O Novato
9 Apostando o impossivel
Notas iniciais

O Novato — Capítulo 9
Violetta estava com os olhos fechados, mas em seus lábios perfeitamente desenhados havia a sombra de um modesto sorriso, lembrara do momento em que dançou com Tyler na festa de formatura dele, há três anos atrás. Apenas ele sabia melhorar o seu humor duvidoso e sempre nos piores momentos estava ao seu lado. Era um bom ouvinte... seu melhor amigo.
Deixando a lembrança de lado, ela recordou-se onde e com quem estava. Ela o encarava com certa descrença. Mesmo após tudo, León não perdia a chance de ser inconveniente e sempre levava tudo para o lado mais desinteressado da coisa, em contrapartida, estava cansada de ser a perfeitinha admirada por todos. A santa Castillo. Pelo menos nesse dia, ela faria algo diferente e mesmo que no dia seguinte se arrependesse de tudo, não se intimidaria. E quem melhor para levá-la para o pecado, do que León Vargas?
Perdida na inércia de suas divagações, ela só voltou a si, quando sentiu algo quente e grande em volta da sua cintura. Já estava se acostumando com seu jeito rude de ser. León estava longe de ser um príncipe.
De repente as palavras da postulante a vadia, Lyns, fizeram-se presentes em sua mente.
— Por que você não mora com o seu pai? — assim que adentraram no elevador, Violetta se ouviu perguntar.
— Porque prefiro ter privacidade — respondeu prontamente e de forma casual, mas foi possível ver um vestígio de rancor em seu tom. — Seria muito escroto da minha parte se eu dissesse que eu sabia que você voltaria até aqui? — inqueriu, mudando de assunto.
— O que te faz pensar que vim aqui com segundas intenções? — olhou-o rapidamente.
— Eu não disse isso.
— Não foi o que esse sorrisinho mostrou — retrucou, apontando para os lábios dele que apenas revirou os olhos. — Só estou aqui para passar o tempo. Porque não quero voltar pra casa agora — explicou, querendo esclarecer qualquer duvida que León podia a ter.
Antes que ele pudesse responde-la, a porta do elevador se abre e um homem – aparentemente da mesma idade que eles – entra, olhando diretamente para Violetta. Ele sorri e a cumprimenta, começando uma conversa rápida e cordial e com a moça, que correspondia ao ato gentil. Tão logo viu as portas do elevador se abrir novamente e sentiu uma mão pousar na base de sua coluna possessivamente.
— Chegamos — com um sussurro rouco perto de seu ouvido, León a guiou em direção ao corredor.
— Foi um prazer — virou-se ao ouvir a voz do homem que até então não tem nome próprio — Espero vê-la mais vezes — prosseguiu e Violetta apenas deu um leve aceno positivo, abrindo a boca para dizer algo, mas parou assim que o elevador se foi.
— Exibido — novamente se virou com o resmungo de León.
— O que? — perguntou, fazendo-se de desentendida, enquanto se aproximava da porta que ele abria.
— Esse cara é um exibido — repetiu em um tom mais auditivo, dando passagem para que ela entrasse.
— Eu não achei — deu de ombros. — Ele me pareceu bem simpático, na verdade.
— Se você não notou, mas ele estava te cantando — disse, cruzando os braços.
— Claro que não — riu incrédula. — Ele foi apenas gentil — acrescentou convicta. — E mesmo se o fizesse... Qual o problema? Só você que pode? — franziu o cenho.
Sentiu o olhar dele queimar sobre o seu, fazendo sua pele formigar. Levantou a cabeça para olha-lo e viu León serio, ainda de braços cruzados.
— É diferente — o ouviu chiar depois de um tempo.
— Sim, é — concordou, deixando-o surpreso. — A diferença é que aquele cara se preocupou em ser educado, já você foi um completo cretino desde o primeiro segundo em que nos conhecemos.
— Não estou sendo um cretino. Apenas não me escondo através de faces. Tenho certeza que posso conquista-la sendo exatamente assim — disse, parecendo orgulhoso de si mesmo enquanto sibilava cada palavra.
Machista.
Violetta somente lançou a ele um olhar irritado, mas fazendo o máximo para se controlar.
— Não entendo essa sua persistência em me levar para a sua cama — impôs com um semblante determinado. — Pode conseguir uma prostituta em qualquer esquina, e tenho certeza que elas irá o satisfazer muito mais do que deseja — sorriu descarada.
Ele estudou suas palavras por um momento e seguiu com um semblante intermitente, sorrindo.
— Não quero uma prostituta — afirmou com convicção. — Quero apenas você.
Tais palavras não poderiam ter sido proferidas em um momento tão errado. A Castilho sentia-se vulnerável no meio de tantos acontecimentos. Naquele momento, qualquer coisa que León a pedisse, ela obedeceria se o mesmo a prometesse alguns instantes de lubricidade, e que a fizesse esquecer dos seus antigos e dos novos problemas.
Afinal, sua relação com Tomás pode ter acabado, mas ele não levará esse termino – quando estiver mais calmo – a serio ou em numa boa.
— Você sabe como deixar uma mulher com os sentidos aguçados — respondeu a ele e o moreno desatou-se a sorrir, deixando-a ligeiramente irritada. "Sempre, León". — Pode me dar um copo de agua? — questionou de forma casual, tentando fugir daquele assunto por poucos segundos que fosse.
— Claro — pronunciou ávido.
Observou quando ele se levantou e se dirigiu até a cozinha, sumindo de seu campo de visão.
Voltar aquele apartamento era estranho. Durante tudo o que ela se matem afastada, ela não conseguia esquecer o que havia acontecido naquela noite em que beijaram-se pela primeira vez. Foi algo intenso e muito bom.
León podia ser um homem estranho e tudo mais... entretanto, não podia negar o quão ela desejava ter sido sua naquela noite. Talvez perdesse o interesse por ele, ou, contrariamente, estaria ainda mais interessada.
Tirando a jovem dos seus devaneios, ele voltou com o que ela havia pedido, um copo de agua.
— Violetta, eu só queria te dizer que eu não sinto muito pelo termino do seu relacionamento, mas ainda sim... — ele dizia tranquilamente, mas não terminou sua frase, pois ela o interrompeu.
— Eu acho melhor você não dizer nada — comentou, gesticulando as mãos. — Já me deu problemas o suficiente.
— Você deveria me agradecer.
— Te agradecer? — o riso feminino foi ouvido por toda extensão do apartamento durante vários segundos. — León, você vem com essas suas tentativas de conquistas baratas para cima de mim e por causa de um deslize meu e uma insistência sua... — apontou para ele que ergueu a sobrancelha. — … Eu magoei uma pessoa que gostava de mim — abaixou o olhar triste com a lembrança.
— Se fizer você se sentir melhor eu posso levar toda a culpa por isso — sorriu levemente.
Com certa rapidez, Violetta levantou o olhar até ele novamente, exprimindo os lábios em uma linha reta ao mesmo tempo em que maneava a cabeça em negatividade e revirava os olhos.
— Está vendo só?! — exclamou nervosa. — Desde que saímos da Universidade, coisa que não tem nem uma hora direito, você já jogou em mim milhares de cantadas. Isso é ridículo! — levantou-se aparentemente irritada, prendendo os lábios com os dentes, em uma tentativa falha aliviar a irritação.
— Isso não é verdade... — tentou se defender, mas ela o interrompeu.
— Claro que é. Você sabe bem disso — suspirou, pondo a mão direita por de trás da nuca. — Eu juro por Deus que estou tentando ter paciência com você, Vargas, mas está se tornando uma missão impossível — disse, em um tom baixo, mas que ele conseguia ouvir perfeitamente. — Todos os seus elogios fora de hora, os flertes desnecessários ou a aproximação repentina estão me deixando nervosa — desceu as mãos até sua própria cintura, dispensando todo o seu peso para a perna esquerda. — E assustada... — essas duas palavras siaram praticamente como um chiado. Como um sussurro amedrontado.
— Violetta... Você não tem motivos para se assustar — assegurou-a, buscando tranquiliza-la. Todavia era percetível ver em seu cenho – e em seus olhos – que não estava nada contente com a revelação da garota.
— Estou acostumada com caras educados, simpáticos, que se preocupam mais em dar uma boa impressão no primeiro encontro do que transar nele — soltou um sorriso branco, voltando a segurar o ar que a cada segundo parecia se tornar mais e mais pouco entre os dois. — Você é diferente de todos eles e eu não sei se estou pronta pra mudar meus costumes assim, tão depressa. É tudo muito novo e recente pra mim.
— Eu não sei o que dizer — León confessou, suspirando perdido.
— Não sei como você foi criado; como foi educado, mas sei que somos totalmente diferentes um do outro — falou com convicção. — León, eu sou um desafio pra você — disparou e ele a olhou curioso. — Você chegou aqui, desfilando sua gloria, achando que todas cairiam mortas em seus pés — riu brevemente, antes de continuar. — E de um certo modo, caíram, mas não todas — virou a cabeça, esperando uma reação protestante dele. Nada — E eu não vou me deitar com você apenas para encher seu ego. Ainda mais quando nós dois sabemos que no dia seguinte você encontraria uma nova presa para perseguir.
— Você não me conhece — ele responde.
— Conheço o suficiente a ponto de apostar que você não ficaria uma semana sem ser isso... — aponta para ele, maneando a mão.
— Quer apostar? — ele a pega de surpresa com a pergunta.
— Eu não disse que... — a interrompeu.
— Garanto a você que consigo ser um desses marionetes que você já namorou. Que consigo ficar sem flertar com você ou qualquer coisa... Hum... Constrangedora — cruzou os braços, sorrindo com malicia.
Sem saber o que dizer, Violetta apenas resmunga algo indescritível, virando e pegando sua bolsa. León é um caso perdido e ela deveria saber bem disso.
Passou por ele lançando-lhe um olhar negação, indo em direção a porta.
— Podemos tornar isso interessante, Castilho — concluiu, segurando-a pelo braço. Sem o fitar, a dona dos olhos castanhos apenas suspirou. — Você garante que eu não consigo ficar sem uma presa, mas eu garanto que sim. Vamos fazer uma aposta e descobrir qual de nós dois está certo — a virou, delicadamente, obrigando-a a olhar em seus olhos.
Por poucos instantes Violetta pensou que o homem parado a sua frente não fosse o causador de alguns – de seus muitos – problemas. Porém ele era.
— E o que eu ganho com isso? — se ouviu questionar.
— O que quer? — ergueu a sobrancelha, esperando a resposta.
Aquela sim era uma pergunta tentadora. Ela queria varias coisas naquele momento, contudo a maioria delas era praticamente impossível de se ter.
— Que você me deixe em paz, León — murmurou em um tom baixo, se ele não estivesse tão perto dela, duvidaria que ele ouviria.
Os olhos esverdeados se perderam em algum lugar distante, bem longe do rosto feminino. Violetta estranhou essa atitude, pensou em dizer algo, mas recuou. Depois de dois longos minutos ele rolou os olhos até os castanhos atentos.
— Tudo bem — concordou no mesmo tom de voz que ela. A resposta a surpreendendo. — Mas somente se você estiver certa. Somente se eu perder a aposta — esclareceu, em tom duro e serio, mas colocando um sorriso provocativo milésimos depois. — E se eu ganhar você terá que me dar o que eu quero — acrescentou, ainda com o sorriso.
Sem ao menos se dar conta, Violetta soltou o ar que prendia, levando e trazendo seus pensamentos de um lugar distante. Não era necessário que ele dissesse com palavras o que queria, Violetta sabia e sentia suas mãos transpirarem ó de pensar. Jamais darei o que ele quer, ela pensou. Não havia chances de se render a ele assim. Todavia, de todas as incertezas que León a causava, a única que a deu foi que ele é um completo cafajeste.
Sentiu sua garganta se contrariar a medida em que a resposta chegava até sua boca.
— Isso é ridículo, mas eu aceito — chiou rendida. — Porque eu sei que você não ira aguentar um dia sem se jogar pra cima de mim ou de outra mulher.
— Eu posso surpreende-la muito ainda, Violetta — respondeu, voltando ao seu tom debochado.
— É o que veremos — retrucou. — Durante três semanas você não poderá flertar comigo e nem com qualquer outra garota, nenhum contato físico ou labial — a medida em que falava descobria o qual divertido e fácil era a aposta. — Terá que me mostrar que pode ser um garoto normal. E me fazer acreditar que não á nenhuma demência em você...
Ele a interrompeu.
— Está me ofendendo — fingiu estar chateado. — Mas tudo bem. Nos próximos dias eu vou te mostrar o porque te você está apaixonada por mim.
— Eu não estou apaixonada por você — garantiu irritada.
— Claro que não — passou as duas mãos pra trás, olhando-a com diversão.
— Viu só? Não tem como você ganhar essa aposta — afirmou, virando e indo em direção a porta. — Assim como não tem como eu me apaixonar por você. Somos totalmente diferentes.
Olhou mais uma para o moreno, mas ao ver que ele não tinha se mexido, apenas abriu a porta. Contudo, parou ao ouvir a voz dele, mas não se virou.
— Exatamente porque somos diferentes que somos tão bons quando estamos juntos.
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