frutos, beber de quaisquer águas, a ilha é a cornucópia dos deuses, ela lhe oferecerá néctar e ambrósia. — disse estendendo sua mão — em troca eu apenas absorverei uma parte de sua alma, alguns que vem aqui oferecem a racional e tornam-se guerreiros amantes; e outros oferecem a irascível, e tornam-se sábios amantes; e por fim a apetitiva, tornando-se sábios guerreiros!
— E se eu recusar?
— Ouça Layer, eu não sou seu inimigo, conte-me como um aliado! Se recusar, Auras lhe acompanhará até as terras de Ékatrea, e seguirá com sua missão, talvez você seja o escolhido a profecia e conduzirá as virtudes a grande guerra!
Sua proposta era tentadora, viver entre os habitantes da ilha Chipre, eu teria um local em que habitar sem precisar morrer, mas isso seria em troca de entregar parte dos meus dons. Talvez eu entregue a minha alma irascível, se realmente aconteceria uma guerra, eu não queria lidera-la.
Aos portões do jardim surgiu Omnimus em sua cadeira motorizada, Élpis surgiu logo depois com uma muleta sob o braço direito, ambos acompanhados por bebês querubins. Ela possuía curativos na região abdominal e braços.
— Élpis! — corri para ajuda-la a se sentar ao banco.
Omnimus logo atrás de mim pronunciou algumas palavras enquanto os querubins deixavam o local. Não me importei sobre o que disse, apenas em manter Élpis ainda viva.
— Estou bem! — disse ela se apoiando ao banco e fazendo cara de dor — Só não estou preparada para o combate! Layer continue, eu lhe encontro nos próximos desafios!
Filágeros ainda olhava a mim com seus olhos alvos, ele parecia está preocupado, mas não com o estado de Élpis. O que lhe incomodava?
— Élpis, eu estava oferecendo o acordo a Layer!
— O que? — Élpis perguntou a Filágeros e depois me observou. — Você não pode aceitar a proposta, você tem um destino, eu confio plenamente que você vencerá os setes e trará fim a este pesadelo pondo fim a A Grande Tempestade.
— Mas e essa tal de guerra? — perguntei.
— O que eles disseram para você, isto é impossível, as profecias dizem que o único modo de parar a Grande Tempestade é suprimi-la. — disse Élpis. — Vocês são malucos, a guerra apenas trará mais Caos!
— A guerra vai acontecer! — disse Filágeros — Com ou sem o escolhido, as virtudes não aguentam mais esta oligarquia dos Setes, e eu estarei ao seu lado, há tempos que somos comandados pela Esperança, vejo virtudes menores morrendo; veja o estado de Omnimus, ele foi o primeiro dos Setes a ver que a salvação não é causar uma carnificina que vem se desenvolvendo ao longo dos anos.
— Filágeros, se você comandar está guerra, você estará sentenciando seu orbito! — disse Élpis.
— Entretanto se assim desejar, reúna as virtudes e as comande a batalha... — disse.
—... Enquanto Layer e eu vamos a Grande Tempestade, a resposta está lá, eu acredito — disse Élpis se levantando do banco, entretanto sem forças voltou a cair. — Ai!
— Você está...
—... Bem? Sim, eu estou!
— Que fofo, um completa a frase do outro! — disse Filágeros sorrindo. — Mas a decisão é de Layer, você escolhe o seu destino, ficar na ilha ou continuar...
Se não, estaria condenado à morte e não poderia ajudar as virtudes; se sim, qual alma ceder. Omnimus disse algumas palavras, Auras e ele estavam tão quietos que até esqueci sua presença ali.
— O que ele disse? — perguntei.
— Ele disse que você foi o primeiro garoto com uma aura de coragem superior a de Dinamy!
E com este elogio fiz a minha escolha.
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