O Ninja De Branco.
19 Capítulo 19 — O Beijo.
EU ESTAVA COM O PÉ NA GARGANTA DE PAUL WILKERSON. ELE ESTAVA COM OS OLHOS totalmente arregalados para mim e com cara de incrédulo. Ele estava totalmente vermelho e com pequenos cortes em sua testa e dos dois lados das bochechas — eu mesmo tinha feito àqueles cortes após ter acabado com todos os seus dez seguranças que estavam naquela sala.
— Por favor... — disse ele, mas eu estava com tanto ódio de sua cara, que pisei fundo em sua garganta, onde o sangue jorrou de sua garganta e ele morreu logo em seguida.
Por favor, não me julguem mal. Eu não iria por para prender um cara que lavava dinheiro, fazia tráfico de drogas e, o pior, tráfico humano. Eu não o deixaria sobreviver. Não o deixaria sobreviver para ser solto depois e começar tudo de novo. Eu não era louco. E, aliás, eu estava com raiva.
Raiva de não ter ninguém para conversar direito a não ser Ernie; raiva de não ter um emprego que eu realmente queria ter — eu gostava de trabalhar com meu irmão, mas... por favor, era meu irmão!; raiva de não ter passado muito tempo com Thea até então; raiva de não ter Jeremy de volta comigo; eu tinha raiva de ter a ideia de meu ex-namorado estar com alguém, feliz e se divertindo, e eu estar aqui... defendendo a cidade. Eu tinha, até mesmo, raiva do Vigilante por estar nesta cidade a mais tempo do que eu e não ter limpado metade dessa cidade. Eu não achava justo! Era revoltante! Eu tenho raiva de tudo!, pensei comigo mesmo.
Deixei Paul morto onde estava e segui janela a fora, pulando do quarto andar da mansão em que ele morava, me apoiando em alguns locais de fácil acesso perto de mim e, quando cheguei ao chão, corri até não querer mais, onde tudo ao meu redor ficou um borrão. Era tudo o que eu gostava de fazer para me acalmar. Se você nunca teve essa sensação, experimente. Correr e perceber que tudo está um borrão a sua volta, realmente te faz pensar e esfriar a cabeça. E muito.
Eu estava na mesa do café da manhã que minha mãe quis que fosse ao jardim de casa — eu não gostava de lá porque ali tinha a lápide de meu pai e eu não gostava de vê-la — com Thea e Oliver, e, por incrível que pareça, minha mãe ainda não estava sentada à mesa do café.
— Ela sempre demora assim? — perguntei a eles.
— Geralmente não. — disse Thea.
— Só quando realmente precisa.
Uni as sobrancelhas.
— Hmmm, parece que hoje precisou. — arqueei uma das sobrancelhas e voltei a comer bacon com ovos mexidos.
Ninguém falou nada por um instante, mas Thea quebrou o silêncio, após ter verificado seu celular:
— Tenho que sair agora.
— Mas, por quê? — perguntei sem entender. — Você mal comeu.
Ela se levantou, me olhou e riu.
— Desde quando você virou a mamãe? — perguntou ela.
Fechei a cara para a mesma e Oliver riu bagunçando o meu cabelo, e fechei a cara para ele logo em seguida. Eu odiava que mexessem em eu cabelo. Realmente odiava quando faziam isso. Até odiava quando Jeremy fazia isso. Até quando o meu pai fazia isso.
Por fim, não demorou muito para Oliver sair e me deixar em casa completamente sozinho. Eu não gostei, pois eu não gostava de ficar sozinho em qualquer lugar — mesmo ter precisado ficar durante um grande período em meu treinamento para ninja, mas isso não vem ao caso.
Mas não demorou muito em casa.
Meia hora depois de eu estar completamente sozinho em casa — sem contar os funcionários, claro — meu celular vibrou e eu vi uma mensagem de Tommy que dizia:
Encontre-me no restaurante daqui a pouco. Precisamos conversar.
Eu achei um pouco estranho, mas eu não iria protestar. Eu tinha uma entrevista de emprego com ele, ele tinha me prometido e talvez essa fosse a oportunidade, e eu iria aproveitar.
Saí de casa vestindo uma camisa social branca, gravata azul clara, calça social preta, sapatos pretos e meus óculos Ray Ban Wayfarer — agradecendo um pouco por estar livre das lentes. Era incômodo usá-las sempre. Eu nunca me imaginaria daquela maneira há um tempo, mas as coisas mudam, não é? Mas eu também me senti mal por meu irmão Oliver. Eu sabia que se eu saísse de sua boate, ele trabalharia sozinho e eu achava isso errado. Ele tinha que ter alguma ajuda. E eu tinha que entrevistar alguém para ajuda-lo... era isso! Eu faria isso. Entrevistaria alguém para ficar naquela boate em meu lugar e ajudar ele. Feito!
Chegando à rua do tal restaurante — após um dos motoristas que minha mãe designou para mim cerca de um mês —, eu consegui avistar Tommy de longe e senti minhas pernas tremerem. Eu sabia que era bobeira sentir minhas pernas assim, mas eu não sabia o motivo real para elas estarem desse jeito. Era apenas Tommy. Era ridículo.
Ele era amigo do meu irmão — ou ex-amigo — e estava virando meu amigo. Eu não tinha nada para me preocupar.
Comecei a avançar ao restaurante e, além de sentir minhas pernas tremerem, minhas mãos começaram a tremer e suar. Eu as olhei e realmente elas estavam molhadas. Era completamente esquisito. Eu nunca havia me sentido assim antes. Não mesmo. Nem mesmo quando conheci Jeremy — sendo que Jeremy quem havia puxado assunto comigo — e nem quando meu mestre começara a me treinar, e nem a cada treinamento surpresa e torturante como ele me treinava... enfim! De qualquer maneira, eu nunca me senti assim antes. E tratei de respirar fundo. Respirei tão fundo que parei de respirar por alguns segundos. Bobagem.
Chegando a porta, um atendente a abriu para mim e sorri para ele em agradecimento. Procurei a mesa em que Tommy estava e lá estava ele. De terno preto, blusa social branca. Era tudo o que eu conseguia ver de onde estava, então fui até ele e, pigarreei ao me sentar em sua frente. E, quando passei por ele, eu pude ver que ele estava de calça social preta e sapatos pretos.
Ele sorriu para mim.
— Theo... — disse ele e parara de mexer em seu celular, guardando-o no bolso de seu paletó.
— Tommy. — falei formalmente.
Ficamos em um longo silêncio, mas ele quebrou dizendo:
— Não precisava vir dessa maneira.
— Ah, não? — o olhei incrédulo. — Poxa, se me dissesse, eu tinha vindo com uma blusa comum e uma calça diz surrada que eu tenho. — pus a mão na testa e joguei a cabeça para trás e ele começou a rir, e eu ri logo em seguida.
Nós almoçamos e discutimos coisas sobre setores financeiros. Eu sei que isso parece ser chato demais, mas depois de ter passado um tempo no setor financeiro da boate de meu irmão, eu até que gostei dessa minha... digamos, segunda profissão. Eu estava gostando de mexer com números, mesmo tendo os odiado quase a minha vida inteira. Mas não conversamos sobre só isso.
Tommy abriu-se comigo, dizendo que sua vida amorosa estava indo de mal a pior e eu disse que ele não estava sozinho nesse barco, porque a minha vida amorosa também não estava muito boa. E daí começou a conversa intima.
Eu tive que contar tudo sobre Jeremy e eu, mesmo eu não gostando. Na verdade, eu não tinha nada a esconder sobre minha relação com Jeremy. Eu disse a Tommy que Jeremy e eu havíamos nos conhecido na escola — quando eu estava no primeiro ano e Jeremy no segundo. E vivemos juntos durante dois anos. Mas o nosso romance havia quebrado por um instante por conta da minha vinda para Starling City, mas o nosso término foi oficial quando eu soube que ele havia me traído — eu não entrei em tanto detalhe nessa parte. Eu não queria chorar novamente, não na frente de Tommy e tampouco choraria por causa de Jeremy. Ele não merecia minhas lágrimas.
Mas Tommy havia me contado a dele...
Ele me contou que seu romance com Laurel não estava nada legal. Que na verdade, eles haviam terminado — ao menos ele decretou isso quando percebera que meu irmão ainda amava Laurel e que Laurel ainda amava meu irmão. E parecia — ao menos ele deu a entender — que ele havia desistido dela. Mas ele não entrou muito em detalhes e eu também não iria pedi-los. Isso parecia tão particular para ele, que eu não queria incomodá-lo com isso.
Mas depois de um tempo conversando, paramos em um silêncio mortal. Eu não sabia o que dizer, mas ele pegou sua maleta, e começara a escrever, assinar e fazer algumas anotações em alguns papéis. Eu olhara aquilo e não consegui distinguir o que eram.
Depois de um tempo assinando aqui, fazendo anotações ali e rabiscando lá, ele disse:
— Ah, quer saber? Por que não saímos? — perguntou ele.
Eu não tinha entendido direito.
— Como? — o olhei com uma sobrancelha erguida.
— É, sair... tipo, esquecer esse lance de trabalho por um instante.
Deixa eu ver se eu entendi...
— Você está me chamando para sair? — prendi o riso.
Ele pareceu constrangido e ficara vermelho.
— Ahn... bem, se você quiser, tem isso. Mas, é... desculpa, se... se eu constrangi você. — gaguejou ele de nervoso e eu ri.
Ele pareceu não gostar de minha risada, mas eu o olhei sério depois que ele me olhara sério.
Mas eu também estava nervoso. Minhas mãos começaram a suar, senti minhas pernas tremerem e minhas mãos tremerem também — mais do que elas já tremiam. Minha taxa de açúcar no organismo era pouca, por isso a tremedeira. Era estranho eu me sentir assim com um amigo. Mesmo ele sendo o ex-melhor amigo do meu irmão e meu amigo. Totalmente estranho.
— Hmmm... claro, por que não, não é? — disse dando uma risadinha nervosa e ele se pareceu se sentir aliviado.
— Ótimo! — disse ele rindo para mim e corado.
Tommy e eu fomos ao grande Shopping Center de Starling City — não me pergunte o porquê, foi tudo ideia dele. Eu apenas concordei como uma pessoa bem educada faria. Mas não fizemos compras. Tommy me levou para o cinema e, depois de duas horas de filme, fomos a uma casa de jogos, onde rimos e nos divertimos bastante.
Logo em seguida, Tommy e eu fomos para a praça de alimentação — pois já estava quase escurecendo e eu dissera que estava com certa fome —, onde sentamos e continuamos a conversar bastante. Ele tinha bastante assunto e eu me sentia inferior, pois eu não sabia o que falar direito.
Eu sempre fui assim, até mesmo quando eu conheci Jeremy. Acha que eu quem deu iniciativa quando nos conhecemos? Pensou errado. Ele quem disse o primeiro “Oi” para mim e ainda por cima tinha sido no recreio e na mesa em que eu sempre me sentava sozinho, aquela que ficava perto da lata de lixo no pátio da escola. E, se vale dizer, ele quem fazia a maioria das perguntas, eu apenas as respondia com respostas curtas. E até hoje me pergunto o que Jeremy havia visto em mim para querer me namorar.
Mas Jeremy era passado. Eu tinha que esquecê-lo, mais cedo ou mais tarde. E eu estava com Tommy — não da maneira que você está pensando. Tommy e eu estávamos no shopping se divertindo como dois amigos, mais nada. Eu não podia fazer isso com Ernie — até podia, mas Ernie estudava, então não era fácil fazer isso. Além do mais, eu acho que o irmão de Ernie não o deixaria ir ao shopping comigo. Eu nunca havia ido à casa de Ernie e conhecido seu irmão. Se eu fosse irmão de Ernie — como eu me via quase sempre —, também não deixaria.
— Então... você está namorando com alguém? — perguntou Tommy assim que engoliu um bom pedaço de seu sanduíche.
Franzi a testa para ele.
— Hmmm, não. Desde que terminei com Jeremy, eu não tenho ninguém em minha vida. — falei com sinceridade e bebi um bom gole de meu refrigerante.
Por que eu ficava tão nervoso quando ele me perguntava essas coisas? Será que Jeremy ainda era muito forte para mim? Mas que droga! Eu já tinha que ter superado ele. Que droga!
— Ah... — dissera ele e voltara a comer.
Engoli o pedaço de meu sanduíche.
— E você? — perguntei bebendo o refrigerante novamente.
— Também não. — disse ele e parecia tão nervoso quanto eu.
— Ah... — repeti o gesto dele.
Eu o entendia. Eu também ficava a mesma coisa quando mencionava Jeremy. Então, eu não poderia julgá-lo.
Assim que saímos do Shopping Center, Tommy me levou para um restaurante para jantarmos — sinceramente, todos esses nossos passeios estavam acabando em comida. Acabaríamos como dois mortos de fome. E quando citei isso para ele, ele entrou na gargalhada. Mas eu não via tanta graça assim nisso.
Mas ele me fez comer bastante, pois ele havia pedido um rodízio de carne, massa e com alguns frutos do mar. Eu me perguntava como ele conseguia comer tanto assim e sua barriga não estufar. Ele parecia à mesma coisa depois de ter comido tanto: barriga reta e continuava bonito. Mas a minha barriga também não estufava, então eu não comentei sobre isso e também não comentei sobre achá-lo bonito.
Mas ele era realmente bonito, mas eu preferia enfiar agulha nos meus olhos a admitir isso na frente dele. Eu não queria estragar a amizade que eu tinha com ele. Tínhamos uma amizade bonita e eu deixaria dessa maneira. Eu não interferiria nisso.
Andando em uma das ruas de Starling City com Tommy, vimos uma cabine fotográfica na rua e ele me olhou e riu logo em seguida, e eu captei sua ideia. Eu ri também e fomos para a cabine tirar as fotos. Tommy entrou primeiro e logo eu em seguida.
Sentamos um do lado do outro e, como eu estava perto da entrada, apertei o botão e começou a sequência de fotos.
A primeira foto, combinamos de fazer caretas, a segunda fomos sérios, a terceira rimos, a quarta ficamos um apontando para o outro com cara séria — foi uma das mais engraçadas —, mas quando chegou a quinta foto...
Tommy olhou em meus olhos e eu nos dele, mas foi ele quem deu o impulso para frente e tocou os lábios nos meus e, a partir daquele momento, a quinta foto bateu.
Nervoso? Absolutamente. Inquieto? Com certeza. Com vergonha? Completamente. Olhar para Tommy? Eu não conseguia. Eu não conseguia olhar para a cara de Tommy naquele momento de qualquer maneira. O que eu fiz? Saí da cabine fotográfica o mais rápido que pude. Olhei para os lados e, vendo que a rua estava vazia, corri na direção em que viemos.
— Theo... espere! — ouvi a voz de Tommy atrás de mim.
Mas eu era rápido demais.
A verdade era que eu não queria correr dele. Eu só estava correndo por vergonha. Eu não queria encarar o cara que havia dito que tinha uma namorada há dois dias e me beijado dois dias depois de seu término. Era vergonhoso. Eu me sentia usado, uma peça sem valor. Ele não podia brincar com meus sentimentos, não logo no dia em que eu havia contado sobre o meu relacionamento anterior.
Diminui o passo. Eu realmente não queria correr dele. Eu não tinha motivos — na verdade eu tinha. Não queria perder a amizade dele e perder uma chance dele poder se explicar, poderia fazer com que não tivéssemos amizade alguma.
Quando dei por mim, eu já estava havia parado de correr e estava sentado em um banquinho em um parque. Que olhando bem, era o mesmo que eu havia estado quando fugi da lanchonete com Oliver, porém, estava noite ao invés de tarde. Não tinha sinal de vida algum naquele parque a noite, fora eu mesmo e alguns pombos e corujas.
Eu não sabia o porquê, mas eu estava chorando sentado naquele banco. Eu acho que era porque as lembranças dos beijos de Jeremy me vieram à tona quando Tommy me beijara. Eu, de alguma forma, tinha me lembrado da doçura de seu beijo. O beijo de Jeremy era quente e sedutor. Mas tinha algo no beijo de Tommy que me fazia esquecer o de Jeremy.
O beijo de Tommy, além de quente e sedutor, era mais... carinhoso. Ele não tinha pressionado os lábios em mim com força e brutalidade, ele havia sido delicado. Mesmo o beijo sendo menos de dez segundos, eu consegui sentir aquilo. Mas, a única coisa que eu não conseguia entender, era o porquê ele havia me beijado. Não tinha necessidade daquilo. Ele era... heterossexual, não? Se fosse, por que havia me beijado? Será que Tommy só estava brincando com meus sentimentos? Se fosse, não tinha graça nenhuma. Meu coração estava tão machucado, tão cheio de feridas e cicatrizes, que eu havia me fechado para relacionamentos por conta disso. Eu só queria... o porquê. Mais nada.
As lembranças do meu primeiro beijo com Jeremy veio à tona.
Eu estava sentado na arquibancada da Jackson City High School, com a bandeja de meu almoço em meu colo, usando uma blusa preta coberta com meu casaco cinza, estava de óculos e jeans surrados. Ele estava ao meu lado. Segurando minha mão esquerda, na verdade. Jeremy estava com uma blusa de manga azul, jeans claros, um casaco de zíper preto e nada mais.
Sempre me perguntei o que Jeremy havia visto em mim. Um garoto que morava em uma família adotiva que o odiava, não conhecia seus pais direito — somente o pai e nada de mãe —, usava um óculos com grau absurdamente forte (tá, nem tão forte assim) e que não tinha amigos nenhum.
De qualquer forma, Jeremy ainda segurava minha mão — aquele dia era o dia do pedido oficial. Ele nunca havia me beijado antes, apenas segurado minhas mãos, beijado meu rosto e ter me cantado várias vezes, me deixando completamente vermelho de tanta vergonha. Mas ele fazia eu me sentir especial. Sentir alguém com valor, além de meu pai. Eu realmente amei Jeremy, mas não mais.
— Então... — dissera ele.
— Então, né? — respondera eu completamente envergonhado.
Ele parecera pensar por um instante.
— Sabia que hoje faz uma semana que eu pedi para dizer que estava afim de você? — lembrara, ele.
Eu fingi que pensara no assunto e ele se irritara, me empurrando. Ri daquilo.
— Sabia sim, seu bobo. — falei ainda rindo. Voltei a unir nossas mãos. — Hmmm, devíamos comemorar? — perguntei.
— Não sei. Você acha? — indagou, ele.
— Olha, eu acho qu...
Ele inclinara a cabeça para frente e o beijo aconteceu. Aquele fora o nosso primeiro beijo e, como era? Maravilhoso. Eu nunca houvera de ser beijado antes. Jeremy fora meu primeiro amor verdadeiro. Seu beijo era delicado, quente, carinhoso e apaixonante. Tudo isso misturado numa explosão, onde o estrondo foi dentro de mim.
Suas mãos foram de encontro com a minha nuca, brincando com meus cabelos, e a outra mão fora de encontro com uma das minhas. Uma de minhas mãos fora em seu rosto e a outra apertara fortemente a mão dele que segurava a minha.
Jeremy era o meu porto seguro e eu me perguntava o porquê eu nunca o beijara antes. Era completamente um absurdo estar “namorando” com alguém durante uma semana e nunca tê-la beijado. Quem era o único que fizera isso? Theodor Jasper Queen. O único. Eu tinha total e absoluta certeza disso.
Ele interrompera o beijo e eu não gostei muito daquilo. Eu não queria para de sentir sua língua na minha, de seus lábios nos meus e tampouco de suas mãos apertando minha nuca e minha mão. Eu o olhara e ele me olhara. Ele estava rindo. Eu também estava rindo, porém, não entendia bem o porquê de tanta risada de ambos.
— Pronto. Você me deu o melhor presente que se podia ter em uma comemoração. — falara ele e aquilo me deixara sem graça.
Eu corara.
— Hey... não precisa ficar tão vermelho assim, amor. — dissera ele pegando meu rosto e eu o olhara nos olhos azuis intensos dele.
— Sinto muito por ter atrasado. — falei. — Eu não tinha...
Ele pusera o indicador direito em meus lábios.
— Shhh... — silenciara-me ele. — Não se desculpe. Valeu a pena esperar.
Eu rira timidamente e ele calorosamente. Ele apertara minha mão novamente e nos beijamos outra vez, mas, daquela vez, eu não hesitei em nada. Eu me entregara completamente a Jeremy naquele dia.
Ouvindo passos e uma respiração ofegante de longe — e mais uma vez eu consegui ouvir isso por conta de ter aguçado minha audição com meu mestre em meu treinamento —, que presumi serem de Tommy, me trazendo de volta para o presente. Eu tinha deixado um bom espaço entre nós, não?
Seus passos ficaram cada vez mais altos e eu olhei para trás. O avistei ofegante, agachado com as mãos no joelho. Ele pôs a mão no coração e veio em minha direção. Virei-me rapidamente, voltando a fitar o horizonte e cruzei os braços.
Eu não falei nada. Ele sentou-se ao meu lado e começara a fitar o horizonte comigo. Franzi a testa. Ele ainda ofegava. E também ainda estava com uma mão no coração. Eu tinha que me desculpar por ter o feito correr bastante depois de ter comido bastante. Mas... depois. Agora não. Eu ainda estava confuso com tudo aquilo.
— Você... corre... bastante... — disse ele ofegante. — Já te... disseram... isso...?
Afirmei com a cabeça.
— Todo mundo. — falei com calma e sem ofegar. Eu podia sentir a pontada de inveja dele por conta de eu não estar ofegando.
Afinal, esse seria o sonho de qualquer um. Quem na face da Terra correria como eu e não ofegaria? Poucos, eu sei.
O silêncio se ponderou do momento e eu odiei aquilo. Se ele pensava que eu tomaria iniciativa, estava enganado. Ele quem havia me beijado e não eu a ele. Ele quem deveria interromper o silêncio se desculpando. Eu era tão vítima nessa história quanto uma adolescente correndo de um assaltante.
— Olhe, eu queria lhe dizer que sinto muito — disse ele quebrando o silêncio e menos ofegante.
— Hmmm... — foi só o que disse para ele prosseguir.
Ele pareceu confuso no que dizer.
— Theo... não me entenda mal — começara ele. — Eu... eu estou confuso, entende? Eu não sei se é esse lance com Laurel, ou se eu realmente estou gostando de você. — suas últimas palavras me pegaram de surpresa.
— Você o quê? — virei-me para ele descruzando os braços e ele se espantou. Relaxei os músculos contraídos e ele voltou ao normal.
— Olhe... — ele respirou fundo e continuou: — eu realmente achei você atraente. Desde o primeiro dia em que eu te vi na casa de Oliver... quero dizer, sua casa...
— Tudo bem, não faz mal. — o interrompi.
— Certo — ele balançou a cabeça. — Desde o dia em que o vi em sua casa, eu venho sentindo esse tipo de sentimento por você. — declarou-se ele. — De início, eu achei que era só coisa de momento, porque você é um rapaz muito, muito bonito. Achei que foi só uma coisinha de nada. Mas, depois que eu comecei a ter realmente um momento com você no escritório da boate de seu irmão, eu vinha sentindo mais atração por você. — ele estava me olhando fixamente nos olhos e suas mãos estavam trêmulas. Assim como as minhas.
Eu não podia mentir. Eu também me sentia atraído por ele, mas não dessa forma. Eu sempre o achei lindo e isso era claro para mim. Ele era totalmente atraente com aqueles cabelos escuros e olhos azuis ou verdes, ou a mistura dos dois? Eu sempre me confundia com a cor de seus olhos, o que só o fazia ter mais um charme.
Comecei a sentir minhas mãos suadas e eu também começara a suar. Minhas mãos trêmulas se agitavam em meu colo e ele notara o que ele estava fazendo comigo. Não era justo. Eu queria ter o controle de mim mesmo, mas era impossível quando alguém tão bonito quanto ele se declarava a sua frente, em céu aberto no meio da noite, com uma lua cheia e estrelas incandescentes no céu.
— Todas as vezes que você sentava a minha frente, eu te olhava de lado, mas sempre mantinha um olho em você e o outro no computador ou nas folhas.
Ele respirou e eu não ousei em interrompê-lo. Mas ele, logo em seguida, prosseguiu dizendo:
— Eu venho sentindo esse sentimento por você e não tenho vergonha de demonstrá-lo para você, só...
— Tem vergonha de demonstrar na frente dos outros. — completei por ele.
Eu entendia-o. Eu também não gostava de demonstrar meus sentimentos para com o Jeremy na frente dos outros, principalmente na frente do sr. e sra. Parker, ou, tampouco, na frente de seu filho irritante, o Jason.
Ele pareceu chocado arregalando os olhos para mim e abriu a boca, mas eu o interrompi dizendo:
— Não se preocupe com isso. Eu não vou dizer nada. — falei irritado. Eu sabia que esconder as coisas era preciso naquela situação (se a gente fosse assumir alguma coisa do que acontecer conosco) e eu não iria prejudicá-lo. Eu não faria isso com um amigo feito ele.
Ele relaxou.
— Agradeço por entender.
— Tudo bem.
— Mas eu não quero dizer só apenas isso, Theo... — ele se aproximou de mim. — Eu quero lhe dizer que penso em você, que penso em estar com você, de pegar sua mão — e ele pegara em minha mão — como agora. Eu quero estar com você, Theo. — finalizou ele alisando uma de minhas mãos e me olhando nos olhos.
Senti minhas mãos tremerem nas suas. Todos os dias eu me perguntava o porquê de ficar todo trêmulo na presença de Tommy... agora eu sabia. Ele me queria e eu estaria mentindo se não dissesse que parte de mim também o queria. Eu o queria, mas era complicado.
Eu não sabia como iria disfarçar isso — entendam: uma coisa é namorar Jeremy, um garoto que não é de família famosa e outra era namorar Tommy que vinha de uma família famosa. Eu não queria sair de uma situação em que eu tinha um romance de que todos sabiam (menos os Pakers), para ir a uma em que ninguém poderia saber.
— Por favor... diga alguma coisa. — disse ele.
Eu realmente não sabia o que dizer ou fazer. Eu não sabia se encarava Tommy e diria não. Não sabia se aceitaria aquilo tudo, ou se sairia dali correndo e deixando ele para trás novamente.
— Eu — encontrei minha voz para falar e continuei: — não sei se estou pronto para entrar em outro relacionamento, Tommy. Não me entenda mal... — fui logo me desculpando ao ver a sua carinha triste, quase me deixei levar por aquela carinha triste — Eu terminei com Jeremy porque ele havia me traído, mas eu não vou mentir. Sinto falta dele. E tínhamos um relacionamento em que todos sabiam. Eu estaria mentindo para você se te dissesse que não tenho certos sentimentos por você, mas eu não quero esconder nada dos outros se eu estiver com você.
Seu rosto se iluminou quando eu terminei a frase. Eu podia jurar te visto um sorriso naquela carinha triste.
Ele pegou mais firme em minha mão.
— É só isso que eu quero que você, ahn... digamos, entenda. — disse ele apressadamente. — Eu me descobri, eu acho, agora. Recentemente. Não, hmmm, digamos, pronto para contar ao meu pai, mesmo ele não sendo de tão valor assim para mim.
— Não diga isso de seu pai...
— Eu digo porque tenho motivos, Theo. — disse ele grossamente e eu me reprimi em meu canto. — Desculpe... — pigarreou ele voltando ao seu tom de voz normal. — Ele não merece saber tudo sobre de minha vida. — ele me olhou sério. — Eu não digo além dele. Eu digo seu irmão, Laurel, meus outros amigos...
— Está dizendo que me esconderá por causa deles? — comecei a me levantar completamente irritado.
Se Tommy achava que eu iria esconder algo de que eu gostasse por causa dos outros? Ele estava muito enganado. Só para lembrar: foi ele quem havia me beijado e se declarado para mim e não o contrário. Eu não iria tolerar isso.
Ele se pôs de pé e se limitou em por a mão em meu braço.
— Theo, calma... senta... — disse ele e me sentei.
Suspiros.
— Olhe, me desculpe. Mas eu não quero esconder nada de ninguém. — falei com seriedade na voz.
Ele assentiu.
— Eu te entendo, Theo. Entendo mesmo. — disse ele e me senti aliviado. — Mas eu não quero te perder para um outro alguém. Não quero perder a oportunidade que tenho agora... que temos agora. Isso para mim é novo, tudo novo. E eu não queria compartilhar esse momento com ninguém além de você.
Parei de olhar para o chão e olhei fixo em seus olhos e podia jurar que eles carregavam lágrimas. Aproximei-me dele no banco e enxuguei suas lágrimas recém caídas.
Sorri para ele e ele apertou a minha mão novamente.
Eu tinha que dar uma chance para ele. Além de ele ser uma pessoa bonita, inteligente e simpática, ele era... bem, lindo. Eu estava começando a gostar dele. Ele parecia ser bastante respeitoso e parecia que iria me respeitar. E também... não custava nada dar uma chance para — como eu poderia dizer isso? — esse lance em que estávamos tendo, não? Valeria a pena. Disso, eu tinha quase certeza.
— Tudo bem. — eu disse.
Ele levantou as sobrancelhas e me olhara sem entender.
— Como?
Eu ri.
— Tudo bem — repeti o que disse. — Estou disposto a dar uma chance no que temos. — sorri para ele completamente envergonhado de ter terminado aquela frase daquela maneira.
Ele apertou minha mão com mais força e reclamei baixinho.
— Desculpe... sério? — ele parecia incrédulo, mas sua alegria se desfez ao lembrar-se de alguma coisa. — Mas, mesmo escondendo de todos o que temos? — perguntou ele baixinho.
Aproximei meu rosto do dele e disse baixinho também:
— Eu aceito.
Ele se pôs de pé completamente feliz e me olhou. Eu ri dele e ele se sentou logo em seguida, segurou minha mão, alisando-a. Olhara bem em meus olhos e eu nos dele. Eu sabia que ele estava querendo alguma coisa.
— E-eu... e-eu...
— Se você pode me beijar? — fiz a pergunta por ele.
Ele assentiu com a cabeça e eu ri.
— S-sim... isso. Isso! — disse ele rindo e completamente nervoso. — Posso? — ele e olhou com cara de quem suplicava algo para a mãe.
Derreti-me todo com aquele jeito dele, mas não totalmente. Eu fiquei meio mole, mas não totalmente, entendem? Ah, que seja! Ele era lindo fazendo aquela cara de pobre coitado.
Pus minhas mãos em seu rosto e disse:
— Sim. Você pode me beijar. — eu ri de como aquele soara.
Ele riu junto comigo e me beijou, de língua e como tinha me beijado na cabine fotográfica.
Então Tommy e eu demos início ao nosso romance, onde não nos importamos com mais nada pelo resto da noite.
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