O Número um da França
8 Trabalho
Notas iniciais
Milo não queria pensar no que tinha acabado de fazer.
Ao deixar Misty, ele caminhou o mais rápido possível para o alojamento, tentando não chamar a atenção de quem passava por ele para seu nervosismo e, claro, para o volume entre suas pernas.
Entrou no banheiro já retirando suas roupas e foi ao chuveiro para um banho, que começou frio, mas por conta da temperatura ambiente, precisou se tornar quente.
Ele estava ofegante, desceu uma das mão até seu pênis que doía de tão ingurgitado, enquanto apoiava o peso de seu corpo na parede com a outra. Começou a se masturbar com movimentos lentos mas que ganharam urgência, tentava não pensar em Camus, mas a imagem do quadril dele se chocando contra a sela durante o galope não saia da cabeça do grego. Queria aqueles quadris se chocando contra os seus.
O som de gemidos tomou conta do banheiro. Os movimentos de vai e vem da mão eram rápidos e constantes, enquanto os movimentos de estocada dos quadris do loiro eram aleatórios, dependendo das correntes elétricas que tomavam controle do corpo dele.
Em um gemido mais alto, Milo gozou em jatos na parede do box. Permanecendo ali, com a água caindo sobre a cabeça e segurando o pênis que amolecia aos poucos, até sua respiração voltar ao normal.
Era um idiota.
O dia passou arrastado para Milo, que pouco saiu da frente do computador. Precisava fazer seu relatório para a federação grega e relatórios sobre o dia de repouso de Belle Époque e sobre o ferrageamento, além de preparar o cronograma da fisioterapia dele, que iria bater com o retorno de seu cavaleiro.
Enquanto Camus não voltasse, seu cavalo ficava entre o andador, o piquete e a baia. Milo programou para que ele caminhasse enquanto estava sol e mais quente, após isso, seria colocada capa de frio e ele iria para o piquete, retornando no final do dia para a baia. O grego sabia que seu verdadeiro trabalho começaria com o retorno do ruivo, então precisava se preparar ao máximo.
Evitava pensar nisso para não pensar como seria difícil encarar Camus após ter se masturbado pensando nele. Iria evitar contato, ser o mais profissional possível, ficar o mínimo de tempo sozinho com ele e tudo daria certo.
Claro que quando o dia chegou, nada saiu como ele pretendia.
— Milo, preciso que me faça um favor. — Era quase 9 horas quando Saga entrou na sala procurando pelo grego que estava digitando algo no computador, muito compenetrado. — Camus vai voltar e precisa que alguém o busque em Paris, eu preciso avaliar um cavalo para compra e não posso sair agora.
— E por que a japonesa riquinha mimada não traz ele de volta? — A pergunta de Milo saiu automaticamente, sem um filtro prévio, sem sequer olhar para Saga.
Os outros três veterinários encararam o loiro em choque, o que Saori teria feito para o grego não gostar dela, logo ele que gostava de todos? Mime chegou a rir, mas foi repreendido por um cutucão nas costelas vindo de Sorento. Milo só se tocou que sua pergunta tinha sido em voz alta após alguns segundos de silêncio dos outros presentes.
— Quer dizer… — Ele ergueu a cabeça com um sorriso sem graça, constrangido. — Como ir buscá-lo?
— O carro dele está aqui, pode ir com ele. — Saga optou por ignorar o comentário anterior e respondeu com uma risada. Talvez, se se lembrasse, conversaria com Milo sobre isso mais tarde. — Não é difícil chegar até Paris, mas vou te passar o endereço do hotel em que ele está hospedado e você pode colocar no GPS.
Ele preferiu não dizer mais nada. Apenas pegou a chave do carro e saiu da sala. Queria ter que ficar 3 horas no mesmo ambiente fechado com Camus? Não. Mas tendo em vista sua gafe anterior, preferiu não questionar ordens superiores. Ele apenas precisava respirar fundo e conversar com o ruivo como se ele fosse qualquer outra pessoa e tudo daria certo.
Antes de ir, passou pela baia de Belle Époque, que brincava com sua bola de feno e recomendou ao tratador mantê-lo ali, já que provavelmente o francês iria montar no período da tarde.
Camus tinha um Citroën C3 aircross vermelho com teto preto, não combinava exatamente com o estilo sério do francês, mas era muito bonito e confortável, o carro era impecavelmente organizado, não havia uma sujeira ou coisa fora do lugar. Milo já havia dirigido o carro de Camus quando este se esqueceu de abastecer e ele e Saga precisaram buscá-lo em Orleans, mas era a primeira vez que faria um percurso longo sozinho. Abriu o porta luvas para confirmar onde estariam os documentos caso precisasse e sorriu ao notar que só havia uma pasta com a etiqueta "Documentos", metódico. Embora toda a união européia seguisse as mesmas sinalizações de trânsito, era estranho dirigir em um país diferente.
Ele conectou o seu celular no bluetooth no carro e colocou uma playlist que costumava ouvir na Grécia. Colocou o endereço do hotel no GPS e saiu do centro equestre rumo à capital francesa. O caminho foi tranquilo, foi acolhedor ouvir músicas que ele estava acostumado, sentiu saudade de casa. Ao se aproximar da capital, o trânsito passou a ficar mais pesado e Milo ficou ansioso, não podia correr o risco de bater o carro de Camus, e havia muito mais carros do que normalmente em Atenas.
Demorou um pouco mais do que gostaria para chegar ao hotel. Estacionou e entrou no hall para solicitar que chamassem o ruivo, mas não foi necessário. Para seu desprazer, a primeira pessoa que viu foi a japonesa, ela e Camus estavam conversando em um sofá na área de espera, pareciam animados. Milo se policiou muito para não chegar até eles com sua cara de mal humor que havia se tornado habitual.
— Camus. — Ele apenas chamou o cavaleiro, que pareceu surpreso em vê-lo.
— Olá Milô. — Camus sorriu, maldito sorriso, maldito sotaque. Milo se concentrou ao máximo para não agarrá-lo ali mesmo. — Achei que Saga viria me buscar.
— Ele precisava avaliar um cavalo, iria demorar para sair e não queria que você ficasse esperando. — Ele sorriu para parecer simpático. — Olá, senhorita Saori.
— Olá Milo, como vai? — Ela sorriu, simpatia tão falsa quanto a de Milo. — Não seria um problema, meu vôo é só à noite, poderíamos ficar aqui.
— Mas eu preciso voltar a treinar. — Camus se levantou, ficando de frente para o grego que prendeu a respiração. — Obrigado por ter vindo, Milo.
Camus se despediu de Saori com um abraço, pareciam íntimos mas não tanto, se tinham algum relacionamento, eram muito bons em escondê-lo em público. Milo o ajudou a colocar sua mala no carro e, quando foi entregar a chave para o dono do veículo, ele já estava sentado no banco de passageiros.
— Ah, você não quer dirigir…? — Ele questionou ao abrir a porta do motorista. — É o seu carro…
— Não gosto de dirigir. — Ele disse simplesmente. Milo não questionou, apenas tomou o volante, colocou o GPS de volta para o centro equestre e manteve alguma rádio aleatória tocando.
Ficaram em silêncio por um tempo, que para Milo pareceu uma eternidade. Camus ficava observando a paisagem pela janela, pouco se movia. Milo permanecia atento ao trajeto, mas olhava de canto para o francês de tempos em tempos.
— Eu não lhe agradeci. — Camus disse de repente, assustando o grego. — Obrigado por ter aceitado ser o responsável por Belle Époque, sei que é uma responsabilidade grande, mas também sei que você é totalmente capaz.
— Ah, obrigado… — Milo não sabia ao certo como responder, tinha tantas dúvidas quanto a sua capacidade nesse caso. Uma vez que o francês tocou no assunto, decidiu perguntar algo que o incomodava desde a sua nomeação — Por que não falou comigo antes?
— Eu decidi isso no momento em que você disse que faria o impossível por ele. — A resposta do francês foi rápida e inesperada, deixando Milo sem ar. — Não falei com você antes para que os diretores não achassem que eu havia feito essa escolha baseado em nossa amizade, para lhe agradar ou dar algum benefício.
Milo permaneceu em silêncio, deixou que ele continuasse sua explicação.
— Eu nunca colocaria meu cavalo nas mãos de uma pessoa que não confiasse. Muito menos por um motivo fútil como agradar ou melhorar um currículo. Você sabe, eu não posso perdê-lo. — Ele seguia olhando o caminho pela janela, em momento algum olhou para o grego. — Mas eles com certeza questionariam isso. A sua surpresa perante a oferta faria eles verem que não foi algo combinado.
— Entendo… — Essa possibilidade não havia passado pela mente de Milo, muitas vezes achou que Camus era mesquinho e autoritário por não perguntar sua opinião, mas nunca pensou que ele havia feito isso para evitar que o grego fosse alvo de pensamentos maldosos. — Obrigado… por confiar em mim, novamente.
— Não tem que me agradecer. — Pela primeira vez ele se virou para o loiro e sorriu. — Apenas siga seu trabalho, tenho certeza que iremos chegar longe.
Eles ainda conversaram algumas amenidades durante o caminho, Camus perguntou sobre seu cavalo, sobre como havia sido com o ferrador, e dormiu por um tempo. Milo notou que ele dormia muito fácil em carros.
Pensamentos inadequados passaram pela cabeça do grego diversas vezes, ele se forçava a respirar fundo, focar na estrada, mas era difícil, o cheiro adocicado do ruivo enchia seus pulmões e todo seu sangue parecia se acumular em em seu baixo ventre. Agradeceu quando chegaram em Lamotte-Beuvron, próximo às 15 horas, Camus foi direto ver seu cavalo, enquanto Milo foi avisar que havia chegado.
— Oi, voltei. — Milo entrou na sala e colocou suas coisas em sua mesa, apenas Saga estava lá.
— Muito obrigado por ter ido buscá-lo, Milo! — Saga agradeceu com um tapa nas costas do grego. — Para não atrasar sua vida, eu fiz a fisioterapia que você havia programado para o Belle Époque, também já deixei o relatório feito.
Milo não esperava por isso e ficou muito feliz pela ajuda, realmente iria acabar saindo muito tarde se fosse fazer todo o protocolo após o cavalo ser montado. Agradeceu muito ao mais velho.
— Milô, irei montar, gostaria que me acompanhasse. — Camus foi até a sala para informar seu veterinário, aproveitou para cumprimentar o veterinário mais velho.
— Bem vindo de volta, Camus! — O mais velho decidiu acompanhar ambos, apenas para poder infernizar o ruivo. — O que você tanto fez em Paris, ein?
— O comitê olímpico solicitou minha presença e da Saori. — Ele disse como se fosse algo que acontecesse todos os dias. — Ela irá fazer uma parte do percurso da tocha olímpica e eu irei acender a pira na cerimônia de abertura.
Ambos os loiros e até mesmo Frederich, o tratador de Belle Époque, que estava apenas segurando o cavalo para que o cavaleiro montasse, ficaram chocados. Acender a pira olímpica é a maior honra para um atleta, se você foi convidado a isso, é por que deixou seu marco no esporte.
— Isso é incrível, Camus! Parabéns! — Milo estava verdadeiramente orgulhoso, ele sorriu para o ruivo que o respondeu com um sorriso leve, porém tenro.
— Parabéns! Estou muito orgulhoso de você. — Saga realmente considerava Camus como um filho, se prestassem muita atenção, notariam os olhos marejados. Era a primeira vez que um cavaleiro francês participaria do ápice da abertura olímpica. Era algo inédito para eles e para o esporte. — Acho que alguém vai ganhar uma promoção depois dessa!
Camus riu irônico, não esperava que a federação francesa de hipismo fosse reconhecer isso como um motivo de aumentar seu salário, embora fosse um baita motivo. Camus e Belle Époque saíram das cocheiras em direção ao picadeiro coberto acompanhados pelos veterinários.
— Não crio tantas expectativas quanto a isso. — Ele comentou alguns segundos depois e, antes de entrar na pista, deixou mais uma bomba para eles. — Se me derem outro cavalo já vou me dar por contente.
— Calma, o que? — Saga questionou mas o cavaleiro já estava longe, ouviu apenas um riso leve em resposta. Ele se virou para Milo que também estava desacreditado com a nova informação. — Muitas coisas novas saíram dessa viagem pelo visto.
Assim que o cavaleiro começou a aquecer, a vida de Milo nunca mais teve paz.
Tudo que o cavalo fazia precisava da presença dele, toda suplementação precisava ser vistoriada, a separação e dosagem da ração precisava ser calculada todos os dias, a qualidade e quantidade do feno que ele recebia deveria ser relatada, o tempo em que ficava no andador e velocidades de movimento precisavam estar anotadas e descritas, tempo e tipo de treino em pista era relatado, simplesmente tudo.
Milo praticamente ficava 12 horas por dia em função do cavalo e o restante em função do cavaleiro, que aparentemente, junto com o serviço de veterinário, contratou um chofer. Se sobrasse tempo, ele podia dormir.
Em uma semana, Milo já havia escrito mais relatórios, calculado mais alimentações e suplementações, feito mais exames físicos e fisioterapias do que durante os 2 meses anteriores. Assim como acabou conhecendo toda a comuna de Lamotte-Beuvron por sempre levar o ruivo para onde ele precisasse. Era cedo para falar que estava exausto?
— Em que momentos do dia você fazia tudo isso? — Em um raro momento de descanso, o grego conseguiu sentar-se em sua cadeira sem precisar digitar nada. Apenas apoiou a cabeça na mesa e relaxou os braços ao lado do tronco.
— Confesso que ele era um pouco menos exigente comigo. — O mais velho estava atualizando algumas planilhas de seus outros cavalos. — Eu não precisava acompanhar cada suspiro deles.
— Por favor, que ele desista de ter outro cavalo…
Saga riu. Sabia o motivo de Camus estar pegando pesado com o mais novo, ele queria provar para a federação que Milo era bom e que havia acertado em escolhê-lo para o cargo, e para isso, precisava que o grego estivesse sempre com ele.
— Saga… — O grego chamou o mais velho, depois de algum tempo de silêncio.
— Sim?
— Camus me contou sobre o Aquarius… — Ele se ajeitou na cadeira, com o olhar para baixo. Saga deixou o que estava fazendo para prestar atenção no mais novo. — Me contou que ele foi encontrado desacordado no carro no meio da estrada… — Milo ficou tenso, não podia imaginar a dor que o ruivo sentia para chegar àquela situação.
— Eu o encontrei… — O mais velho suspirou, olhando para o nada — Saí tarde naquele dia, não sei quanto tempo ele ficou lá, mas eu o encontrei perto da meia noite, estava gelado e pálido, os batimentos cardíacos estavam fracos e quase não respirava.
Milo encarou o francês surpreso, podia ver no maior a angústia que sentiu.
— Eu o coloquei no meu carro e corri até o hospital em que sabia que meu irmão estava de plantão. Eu tinha medo de olhar para o banco de trás e… — Saga respirou fundo, parecia ter medo de dizer. — Ele ficou uma semana internado, dois dias desacordado. Eu, Shion e meu irmão revezamos para ficar com ele, não queríamos que ele acordasse e estivesse sozinho. Foram dias difíceis.
— É estranho imaginar que isso foi há tão pouco tempo…
— Ele respondeu bem ao tratamento, mas meu irmão tem medo que algo o descompense de novo. — O loiro mais velho se levantou e olhou pela janela, onde podia ver o cavalo do ruivo caminhando pelo piquete. — Ele te escolheu por que você não hesitou, independente das regras, você fez o que era necessário. Ele precisa de pessoas que passem essa confiança.
Saga sorriu, dando dois tapinhas no ombro esquerdo do grego, e saiu da sala. Ele ainda ficou sentado por um tempo, pensando em tudo que havia ouvido. Aos poucos, Milo passava a entender os motivos de todos terem tanto cuidado com Camus: Não era apenas por ele ser o primeiro do ranking, não era por ele ser frio e parecer se importar com ninguém, mas porque era infinitamente mais sensível do que fazia parecer.
Os cavaleiros estavam se preparando para a próxima etapa do ranking da federação internacional que aconteceria em Londres, iriam embarcar em dois dias, então o foco estava em gastar energia sem abusar dos treinos. Camus focou nos treinos de adestramento, pretendia melhorar sua nota com relação à etapa anterior, embora já excelente.
A França iria apenas com a equipe principal composta por Camus, Misty, Elga e Cardon, o mesmo da etapa de Marselha. Como iriam apenas 5 cavalos, contando com o reserva, iriam todos no mesmo trailer e seriam transportados da França à Inglaterra pelo eurotúnel em um vagão especial para transporte de carga viva.
Era a primeira vez que Milo iria realizar um transporte por via ferroviária, todas as documentações estavam separadas em sua mesa, eram necessárias guias de transporte nacional e internacional, passaporte, relatórios de saúde, documentação de quarentena, tudo havia sido revisado diversas vezes e aguardavam a liberação de Saga, que embora não fosse mais responsável pelo cavalo de Camus, ainda era o veterinário chefe da federação. Estando tudo certo, os cavalos podiam embarcar.
Novamente saíram de madrugada, a viagem até Coquelles, estação francesa do eurotúnel, duraria 5 horas e a expectativa de chegada era 10 horas da manhã. Os cavalos do time belga seriam embarcados junto aos franceses. Após 50 minutos de viagem ferroviária, desembarcariam em Folkestone e percorreriam mais duas horas de estrada até Greenwich, onde ficariam nas instalações da olimpíada de 2012. É sempre uma grande logística para fazer o transporte dos equinos internacionalmente.
O transporte pelos trens era semelhante aos em aviões, com fileiras de 5 baias individuais, cavalos castrados e éguas eram colocados juntos enquanto garanhões eram separados. Todos permaneciam com água e feno durante toda a viagem.
O embarque junto da equipe belga foi rápido, até para evitar estresse desnecessário para os animais. Quando chegaram, tudo já estava preparado, sendo necessário apenas posicionar os cavalos. Em menos de uma hora já estavam partindo.
Chegaram em Londres antes do fim da tarde. Boa parte das equipes já haviam chegado, mesmo dois dias antes do início da prova. Após todos os cavalos acomodados em suas baias, a equipe poderia ir para a capital descansar.
Desta vez Milo optou por ficar no hotel, iria dividir o quarto com Saga e Shion. Toda a federação francesa ficaria no mesmo andar, enquanto os veterinários dividiam os quartos, os cavaleiros ficariam em acomodações individuais.
Shion, Saga, Mime, Sorento e Milo estavam decidindo onde jantar no hall do hotel: Aproveitar o que Londres tinha a oferecer, chuva, frio e uma culinária, digamos, diferenciada ou comer no restaurante do hotel, que era mais garantido. Ficaram com a segunda opção. Após comerem, viram Camus, Afrodite e, claro, Saori saindo pela porta do hotel. Milo bufou, eram quase dez horas da noite, ele deveria descansar, não sair por aí. Saga notou a insatisfação do grego, que acabou por ficar por último no grupo que retornava aos quartos.
Milo acordou de madrugada com a boca seca. Saga e Shion dormiram profundamente em suas camas e não notaram quando o grego saiu do quarto para buscar água em um dos bebedouros do corredor, entorpecido pelo sono, ele se apoiou na parede enquanto bebia de seu copo.
O barulho do elevador abrindo chamou sua atenção. Camus e Afrodite saíram rindo, pareciam entorpecidos, Milo se amaldiçoou por ter acordado justamente nesse momento.
— Estava me esperando, Milô? — Camus caminhou levemente cambaleante até o grego, seguido pelo sueco que parecia mais zonzo que o francês.
— Não se ache tanto, eu só vim beber água. — Milo manteve a postura, por mais difícil que fosse.
— Que bom, eu não gosto de ser controlado. — O ruivo aproximou o rosto ao do grego, Milo podia sentir o odor de álcool exalando a cada respiração. Precisava controlar a tentação de tomar os lábios rosados dele para si, "precisava ser profissional", era só o que repetia em sua mente.
Afrodite riu e também se aproximou do grego, com mais atrevimento, ele passou a ponta dos dedos por cima da camiseta que Milo usava de pijama.
— Pois eu adoro ser controlado… — Milo notou que o francês fechou a cara quando o sueco se aproximou dele, ele estava com ciúmes? Ah, como iria se aproveitar desse fato?
Milo se aproximou mais do rosto do sueco e segurou o punho da mão que ele usava para acariciar seu peito, Afrodite suspirou com um sorriso safado no rosto. Ele sequer precisou dizer algo antes de Camus intervir.
— Dite, acho melhor você ir para o seu quarto. — O rosto do francês estava levemente vermelho. Vergonha? Raiva? Milo não sabia dizer, mas o ruivo mantinha os olhos fixos nele. — Eu preciso do meu veterinário inteiro amanhã.
— Ah… Mas eu só vou tirar uma casquinha… — Afrodite se aproximou ainda mais, chegando a quase tocar os lábios do grego com os seus, Milo não recuou.
— Afrodite! — Camus falou mais alto, mais até do que gostaria, a reação repentina fez o sueco se afastar.
— Aff, chato. — Ele bufou, puxando a mão que foi prontamente solta por Milo. — A gente se vê, gato!
Afrodite foi em direção ao seu quarto que era do lado contrário do corredor. Milo acenou antes de se voltar para Camus, que seguia o encarando.
— O que foi? — Ele perguntou com um sorriso sacana no rosto.
— Recomponha-se e vá dormir. — Camus estava irritado, talvez pela bebida, mas Milo estava adorando essa versão desbloqueada. — Você tem trabalho amanhã.
— Sim, senhor. — Milo disse sarcástico, não se deixou abalar pelo modo autoritário do francês, que se virou de uma vez e bateu a porta do quarto ao entrar — Boa noite, Camus.
Milo riu, agora sozinho no corredor. Se ele realmente quisesse algo com o sueco, teria ido atrás dele, mas seu interesse era apenas em provocar o francês. Eis que a ideia de ser profissional foi pelos ares.
O dia seguinte teve como maior função o descanso e adaptação dos cavalos ao ambiente novo. Então só o que se via eram cavalos caminhando com seus cavaleiros e pastejando pelo parque de Greenwich. Também foi quando o restante dos cavaleiros franceses chegaram.
O humor do grego, que vinha tão ruim ultimamente, estava ótimo. Nada o incomodava ou tirava o sorriso de seu rosto, ele realizou a fisioterapia de Belle Époque e depois ficou conversando com Saga próximo às baias. Em compensação, Camus parecia andar com uma nuvem à tiracolo, ele não apareceu no café da manhã e só chegou ao local da competição no fim da manhã junto de Saori. Ele pouco interagiu com a equipe, apenas pegou seu cavalo e saiu para que ele pastasse, Saga estranhou, mas preferiu não perguntar.
Misty também apareceu em Greenwich, Sorento deu toda a atenção que o loiro precisava, mas não exatamente a que ele queria. Quando finalmente encontrou Milo sozinho, foi falar com ele, sempre em um tom baixo para não chamar a atenção.
— Ei, finalmente te encontrei. — Ele carregava um sorriso sugestivo, Misty não era idiota, sabia que o interesse de Milo não era nele, mas isso não evitaria que ele se aproveitasse do tesão do grego, queria sexo, não um casamento.
— Olha Misty… — Milo tinha que lidar com a consequência de seu ato, não queria dar a falsa ideia de que poderia acontecer novamente. — Me desculpe pelo que aconteceu, mas não vai acontecer…
— Shhhh… — O mais novo colocou um dedo sobre os lábios do grego o fazendo parar de falar pela surpresa. — Quando se cansar de correr atrás de quem não vai corresponder, sabe onde me encontrar.
Ele roçou seus lábios nos do grego que ficou sem reação. Misty sabia de seu sentimento acerca de Camus? Estava deixando tanto na cara assim? Ele até abriu a boca para responder, mas o loiro francês se virou e saiu rebolando.
O primeiro dia de prova, assim como a competição anterior, consistia do vet check, provas de adestramento e reconhecimento da pista de cross. Com todos os cavalos aprovados na vistoria veterinária, a prova começou no final da manhã com o time sueco saindo na frente.
Camus seria o último, todo o restante do time francês já havia se apresentado e tido ótimas notas, por enquanto o descarte era de Cardon com 67,3, Misty estava com 68,2 e Elga com 70,7. A reprise selecionada era mais complexa do que da prova em Marselha, apresentava mais transições de galope para passo e o contrário, o que precisava de um controle mais fino do movimento do cavalo.
Embora os trajes fossem os mesmos da prova anterior, Camus havia feito uma única trança embutida que finalizava em um coque baixo, não havia um fio sequer fora do lugar. O fraque perfeitamente alinhado, as luvas e culote branco e a bota e capacete pretos, tudo deixava aquele homem ainda mais incrível.
Agora Milo podia, e precisava, vê-lo de perto, e céus, como estava difícil. Estava tremendo quando entregou o cavalo ao cavaleiro, que estranhou.
— Está tudo bem? — Camus disse em um sussurro, apenas para o grego ouvir.
— Claro! — Milo engoliu a seco, não queria deixar o cavaleiro nervoso. Se concentrou o máximo possível e após Camus estar montado, colocou uma das mãos sobre o joelho dele. — Mostre para eles tudo o que sabem fazer. Boa sorte.
Como sempre, Camus e Belle Époque flutuaram na pista, terminando a reprise com a melhor nota: 80,0. Para Milo, em particular, essa nota teve um peso ainda maior. O cavalo havia se recuperado de uma cólica a pouco tempo, vê-lo se superar em pista mostrava o quanto de potencial que ele tinha. Milo tinha em mãos o Baloubet du Rouet do hipismo completo (1), precisava dar suporte para ele mostrar isso.
O protocolo fisioterápico em provas era sempre o mesmo, ao menos que o cavalo apresentasse alguma necessidade especial. Capa magnética, gelo e massagem, terminado todo o protocolo, Belle Époque podia relaxar em sua baia, Milo cortou vários pedaços de maçã e os despejou no cocho de água para incentivar o cavalo a beber, ele sorria enquanto o garanhão se esforçava para comer a fruta picada.
— Porque está torturando meu cavalo? — Camus chegou de repente, depois do reconhecimento do percurso da prova do dia seguinte, estava com os cabelos soltos, como normalmente. O cavalo deixou sua atividade para receber o cavaleiro, mas logo se entreteu novamente.
— Só estou o estimulando a beber água. — Milo riu, se tivesse uma coisa que nunca faria, era torturar ele. — Como está a pista?
— Não está difícil, achei mais tranquila do que Marselha. — O cavaleiro abraçou o pescoço do cavalo quando ele terminou de procurar as maçãs, ele apenas aceitou o carinho. — Ele vai se sair bem.
— Vocês vão. — Milo se apoiou no tórax do cavalo, ficando mais próximo de Camus também. — Foram incríveis hoje, ele está totalmente recuperado.
Camus não respondeu, mas aproveitou a proximidade de ambos.
— Vamos jantar na casa de Marin e Aioria hoje, só comida mesmo, antes que vire a cara... — Ele não olhava para Milo, estava um pouco envergonhado pela reação que tinha tido da última vez que saiu. — Queria que fosse comigo… Se quiser, claro.
O grego ficou sem reação, não esperava ser convidado para entrar no grupo social do cavaleiro francês. Queria ir, claro, mas tinha um pouco de receio de se frustrar com a realidade que iria encontrar.
— Se tiver outros planos também… Tudo bem. — Camus parecia constrangido por não ter uma resposta. Um clima estranho pairava.
— Eu vou. — Preferiu não pensar mais. O francês se surpreendeu e o olhou com um sorriso aberto.
— Ótimo. Vamos sair às 20h do hotel. — Ele estava visivelmente animado, o que fez o veterinário sorrir também. Deu um beijo leve no chanfro do cavalo e saiu da baia — Tchau Belle. Espero você no hall, Milô.
Eram sete horas quando Milo começou a se arrumar, após o banho, colocou uma camisa preta, uma calça jeans azul escuro e um sobretudo também preto, era a melhor roupa que tinha no momento.
— Onde você pensa que vai arrumado assim? — Saga estava deitado na sua cama observando o grego enquanto esperava para irem jantar no restaurante do hotel.
— Camus me convidou para jantar com ele e os outros cavaleiros… — Falou um pouco envergonhado.
— O que!? — Shion abriu a porta do banheiro, de supetão, apenas com uma toalha, assustando os outros dois. — Você vai?!
— Ah, bem… — Milo passou a mão pelos cabelos. — Achei inadequado negar…
— Ele nunca me convidou para essas coisas… — Saga ponderou fingindo ciúmes e Shion riu.
— Lógico, você é velho! — O mais velho cortou o veterinário que o respondeu mostrando o dedo do meio. Milo riu da discussão dos dois. Olhou o relógio e saiu, deixando eles avisados que não pretendia voltar tarde.
Quando ele chegou ao hall, Camus já estava lá. Ele estava vestido uma camisa bordô com um colete preto por cima e uma calça preta. Eles conversaram por um tempo até Saori chegar, ela vestia um vestido longo branco com um casaco champagne e estava acompanhada por um homem de cabelos e olhos castanhos, vestia um casaco vermelho e uma calça jeans básica.
— Que bom que veio, Milo! — Saori parecia animada. — Deixe-me apresentar, este é Seiya, meu namorado. Seiya, este é Milo, veterinário do cavalo de Camus.
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