O Olhar de Um Inimigo
29 Capítulo 29
POV. Peg
Era o dia da mudança, e um novo túnel havia sido aberto para irmos direto para a garagem de modo que não fôssemos vistos. Saralynn, Roxanne e eu íamos rápido, com medo do escuro daquele túnel estranho.
-Mamãe... Eu quero esperar o papai para ir.
-Ele pediu para irmos na frente, Roxy. Está ajudando os outros a arrumar suas coisas.
Eu respondi. Roxanne era muito apegada ao pai, mas ela tinha que aprender que eu era mãe e que eu podia protegê-la e brincar com ela tanto quanto Ian. Um vulto passou por trás de mim, e eu me virei rapidamente, colocando minhas meninas atrás de mim. Sarallyn cutucou minha perna.
-Você ouviu isso mamãe?
Assenti com a cabeça e as fiz andar mais rápido. Mais passos atrás de mim, decidi parar de correr.
-Quem está aí?
Eu perguntei. Nenhuma resposta, apenas mais passos em nossa direção, me abaixei abraçando minhas filhas contra o peito. Do meio do escuro veio um golpe que me acertou direto no rosto e me fez tombar, levantei rapidamente para proteger com meu corpo as minhas meninas, uma vez que elas eram violentamente puxadas de mim.
Fui acertada por um furacão de golpes. Eu gritei, uma ou duas vezes, mas eu também fui acertada na garganta, na barriga e nos pulmões. A essa altura, Roxanne já havia sido tirada de mim e gritava meu nome e o de Ian. Eu me agarrei com todas as forças às Saralynn, aquela sombra não iria tirar mais um dos meus anjinhos frágeis de mim.
Levei um chute no peito e perdi o fôlego e as forças. Sarallyn foi arrancada dos meus braços frios e flácidos, e enquanto eu guinchava como um porco para recuperar o fôlego, uma voz que eu não conhecia falou:
-Se quiser vê-las de novo, diga à Serena, que estou dando o troco. E que estarei esperando por ela, na delegacia dos Buscadores, prontinha para devolver essas crianças.
As duas continuavam gritando por Ian, eu queria pedi para elas pararem de gritar, porque aquele túnel era novo, frágil e podia cair, mas eu não tinha fôlego. A minha cabeça estava girando e não entrava ar nos meus pulmões. Os passos correram levando meus anjinhos para longe de mim, que gritavam por mim, e por Ian.
-Mamãããããããe!!!
Gritava Saralynn.
-Solta a gente, mano! Meu pai não vai deixar você se safar! Papaaaaaaaaii!
Gritava Roxanne. Eu fiquei ouvindo-as gritar até que suas vozes desaparecessem na escuridão, e eu estava no chão, gemendo e chiando pela falta de ar e pela dor.
-Roxanne! – Veio a voz de Ian do outro lado de onde minhas filhas desapareceram – Saralynn! Peg! Peg! — De repente ele apareceu e me viu no chão, e me pegou no colo com facilidade, enquanto eu ainda chiava para gritar. – Peg, Peg, fale comigo, cadê as meninas?
-Corra... Pegue-as... – Eu disse usando o pouco ar que consegui com meus chiados – Lá.
-O que aconteceu?
A voz de Jared apareceu na escuridão. Eu não via nada, e não sabia se estava de olhos abertos ou fechados.
-Não sei, fique com Peg, estou com um mau pressentimento.
Então ele sumiu e seus braços foram substituídos pelos de Jared. Não era a mesma coisa, não me transmitia a mesma segurança. Tudo o que ele falava eram sons confusos na minha mente, como se fosse um Urso falando comigo. Um humano nunca conseguiria entender aquela linguagem.
-Roxanne, volte para a sua mãe! SARALYNN!
-PAPAI!
-SARALYNN!
Não agüentei e me entreguei.
Fale com o autor