Nas próximas cinco semanas que se seguiram, meu humor melhorou significantemente. Depois que eu soube da história de Peg, fiquei esperançosa que eu pudesse encontrar meu lar e me encaixar no meio daqueles humanos. Se Peg, Sunny (e mais algumas almas, cujas quais eu não me dei ao trabalho de decorar o nome), que eram totalmente almas conseguiam, porque eu que era metade humana não conseguiria?

Acho que conquistei a confiança da resistência no horrendo teste naquele dia, porque agora, Jamie me deixava participar mais das coisas, falar com as pessoas, e conhecer os túneis secretos. Comecei à sentir uma afeição enorme pela família Stryder, Mel, Jeb, de certo modo Peg, mas principalmente por Jamie, que mesmo que não admitisse ele era muito parecido com o tio.

Os dois riam do meu modo ingênuo e cantarolavam ou assobiavam com as mãos nos bolsos passeando pelas cavernas e sempre que alguém passava uma das mãos era levantada em sinal de olá, mas sem nenhuma palavra. Naquela manhã me ocorreu um pensamento, do qual eu não tinha certeza, e preferi não verbalizá-lo enquanto recebia Jamie com um grande sorriso na enfermaria.

-Olha quem está feliz hoje!

-Hoje? Estou sempre feliz.

-Touchée.

Ele disse com tocando a ponta do meu nariz carinhosamente com um sorriso. Sentou ao meu lado no meu catre e parecia tão radiante quanto eu.

-O que vamos fazer hoje?

Perguntei.

-Hoje vamos passear.

Ele disse colocando um boné de beisebol distraidamente.

-Agora? Não é muita irresponsabilidade ir passear antes de trabalhar?

-Exatamente. Jeb acha que adolescentes são irresponsáveis e saem juntos. Ele usou as palavras: “Vão passear e mandem brasa no funk”.

Ele imitou o tio, com sua voz rouca, o que me surpreendeu de como ele parecia mesmo com Jeb. Ri e tentei entrar no clima do passeio.

-Aonde vamos?

-Dar uma volta no deserto.

-Quer dizer... Que a fase da desconfiança acabou.

-Não, só diminuiu. – Ele disse mostrando o revólver que carregava no bolso de trás, quando eu me retraí de medo, ele o guardou de novo no bolso. – É o “nosso” – Ele disse colocando aspas no nosso – teste número 2.

-Odeio seus testes.

Eu disse com a voz como um grunhido. Parecia que ela tinha virado ácido e se recusava a sair da minha boca, e que fazia meus olhos arderem e meu rosto ficar vermelho.

-Eu também. – Ele admitiu, abaixando a cabeça. Depois levantou só os olhos como um cachorro pidão. – Mas vai ser divertido. Me acompanha?

Ele deixou a voz bem fininha na última frase e eu não tive como não rir e acompanhá-lo enquanto ele se levantava.

-Se você ta dizendo...

Eu disse rindo enquanto ele me conduzia pelos túneis.