O Olhar de Osíris

1 Ca I - A Primeira Vez Que Vi O Mar


Notas iniciais
Todos os capítulos dessa fanfic serão narrados por Osíris! Caso alguém não entendeu essa história de Kanope ser Osíris, mas ao mesmo tempo não ser, pode me chamar nos comentários e.e
Essa fanfic foi postada no Wattpad, Nyah e Social Spirit.
Kiss

Talvez, no fundo, sempre exista um motivo para que todas essas coisas aconteçam em nossas vidas. Mesmo que seja um motivo que ainda não possamos identificar, um dia, tudo valerá a pena e em fim, nos saberemos por que no fim das contas tudo deu errado, para poder aproveitar o que está dando certo. Se Kanope ainda estivesse vivo, ele diria que eu estava sendo clichê de mais, com certeza também me diria que eu deveria começar essa história de uma vez, ele gostava que as pessoas falassem bem dele. Eu agradeço a ele por ter me emprestado seu corpo por tantos anos, por ter sido meu companheiro, mas ele nunca precisou passar pela sala das duas verdades, ele sempre fará parte de mim e sempre existirá um pouco de mim nele.

Por isso, eu vou começar a nossa história, a partir de onde deveria se começar: No inicio da vida de adolescente de Kanope. Mas quando me refiro a “nossa história”, não me refiro a minha história e a dele, mas também a de Seth e de Darwish! Talvez também de Mayumi e de Isis... Ou de Carolina e de Néftis... Em fim, porém principalmente a minha história como Kanope, e a de Seth como Darwish.

Lembro até hoje, como foi a sensação de ver o mar pela primeira vez.

Foi em uma madrugada de 10 de abril, o dia em que Kanope completa aniversário. Bete saiu da cidade de Nomos, com seus cinco filhos adotivos dentro de sua velha Kombi, com os cabelos arrumados em um coque desgrenhado, a blusa verde deixando marcada seu físico corpulento e uma calça azulada justa, acompanhada de um par de tênis. Bete nunca pode ter filhos, nunca teve um marido, nunca perdeu a virgindade e pelo jeito, também não se importava muito com isso, mas sua falta de companhia lhe intrigava, o que lhe levou a adotar exatamente cinco filhos, todos eles homens: Erick era o mais velho com 19 anos, depois veio Luan com 17, seguido por Paulo de 15 e por fim, Kanope de 14 anos e Darwish, com apenas 11, todos exatamente diferentes, apenas os dois caçulas que por alguma razão, foram abandonados juntos e ironicamente, também foram adotados juntos, os únicos que tinham o mesmo sangue correndo pelas veias.

- Kanope! – Bete gritou para o garoto, que voltou-se para trás, a chamado de sua mãe adotiva. – Não demorem muito, estarei esperando na Kombi.

O garoto assentiu e a mulher suspirou, adentrando no veiculo, onde tudo já estava preparado para que eles adormecessem ali. Sem as sandálias, Kanope arrumou seus cabelos crespos e castanhos para trás, mesmo que não adiantasse de nada, pois de tão grandes e volumosos, eles chegavam a lhe dar um ar hipster estranho, mas ele achava aquilo tudo legal, apenas sentindo a areia dentre seus dedos, vestindo uma bermuda azul e um casaco preto, sem utilizar o seu capuz. O jovem aniversariante olhou para o céu, com os seus belos e cintilantes olhos castanhos mel, em um tom tão extravagante que chegavam a se assemelharem a um amarelado, se destacando em seu corpo, principalmente pelo fato de Kanope ter uma pele morena, ser alto e magricela, mas não tanto, só é chamado assim por que seus irmãos mais velhos são todos galãs de novela das oito. Apenas os dois irmãos caçulas se diferenciavam dos demais: Darwish e Kanope, também conhecidos como O Gordo e o Magro.

De tão pensativo, Kanope nem percebera que Darwish começara a jogar água em suas pernas, o que fazia o calor que ele sentia em seu corpo se relaxar um pouco, o que lhe incomodava.

Darwish apenas observava a cena, rindo divertido com as mãos em sua barriga rechonchuda. O irmão mais novo de Kanope era extremamente parecido com ele! Possuía a mesma pele morena que o irmão, assim como os cabelos crespos e volumosos da mesma cor, sem contar os seus olhos castanhos mel em tom amarelado. As únicas diferenças, eram que Darwish era baixo e corpulento, sem contar com suas sardas espalhadas por seu rosto. O mais novo era o mais parecido com Bete, se não fosse pela pele e os olhos, facilmente seria confundido como um filho biológico.

Kanope deu língua para o irmão e jogou sua camisa para longe, deixando a mostra seu peitoral nem um pouco exemplar, o que arrancou uma risada de Erick, um rapaz alto e musculoso de cabelos negros, dono de um belo par de olhos azuis. Erick era um perfeito garanhão, sempre aparecia em sua casa com uma namorada nova em seus braços, afirmando que era a mulher da sua vida. Luan era o responsável de conforta-las, não é muito difícil ver as ex-namoradas de Erick comprando roupas no centro com ele, enquanto lágrimas são derramadas em seu nome.

- Qual é magrelo? Não vai vim? – Erick riu do irmão mais novo, mas aquilo não o abateu.

Luan suspirou fundo, as vezes Erick conseguia ser insuportável. O ruivo massageou o pescoço e voltou a jogar bola com Paulo na praia deserta da madrugada. Kanope aos poucos foi se aproximando do mar que batia contra seus pés tão delicadamente que pareciam querer massageá-los, uma sensação única para a primeira vez, pois depois de tantos anos em Nomos, Bete lhe dera a oportunidade de ir ver o mar pela primeira vez na vida dentro de uma Kombi na capital do estado como um presente de aniversário. Até que ao sentir a água na altura de seu calcanhar, Nope, como foi apelidado por Darwish, correu até seus irmãos com um sorriso.

Darwish gargalhou alto e jogou água em seu irmão mais velho, fazendo com que o mesmo engolisse areia junto com a água suja do mar. Kanope sorriu e correu atrás do irmão, que por conta da gordura não era capaz de correr muito bem. Mas era o suficiente, enquanto eles tivessem unidos, nada poderia impedir Nope de ser feliz, nem mesmo Erick.

[...]

As 11:00 da manhã, todos já estavam dormindo sob as cadeiras da Kombi. Bete ao lado de Erick, Paulo no colo de Luan e Darwish e Kanope bem acordados no banco da frente, relembrando os melhores momentos da viagem e fingindo serem grandes motoristas. Apesar da idade já avançada para brincar, a infantilidade de Darwish não permitia Kanope ser um adolescente normal.

- Acho que você deveria pedir para vir a praia novamente no seu aniversário Darwish! – Sugeriu o mais velho para o irmão, que mantinha suas mãos focadas no volante. O garoto fez uma expressão negativa com a ideia, e abriu um sorriso para falar ao irmão o que ele havia pedido de aniversário.

- Não mesmo, no meu aniversário nos vamos a um lugar bem mais divertido! – Disse-o.

Nope sorriu, apenas com a ideia de visitar um lugar melhor do que a praia e voltou sua visão para o chaveiro a sua frente: Um Ankh. Símbolo egípcio, que para muitos em Nomos, já era bem comum para aquela família pagã. Kanope suspirou e acomodou suas costas molhadas por cima da toalha no banco. Darwish apoiou seu queixo na palma da mão vendo o irmão adormecer aos poucos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.