O Novo Experimento -interativa
5 Verdugos 2.0 -Dias 5-6
Notas iniciais
Alice estava desesperada. Não sabia o que fazer como uma líder. Quando menos esperava, na sua festa, estava sozinha enquanto todos partiam em direção de Will.
Só podia ouvir gritos de agonia do garoto e outros gritos de pessoas que não sabiam o que fazer. Mas o grito que mais chamou a atenção da loira foi o de Esther.
–Will! -gritava a garota tendo apenas gritos de agonia como resposta. -Will, abra essa porta!
Alice sentiu um estranho sentimento que continha um pouco de raiva, um pouco de tristeza e um pouco de amor. Tudo junto. Mas como ela podia conhecer todos esses nomes de sentimentos sendo uma menina sem memória de seu passado? De vez em quando tinha alguns flashes de memória. Como quando uma menina mais velha roubou seu lanche na escola. Com certeza sentiu raiva e magoa naquele instante. Mas não conseguia lembrar de nenhum sentimento. Ou nomes de sentimentos.
Alice saiu em disparada em direção ao quarto colorido assim que viu Sebastian tentando quebrar a porta de madeira com a ajuda de Natalie. A bela e alta menina já estava com o cabelo horrível e parecia estar de luto. Desde que Alice a conheceu, percebeu que a menina não gostava de se arrumar ou parecer bonita. Afinal. Para que? Isso era inútil. Alice podia se lembrar da escola na qual estudava. Lá todas estavam sempre lindas. Mas lá naquele inferno que chamam de clareira não teria nenhuma utilidade a não ser acabar com o seu curto tempo. A menina, apesar de não ligar para a aparência, continuava bonita. Apenas parecia mais seca.
Alice ao se aproximar enxergou Natalie chutando a porta com sua perna esquerda. A mesma perna que possuía um enorme curativo que cobria de seu joelho até o seu calcanhar. Dando a volta inteira na perna da menina dos cabelos castanhos.
–Me ajuda, Alice! -gritava a menina desesperada.
Alice foi se aproximando aos poucos da porta já com algumas lascas faltantes. Quanto mais perto a loira chegava daquele aposento, mais alto pareciam os gritos de dor do menino lá dentro.
–Minha cabeça!
–Ele vai se matar! -gritou Esther em lagrimas de terror.
Alice começou a chutar.
–Me tirem daqui! -continuava Will.
–Estou indo Will! -gritou Esther com a esperança de acalmar o amigo.
Alice chutava, Sebastian se atirava com o ombro de encontro a porta, Natalie chutava. Esther gritava. Os gritos de dor se intensificavam.
–Ôh caralga! -gritou Alice.
Sebastian deu uma breve olhada para a amiga e continuou a tentar derrubar a porta. Cada tentativa parecia uma eternidade. Finalmente, a porta caiu.
–Will! -gritou Esther procurando o amigo.
Alice estava assustada e permaneceu fora daquele quartinho. Aquele era o quarto mais bonito que eles haviam construído. Os outros pareciam mais uma cabana de madeira. Claro que este possuía algumas falhas. Madeira rachada. Buracos. Mas ainda assim era o melhor aposento da clareira.
–Ei. -chamou Natalie.
De onde ela havia surgido? Alice realmente achava que era a única que havia permanecido do lado de fora.
–Oi. -Respondeu a loira assustada.
–Não gosto dessa tensão toda. -comentou a garota mais alta.
–Eu apenas conheço o perigo... -respondeu Alice tentando parecer calma.
–Só queria te dizer que sei lutar. -falou a menina olhando diretamente nos olhos de Alice. -Quem sabe eu poderia te ensinar algumas coisas. Acho que na vida passada eu fazia muito disso. Sabe? Me defender.
–Seria ótimo. -respondeu a menina tentando entender o que acontecia dentro do quarto.
Os gritos de dor não haviam cessado. Então Alice como líder resolveu entrar. Enquanto caminhava pelos pequenos degraus que se encontravam na entrada do quarto sentiu algo entrando em sua perna. Era gelado e doloroso. A menina desabou no chão soltando um alto grito de dor.
Quando Alice olhou para o lado para entender o que havia acontecido viu William de costas para ela sentado no chão como se nada estivesse acontecendo.
"Os gritos pararam." -pensou Alice. A menina estava tão preocupada em entrar no quarto que não percebeu que os gritos do menino não existiam mais.
–Mas que droga William! Por que não enfia essa faca no seu... -começou a menina mas foi interrompida por Sebastian.
–William, se acalme... Se fizer mais algum mal à nossa lidar serei obrigado a te decapitar. -falava o menino calmamente enquanto tirava uma faca do bolso.
–Ninguém entende! -gritava o ruivo.
–Sim eu entendo! -gritava Alice. -Você pirou. Agora se acalme!
Will enfiou novamente a faca na perna de Alice.
–Maldito! -gritou Sebastian correndo em direção ao menino.
–Não fala com ele assim! -Ordenou Esther pulando em cima de Sebastian.
Os dois rolaram e Esther conseguiu tomar a faca do menino.
–Saiam daqui! -gritava a menina apontando a faca para cada um dos presentes, alternando sua mira a cada segundo. -Agora!
–Olha Esther, se acalme. -pedia Alice ainda no chão com a perna direita ensanguentada.
–Vocês tem dez segundos. -avisou Esther.
Todos saíram do quarto em menos de três segundos, exceto Alice, Sebastian e Natalie.
–Vamos sair daqui! -pedia Alice tentando se levantar.
–Alice, não podemos. -respondeu Sebastian olhando fixamente para Esther. -Não podemos deixá-la.
Alice sentiu a raiva percorrer o seu corpo, o ódio subiu em sua cabeça e a garota explodiu.
–Me tirem já daqui! Isto é uma ordem! -Gritou a menina irritada. -Não vou morrer por que você quer ficar com esta menina. Eu sou a Líder. E estou mandando.
Quando Sebastian começou a andar em direção à loirinha caída no chão, William pulou em cima de Natalie a agredindo e desferindo uma grande sequência de socos em sua face. A menina conseguiu imobilizar o garoto facilmente mas queria se vingar. Porém, Esther tinha uma faca e estava correndo para cima dela.
–Caralga! -gritou Alice ao perceber o que estava acontecendo.
Natalie soltou o menino e fechou os olhos esperando sentir o metal frio da lamina começar a perfurar a sua pele, mas não aconteceu.
–De nada. -era Carly. A menina havia chegado por trás de Esther sem ser percebida e enfiado uma seringa na garota, que apagou em alguns segundos.
–Valeu! -agradeceu a garota pegando uma das seringas magicas de Carly e injetando em William, ainda no chão.
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–Alice... Preciso dar alguns pontos em você. -avisava Carly já com a agulha encostada na pele da loira que agonizava de dor.
Sebastian estava lá. Estava segurando a mão de Alice o tempo todo.
"Será que ele me ama?" -começou a pensar Alice mas foi interrompida por uma pontada de dor em sua perna. Aquilo era horrível.
–Falta pouco. -repetia Sebastian inúmeras vezes em uma falha tentativa de acalmar a líder.
–Acabou! -gritou Carly aliviada retirando a agulha da linha.
–Parabéns Alice. -falou Sebastian com ironia. -Quase se matou.
–Cale a boca, idiota.
"Idiota" -pensou. Como conhecia está palavra? -"Ah, mas é claro. A menina que roubava lanche!"
–Idiota é você -respondia o garoto.
William e Esther estavam no quarto do lado. Trancados, mas ainda inconscientes.
–Quero falar com todos! -ordenou a líder.
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Mais tarde, no refeitório ao ar livre improvisado, situado pouco ao leste de onde estava a caixa, os seis Clareanos que ainda possuíam algum tipo de consciência sentaram em uma única mesa esperando a líder se manifestar.
Todos estavam lá. Sebastian e Natalie conversavam algo sobre o labirinto, enquanto Jasper, Julian e Carly olhavam para Alice apreensivos.
–Bom... -começou Alice. -Todos sabemos que William e Esther meio que... Enlouqueceram. Precisamos nos dividir em trabalhos. Todos já sabem que Julian trabalha nos jardins e Natalie sai para o labirinto de dia, mas seria ótimo se Sebastian pudesse trabalhar matando animais para alimento. Bom, Natalie, como é o labirinto?
–É enorme! -respondeu a menina dando ênfase à palavra "enorme". -Nunca conseguiria explorá-lo sozinha!
–Está bem, Jasper e eu começaremos amanha à entrar no labirinto com você! Mapearemos ele inteiro. -Alice explicou como as coisas seriam daqui para frente. A menina sempre gostou de impor algumas regras. Com sempre queria dizer: há cinco dias. -Ninguém pode entrar lá sem a minha autorização. E se alguém for visto com Willian ou Esther... -deu uma olhada disfarçada em Sebastian. -Será executado! Entendido?
Todos concordaram. Os muros já estavam fechados a uma hora pelo menos. Alice viu Sebastian correndo para pegar um caixote de perto do quarto colorido.
–Já matei alguns porcos! -gritou o menino antes mesmo de chegar na mesa. -Aqui está! Matei hoje logo que acordei da minha... Transformação!
–Ótimo Sebastian! Obrigada. -agradeceu Alice pegando a caixa e tentando fazer uma fogueira para a carne de porco. Enquanto isso, todos comiam seus milhos.
–Vamos fazer um jogo! -gritou Jasper. -Meninos contra meninas! Quem ganhar fica dois dias sem trabalho enquanto os outros trabalham de dia e a noite para repor a falta de trabalhadores! Este jogo envolve conhecimento, pelo menos o que nos restou dele, e força. É um cabo de guerra! Será contado dez segundos de guerra, após os dez segundos todos largam a corda e um time faz uma pergunta sobre qualquer conhecimento sobre a vida passada. Se o outro time errar um sai! Caso contrario sai quem fez a pergunta. É claro: as meninas começam com a pergunta.
–Adorei! -gritou Natalie. -Mas vamos fazer isso amanha! Com a fogueira no meio marcando o limite. Quem se queimar desiste ate não sobrar ninguém! E o time perdedor, além de trabalhar mais, constrói mais um aposento. O maior de todos!
–Concordo! -gritou Alice seguida de Julian.
Sebastian balançou a cabeça positivamente.
–Desafio aceito! -falou Carly com um tom ameaçador. -Amanha é um novo dia. Boa noite.
Todos se retiraram e foram dormir no quarto colorido.
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Ao amanhecer, Natalie, Jasper e Alice saíram juntos pela porta ao Norte e se dividiram nas primeiras bifurcações.
Alice nunca havia entrado no labirinto tão profundamente. A única vez que havia pisado ali quase morreu tentando salvar Esther, que agora estava louca.
A loira não parava de correr.
Quando o sol se encontrou em cima da cabeça de Alice, a menina parou para um lanche. Afinal, ninguém vive sem comida.
Alice estava prestes a dar a primeira mordida em seu sanduíche que havia preparado naquele mesmo dia de manha ouviu um ruído metálico seguido de gritos apavorados.
–Socorro! -era Jasper.
Alice olhou para o final do corredor e avistou Jasper sendo perseguido por uma... Bola vermelha coberta de fungos com serras e garras saindo de seu interior.
Assim que o menino passou por seu lado, Alice saiu em disparada soltando o seu sanduíche.
–Vamos! Vamos voltar para a clareira! Acho que Natalie nunca viu um destes! -gritou Jasper.
–Façam isso. -uma voz estranha e muito rouca ecoou pelo labirinto
–O que foi isso? -perguntou Jasper sem parar de correr.
–Eu não sei... -respondeu Alice sem se importar muito.
–Me levem para a clareira! -gritou a mesma voz robótica/alienígena.
Era o Verdugo!
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