POV. Jamie

Eu estava de volta? No meu próprio corpo? Sozinho? Então porque tudo parecia tão estranho e tão diferente?

A primeira coisa que voltei à sentir foi minha respiração, longa e profunda. Depois, gradativamente, meus membros foram voltando à mim, desde meus dedos dos pés, meus joelhos, minhas coxas, minha cintura... O que ficava adiante dela ;-), meus braços e minhas mãos.

Ambas as minhas mãos estavam sendo seguradas. De um lado, uma mão forte, decidida e feminina que desencadeava muitas lembranças em mim. A outra ela delicada, graciosa, pequena, e naturalmente macia. Mel e Peg. Minhas irmãs.

Mas aonde estava Serena? Não sentia outra mão em mim, não ouvia passos ao redor, só ouvia duas respirações perto, e na conversa baixinha de Mel e Peg, ela não foi mencionada nem uma vez. Fiquei preocupado com o que quer que estivesse acontecendo.

Tentei tremelicar minhas pálpebras.

-Olha, Mel. Acho que ele está acordando.

Disse a voz tilintada de Peg com a animação estridente que herdara de Pet.

-Jamie? Jamie, querido, pode me ouvir?

Mel perguntou. Eu quis responder, mas ainda estava procurando a minha garganta, e me lembrando como eu fazia para eu mexer a boca de um modo que fizesse sentido. Elas teriam que se contentar com meus olhos azuis, agora descortinados pelas pálpebras.

Encontrei dois pares de olhos preocupantemente felizes olhando para mim. Os cinza-tempestade, temperados com os tradicionais arcos prateados das almas, de Peg, e os castanhos de Mel. Procurei por um terceiro par, completamente prateado, mas não encontrei.

-Jamie? – Chamou Peg, voei meus olhos para ela esperando que ela dissesse algo de Serena. – Já o retiramos. Patty não está mais com você. Está livre e sozinho no seu corpo.

Ela riu e deu uns pulinhos, mas depois se conteve. Teria sorrido se não estivesse distraído recomeçando a sonda com meus olhos atrás de Serena. Como se tivesse lido minha mente (o que teria sido bizarro mais muito legal), Mel disse:

-Serena está bem, está ali.

Ela apontou para algum ponto atrás de Peg. Ouvi um catre rangendo, e virei minha cabeça na direção da porta a tempo de ver claramente os cabelos ruivos ondulados de Serry saindo da enfermaria sacudidos por soluços profundos que saíam de seu peito e deixavam um rastro da lágrimas.

Minha vontade era fazer o que sempre fazia. Ser o porto-seguro dela, abraçar aquele corpinho minúsculo esperar ela se acalmar, beijá-la e esperar ela dormir no meu colo, para que esquecesse o que fosse que a incomodasse. Mas eu não podia. Não naquele momento.

Aquilo estava me levando à loucura. Os olhares das minhas irmãs foram da porta para mim, e de mim para a porta e para mim outra vez.

-Puxa Mel, entendo o que quis dizer, Patty faz falta aqui dentro... Que silêncio... Dá até para ouvir o eco...

Foram os únicos comentários que consegui pensar em dizer para tranquilizá-las e mostrar que era o mesmo de antes. Elas riram e eu dei um sorriso falso.