O Novo Hades
1 1. Prólogo
Notas iniciais
PRÓLOGO
1900
A SALA IMPERIAL ERA ENORME, E OS VÁRIOS TRONOS ESTAVAM NA FORMA DE UM U GIGANTE. O chão da sala era feito de puro ouro e tinha um tapete em forma de um U por baixo dos tronos. As cadeiras — os tronos, eram também feitos de ouro maciço com detalhes fragmentados de prata. Cortinas carmesim caíam por todas as paredes da sala. Tochas estavam penduradas suavemente em seus suportes para dar iluminação, e no centro do U, um grande lustre com vários círculos redondos de vidro que brilhavam de dentro para fora sem parar. Abaixo do lustre, um homem com um manto negro com detalhes roxos estava preso a algemas douradas com alguns pedaços do que parecia ser cristais. Seus cabelos escuros caíam até a fronteira entre o pescoço e o ombro, o cabelo caído na testa e com outras duas mechas onduladas laterais. O homem desconhecido estava ajoelhado e parecia ter feridas em sua pele branca — que era extremamente pálida — e dessas feridas, caíam um líquido vermelho fino que se espalhava suavemente, mas tinha um brilho interior. Sangue divino.
— Hades. — Disse o homem sentado no trono principal, maior e centralizado. O homem que falava tinha uma voz que ribombava como trovão e seus cabelos eram cinzetos brilhantes e seus olhos ostentavam um grande azul elétrico. Seu manto branco cobria uma pequena parte do peitoral da armadura prateada.
— Não podemos mais perdoar os atos que fizeste durante esses anos. — Mas, como eu estou tentando ser um deus um pouco mais democrático por causa das reclamações dos gêmeos e de Atena, vou fazer uma votação. Votem sim para que ele seja executado. Votem não para que ele não seja executado. — Ele disse com estranheza no "não".
O homem ajoelhado —, Hades, — não falou nada.
— Eu voto sim. — Um homem de cabelos loiros brilhantes e com a pele branca que reluzia a luz solar que batia pela única janela central disse. Seu manto era alaranjado e tinha o desenho de um sol, com uma armadura dourada brilhando por baixo.
— Sim. — A mulher ao lado disse. Os cabelos dela eram lilás bem fraco e caíam como cascatas onduladas até a cintura, sendo decorados em cima por uma coroa de folhas ligadas por uma raíz de planta. Seu vestido era azul árdosia bem claro.
— Sim. — O homem ao lado dela falou. Esse era magricela e um pouco baixo, não usava uma armadura completa. Tinha o peitoral da armadura dourada e uma pequena saia de manto grego branco com duas asas angelicais que balançavam quando o vento batia. Um cachecol branco caía pelo corpo dele como se o rodiasse. Em uma das suas mãos, um caduceu dourado estava. A pele era bronzeada e os olhos castanhos.
— Não. — A mulher ao lado falou, séria. Usava um vestido branco grande e seus cabelos estavam presos em um croque que era sustentado por uma raíz de planta circular. Seus olhos eram esverdeados e sua pele era branca, mas não tanto. Era muito bonita, mas pelos seus olhos, era possível perceber um ego forte. Tinha uma lança dourada presa a sua mão esquerda e uma tocha na mão direita. A tocha estava acessa, e o fogo estava na forma de uma anjo.
— Eu voto não porque não devemos sacrificar um deus importante por causa de um erro bobo. A cidade já foi reconstituída do golpe. Ele é importante para os mortos e para a morte, traria uma desigualdade na ordem. — Ela falou.
Quando ia falar algo, o homem ao lado dela interrompeu. Sua armadura era totalmente negra com alguns tons escuros de roxo pesado e seus cabelos curtos eram castanhos quase pretos. Seus olhos eram escuros como a noite e uma capa vermelha caía, presa as ombreiras da armadura. Tinha um elmo de javali e um machado dourado com o símbolo do ômega na mão.
— Voto não. Como minha irmã falara, Hades é um deus importante. Isso traria fraqueza ao meu cerne, já que não existe guerra sem mortes ou mortos, seria algo infinito e logo iriam desistir porque nenhum dos lados perderia. E creio que todos os deuses aqui — até os mais desprovidos de sabedoria — Ele disse, olhando para o magricela ao outro lado da mulher de vestido branco. — Sabem o quão é importante a presença dele. Afinal, ele é um dos três primeiros. O mesmo é para Tânato, que não poderá ser mais a morte
As pessoas ali foram falando e falando. E depois de Ares e Atena, todos votaram não, com exceção de Hera.
— Como percebido, a votação ganhou para o lado "sim". Hades deve ser preso na Jaula Mesopófica e morto. — Falou o homem sentado no trono central. Quando ele disse, um relâmpago caiu do lustre em direção ao homem de vestes negras, que ainda não tinha se pronunciado, somente olhado com seus olhos negros ameaçadores para cima. Quando o relâmpago caiu na direção dele e o acertou, ele simplesmente sumiu.
[ .... ]
Mais abaixo do monte, uma grande jaula de metal estava pendurada por três correntes que eram ligadas a uma parte da rocha, que era bem densa e firme. Abaixo da jaula estava um lago que reluzia a luz do sol e a da lua, nunca parando de brilhar, nem mesmo no entardecer. Dentro da jaula, se encontrava aquele homem que horas antes estava presente na sala. Agora, esperando o momento de sua morte divina.
— Você ainda tem motivos por quais lutar, senhor Hades. O senhor sabe que pode sair desta jaula quando quiseres. — Uma voz da neblina das rochas ecoou por ali.
— Não preciso mais viver. Estou reinando no Submundo desde da Era de Ouro. — Ele disse, hesitante.
— É a sua vez de mostrar o seu valor, senhor. — Outra voz falou, agora mais suave e um pouco mais fina. A frente da jaula, dois homens pairavam. O primeiro, da esquerda, era alto e sua musculatura era grande. Seus cabelos eram escuros e grandiosos, com uma mecha ondulosa caindo pela testa e seus olhos, violetas e sedutores. Usava um manto negro com um cinto de roupão roxo, que cobria a armadura negra, sua pele era branca, um pouco bronzeada. Em sua orelha esquerda, uma pequena asa angelical. Ao lado, o segundo, da direita, era um homem alto, mas sua musculatura não era tanta comparada ao da esquerda. Tinha cabelos loiros e olhos azuis cristais inocentes. Tinha um manto preto também, as mesmas roupas do outro, pele branca pálida e uma asa angelical pequenina na orelha direita. E eles pairavam pela neblina, não... estavam voando, flutuando.
— Mesmo que eu saia, não irei conseguir me esconder de Zeus por muito tempo. Minha presença divina é alta. — Ele falou.
— Não poderão achar-te se não tiveres presença divina. — O moreno disse.
— O que quer insinuar, Tânato? — perguntou Hades.
— Seja um Deus. Mas escondido... Em um corpo humano. — Ele falou, abrindo um sorriso presunçoso.
— Concordasse com isso, Hipnos? — ele perguntou de novo.
— É a única forma do senhor sair. Não se preocupe, você terá os mesmos poderes, só que eles serão limitados ao aprendizado da consciência humana que compartilhará o corpo com você. Duas almas. — O loiro disse.
— Não acredito que me rebaixarei a isso, mas, tudo bem. O império do deus mortos pelo menos, não cairá; — ele falou. Os dois desapareceram quando ele piscou.
Demoraria apenas mais algumas horas para o dia passar e o lago brilhar a luz da lua e refletir ele num eclipse. E quando isso acontecesse, o sangue divino de Hades iria queimar até que ele morresse por completo e sua entidade deixasse de existir. Era essa a forma de matar deuses, e os olimpianos a escondiam para que ninguém mais tivesse a forma de fazê-la.
Hades começou a se desfazer, seu corpo começou a virar um pó brilhante roxo, como se fosse purpurina. Mas não era o efeito da jaula, ainda estava entardecendo. Quando desintegrara-se por completo, o pó roxo voou pela neblina e foi levado pelo vento oeste para baixo do lago Delfos, que é a conexão entre os dois mundos. Hades estava indo para o mundo humano.
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