POV. Peg

Para recuperar Saralynn, eu e Roxanne éramos peças fundamentais. Mas eu não me lembrava de nada, e Roxanne não havia visto o rosto da mulher que levara Saralynn e tudo o que ela queria era esquecer-se de tudo o que acontecera e esperar a sua irmã voltar e eu não a culpava por isso, afinal ela tinha apenas 5 anos.

Todos que no dia anterior estavam prontos para se mudar, agora já estavam reinstalados e apertados como sempre. Agora mais atentos.

Meus amigos tentaram me visitar, para tentar desencavar algo de mim, mas nem eu nem Ian permitíamos. De todas as coisas que mudaram de um dia para o outro, a segunda coisa que mais me chocou, foi o meu rosto, que devido à luta, ficara cheio de hematomas, cortes e roxos por todo o canto, e eu não queria que meus amigos me vissem sofrendo.

Outra coisa que me deixou chateada é que devido a esses machucados, Ian não chegava mais perto de mim, com medo de me machucar. Limitava-se apenas e pegar minha mão e afagar levemente meu cabelo, de um modo que eu mal podia senti-lo. Ele nem dormia mais comigo, com medo de me bater acidentalmente durante a noite.

Naquela tarde, eu finalmente o convenci a sair um pouco, eu sabia que a falta de contato entre nós era horrível para ele.

Doc veio me ver como de costume naquela semana. Ele vinha fazia algumas perguntas, checava algumas coisas, perguntava como eu me sentia e ia embora. Alguns minutos depois Roxanne começou a se remexer no seu sono e acordou de repente, chorando e gritando:

-Lynn!

Beijei sua testa e acariciei seu cabelo, ela abraçou minha barriga tremendo e suando frio.

-Sonhou com Saralynn, não sonhou?

Ela afirmou com a cabeça.

-É esse negócio de gêmeas.

Revirei os olhos. Um tempo atrás, as duas não ficavam cinco segundos juntas sem brigarem, então, Ian inventou a conexão de gêmeas, e disse a elas que se continuassem brigando, teriam pesadelos por conta desse fenômeno gemial (vê se isso é possível). Dito e feito. É incrível o poder da sugestão sobre os humanos.

-Pode ser... Ou você só está com saudades...

-Eu quero a minha irmã de voooooooltaaaaa!!!

Roxanne choramingou.

-Ela vai voltar, meu amor. A mamãe promete que ela, o papai e o tio Jeb vão trazer a sua irmã de volta.

Ian entrou e colocou a porta no lugar. Foi lentamente até nós e se ajoelhou ao lado da cama como se estivesse prestes a se confessar e não beijar sua esposa. Beijou por um segundo meus lábios arrebentados, e mesmo nesse tempo deu para sentir sua tensão. Afagou o rostinho de Roxanne limpando suas lágrimas.

Havia um roxo na testa dele que não estava lá quando ele foi comer o café.

-Aconteceu alguma coisa?

-Acho que sim, na sua testa.

Eu respondi, irônica, acariciando o local com carinho.

-Ah, isso? Não foi nada, abaixei-me para pegar o talher que deixei cair e bati a cabeça na mesa.

Isso não fazia o menor sentido, o roxo era logo acima de seu olho, não tinha como ele, tão habilidoso bater logo ali, em uma mesa. Uni as sobrancelhas em sinal de preocupação ele afastou minha mão acariciando-a. Era um dos poucos lugares não doloridos do meu corpo.

-Não foi nada, juro.

-Não está doendo?

-Precisa mais do que isso para me derrubar, linda.

Sorri, sempre tão otimista... Senti que confiava nele, para me trazer de volta Saralynn e minha felicidade. Naquele momento, meu coração estava partido, e se havia alguém que podia juntar as partes, era Ian.

Ele olhou atentamente para Roxanne e a pegou no colo. Ela encostou-se a ele. Eu sabia que ela confiava mais nele, e apenas por aquele momento não me ofendi, porque ela precisava de um apoio.

-O que houve Roxy?

-Eu sonhei com Lynn... Papai, a mamãe disse que você vai ajudar ela a trazer Saralynn de volta, é verdade?

Ian levantou os olhos para mim. Com meu olhar eu pedi que o fizesse. Ele sorriu tristemente como se dissesse que iria tentar.

-É Roxy, é sim...