No dia seguinte, acordamos como todos os dias, no nosso quarto, que foi escavado cinco anos atrás, e era menos do que os mais antigos. Eu olhava sempre para as mesmas coisas. O armário minúsculo onde eu escondia meu maior segredo. Meus livros no canto. E o chão de pedra.

Senti o hálito quente de Jamie em minha orelha.

-Bom dia...

Ele disse.

-Bom dia. – Respondi bocejando, por isso acho que saiu algo como “Uoun Ia”. – Hoje tem reunião não é?

-Tem. Mas tenho que te mostrar uma coisa.

Ele se levantou, e eu me apoiei nos cotovelos para ver o que ele estava fazendo. Ele remexeu no bolso do Jeans que estava usando no dia anterior, e tirou alguma coisa, mas eu não pude ver porque ele fechou a mão quando tirou.

-O que é isso?

Perguntei bem-humorada, com um sorriso. Ele se ajoelhou ao lado do colchão.

-Lembra quando você foi no meu QG? Das coisas que estavam nas prateleiras?

-Sim. O pato, o guarda chuva, a foto... E mais umas coisas.

-Um anel sem par. Ontem em eu achei o par.

Juntei as sobrancelhas em sinal de surpresa e curiosidade, olhei para as mãos dele que se abriam. Dois anéis de prata com um diamante em cada um. Pareciam feitos por mãos divinas, e juntos, eram tão lindos... Como se fossem feitos um para o outro, e eram.

-Ah, Jamie! Eles são maravilhosos...

-Não são? No outro anel, eu não podia ler o que estava escrito, mas nesse a inscrição está bem visível.

Com a mão livre ele pegou minha mão e leu em voz alta, segurando o anel na outra mão com dois dedos.

-Meu anjo, até que as estrelas caiam do céu.

Sorri e levantei os olhos do anel, para olhar para seus olhos azuis. Notei o quanto pareciam-se com o diamante do anel. E antes que eu percebesse, ele rolou o anel por meu fino quarto dedo da minha mão esquerda.

-É seu.

Aproximei-me dele e encostei minha testa na dele.

-Eu sou sua.

Sorrimos e nos beijamos.