O Ninja De Branco.

3 Capítulo 3 — A Briga Com Jason.


JASON E EU NÃO TROCAMOS UMA PALAVRAS SEQUER DENTRO DO ÔNIBUS. EU JÁ SABIA que ele trataria de contar a seus pais que eu não havia feito o que ele havia “mandado”, mesmo eles dizendo que eu era submetido a fazer tudo o que Jason me mandasse fazer, mas isso não funciona comigo e nunca mais funcionou depois do ano passado. Eu havia criado coragem, força para enfrentá-los. Eu era fraco e sempre tinha medo deles. Mas eu mudei e mudei para melhor. Não sou como eles pensam que eu sou. Não sou um sujeitinho qualquer, eu tinha nome, eu não era escravo, tampouco submisso a eles.

O ônibus parou na rua da casa dos Parkers. Agora só faltavam uns quinze minutos de caminhada até a sua casa e eu já estava estranhando Jason não fazer qualquer piada ou mexer comi...

— Hey, Theozinho. — disse Jason.

Eu e meu pensamento traidor.

— Que é? — perguntei ainda andando.

— O que acha que meus pais irão fazer contigo quando eu contá-los que você não fez nada do que eu mandei? — ele riu.

— Pouco me importa. —falei realmente desinteressado. Eu tinha mais coisas com o que me preocupar do que pensar nos Parkers me punindo de algo que eu não havia feito pelo seu querido filho.

Ele riu.

— Pois devia. Eu vou dizer a papai que você não fez o que mandei e irei inventar mais coisas. — ele gargalhou.

Revirei os olhos.

— Ugh, faça o que você achar melhor, O.K.? — falei já impaciente e eu sabia que era isso o que ele queria, mas eu não ficaria assim. Respirei três vezes e disse: — Não estou preocupado com isso. — acelerei o passo e deixei-o para trás.

Não me importei de ver o Sr. Parker deitado no sofá aos roncos e babas, tampouco de ver a Sra. Parker na poltrona anotado dicas de culinárias — como se fosse ela a cozinhar naquela casa. Fui direto às escadas, subi os três lances de escada que ainda faltavam e abri a porta do cubículo que era o meu quarto no sótão, entrei nele e tranquei a porta. Joguei as minhas coisas na cama, o que levantou bastante poeira — mais uma coisa sobre mim: era sempre eu que havia de arrumar as camas da casa inteira.

Não havia muito tempo, quando eu olhei no relógio de meu celular, já se passavam das sete e meia e eu teria que sair daquela casa às nove.

Abri a porta do baú em que ficavam as minhas roupas — velhas e usadas de Jason —, não as dobrei porque não havia tempo, então as joguei de qualquer maneira na mala que eu consegui roubar dos Parkers na semana anterior, juntamente com os meus dois calçados que eu tinha (um tênis e uma sandália), meus dois bonecos que meu pai havia me dado quando eu tinha oito anos e o resto de minhas tralhas. Pus meu diário, meus óculos e o celular que Jeremy havia me dado dentro de minha mochila, pois na mala já não havia espaço.

Fiquei parado diante a porta e olhando o meu quarto. Parecia que n faltava nada, eu já tinha meu diário, o celular, minhas roupas, calçados — mesmo que sejam apenas dois...

— Minha escova de dente. Ugh! — reclamei baixinho.

Virei às costas e destranquei a porta devagar, eu não queria que ninguém soubesse o que eu estava tramando, e saí de meu quarto trancando a porta logo em seguida e levando a chave comigo — por sorte mais ninguém havia de ter aquela chave.

Desci os dois lances de escada e cheguei ao banheiro. Por sorte, não havia ninguém ali. Então adentrei, tirei minha escova de dente e o potinho que guardava as minhas lentes de contato. Vasculhei pelo corredor se havia mais alguém ali — o que me surpreendeu bastante —, vi que não havia ninguém e saí do banheiro em direção ao meu quarto.

Lá dentro, eu guardei as coisas rapidamente em minha mochila. Eu não queria ficar com as lentes o tempo todo. Elas me incomodavam.

Fiquei mais uma vez diante a porta e olhei meu quarto inteiro. Percebi que não havia mais nada para guardar e desci para a cozinha, trancando a porte e levando a chave comigo para qualquer lugar que eu fosse.

Desci o último lance de escada e quando olhei para frente, vi os três Parkers diante de mim me olhando de braços cruzados.

Levantei uma sobrancelha e segui para a cozinha para preparar o jantar.

— Aonde pensa que vai, mocinho? — perguntou a Sra. Parker.

— Para a cozinha. — falei secamente.

— Não, não, não... — murmurou o Sr. Parker levantando o indicador e sacudindo-o. — Você vai ficar aqui e ouvir o que temos para dizer. — finalizou ele voltando a cruzar os braços.

— Eu não tenho nada do que ouvir. — falei indo em direção a porta...

— Ah, mas você vai ficar aqui, sim. — disse Jason se pondo em minha frente e fechando a porta que eu havia aberto.

Ele me encarou feio por um breve momento.

— Pois bem... o que é? — perguntei sem paciência.

Geralmente, os Parkers sempre me deixavam sem paciência, mas eu não tinha alguma sequer para ouvi-los naquela hora. Eu tinha que preparar aquele maldito jantar, arrumas as minhas coisas e dar o fora daquela casa. O mais rápido possível.

Jason saiu de trás de mim e foi para o meu dos pais. Ele cruzou os braços e começara a ficar vermelho, e depois começara a chorar.

Arregalei os olhos.

— Sério, Jason? Sério? — levantei a sobrancelha esquerda para ele.

— CALE A SUA BOCA! — berrou ele.

Pus uma mão na testa e balancei a cabeça em negação.

— Jason nos contou que você não fez o que o nosso bebê havia mandado... — a Sra. Parker afagou os ombros do filho.

SEU INGRATO! — berrou o Sr. Parker. — Depois de tudo o que fazemos para você. Deixamos você conosco, deixamos você comer da nossa comida, deixamos você ficar com as roupas velhas do Jason...

— Ah, obrigado por isso. — falei num tom calmo e interrompendo-o, levantando o polegar para ele.

— NÃO SE ATREVA A INTERROMPER O MEU PAI, SEU IDIOTA! — berrou Jason vindo em minha direção.

Tudo aconteceu rápido demais.

Jason havia seguido em minha direção com o punho fechado para me dar um soco, eu me abaixei e dei uma rasteira em seu pé fazendo-o cair. Aproveitei para dar um grande soco em seu rosto. Ouvi um estalo e começara a sair sangue de seu nariz.

— Eu sempre quis fazer isso... — disse rindo.

Senti alguém me empurrando para trás e caí ao chão. Levantei-me num pulo e avistei o Sr. Parker estava vermelho como um tomate e olhando para mim — Sra. Parker estava segurando ele. O encarei de volta. Eu não tinha mais medo dos Parkers. Já que eu havia de sair daquela casa naquele dia, por que não sair com uma saída triunfal?

Jason se levantou depois de um tempo, o sangue escorrendo de seu nariz. Ele limpou e me olhou com mais raiva do que antes e partiu para cima de mim.

Eu me preparei.

Ele veio para cima de mim como antes, me abaixei, mas não deu certo... ele viu que me abaixei e se abaixou, me pegou pela gola de minha camisa e me deu um soco bem forte em minha barriga, em meu rosto, em minha sobrancelha e me jogara no chão. Senti seus chutes em minhas costelas. Não consegui respirar.

A dor na barriga fora a pior. Não consegui encontrar ar ali, sem contar que a dor no rosto era horrível e em minhas costelas era insuportável. Minha cabeça estava girando e senti gosto de sangue em minha boca. Cuspi no chão e vi realmente que era sangue, e muito.

Levantei-me lentamente e avistei a Sra. Parker sentada no sofá com as mãos no rosto — provavelmente ela estava chorando porque machucaram o seu filhinho perfeito; o Sr. Parker estava com ela, afagando seus ombros e falando alguma coisa em seu ouvido; Jason estava diante de mim, ainda com o nariz sangrando e parte do seu rosto estava vermelha — acho que fora devido o meu soco. Sorri com aquilo.

Jason veio para cima de mim de novo e me dera outro soco no rosto e para piorar no mesmo local de antes, mas eu lhe dei um soco na barriga e ele se inclinou, aproveitei para dar-lhe um soco em seu queixo, fazendo-o cair provavelmente desmaiado.

A Sra. Parker arregalou os olhos e correu em direção ao filho, juntamente com o Sr. Parker.

Parecia que a minha briga com Jason só fazia-o parecer mais inocente do que tudo. Eu não aceitaria aquilo.

Essa era a minha deixa, eu tinha que sair dali o mais rápido possível e tinha que ser agora!

Corri as escadas à cima, indo em direção ao meu quarto e entrei nele. Peguei minhas coisas e abri a pequena portinha que havia atrás de meu armário, revelando um enorme túnel escorregadio que levava diretamente ao jardim dos fundos dos Parkers — eles nunca souberam desse túnel escorregadio. Joguei a mala roubada que peguei dos Parkers primeiro. Aproveitei para trocar as minhas lentes pelos óculos, porque provavelmente Jeremy perguntaria sobre aquilo e eu não queria contá-lo sobre isso. Pus um casaco com capuz — a noite nesta cidade era bem fria —, pus a mochila em minhas costas e escorreguei no túnel.

Demorara uns segundos até eu chegar ao jardim dos fundos, mas consegui pegar a mala, me limpar — tirar o excesso de grama em minha roupa — e abrir o portão dos fundos, agradecendo a Deus por aquele portão não fazer ruído qualquer, que já ligava a rua de trás da cada dos Parker.

Olhei meu celular e marcava exatamente três minutos para Jeremy chegar à rua. Caminhei até uma árvore mais longe possível da casa dos Parkers, pus a mala no chão e sentei em cima dela.

Jeremy não era de atraso, então eu limpei meu nariz e pus o capuz em minha cabeça — ele não perceberia muito, já que estava à noite, meus óculos era preto e o soco que Jason me dera provavelmente estaria roxo aquela altura. Ele não perceberia nada. Tinha certeza.

Contudo, consegui limpar o sangue de minha sobrancelha, de minha boca e me ajeitar de uma maneira que ele não veria. Agradeci por meu pai comprar um Ray Ban Wayfarer preto. Ele cobria quase o meu rosto todo, então Jeremy não veria a marcar roxa que se formara em meu rosto, que por sinal, era perto de meu olho. Azar. Eu tenho muito azar!, pensei comigo mesmo balançando a cabeça negativamente.

Uma luz percorreu sobre meus olhos e vi que era o carro de Jeremy. Acenei com uma mão e sorri. Jeremy chegando, eu estaria livre dos Parkers. De uma vez por todas.

Ele contornou com o carro numa curva em U e estacionou o carro exatamente onde eu estava. Sorri para ele para aliviar a tensão. Eu comecei a sentir minhas mãos tremerem, mas procurei relaxar o máximo possível. Eu sabia que ele não veria o roxo em meu rosto, mas, se ele perguntasse, eu teria que contar — o meu medo não era contar, o meu medo era ele fazer alguma coisa contra os Parkers. Eu não gostava deles, mas também não queria os ver presos ou algo do tipo, sem pensar que Jeremy poderia se meter em encrenca e não queria que isso ocorresse.

— Hey, amor. — disse ele abrindo a porta do carona de dentro do carro.

— Hey, Jer! — falei entrando no carro sorridente.

De início ele não reparou, mas, além de ele reparar em mim, eu tinha que fazer uma coisa: terminar com ele antes que eu partisse.