O Nosso Mundo.
1 Prólogo.
Notas iniciais
Caso algo esteja fora do padrão ou não faça nenhum sentido enquanto lemos, saibam que não é culpa minha, porque o meu computador é rei de bugar todo tipo de coisa que tentou ou quero postar, causando uma alta discórdia entre eu e meus leitores, não que eu tenha muitos aqui no Nyah.
Obrigada.
Favoritem a história, postarei toda semana, e é capaz de, se eu tiver bom humor e criatividade, poste um dia sim e outro não. Beijos.
-Cocolaterika.
Quantos anos você tem? Eu tenho 15, parece que a nossa diferença de idade não é tão grande assim, não é mesmo?
Se você está lendo essa história, sinto muito, mas vou implorar para que não leia. Eu também detesto coisas assim, melancólicas, tristes, macabras e meio sem noção. Mas isso foi antes, muito antes de conhecer a Bones.
Eu me lembro como se o dia fosse hoje, o primeiro dia dela na escola e ela parecia mais deslocada que eu quando vim para essa escola anos atrás. Ela sentou bem no fundo da sala, e eu sentava na frente, ela vestia um suéter aparentemente customizado por ela mesma, cheio de logotipos de bandas que eu sequer sabia a existência, e eu usava uma blusa de linho branca com uma flor rosa no meio, com um sorriso desenhado nela e a frase “Notice Me” saindo por um balão, como se a flor falasse.
Era visível a nossa diferença, principalmente pelo meu cabelo preto ondulado e o cabelo castanho claro e liso dela. Naquela época seu cabelo era curto e reto na altura do queixo, cobria um pouco seu rosto e ela usava uma toca e óculos.
Eu a queria, como amiga, como a pessoa que eu confiaria, eu simplesmente a queria perto de mim, não pela aparência que transcrevi agora há pouco, mas sim pela aura que ela emanava, pelo bem que eu sabia que ela tinha e... pela ousadia. Ela era ousada, sua expressão era ousada, seus olhos quando me encararam de volta eram de pura ousadia.
[...]
A voz dela era de tremenda inquietude, ela parecia tão distraída enquanto eu tentava puxar assunto que chegou a um momento que eu tive que perguntar.
-No que está pensando? – as palavras simplesmente pularam para fora da minha boca, eu me senti muito mal por aquilo, eu não tinha nem trocado seis frases com ela e já queria saber o que ela pensava? Eu jurava que ela iria perguntar o que eu tinha de errado, mas foi ao contrário.
-Estou pensando se devo arriscar ser machucada por você. –disse ela, na maior tranquilidade do mundo, pude ver um sorriso quase se formando em seus lábios ao ver minha expressão de culpa misturada com “não sei o que está acontecendo”.
-Por que eu machucaria você? –Okay, okay, se ela queria falar sobre, bora falar, o que tem de mal em continuar um assunto sobre pessoas machucadas justamente no dia que conhece alguém?
- Não existe um “porquê” para isso. – ela disse, virando o rosto para encarar um outro alguém que passou pela gente de uma maneira brusca, eu odiava o intervalo da nossa escola, era demasiado brutal.
-Tudo tem um porquê. –insisti por um segundo, mas depois me virei para a pessoa qualquer que havia trombado conosco enquanto ela falava- Ei, presta atenção por onde anda! Até parece que o mundo vai acabar se você não correr por aí batendo em todo mundo! -Fiz que ia bater na pessoa, eu já conhecia ele, era um garoto que já tinha sido meu amigo a um tempo, mas não durou muito, ele deu um passo para trás e fez uma careta, mostrando o punho pra mim, depois saiu correndo, batendo em mais pessoas. – Quer morrer...? –perguntei, não para ninguém em especial, poderia ser até baixinho demais para ser entendido por alguém que estivesse colado em mim.
-Você é engraçada. –ela disse, buscando minha atenção para ela, e minha expressão de “O que disse?” e confusão, fez ela abrir um sorriso largo, amigável e totalmente charmoso. Queria gritar “aleluia!”, mas não ia soar bem.
Apenas sorri de volta, e ela mais ainda. Caminhamos pela escola, conversamos, e, foi assim que, mesmo a conversa tendo começado de uma maneira estranha –Pessoas machadas e porquês– e um tanto desconfortável, uma amizade surgiu, tão grande que iria até a morte.
Isso aconteceu 2 anos atrás, e, agora, eu tenho 15 anos, como disse no começo do texto, e Bones, 16. Nós vivemos como clandestinas agora, algo ruim aconteceu com a humanidade e, dentre tantos seres vivos, a entidade superior –Ou Deus(es), como preferirem– escolheu Bones e Eu para sobrevivermos a isso.
Existem mais sobreviventes além de nós, isso é óbvio, mas eles, ou estão corroídos por dentro, ou viraram pessoas ruins o bastante para você querer distância ou que sequer que saibam da sua existência.
Manter a sanidade no nosso mundo é difícil, é algo como jogar na loteria, tipo: “Ah, hoje você vai perder a cabeça e matar todo mundo.” e/ou “OPA! SORTE GRANDE! Você achou um pote de sorvete! Coma e morra!”
Como está nossa aparência agora? Sujas.
Meus cabelos negros e ondulados estão quebradiços e, para poupar o mínimo de shampoo que achamos nas casas abandonadas, ele está curto, na altura do queixo. O mesmo vale para Bones, mas o dela está mais despojado, como se tivesse sido cortado por alguém que nunca usou uma tesoura para além de cortar papel e sobreviver, e foi, e essa pessoa era eu.
Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu de tão horrível no nosso mundo, mas não se preocupem, não estão sozinhos, porque eu me pergunto isso desde que aconteceu. Os mortos andam conosco agora, vivemos lado a lado, como inimigos mortais, caça e caçador, mas temos que decidir quem é quem.
Esse é o nosso mundo, e agora você faz parte dele.
Sinto muito.
-Cocolaterika.-
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