Notas iniciais
Quando Grissom entrou no quarto, pôde ver Sara deitada, acariciando, levemente, sua barriga ainda lisa. Assim que o viu, virou-se de lado e ficou a ver a paisagem que a janela lhe proporcionava. Queria que ele soubesse que estava chateada, que o que disse ainda estava machucando-a por dentro.
— Ei, eu vim ver como você está. — Ele falou enquanto, à passos curtos e lentos, ia se aproximando da cama em que ela estava.
— Estou bem.
— Escute Sara, aquilo que falei pra você antes de.. — Ela o interrompeu bruscamente.
— Grissom, eu estou com dor de cabeça, estou cansada e não quero conversar, principalmente sobre esse assunto.
Estava encrencado. Quando ela chamava-o assim, sabia que estava em maus lençóis. Segurando a barra de metal fria da cama ele a olhou e viu, com clareza seus olhos marejados. Odiava vê-la assim e odiava ainda mais ser a razão dela estar assim.
— Querida, não chore.. me despedaça o coração te ver desse jeito. Por favor, meu amor, olhe pra mim, deixe-me pedir desculpas, eu sei que fui um..
— Por favor peço eu. — Ela deu um basta. — Já disse que não quero conversar. Estou cansada, minha cabeça está a ponto de explodir. Não acha que já passei por muito?
Ele sabia que sim. Sabia que tinha passado por bastante coisa e que tudo isso era culpa dele, maldita hora de dar ouvidos a mãe. Ele iria embora.
— É, perdão, você tem razão. Eu vou em casa, tomar um banho e, talvez comer alguma coisa. Mamãe deve estar esperando notícias suas.
Ao ouvir o namorado proferir aquele termo seu sangue ferveu. Sua vontade era de dar um belo tapa nele. Como era tão cego a esse ponto? Mas recolheu a raiva para si e apenas disse um " Claro. " carregado de ironia.
— Depois eu volto e passo a noite aqui, com você.
— Eu não preciso de acompanhante, Grissom. Sou bem grandinha. — Ele percebeu a ironia em sua voz e abaixou a cabeça
— Certo. — Ele disse, com sua voz agora quase inaudível, porém apenas por dizer. Por mais que ela recusasse, jamais a deixaria só. — Então eu já vou indo.
Ele a olhou, tocou seu braço carinhosamente e, mentalmente, pediu desculpas por tudo que tinha feito.
Apenas quando ouviu o som da porta sendo fechada Sara ousou olhar, por cima do ombro, se estava tudo certo. Virou-se e quando achou uma posição confortável, pôs-se a chorar. Por mais que doesse tudo o que ele havia lhe dito, lhe doía mais, muito mais, ser tão rude como homem que amava. Precisava ser forte, por ela e por seu filho.
Do outro polo da cidade, Grissom ia dirigindo, com a cabeça aflita. Pensava que seria fácil conversar com Sara, que seria fácil de fazê-la perdoá-lo, mas estava longe disso acontecer sem grandes resistências. Quando chegou em casa, recebeu um abraço forte de sua mãe, eles sentaram à mesa e ele a notificou que a namorada estava bem, que só eram alguns arranhões.
" E por que ela não veio para casa? "
" Ela está em observação, mamãe. São as normas. Pelo impacto que ela sofreu, eles preferem que fique lá antes de darem alta. "
Beth buscou as mãos do filho e num suspiro ela confessou seu crime que lhe tanto estava afligindo.
" Filho, me perdoe. Sara nunca esteve em lugar algum no dia no nosso jantar. Você me pediu para convidá-la, mas eu não convidei. Mandei uma única mensagem para dizê-la que você estaria no laboratório. Não queria que ela estivesse entre nós. "
" Mamãe.."
" Perdão, meu filho. Eu sei que errei e agora me arrependo imensamente. Agora, só agora, quando te vi quase perder alguém importante é que descobri que o que você sente por ela é algo avassalador. Eu não tenho que interferir nisso. Você a ama, você é um homem maravilhoso e Sara te faz feliz como eu nunca vi antes. Me perdoe, Gil. "
Ele tentava compreender tudo, havia sido uma avalanche de informações. Sua mãe, logo ela, havia tramado tudo para Sara não aparecer. E ainda assim, sem provas, ele a acusou de coisas que, agora sabia, ela nunca faria. Olhou sua mãe chorando e a abraçou. Perdoaria o erro de sua mãe, afinal era sua mãe, tinha feito muito por ele e agora não era hora de ser rancoroso.
" Eu perdoo mamãe. Eu perdoo você, mas agora eu preciso resolver algo. A mulher da minha vida está no hospital e não quer me ver nem pintado de ouro. Preciso dar um jeito nisso. "
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