-Serena? Você está aí há muito tempo! Está tudo bem?

Eu ouvi meu pai gritando do lado de fora da porta, mas não me importei e continuei dormindo até ouvir a porta ser arrombada.

-Pai!

-Serena, o que tanto está fazendo aqui dentro?

-Desculpe, acho que dormi.

-Vem eu te ajudo a levantar. Vá se vestir, essa água está um gelo!

Ouvi-o reclamar por horas a fio. Ele estava aflito e assustado, mas não mais do que eu. De noite, enquanto Teresa Marie ronronava levemente e Cal revirava-se na cama, eu puxei uma cadeira para a janela e observei as estrelas. Nas cavernas eu saía ocasionalmente para vê-las com meu telescópio, mas havia muito tempo que não via.

Flash Back

-Jamie, não gosto da tensão que está aqui dentro. Faz muito tempo que não vejo as estrelas.

-Sei que não consegue dormir direito quando não as vê, mas é perigoso sair. Mas... Eu posso tentar ajudar...

-Como?! O que pensa que vai fazer?!

-Calma, eu nem sempre estou com a mente no esgoto! É que quando eu era pequeno, só tinha uma canção que me fazia dormir...

E ele cantou para mim, a noite toda, e quando fechei os olhos, pude ver as estrelas, constelação após constelação.

-Brilha, brilha, estrelinha, quero ver você brilhar. – Sussurrei. – Brilha, brilha estrelinha, onde é que você está? Vai brilhando, vai brilhando, até eu te encontrar...