O Olhar de Um Inimigo
19 Capítulo 19
Acordei de manhã com a mesma convicção de que tudo ia ficar bem. Ian estava brincando com Roxanne e Saralynn esperava pacientemente a sua vez. O bom das minhas meninas, é que elas se adaptaram rapidamente ao meu sono. Elas dormem fácil e sempre à noite.
-Bom dia, meus amores.
Eu disse me sentando para me espreguiçar. Ian olhou para mim sorrindo.
-Bom dia, Sra. O’Shea.
Sorri e o beijei.
-Bom dia, Sr. O’Shea. O que eu e meu maridão vamos fazer hoje?
-Está brincando?! Vamos espalhar as boas novas. Nossa filha que estava perdida voltou e nosso irmão que estava morto ressuscitou.
-O filho pródigo.
Parei de lecionar à apenas um ano atrás, quando todos conheciam a maioria das minhas histórias, e quando eu parei, Ian comentou que achava que eu falava sobre as almas e seus planetas com muita paixão, por isso ele me ensinou um pouco da religião dele antes da guerra.
“O filho pródigo” era uma das únicas das passagens que ele se lembrava inteira, e era a minha favorita. Falava sobre o perdão, sobre a família. Era o que eu me lembrava quando às vezes eu me sentia excluída de alguma maneira.
-Exatamente. E além do mais vamos mostrar ao mundo nossos pequenos milagres.
Ele disse balançando Roxanne. Acariciei os cachinhos de Saralynn rindo.
-Você vê Saralynn? Vocês foram promovidas de coisas à milagres. Que progresso, continuem assim!
-Ah, Peg... Eu estava com medo, estava cego... – Sua voz deixou de ser brincalhona e voltou à ser doce e suave como tinha sido na noite anterior – Qualquer um com esse potencial seria um coisa. – Revirei meus olhos. Ele tinha esse potencial. — Mas foi só até conhecê-las. É impossível não se apaixonar por elas, principalmente porque eu fiz parte disso com você. Por favor, vamos combinar de nunca dizermos à elas o que eu disse e nem o que aconteceu.
-Mas o que é que você fez Ian? – Eu perguntei dando um sorriso de desentendida. – O que você disse mesmo?
Ele sorriu.
-Eu Peg? Acho que só disse o quanto vocês três são maravilhosas desde o começo da gravidez.
Rimos.
Resolvi recomeçar minha vida mais ou menos como ela era antes. Quase na verdade. Amamentei as gêmeas do jeito que eu me acostumei à fazer no último mês, olhando-as direto nos olhos, sorrindo ternamente, para ser tudo o que ela precisavam. Percebi que Ian não tinha feito nenhum comentário dos olhos de Saralynn até ali.
Quando as duas pareceram satisfeitas, era minha vez e de Ian de comer, porque afinal, ainda éramos humanos e como dizia Ian, filhos de Deus.
-Peg!
Ouvi a Mel me chamando assim que chegamos ao refeitório.
-Mel!
Gritei de volta quando a vi. Corremos uma em direção à outra e nos abraçamos, tentando não esmagar Roxanne em meu colo. Estranhei o abraço dele, era desesperado, assustado. Não era quente e caloroso como geralmente era, era o abraço de quem precisava de ajuda.
-Oh Peg. Ainda bem que você está aqui...
Ela disse. Estava rouca e sua voz parecia embargada de lágrimas.
-Está tudo bem o que aconteceu?
Perguntei olhando confusa para ela.
-Você não faz ideia do que aconteceu...
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