O Olhar de Um Inimigo
17 Capítulo 17
-Vamos para casa.
-Casa...
Eu sussurrei. Pegamos os moisés das bebês, as colocamos e fomos andando tranquilamente pelo deserto, sob as estrelas. Entramos, e fizemos as curvas que já sabíamos de cor e salteado. Não havia ninguém perambulando, e não passamos pela sala de jogos nem pelo refeitório, por isso, não encontramos ninguém.
Entramos no nosso quarto e de súbito eu senti que algo estava errado. Desde que eu mudara para esse quarto, ele tinha um cheiro específico. Primeiro o cheiro era de Ian e Kyle, e depois o meu cheiro me mesclou ao deles, mas agora, estava vazio, sem cheiro nenhum, como se estivesse desabitado por muito tempo.
-Ian... Porque parece que ninguém dorme aqui há tempos?
-Porque eu não tenho dormido aqui.
Ele disse, se sentando no colchão e acomodando o moisés de Roxanne no chão ao lado dele. Coloquei o de Saralynn ao lado e me sentei ao lado de Ian, colocando uma das mãos em seu ombro.
-Não tem?
Ele me encarou, e novamente pude ver que estaca aliviado por eu estar ali.
-Eu não tenho dormido, Peg.
Coloquei minha outra mão em seu rosto outra vez, e ele cobriu a minha com a dele.
-Porque?
Perguntei.
-Não sem você, Peg. Não sem você.
-O que é que aconteceu quando eu estava fora? Quanto tempo faz que não dorme aqui?
Fez-se silêncio por um tempo, um silêncio que eu já aprendera à desvendar faz tempo. Ele estava me escondendo algo.
- A última vez que dormi aqui foi na noite em que brigamos e você foi embora.
-Onde foi dormir então? Você... Foi me procurar?
Engoli em seco. Ele suspirou.
-Não. Quando eu acordei naquela manhã, e você não estava lá... E vi que talvez você não fosse voltar... Fiquei desesperado. Eu quis ir atrás de você, mas imploraram que eu não o fizesse. Por isso eu esperei.
-Onde?
Exigi.
-Na garagem. O mês inteiro. Eu quis desistir em alguns momentos, mas tudo valeu a pena porque você está aqui agora.
Ele me deu um abraço comprimindo meu rosto contra seu peito. Eu gostava, seu cheiro, meu cheiro, cheiro de Ian, cheiro de casa... Me fez esquecer o que ele estava me escondendo.
-Nunca mais vá embora, entendeu? – Eu afirmei com a cabeça ainda comprimida em seu peito – Seja minha para sempre, Peregrina. Casa comigo.
Não era uma pergunta, era quase uma ordem.
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