O Nome Na Lista
14 Pernas
Notas iniciais
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— Tudo bem! — Gina chegou, pra colocar ordem — Vocês parecem que nunca deram um beijo na vida! Podem ir pras suas classes!
— Hermione nem deveria estar aqui já que anda dando beijinhos naquele Krum...- Rony disse, um pouco alto demais.
Hermione revirou os olhos pra ele e foi a primeira a sair da cena. Neville e Luna se separam com rapidez, os rostos vermelhos. Luna correu para atrás de Gina, e Neville foi para sua aula o absoluto silêncio.
— Por que não me contou nada? — Gina perguntou para Luna quando as duas caminhavam para a classe.
— Não contou o que? — Luna parecia mais perdida do que nunca.
— Sobre você e Neville! — Gina estalou os dedos na frente de Luna, para acorda-la — Desde quando vocês estão ficando? Eu sei que as conversas sobre a mata atlântica estavam bem profundas mas não pensei que já estivessem nesse nível… — Gina riu.
— Ah! Eu não sei como aconteceu… Estávamos andando de volta das estufas, eu já te disse que plantamos um cacto e fomos vê-lo.. E aconteceu. — Luna tocou os próprios lábios, e não conteve o sorriso.
— Ok, Julieta… vai com calma com esse Romeu, tá bem? Pelo que vi, por onde essas mãos estavam — Gina pegou nas mãos da amiga, que corou — Eu acho melhor diminuir o ritmo. Não faça nada que você não queira.
— Pode deixar.. — Luna respondeu, indo com Gina de mãos dadas para a aula. O problema era justamente esse, ela queria…
Gina e Luna sentavam juntas na frente. Antes de Luna aparecer, Gina era independente, quase sempre andava sozinha, embora nunca estivesse sozinha de fato; falava com quase todo mundo do colégio. Agora, ela carregava Luna ao seu lado aonde quer que fosse. Era bom ter uma pessoa sempre ao seu lado.
— ...Que tal? — um garoto da sala de Gina perguntava, ajoelhado ao seu lado da carteira.
— Olha, Mark, a aula já vai começar, depois conversamos…- ela fez um carinho no cabelo macio dele e sorriu; mal tinha ouvido o que o garoto falou, mas sabia que a resposta era não. Já tinha ficado com ele uma vez, e era mais do que suficiente pra saber que não queria mais nada com ele.
Gina não era dada a namoro sério. Achava injusto tentar algo sério com alguém quando ela sabia que de quem ela gostava mesmo, era Harry. Desde que começara a se envolver com garotos, sabia que aquilo não passava de mera distração pra ela; ela se lembra de ter começado pra provocar Harry, numa tentativa idiota de faze-lo notar em sua existência. É claro que não funcionou… Demorou pra Gina perceber que o que chamaria atenção de Harry era a atitude dela mesma. Ela o via com todas aquelas garotas e sabia que ele só se encontraria ao lado dela. Aparentemente esse ano estava correndo bem, Harry já havia demonstrado interesse, e se não fosse o idiota do irmão dela, quem sabe não teriam dado um passo à frente na última festa no salão comunal?
Para e com Harry, Gina guardava seus sentimentos mais puros, e a verdade era que esperava isso de volta dele também. Mas e se Harry só quisesse uns beijinhos e talvez algo a mais e nada além disso, como ele fazia com outras garotas? Como ela fazia com outros garotos?
Gina riu baixo, pensando na hipótese. Era impossível… Gina Weasley provaria que era mais que um par de pernas. Tinha que ser naquele ano. Depois, Harry iria pra faculdade e a chance deles terem algo iria se resumir a jantares de aniversário e natais, já que as famílias eram amigas.
— Você acha que Neville ficou bravo comigo? — Luna perguntou no final do primeiro período, e as duas arrumavam o material para irem almoçar.
— Creio que não. Provavelmente ficou muito tímido, por isso saiu correndo daquela forma. Vamos descobrir isso no almoço. Chega como quem não quer nada, você vai ver, vai dar tudo certo...
Chegando no salão principal, a comida já estava posta à mesa, e todos estavam sentados em seus lugares de costume na mesa da Grifinória, menos Hermione, que ao invés do habitual lugar entre Harry e Rony, estava na ponta da mesa, mais concentrada num livro que na comida. Quando Gina e Luna chegaram, Luna, ao invés de se sentar a direita de Gina como sempre, deu meia volta e sentou-se ao lado de Neville, e segurou-lhe a mão, pegando o garoto desprevenido. Rony, sentado quase em frente à eles, abriu a boca, tomando ar. Olhou para Harry, que ria, Dino, já pronto pra bater palmas, e Simas, que foi o primeiro a acompanhar Rony no coro:
— TA NAMORANDO! TA NAMORANDO! — os garotos batiam palmas e cantavam, fazendo farra na mesa. Neville mais parecia um tomate maduro, e Luna parecia que iria explodir de tanta vergonha. Soltaram as mãos rapidamente, e Neville tentou fazer os meninos pararem, pois agora toda a escola olhava pra eles.
— TÁ NAMORANDO! TÁ NAMORANDO! TÁ NAMORANDO! — Rony puxava, e já toda a mesa da Grifinória cantava junto.
— Para com isso! Ai, cala boca! — Neville dizia baixo, o rosto muito vermelho de vergonha. Luna aproveitou a oportunidade para sair correndo, e Gina fora atrás.
— JÁ CHEGA! — Hermione tomou as rédeas da situação, levantando-se de seu lugar à mesa. — Você não se cansa!? Você não tem mais o que fazer além de ser idiota? — ela encarou Rony, que abriu a boca pra responder, mas ela rapidamente o cortou — Vou dar advertência pra todos vocês!
— Eu também sou monitor e… — Rony ia dizendo, mas Hermione já estava por aqui dele.
— Que belo exemplo você dá hein! Caçoando do próprio amigo… Eu sei que foi você quem puxou toda essa zona, Dumbledore só podia ter usado entorpecentes quando resolveu te nomear monitor…
— O que está acontecendo aqui? — a professora Minerva apareceu, impondo ordem e silêncio. — Senhorita Granger, garanto que o diretor não usa nenhum entorpecente. Agora, por favor, você e o senhor Weasley podem me acompanhar…
— MAS PROFESSORA! Ele que começou… — Hermione tentou, mas a professora simplesmente fez um gesto para segui-la.
Chegando na sala da professora, os dois se acomodaram nas duas poltronas gordas em frente a mesa. Mione cruzou as pernas e virou-se para o lado, sentia muita raiva e não queria nem olhar para Rony.
— Por acaso vocês repararam que estavam gritando no meio do salão? — a professora perguntou. — Eu pensei que as brigas de vocês tinham acabado no primeiro ano. Vocês se lembram quando tivemos uma conversa muito parecida com essa a anos atrás…
— Eu só estava colocando ordem na bagunça deles! — Hermione respondeu com raiva na voz, interrompendo a professora — Não é isso que eu devo fazer como monitora?
— A gente só estava brincando! — Rony se defendeu — Não se pode nem mais brincar nessa escola?
— Eu só via os gritos dos dois. Rony, fora errado o que você fez com Neville, mas acredito ter sido uma brincadeira de mau gosto adolescente. Vou perguntar a mesma coisa que perguntei anos atrás quando tivemos essa mesma conversa: por que os dois brigam tanto?
Os dois ficaram calados diante a pergunta da professora. Tanta coisa! Hermione se sentia magoada, se sentia traída, se sentia cansada...
— Rony não tem se comportado de uma maneira agradável. — disse a garota, mas na verdade queria dizer: Rony é um idiota que colocou o nome numa lista pra tirar minha virgindade e não consigo sentir nada além de raiva dele.
— Hermione não consegue aceitar um simples pedido de desculpas pra que as coisas voltem ao normal. — Ron respondeu baixo.
— Nunca vai voltar ao normal. — Hermione encarou-o. Desejou então que aquilo fosse verdade; que aquele ano passasse rápido para que ela pudesse esquece-lo, tirar todo aquele sentimento de dentro de si, nunca mais vê-lo… — Professora, desculpe pelo meu comportamento. A senhora pode se assegurar que não vai acontecer novamente. Assim como no primeiro ano, após essa conversa, eu e Rony nos afastaremos. Da minha parte, não existirão mais brigas.
Sem que a professora respondesse, ela se levantou e saiu da sala de cabeça erguida.
— Louca, não é? — Rony perguntou para a professora.
— Ela é só uma garota com sentimentos transbordando. — a professora respondeu, anotando tudo em um caderno. — Pode ir, Weasley. Tente não aborrece-la mais. Mas antes, pode assinar sua advertência.
— Ah professora! — ele começou a reclamar, mas o olhar da professora o calou na hora — ela não estava falando sério sobre se afastar não é? Eu sei que fui bem idiota com ela, mas, qual é… tudo tem desculpa… — Rony disse da porta.
— Parecia que ela estava brincando pra você? — a professora o dispensou com um gesto após isso.
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No dia seguinte e na semana seguinte, Hermione e Rony permaneciam sem se falar, apesar de em todas as aulas, sentarem juntos. Mas é claro que Harry estava no meio deles.
— Harry, pode, por favor, pedir ao garoto ao seu lado para ficar quieto? Quero prestar atenção na aula. – disse Hermione.
— Harry, pode, por favor, dizer para a garota ao seu lado ir se sentar ao lado do Vitinho dela? – disse Rony.
Hermione se levantou, e com seu material se dirigiu a mesa de Krum. Ficar perto de Rony lhe irritava como nunca antes. Parecia que tinham voltado ao primeiro ano.
— Opa, vamos fazer de novo? – Krum perguntou animado.
— Me abraça logo. – disse Hermione, com raiva.
Krum sorriu, e abraçou Hermione pelos ombros. Seu toque forte e quase incomodo.
— Escute, no fim da semana, vai ter uma festinha na floresta que eu e meus amigos estamos organizando… sabe como é, só gente boa, umas bebidas pra gente se alegrar… — ele disse.
— Que horas nos encontramos? — ela disse decidida. Iria aquela festa. Precisava se distrair.
Rony observava tudo de longe, e sentia uma raiva crescente dentro de si. Sempre que olhava para Hermione, sentia raiva. Porque ela estava daquele jeito? Provocativa, charmosa, e brava. Tudo bem, brava ela sempre foi, mas agora, ela superava tudo. A verdade era simples: ele precisava dela, precisa da influencia dela, dos conselhos, e principalmente do cérebro. Ele precisava dela por algo que não sabia; ele nem ao menos suspeitava. Sentia falta da amiga, sentia falta dos momentos que passavam juntos. Sentia falta do olhar de censura dela, sentia falta de como ela olhava pra ele quando ele falava alguma merda, sentia falta de quando ela corrigia seu dever de casa. Mas ele nunca iria admitir tudo isso. Parecia mesmo que haviam voltado ao primeiro ano, mas no primeiro ano de fato, não existia intimidade que acarretava em falta. Dessa vez existia.
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— Olha só, ela teve um brotinho! — disse Neville, tocando no pontinho verde do cacto.
— É lindo! — Luna sorria. Os dois estavam juntos na estufa vazia, observando as plantas. Agiam como se nada, absolutamente nada tivesse acontecido. Passavam muito tempo sozinhos naquela estufa, pois os dois tinham uma paixão enorme por plantas.
— Acho que deveriam trazer mais plantas pra cá. Tem muito espaço e…- ia dizendo Luna, mas Neville não aguentou e beijou a menina calorosamente. Luna correspondeu com igual entusiasmo, puxando a mão de Neville para abaixo de sua cintura.
Neville a prensou na parede da estufa. Luna agora tentava abrir a camisa do garoto, os dois num grande frenesi. Ela ergueu uma perna e ele segurou, se aproximando ainda mais.
— Desculpe! — ele se afastou, quando um surto de bom senso tomou conta; ele já estava sem camisa, e a saia de Luna estava tão pra cima que mostrava sua calcinha. As coisas estavam indo rápido demais.
— Olha! Não precisa pedir desculpas… — Luna disse, puxando-o pra perto novamente — Eu não vejo nada de errado. Só estamos…
— Só estamos aproveitando. — Neville respondeu ao juntar os lábios dos dois novamente. — Só vamos… com calma, tá bem? — ele disse. Luna concordou com um sorriso.
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Quando o dia da festa chegou, Hermione já não sentia mais tanta vontade de ir. Krum parecia tratar todo mundo com extrema arrogância, menos ela. Ela sabia qual era o jogo dele, só fazia aquilo para conseguir leva-la para seu dormitório.
Ela marcou de encontra-lo as nove da noite na frente da entrada do castelo; Resolveu colocar qualquer vestido, calçou sapatilhas e passou um batom para não ficar tão pálida; Quando desceu as escadas do dormitório, Rony, Harry e Simas estavam sentados perto da lareira. Quando passou pela porta, ouvira Simas dizer algo sobre suas pernas.
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— Hermione tem umas pernas legais. – comentou Simas ao vê-la passar sem olhar para ninguém.
— O QUE? – gritou Rony.
— Ah qual é, ele não está mentindo... – disse Harry. — Hermione é muito bonita mesmo.
Rony continuou calado.
— Pensei que ela estivesse de rolo como Vitinho dela... – resmungou Rony, mal humorado.
— Isso eu não sei, mas se ela não fosse muito amiga minha eu também tentaria... – disse Simas, sorrindo.
— Você não é doido! – disse Rony, aparentemente ofendido – Cara, não é por nada não mas... fica longe ok?
— O que? – disse Simas – Ficar longe?
— Roniquinho está com ciúmes!– disse Harry, rindo muito alto.
— NÃO ESTOU COM CIUMES! Qual é gente, eu só não quero ela com...garotos...beijando...garotos sabe...
— Porque não? – perguntou Simas.
— Porque ela é minha amiga!
— Aham, sei. – disseram Harry e Simas juntos.
— Eu tenho certeza que você pensa do mesmo jeito que eu, Harry. É como Gina, eu também não quero minha irmã beijando uns caras por ai... – resmungou Rony.
— O que me irrita mais em você, é o fato de você ser tão possessivo... – disse Gina, chegando do nada.
— Não sou possessivo. Onde está sua nova amiga? – perguntou Rony.
— Bem longe de você. Escutem, vocês viram Hermione? – perguntou Gina para os garotos.
— Provavelmente se agarrando com o Vitinho. – disse Rony, com raiva.
— Ela sumiu! – disse com raiva, e saiu batendo as botas com força no chão.
O que diria a senhora Weasley se me visse com a filha dela? Pensou Harry, ao ver as pernas brancas de Gina se afastarem. Ele mordeu o lábio. Por que demorara tanto pra reparar em Gina?
— Cara, para de olhar para as pernas da minha irmã... – disse Rony, dando um tapa na parte de trás da cabeça do amigo.
— Desculpe. – Harry estava envergonhado. — Mas vou me deitar. Tchau. – disse Harry, e se foi; Simas foi logo após ele.
Rony permaneceu na sala comunal, pois estava sem sono.
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