POV. Peg

Eu quase não podia acreditar que já faziam 2 anos desde que eu ganhara meu novo corpo, e que descobríramos as outras resistências. Muita coisa havia mudado. O fluxo de ex-almas estava aumentando e novas alas de dormitórios estavam constantemente sendo escavadas.

Assim como Jodi, muitos corpos não puderam ser recuperados, e as almas que compreendiam passeavam por todo o lugar, e povoavam as incursões, e me deixando cada vez mais esperançosa. Deu muito trabalho não fazer fervo com os desaparecimentos, mas estávamos conseguindo. Ás vezes alguma alma não aceitava o que estávamos fazendo, e éramos obrigados à... Bom, o resto já é de se esperar. Esse era o jeito de proteger minha família. O custo.

Naquele dia, eu estava muito preocupada, porque alguma coisa estranha estava acontecendo com o corpo de Pet.

-Peg, você está bem?

Ian perguntou. Em geral, era difícil acordá-lo antes do meio dia. Menos em dia de trabalho, o que era o caso hoje. Escavações de uma nova ala.

-Não muito.

Senti suas mãos enormes me virando, para me fazer olhar para ele.

-O que está acontecendo?

Ele perguntou preocupado, urgente. Seu instinto protetor para comigo só tinha aumentado, e qualquer coisinha o fazia ir ao delírio.

-Calma. Só não estou me sentindo muito bem hoje. Estou meio enjoada.

-Acho melhor você ir ao Doc...

Uma náusea repentina me atingiu e só deu tempo de virar meu rosto para longe do colchão. Ian se recuperou rapidamente do choque do meu vômito, e segurou meu cabelo. Ele limpou minha boca com a ponta do lençol.

-E... Eu tinha razão.

-Engraçadinho. Acho que estou meio doente. Vou só ficar no quarto hoje, acho que amanhã vou estar como nova.

-Acho mesmo melhor você ir ver o Doc.

-Ah, vamos lá, não deve ser nada demais. Acho melhor você ir se aprontar para ir logo para as escavações, e a gente se vê no jantar, tudo bem?

-Não tenho certeza... Não sei se devo deixar você sozinha.

-Pode ficar calmo, vai ficar tudo certo.

Eu tentei sorrir para tranquilizá-lo. Pelo jeito funcionou, ele me deu um abraço e me lançou um olhar terno. Eu adorava aquele olhar. Era o meu olhar. Nunca vi ele usá-lo com ninguém que não fosse comigo, e me fazia pensar sempre, porque? Porque ele me escolheu para me amar? Ele podia ter se apaixonado pela Melanie, mas foi por mim, a lacraia prateada de 10 cm.

Ele se vestiu enquanto me olhava. Eu sorria quando via o quanto ele se preocupava, era tão lindo. Ele beijou a minha testa e saiu. Minha cabeça começara à doer, e eu fechei os olhos para descansar um pouco.

-Peg... — Chamou minha antiga voz — Ainda dormindo? Cadê o Ian?

Não cheguei nem à abrir os olhos, continuei deitada.

-Deve estar nas escavações. Eu não estou muito bem hoje.

-Ahnnn — Eu ouvi os passos dela até parar ao lado do colchão — Como assim? O que é isso no chão?

-Vômito.

-Eca, Peg.

-Eu avisei.

-Você vai ficar bem?

-Claro, já vai passar.

-Mando o Jamie para tapar o buraco com na enfermaria. Depois eu peço para o Doc passar aí.

-Não precisa. Sério.

-Você que sabe. Então eu volto depois.

Passei a tarde toda deitada e por fim a dor de cabeça cedeu. Levantei com dificuldade e fui atrás de um balde e um pano úmido para limpar o vômito do chão. Durante toda a tarde eu fiquei enjoada. Periodicamente eu vomitava no balde. Nada bonito de se ver, por isso agradeci que meu namorado estivesse ocupado.

Ian chegou à noite, exausto.

-Oi Peg.

Saudou com a voz sonolenta, me abraçando.

-Boa noite. Cansado?

Perguntei, sentada ao lado dele.

-Esgotado.- Seu rosto deixou de ser cansado ao olhar para mim e se tornou preocupado. — Estava deitada até agora?

-É.

Admiti, um pouco envergonhada.

-O que é aquele balde ali?

-Seja como for Ian, não olhe dentro dele.

-Você vomitou tudo aquilo?

-Não... Quer dizer... Sim... Ou melhor... Talvez.

-Peg, se não está se sentindo bem, devia me contar — Acho que meus olhos cansados e febris lhe deram a resposta. Ele pegou minha mão e acariciou meu rosto. — Amanhã. Doc. Bem cedinho. Não tente me impedir.

Eu sorri.

-Está bem.

Ele ajeitou-se para deitar-se ao meu lado, eu me deitei também. Fiquei olhando para seus olhos, a minha mistura de neve, safira e meia-noite. Poucas coisas eu considerava minhas de verdade. Peguei-me pensando sem querer em como Ian devia ser quando criança. Kyle e ele deviam colocar a vizinhança abaixo.

Sorri ao pensar na criança de olhos azuis rindo. Algo realmente puro.

-No que está pensando?

Ele perguntou, sorrindo.

-Em você – Respondi – Eu não poderia pensar em outra coisa.

Ele ficou satisfeito e com um beijo na minha testa fechou os olhos e adormeceu, ligando a sua serra elétrica de roncos. Também fechei os olhos e dormi.

Sonhei com duas crianças. Encaravam-me felizes, com olhos safira, meia noite e neve, eram muito parecidas, e não deviam passar dos 5 anos de idade. Eu dei um abraço nas duas e elas riram. Como se eu fosse a melhor coisa que elas nunca haviam visto.

-Peg?

Ouvi Ian me chamando na manhã seguinte.

-Já chamei Doc aqui, mas ele virá daqui a pouco, mas eu preciso ir. Tudo bem?

-Claro – Eu disse com a voz rouca de sono. – Faça o que tem que fazer. Tudo certo comigo.

Ao dizer isso a náusea do dia anterior voltou e com uma pancada me fez sentar rápido o bastante para me deixar tonta e vomitar dentro do balde. Ele segurou meu cabelo e esperou.

-Cesta – Murmurei tentando imitar um locutor de basquete, enquanto eu me embaralhava para limpar a boca com as mãos trêmulas, por fim Ian teve que fazê-lo. – Que desagradável.

Ele me deitou delicadamente, e sentou ao lado do balde sem desviar o olhar de mim o que achei admirável da parte dele porque acho que nenhum humano conseguiria resistir à olhar só para poder fazer uma careta de nojo.-Vou ficar.

Decretou.

-Mas você tem que ir...

-Não vou te deixar sozinha nesse estado...

Tentei bufar sem sucesso.

-Mas que estado? Se Jeb brigar com você...

Seu rosto tornou-se irredutível, e ele se aproximou.

-Está me querendo longe, Peregrina?

Ele perguntou desafiador. Eu peguei a mão dele, não o queria longe. Nunca. A simples menção dessa possibilidade me deixou exasperada.

-Não, por favor, eu nunca disse isso. Só não o quero ver pagando o preço depois.

-Jeb não vai se importar alguns minutinhos.

-Tem certeza?

-Tenho, meu amor.

Ele tentou me beijar, mas eu me afastei.

-Melhor esperar eu escovar os dentes ao menos que queira provar macarrão instantâneo com molho de gases gástricos.

-Hum... Delicioso.

E mesmo com a sujeira (E o vômito) na minha boca, ele me beijou. Porque para ele não importava, meu cheiro, minha aparência, ou meu corpo. Porque ele me amava.

Notas finais
Aqui está gente. Se era Peg que vocês queriam, aí está um banquete dela.