Notas iniciais
Esse demorou. Muito. Senti falta dos personagens e dos comentários das pessoas que sempre elogiam a história. Gostaria de pedir desculpas pela demora. As aulas começaram e eu só tenho tempo para escrever nas noites de sábado e domingo. Pretendia escrever a fic toda nas férias, mas não deu :/ Nota sobre o título: se odeiam a série, saibam que não vai ser um crossover maluco com as pirulitas. Apenas achei que combinava um pouco com a história que irei desenvolver para a Sansa.

Capítulo 6 — Pretty Little Liars

TATE

– Eu queria dizê-lo que conheci alguém muito especial que está me fazendo feliz.

Tate não conseguia olhar nos olhos de Eddard Stark enquanto falava, sentado numa poltrona macia e se entretia esfregando o seu joelho com a mão, com os olhos fixos nos porta retratos que ficavam em cima da escrivaninha do psiquiatra, no outro lado da sala. O homem, porém, estava bem na sua frente, sentado numa poltrona idêntica a dele, avaliando-o minunciosamente.

– Isso é bom, Tate. Encontrar alguém. Mas não estamos no seu horário. Você deve vir...

– Eu sei. Eu só queria muito poder compartilhar isso com o senhor.

Eu só queria muito receber um boquete do seu filho, mas ele não pode sair de casa porque está estudando.

– Como disse, isso é bom. Pode ir agora, e apareça em seu horário.

– Sim, senhor.

Levantou-se rapidamente da cadeira, e não esperou Eddard levá-lo até a porta. Percorreu rapidamente o corredor, desceu as escadas, dois degraus de cada vez, e atravessou a sala de estar, não perdendo muito tempo com o olhar de reprovação que Catelyn Stark lhe lançou enquanto passava.

Saía sempre pela porta dos fundos, próxima ao quarto de empregada, e nunca sentira-se tão grato por isso quanto agora. Olhou para os lados, certificando-se de que ninguém estava por perto, e bateu duas vezes na porta de Jon, silenciosamente, mas suficiente para que ele pudesse ouví-lo.

– O que está fazendo aí, monstro?

Ele já conhecia aquela voz. Era Sansa Stark. Virou-se e encarou a garota parada ali, com uma bolsa vermelha numa mão que combinava com seus longos cabelos ruivos. Usava um vestido casual de cor marfim. Fitava-o com desprezo.

– Você não deve falar com ninguém dessa casa. E isso inclui o meu meio irmão.

– Eu confundi essa porta com a da saída. — disse, indicando com uma mão a porta que estava logo atrás de Sansa, aberta, por onde ela entrara.

– Costuma bater na porta da saída e esperar alguém abrir quando está saindo? — ela debochou. Tate sentia um impulso de acender aquele fogão, arrancar as saias e a calcinha daquela garota e queimar seu útero com as chamas, mas apenas não a olhou nos olhos, e apressou-se em sair pela porta correta.

– Eu queria trocar umas palavras com você. — A garota disse antes que ele terminasse de passar por ela, sem encará-la. Estava com as sobrancelhas erguidas, e encarava o chão com um olhar vago, como se não tivesse certeza daquilo que estava falando. Finalmente olhou para Tate, com um sorriso. — Jon não está aqui hoje. Saiu com Robb e Bran. Você pode falar com ele mais tarde.

Tate encarou-a, desconfiado.

– O que quer comigo?

– Aqui não. Lá fora. — e indicou a porta de saída com a cabeça.

Lá fora, próximo a piscina, escondidos por trás de uma grande árvore com um tronco espesso e úmido, contra o qual Sansa o empurrou para que não fossem vistos por ninguém, ela foi direto ao ponto:

– Eu preciso de sua ajuda. Você é um monstro. E monstros são inteligentes. Preciso que se livre de alguém para mim. Não precisa matá-la. — parou de olhar para ele naquele instante. Tate percebeu que ela acabara de ter aquela ideia maluca. — Só precisa assustá-la.

– Ela quem?

– O nome dela é Elena. Ela é coordenadora das cheerleaders de Westfield High. Os testes para o campeonato de cheerleaders serão semana que vem. Ela está escalando novamente porque desde que o time de futebol passou para a próxima fase está exigindo uma apresentação ainda melhor para os jogos nacionais. Você precisa fazer com que ela adie os testes para daqui a duas semanas. Apenas isso.

– E por quê eu me importaria com quando os testes vão acontecer?

– Eu me importo.

– Está errada caso tenha presumido que eu me importo com o que é importante para você.

– Você se importa com Jon.

Parecia que o medo tinha deixado a voz dela, e agora ela estava firme e decidida, lançando-lhe um olhar feroz.

– O que Jon tem a ver com isso? Nem está no time de futebol. Por quê se importaria com quem torce para ele? — então sentiu um frio na barriga repentino. Só agora percebera como era estranho que a garota soubesse que ele se importava com Jon — E de onde você tirou que eu me importo com Jon?

Ela enfiou a mão na bolsa e de lá tirou um iPhone com uma capa com um formato de gatinho. Mexeu nele por alguns segundos e então colocou a tela bem próxima ao rosto de Tate.

– Não gosto de olhar essa cena, então me avise quando tiver entedido.

Na tela, Jon estava levantando-se de uma banheira, pingando, e indo em direção a Tate, que estava parado e deu uma rápida olhada no pênis de Jon, antes do garoto chegar até ele e beijá-lo nos lábios.

– Eu... entendi.

Sentiu medo. Não por ele. Não importava a opinião de ninguém. Foderia Jon em praça pública se dependesse dele. Temia por Jon. O que aconteceria caso alguém descobrisse? Não só a família... Jon queria ir ao exército, mas os americanos ainda tinham uma cultura radicalmente preconceituosa com homossexuais, e eles não tinham lugar no exército. Achava uma grande estupidez que alguns lugares ainda não aceitassem casamentos homossexuais, entre pessoas que realmente se amavam, enquanto casamentos sem amor entre heterossexuais não tinham restrição alguma.

– Quem mais sabe disso?

– Eu... e a pessoa que gravou.

– Quem gravou? — perguntou, num tom rude.

– Não importa.

– IMPORTA PARA MIM!

– Fale baixo!

Sansa olhou para os lados, nervosa. Tate acabou olhando também, e viu que estavam sozinhos.

– Eu não sou homofóbica. Eu não gostaria se fosse Robb ou Bran mas pessoas em geral podem ficar com quem quiserem e eu não estou nem aí. Eu tenho amigos gays. Então, fique com Jon. Mas se não quiser que sejam descobertos, é melhor que me ajude.

– Eu não tenho a mínima preocupação com o que você pensa de gays. Mas se quer minha ajuda, terá que me dizer quem gravou o vídeo. — falou, apontando para o aparelho.

– Não o mate. — falou, com repúdio na voz. — Chama-se Norman Black. É do mesmo ano que os meninos.

– Irei ajudá-la. Ninguém mais deve ver esse vídeo. Eu não mataria você, pelo Jon, mas se alguém algum dia ver esse vídeo, não terei piedade alguma para Norman Black.

Havia um lugar cheio de mato e um pouco de lixo nos fundos da Westfield High, próximo ao campo de futebol. Tate imaginou que muitos primeiros beijos e primeiras fodas haviam acontecido naquele lugar. Naquela tarde, pular o muro e aterrisar ali fora a maneira mais fácil que encontrou de entrar no colégio e chegar até o vestiário masculino.

O time de futebol estava treinando, podia ver o campo de longe. Algumas pessoas assistiam na multidão, e duas delas deviam ser Jon e o seu meio-irmão, Bran.

Uma janela que se abria para o lugar onde estava era justamente do vestiário. Tate sabia que não podia perder tempo e entrou por ela.

O vestiário estava vazio, felizmente. Havia ali vários armários, todos trancados, cada um pertencente ao jogador de algum time. Encontrou aquele que procurava e deixou um pequeno bilhete lá dentro, utilizando a combinação mestra do colégio.

– Quem ser você?

Era uma voz masculina ríspida e irritada que falava. Seu som seguiu o da porta da sala de aula sendo aberta e fechada com igual rispidez. Tate estivera encarando o quadro negro, tendo vagas recordações da vez em que fora obrigado a escrever num parecido com ele "Não devo enforcar os sapos do laboratório de ciências." Sua mãe passara a tarde chorando na sala diretora com um lenço, enquanto um pequeno Tate andava impacientemente pela pequena sala esperando a hora de ir embora. Em casa, a mãe nada falara, apenas abriu uma garrafa de whisky e acendeu uns cigarros enquanto esperava o seu namorado chegar com uns pastéis de carne. Deixou alguns para Tate, que comeu-os, frios, enquanto assistia a um interessante programa de tv sobre animais, no volume mais alto, para não escutar os sons que vinham do quarto acima.

Virou-se para o dono da voz, um cara moreno, de pele escura, com braços musculosos e um peitoral muito bem treinado, que ficou em choque, perdendo toda a compostura ao vê-lo.

– Acredito que você já saiba meu nome. Eu sei o seu e temos assuntos para tratar.

– Eu nunca deveria tê-lo filmado. — tinha medo na voz e no rosto. Uma vergonha. Tate lera certa vez que "um homem assustado é um homem vencido." – Eu não sou homofóbico. Meu irmão mais novo... acho que ele é gay. Ele gosta de brincar com coisas de minas! E eu o amo. — tinha agora um sorriso nervoso.

– Por quê vocês pensam que eu me importo?

– Você é gay e mata pessoas. Achei que matasse homofóbicos.

– Eu não sou gay. Jon é legal e fode gostoso. E dá o cu gostoso também. Você devia experimentar antes de morrer, o que acontecerá logo se não fizer o que mando.

– Qualquer coisa. — disse, com a voz fraca.

– Fique de quatro.

Ele arregalou os olhos, mais assustado que nunca.

Tate soltou uma gargalhada.

– Estou brincando. Tentando amenizar o clima. Não nutro nenhum interesse pelo seu cu. Preferiria observar pássaros.

– O que quer que eu faça?

– Por quê filma o quarto de Sansa?

– Eu instalei uma no quarto dela na primeira vez que transamos ali, para vê-la tomando banho e se masturbando.

– Ela ficou brava quando descobriu?

– Ela me ajudou a instalar. — disse, confuso. — Ela faz sorrisos sexys para a câmara quando está sendo filmada. — concluiu, rindo, obviamente com a cabeça cheia de pensamentos sexuais.

– Isso é vulgar. — Tate disse, com nojo. Gostava de sexo da maneira que ele e Jon fizera. Não podia ser hipócrita e julgar quem fazia sexo sem amor, afinal, detestava hipocrisia. Ele fizera sexo com algumas garotas que mal conhecia. Mas isso fora antes de encontrar o amor. — Você a ama?

– Eu a amo muito. — disse. — Gosto de alisar os cabelos ruivos dela, rir olhando em seus olhos tanto quanto gosto de colocar a mão nos seus seios. É por isso que eu apoiei a ideia de você nos ajudar com a gravidez. Ela me mandou uma mensagem explicando que falou com você. Achei no início loucura mas aquela vaga realmente significava para ela. Teremos um filho, com muito amor, mas não agora.

Tate não esperava por isso.

– Gravidez?

– Ela não te disse? Ah, que merda! — ele bateu o punho numa das bancas de madeira, xingando com raiva. — Sansa está grávida e a clínica só tem vaga daqui a duas semanas. Isso é depois dos testes e Elena irá examinar todas as garotas.E a barriga já está aparecendo se você olhar de perto.

Pouquíssimas vezes sentira tanta raiva dentro de si, mas não precisou de muito esforço para estampar um enorme sorriso de compreensão, aproximar-se de Norman e dar-lhe um tapinha no ombro. Fingir emoções era algo que aprendera desde cedo. A diretora rapidamente se convencera do quão Tate estava arrependido do que fizera. Apenas a mãe sabia o que o filho realmente era e não era enganada facilmente, e era por isso que tanto chorara, aquela e várias outras vezes.

– Eu ajudarei vocês. Mas Norman, será que você podia desenrolar aquele vídeo da Sansa pra mim? Só um? Aquele que ela sorri para você? Jon é o máximo mas eu sinto falta de garotas e suas flores entre as pernas. Quero ver Sansa e sua bela rosa. Ah, e... por curiosidade. Qual é o nome dessa clínica? Eu bem que poderia ajudar uma amiga. Vamos combinar direitinho o que posso fazer para ajudar vocês.

Norman sorriu, feliz e aliviado.

Estava com o pênis para fora do jeans. Acariciava-o lentamente, preparando-o para a ação que estava por vir. Abriu a sua caixa de e-mail. O novo que fizera, não aquele que os policiais viviam acessando para ver se encontravam alguma coisa. Isso é entre Sansa e eu. Isso é pelos inocentes: Jon e...

Baixou o arquivo no formato MP4. Detestava aquele formato, mas não aguentaria perder tempo convertendo-o. Estava com a porta trancada. Aprendera, quando criança, que é desagradavél entrar no quarto de alguém e ver seus órgãos sexuais a mostra.

Sansa estava sentada na pedra que contornava a banheira, acenando para a câmara e sorrindo bastante. Passava um creme nas pernas, delicadamente. Isso não me interessa. É bom eu ver uma vagina ou esse será o último dia de Norman Black na terra e o primeiro no inferno.

Adiantou alguns segundos no player, e viu que adiantara um pouco demais. Sansa já estava com as pernas abertas e sua rosa já estava bem visível. A visão daquele órgão, cuidadosamente (como tudo que Sansa fazia) aparado, encheu de sangue as veias do membro de Tate, que ficou ereto e sua boca começou a ficar cheia de saliva.

Sentia falta de vaginas, mas, por mais bela que aquela fosse, e por mais sensuais que fossem aquelas caras e bocas que Sansa fazia para a câmara, nada daquilo realmente interessava Tate. O membro voltou a ficar frouxo, e, com isso, Tate não mais o sentiu com os dedos, que manteve parados formando um círculo com o diâmetro do pênis ereto para segurá-lo. Colocou-o de volta para dentro da calça.

Pensava em Jon, em como era bom estar com ele. Tocar o seu peito, beijá-lo, sentir a sua espessa barba... Não sabia se era gay, mas sua escolha, que era Jon Snow, não dependia disso. Já a fizera há algum tempo.

Pegou o celular que estava ao seu lado, sobre a cama. Discou um número e, enquanto esperava sua ligação ser atendida, fechou o player em que o vídeo estava passando.

– Você falou com ela?

A voz de Sansa estava hesitante, nervosa. Devia estar com medo de que alguém os escutasse.

– Escute, mentirosa. As regras do jogo mudaram. Você e seu namorado terão muito o que brigar, mas isso não é comigo. Você é falsa e hipócrita e esbanja uma imagem de castidade mas eu acabei de ver que você não é nenhuma santa. Eu sou mais santo que você. Se o vídeo de Jon comigo vazar, o mundo verá Sansa Stark se masturbando enquanto sorri para uma câmera em seu banheiro. E a clínica que você escolheu para abortar será fechada em breve, sinto muito. Você não fará o aborto. Estudará fora por um ano, e fará questão, ao preencher o formulário, de que seja aceita por uma família humilde. Partirá logo, enquanto sua barriga não estiver aparecendo, e lá, quando não puder mais esconder, ofecerá dinheiro para a família para que eles não contem nada sobre o bebê. E quando tiver o bebê, é melhor que me ligue caso não deseje mantê-lo. Nenhuma criança merece ser abandonada pelos pais, mas se for inevitável, você não o dará para qualquer um. Eu estou no comando agora, e é melhor você fazer tudo como eu mandar, bitch.

Quando terminou de falar, Sansa desligou. Pôde ouví-la soluçando nos últimos segundos da ligação. Sabia que tinha triunfado.

Aquela parte da cidade parecia ser frequentada pelo tipo de gente mais desagradável possível. Pessoas bêbadas ou chapadas. Pessoas bêbadas e chapadas. Prostitutas que lhe gritaram gracejos. Velhos que sentavam num banco, no meio de uma calçada, e berravam uns para os outros no meio de uma partida de dominó.

Ao atravessar a rua, pôde ver, através de uma janela, que no primeiro andar de um pequeno condomínio um homem penetrava uma mulher com vigor. Parece faminto, por falta de uma palavra mais apropriada, se houver, pensou. Pensou também que a mulher deveria ter medo de ser atirada para fora, pois estava bem na beirada. O homem, um branco, moreno com uma barba tão grande quanto a de Jon — porém, sem a beleza daquela — avistou Tate observando, e fechou a cortina com brutalidade com uma mão, enquanto a outra ainda segurava a cabeleleira espessa, cheia de cachinhos, da mulher. Seria sua esposa, namorada, um encontro casual ou uma prostituta?

Do outro lado da rua, chegou a seu destino. Era uma porta velha, feia, sem nenhum enfeite para embelezá-la. Apenas madeira. Bateu o punho nela repetidas vezes, incessantemente, até ela ser aberta.

– Calma! — ouviu uma voz vinda de dentro — Pressa é para quando se vai ter o bebê, não para quando o tira mais cedo.

A porta se abriu. Uma mulher magra, de baixa estatura, o olhou com surpresa e desconfiança. Ao dar uma olhada em seus trajes, pareceu mais aliviada. Está aliviada porque não sou da polícia. Acha que está segura. Ledo engano.

– Homens só entram aqui como acompanhantes. A moça que está lá em cima disse que não viria ninguém. Você deve ir embora.

– Devo?

Deu uns passos para a frente, e fechou a porta com a perna, sem tirar os olhos por um instante da mulher, que começou a voltar a ficar assustada. Muito bem.

– Quem acha que eu devia ir embora levanta a mão. — esperou um segundo, a mulher andava para trás, conforme ele andava para frente, em sua direção. — Quem acha que eu devia ficar aqui levanta a mão. Centenas de bebês acabaram de levantar a mão. — sorriu.

– O que você quer? — ela disse, com os olhos se enchendo de lágrimas. Lágrimas de medo.

– Quero que me leve ao quarto onde o procedimento é feito. Sem dizer uma palavra.

Tirou a faca da mão.

– Você acha que estamos erradas. — disse, com a voz fraquinha. — Conversamos com elas, antes. Algumas tem umas histórias tão tristes... — disse, começando a chorar. — Não podem criar os bebês. São novas. Não têm dinheiro. É uma gravidez de risco. É melhor para todos. Mas o governo não permite que elas façam isso num lugar seguro, então nós ajudamos. É melhor para todos.

– Já me disseram que não posso escolher quem deve morrer ou viver. Se eu não posso escolher que pessoas ruins devem morrer, porque essas mulheres devem selar esse destino para crianças verdadeiramente puras e inocentes? Leve-me ao quarto. Em silêncio.

Disse as últimas palavras com firmeza.

A mulher já estava com o rosto todo molhado de lágrimas, e começou a subir uma escada de madeira, degrau por degrau, devagar. Tate seguiu-a. Então, foi surpreendido quando a mulher virou-se contra ele e chutou-o na barriga, fazendo-o cair da escada e deixar a faca escapar pelos dedos.

Se não fosse matá-la antes, agora não tinha dúvidas de que deveria fazê-lo.

– Miranda! Tem um louco aqui! — ela gritou.

– O que fará? Chamar a polícia?

Tate sorriu. Apanhou a faca. Começou a subir a escada mais uma vez. A mulher tirou um abajur que estava sobre uma mesinha, no corredor do primeiro andar, e apontou-o contra ele.

– Afaste-se. Eu prometo. Eu me demito. Eu nunca fiz um aborto. Nunca. Eu só administro. Contas! Marcar horários! É isso!

– Então é você quem marca o horário que um bebê deve morrer?

– POR FAVOR! — suplicou.

Tate olhou para os seios da mulher enquanto agarrava a faca com mais força. Lá dentro, um coração devia estar batendo mais rápido que qualquer outra vez, o que era engraçado, pois ele nunca mais voltaria a bater. O tiro foi certeiro: sangue jorrou do peito da mulher, enquanto ela caia para trás e o abajur caía pela escada. Tate ficou de lado, encostando as costas na parede, para não ser atingido pelo objeto, enquanto viu uma mulher surgindo ao lado da que caíra. Era uma velha, baixinha também, só que gorda, e usava um vestido roxo com várias flores desenhadas. Um vestido florido para trabalhar com flores. Tate soltou uma gargalhada.

– Você é um monstro!

– Eu matei uma mulher e eu sou um monstro? O que dizer de você, velha nojenta?

Continuou gargalhando, enquanto chegava ao topo da escada. A velha parecia ser feita de material mais forte que a jovem que morrera. Não tinha medo, nem raiva, e Tate sabia que não iria vê-la chorar. Olhava-o com garra e ferocidade. Uma pena, pois isso de nada lhe servirá.

Empurrou-a contra a parede do corredor, e envolveu o seu pescoço com as duas mãos, com força. A mulher não gritou, não protestou, mas tentou afastar Tate com os braços e pernas. Mas ele era mais forte, e ela não pode não se engasgar, não conseguiu não morrer em suas mãos. Passados alguns segundos, ela já não se movia, e seu rosto já não tinha mais qualquer expressão. Se fora. Tate deixou-a cair, virando-se finalmente para o corredor.

Uma mulher assistia à cena impassível. Vestia um vestido branco sem desenho nenhum. Estava pálida, assustada, encarando Tate como quem via um monstro. Um espelho lhe mostraria um monstro muito pior. Tate voltou, tranquilo, até a primeira mulher, tirando a faca, agora suja de sangue, de seu peito. Amava aquela visão do sangue, tão belo, na faca. Passou o dedo pela faca, sentindo a textura do líquido. Em seguida, aproximou-a da boca, passando a língua por toda a sua extensão, saboreando o gosto da vida.

– Deus lhe abençoe. — ela falou, calma e pausadamente. — Deus tenha piedade de você.

– De todos nós. — Tate falou, virando-se para ela. — Essas mulheres... Se você não as tivesse encontrado, seu filho teria morrido nas mãos de outras. Mas se você não tivesse tomado a decisão, ninguém mais tomaria. A culpa é toda sua.

Ela tentou dar um passo atrás, apenas por instinto, e não por querer fugir, como a primeira. Sabia que não tinha nenhuma chance.

– Já matou o seu filho?

– Sim. — soluçou — Ele ia ter Down. Saiu no exame do cório.

– Concluiu que ele não merecia viver?

– Ele iria sofrer.

– E também teria momentos felizes. Aprendi que o sofrimento faz os momentos felizes ainda mais felizes.

– Faça logo. — ela disse, começando a chorar. Depois, fechou os olhos e começou a mover os lábios rapidamente. Está orando.

– Sorte sua estar de branco. Será que isso fará Deus gostar mais de você lá em cima?

Soltou mais uma gargalhada, e não parou de rir por nenhum segundo enquanto esfaqueava a vagina da mulher múltiplas vezes antes de passar para o resto do corpo. Berros de dor e agonia substituiram as orações e Tate não parou de rir.

Quando terminou, tinha os dedos sujos de sangue, mas mesmo assim pegou o celular do bolso e ligou para Jon.

Ele nunca demorava a atender. Gostava de imaginar que essa rapidez era uma exclusividade para Tate.

– Tate! Que saudades, meu amor. — ele falou, com sua voz sempre calorosa.

– Tudo bem, meu lindo?

– Você não sabe: Sansa do nada decidiu que quer fazer um intercâmbio maluco. Acredita que a dondoquinha ainda disse que quer ficar com uma família pobre? Disse que quer viver muitas vidas e não só uma... Acho que pirou de vez.

Tate sorriu.

– E você, como está?

– Estou ótimo. Tenho boas notícias. Nós vamos ter um bebê.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo. Foi em alguns momentos bem divertido, em outros, perturbador, de se escrever. Mas o mais importante é que foi o capítulo em que explorei mais profundamente a mente do Tate, e por isso é o meu segundo preferido, atrás do 5 e na frente do 3 :) Comenteeeem pode ajudar a sair mais rápido pfvr
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.