O Ninja De Branco.
18 Capítulo 18 — Invasão de Domicílio.
Notas iniciais
OLIVER E THEA ME DISSERAM QUE MOIRA DAVA OS MAIORES SERMÕES. EU TINHA UMA pequena noção disso, mas não sabia que ela conseguia ficar falando por mais de vinte minutos. Minha mãe parecia mais uma palestrante do que... bem, do que Moira Queen. Eu sabia que ela estava fazendo isso porque estava preocupada, mas mesmo assim, era desnecessário. Completamente desnecessário.
Moira vestia uma blusa de seda vermelha e uma saia de cintura alta bege. Eu pude ver Thea e Oliver rindo atrás de Moira, mas eu lidaria com eles mais tarde. Eu estava sentado em uma enorme poltrona confortável em nossa sala de estar vestindo uma blusa branca e jeans com sapatos converse, e completamente entediado de ouvir todos aqueles: “Você foi completamente irresponsável!”, “Você imaginou o quanto fiquei preocupada?” e até mesmo ouvi uma frase parecida como: “Por que abandonou seus irmãos?”. Dá para acreditar nisso? Eu tento salvar meus irmãos de um Ninja De Preto assassino e é assim que ela me agradecia? Que mulher ingrata, meu Deus!
Eu pensava que Moira nunca mais iria parar de falar, até que ela me fez a última pergunta de seu imenso sermão de vinte minutos sem descanso:
— Entendeu? — ela estava com o indicador apontado para mim.
Suspiro.
— Sim, mãe. — falei em meio a outro suspiro.
— Ótimo... — disse ela e se recompôs. — Agora vou atender a porta. — ela se direcionou a porta, mas deu meia volta e olhou para mim. — E pode apostar que estará de castigo, mocinho. — e se foi.
Eu queria rir. Moira realmente acreditava que eu me importava com seus castigos? Estava enganada. Eu não ligava como não era mantido de castigo por muito tempo. Eu estava mais preocupado como acabar com aquela enorme lista de nomes naquele maldito caderninho do que me preocupar com castigo. Quem Moira pensava que eu era? Oliver? Thea? Por favor, eu não ligava se ela retirasse alguma de meus, digamos... “prazeres materiais”. Mas eu acho que ela não sabia disso... enfim, eu não ligava.
— Veja Oliver — começou Thea —, acho que alguém ficará sem mesada durante o mês.
— Pode ter certeza, Thea. — disse Oliver. — Ou será que nossa mãe decretará que ele não poderá sair durante o mês inteiro?
— Ah, por favor! — só consegui revirar os olhos e reclamar para os dois, e ambos riram. Eu não achei nada engraçado.
Minha mãe voltou à sala e disse ainda séria:
— Salvo por seu amigo. — ela se voltou para Ernie e me alegrei por ver aquele nanico de cabelos louros. — Ele é todo seu. — disse Moira à Ernie.
— Obrigado, senhora Queen. — disse Ernie, educadamente.
— Por favor, me chame de Moira. — ela sorriu para ele, afagou o braço de Ernie e saiu da sala.
Uma coisa que deva saber sobre os nerds-nanicos: não os subestimem. Eles podem ter uma força que você desconhece. Sei disso, porque Ernie veio até a mim e me dera um soco em meu braço com tal força que eu não sabia que ele possuía isso tudo de força. Meus irmãos riram.
Eu os fitei, mas eles não ligaram. Pigarreei e eles não saíram do local onde estavam. Será que eram tão estúpidos?
— Será que podem nos dar licença? — pedi levantando uma sobrancelha e com os olhos semicerrados.
Eles pareceram que despertaram e sumiram dali com certa malícia em seus olhos. Perguntei-me que diabos de pensamentos eles tiveram com o que eu quis dizer, mas depois eu resolveria isso com eles, afinal, eles já iriam me pagar por zombarem de mim por conta do sermão de Moira em mim.
Esfreguei meu braço nocauteado por Ernie e disse:
— Autch!
Ele fechou a cara.
— Você deveria merecer mais. — disse ele com raiva. — Sabe quanto tempo eu venho ligando para você? Ou ao menos leu uma das vinte mensagens de texto que eu te mandei? — eu abri a boca para responder, mas ele me cortou e continuou: — Não importa! Você devia estar atrás daquele Ninja De Preto, sabia?
— Ei, ei, ei! — o repreendi. — Espere um pouco... — falei me pondo de pé. — Como procuro algo que não deixa pistas, Ernie? Ele é tão... tão bom quanto eu. — admiti de má vontade.
Eu não queria admitir aquilo, mas eu tinha que reconhecer. Se ele não fosse, eu não estaria com certos hematomas no corpo e já o teria derrotado logo no nosso primeiro encontro. Mas a alegria daquele ninja não iria durar muito tempo. Eu acabaria com ele logo, logo.
Ernie pareceu entender meu lado e disse:
— Desculpe. — ele franziu o cenho.
— Tudo bem. — sorri para ele. — Só não me soque outra vez, senão, eu mesmo cuido de ti, entende? — mostrei meus músculos e ele fingiu se apavorar.
Ernie e eu passamos a manhã inteira em meu quarto. Isso depois de ouvir mais vinte minutos de sermão da dona Moira Queen, seguido de algumas histórias familiares que ela fez questão de contar para Ernie. Totalmente baboseira e desnecessários. Estávamos tentando planejar meu novo aparecimento a alguém. Esse alguém era um homem chamado Paul Wilkerson. O cara tinha a ficha mais suja que eu já vira em toda a minha vida. Isso ia de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, e o mais repulsivo de todos: tráfico humano. Ele sim merecia um grande sermão, não eu. Acho que minha mãe que deveria visitá-lo e usar seu superpoder de sermões... não, ela não devia. Seria perigoso, mesmo eu sabendo que ela venceria essa batalha, fazendo com que Paul preferisse se integrar à polícia a ouvir mais do que vinte minutos de sermão de minha mãe.
Contudo, minha mãe saiu depois que eu a fiz parar de contar uma história terrivelmente constrangedora como Oliver havia conseguido chego à puberdade e o flagrara com uma revista inapropriada para menores, empurrando-a para fora de meu quarto. Aquilo não seria nada legal de se ouvir, mesmo, até pela segunda vez — sim, minha mãe me contou essa história uma semana depois que eu havia saído do hospital. Não foi nada legal de se ouvir e eu não queria ouvi-la pela segunda vez. Não mesmo e acredito que Ernie também não queria ouvir mais sobre histórias da minha família.
Assim que ela saiu de meu quarto, colocamos nosso plano em prática e, como sempre, Ernie já havia planejado tudo — se só eu estivesse nessa de bancar o justiceiro, eu haveria de improvisar (mas eu sempre era bom no improviso, então estaria perfeito). Ernie me disse que era para eu ir à companhia de Paul às oito da noite — era a hora em que Paul iria sair e, se ele realmente saísse nesse horário, eu o pegaria em seu escritório, que ficava no quinto andar de um prédio extremamente largo no centro de Starling City. Seria melhor assim. Sem testemunhas. Uma conversa direta e objetiva... era tudo o que eu queria.
Ernie e eu já havíamos planejado mais duas visitas para mim essa semana. Além de Paul, eu iria visitar um homem gorducho e careca chamado Adam Malarick; Edward Parker — por um minuto eu pensei que ele fosse parente dos Parkers, mas não era, então me aliviei —, um homem de pele negra e careca. Ele era muito bonito para ser um grande traficante e furtador. Eu não consegui acreditar de início; e o último, Alexander Goldoni, um homem de pele branca, ruivo e, não se engane, ele era um dos chefões do tráfico humano. Eu deixaria esse por último, ele iria se arrepender de traficar pessoas. Pode ter certeza que ele pagaria.
Depois disso, tivemos um dia normal. Ernie e eu ficamos conversando com meus irmãos em nosso jardim o tempo todo. Bem, ao menos Ernie ficou conversando comigo e com minha mãe, pois Thea e Oliver tiveram que sair — eu tinha de ir com Oliver, mas ele me deu o resto do dia de folga e realmente o agradeci por isso. Assim eu teria mais tempo livre para pensar no que realmente fazer com os três homens que Ernie organizara para mim, mas o meu objetivo era deixar aquele Alexander por último e fazê-lo pagar pelo que fazia com as pessoas.
Como estava prestes ao horário do chá de Moira (eu não acreditava que ela realmente tomava o chá das cinco como na Inglaterra), ela fez questão de adentrar para casa e tomar seu chá antes mesmo das cinco horas e foi para a empresa de meu pai — que no caso, agora, é inteiramente dela. O que eu achei estranho, pois Moira sempre tomava seu chá das cinco no jardim. Mas tudo bem, eu não me importei com isso, eu tinha mais com o que me importar.
Ernie eu estávamos vendo o noticiário quando Oliver trouxera Laurel, Tommy e uma criança para nossa casa. Eu não entendi o porquê estávamos com convidados novos e o porquê Tommy estava em nossa casa. Pelo o que eu sabia, Tommy e Oliver não estavam se dando muito bem. O que era uma pena, pois eu queria que eles voltassem a ser como eram antes. Eles tinham uma grande amizade para ser estragada de uma maneira tão... ah! Eu não sei de que forma a amizade deles ficaram fraca e também não me importava tanto assim... eu acho.
Eles quatro estavam na sala e Oliver disse algo para Laurel e ela, juntamente com o pequenino e Tommy, saiu da sala. Oliver observou realmente se os três estavam longe, chegara para perto de mim e Ernie e disse:
— Posso dar uma palavrinha com você? — perguntou ele a mim.
Olhei para Ernie e disse:
— Já volto. — me pus de pé e sai com ele da sala e seguimos para o jardim.
Ele observou se não estávamos sendo seguidos ou ouvidos e aquilo começou a me dar nos nervos. Eu odiava que rodeavam conversas. Eu não gostava que ficassem enrolando. Não gostava de enrolação. E era exatamente o que ele estava fazendo.
— Pode ser direto? — o interrompi quando ele começara a checar se Ernie conseguia ouvir a nossa conversa, mesmo ele estando cerca de dez metros de distância e com umas três portas ou pilastras grossas nos separando.
Ele me olhou, arqueou as sobrancelhas e disse:
— Tudo bem... — ele relaxou a expressão. — Aquele menino se chama Taylor. Ele está sendo perseguido. Os pais foram assassinados por um misterioso cara. Ele, Tommy e Laurel aqui por enquanto. Todos os três estão sendo perseguidos por esse assassino. — finalizou, ele.
— Hmmm... — pensei a respeito. — E o que eu tenho a ver com isso? — perguntei juntando as sobrancelhas.
— Você sabe lutar tão bem quanto eu...
— Obrigado. — o interrompi me gabando. Ele não gostou. Eu ri. — Desculpe. Continue.
— Bem, você sabe lutar tão bem quanto eu. — continuou ele. — Não acho que esse assassino venha para nossa casa...
— Espere aí! — o interrompi com certa raiva. — Você traz três pessoas para nossa casa sobre ameaça de um assassino e não pensa na sua família? Ernie está aqui! — fechei a cara para ele e ele abriu a boca para falar, mas eu o interrompera: — no que estava pensando? Arriscar a vida de sua família e deles? E A DE ERNIE? — eu realmente estava irritado. Ele poderia arriscar a minha vida, mas não a de minha família, principalmente a de Ernie. — Não acha que é meio óbvio para esse assassino, já que o garoto não está na casa de sua mentora e nem a do namorado da mentora? O que sobra? O melhor amigo!
Ele não pareceu surpreso, mas disse:
— Eu sinto muito... eu não sabia que seu amigo...
— O nome dele é Ernie. — falei furiosamente e o fuzilei com os olhos.
— Tudo bem... que Ernie — ele se corrigiu — viria para cá. Perdão.
Tá, tudo bem, não era culpa dele.
— Tá, tudo bem. — falei. — Desculpe pelo meu tom.
— Tudo bem. — disse ele. — Enfim. O que eu estou querendo dizer é que, se ele vier, você e eu podemos dar conta dele. Você sabe lutar, eu também sei. Podemos dar conta dele.
— Vou pensar. — falei ainda com certa raiva e cruzando os braços. — Posso ir agora?
Ele franziu a testa.
— Por que está me pedindo permissão?
Não é óbvio?, pensei.
— Você é o mais velho. Sua autoridade, depois de Moi... de nossa mãe — me corrigi no meio da frase —, é a que conta. Como sou o mais novo, então obedeço isso. Foi assim que Robe... nosso pai me ensinou — ele franziu a testa quando eu interrompia minha fala.
— Por que fala o nome de nossos pais? — perguntou ele com curiosidade.
— É costume da cidade onde morei. Lá, os filhos chamam os pais pelo nome quando não estão na presença deles.
— Hmmm, entendi.
— Tá. — falei. — Posso ir? — perguntei de novo.
— Aham, vai...
Não esperei ele dizer mais coisas, virei-me de costas para ele e voltei para casa.
Ótimo! Oliver tinha uma ideia sucedida de trazer três pessoas sobre custódia de um assassino vir mata-los. Que maravilha! E, de brinde, ele deu ao assassino, mais cinco vidas. A de Ernie, minha, Thea, o próprio estúpido Oliver e Moira. Se ele realmente fosse alguém que pensasse, teria saído da cidade com Tommy, Taylor e Laurel. Era o melhor a se fazer numa situação dessas. Mas não, ele preferiu trazê-los para casa. Ótimo! Eu não poderia estar mais feliz a tentar lutar contra o possível assassino de minha família.
Eu tinha que dar um jeito. Eu explicaria para Ernie e ele sairia de casa. Não, ele não podia. O assassino poderia ira trás dele também. Ele tinha de ficar e, se isso dependesse de me vestir de Ninja De Branco em minha própria casa, eu iria me vestir. Não me importava mais nada, Ernie e minha família tinha que estar a salvo. E Laurel, Taylor e Tommy também tinham de ser salvos. Eu não deixaria ninguém morrer. Eu não podia deixar ninguém morrer. E ninguém morreria, a não ser o próprio assassino.
Assim que entrei em casa, avistei Ernie comendo e conversando com a senhora Hampton em nosso sofá. Ela me olhou com cara de espanto, mas sorri para a mesma e ela relaxou — eu sabia que minha mãe amava a sra. Hampton, mas ela não gostava que os funcionários relaxassem em sua ausência. Patético. Mas a sra. Hampton e eu já havíamos tido uma conversa sobre isso e ambos combinamos que na minha frente, ela poderia estar à vontade.
Olhei para Ernie com cara séria e indiquei, com as sobrancelhas, para cima e ele entendeu. Ele se levantou, despediu-se de Lily e seguiu para fora da sala de estar comigo logo atrás dele. Ele me olhou sério no caminho, como se não estivesse entendendo nada — e realmente não estava entendendo nada, eu não o culpava. E eu também não sabia como contar para ele sobre um assassino que podia matá-lo a qualquer momento. Simplesmente não sabia como não conseguia dizer isso a ele.
Assim que chegamos a meu quarto, me certifiquei de ter trancado a porta e contei a ele sobre a minha conversa com Oliver. Ele pareceu totalmente fora de si. Eu sabia que isso era uma bomba para ele. Ele era ameaçado e apanhava na escola, mas nunca chegaram a ameaçá-lo de morte. Ou nunca haviam dito a hipótese de que ele morreria. Eu o entendia, eu me pus em seu lugar, mas jurei protegê-lo e eu iria protegê-lo. Dei minha palavra.
— Sinto muito por isso. — falei, assim que ele se sentou em minha cama completamente sem foco. — Queria poder te tirar daqui, mas o assassino já deve ter uma ideia de onde Taylor está e sabe que é aqui e vai matar todos que tiveram acesso ao garoto. Perdão, Ernie.
— Tudo bem. Não é sua culpa. — disse ele e me aliviei.
Caminhei até ele e me ajoelhei de frente para ele, de forma que fiquei da mesma altura que o mesmo e disse:
— Eu juro que vou te proteger. — prometi olhando-o seriamente, pegando em seu braço e o apertei com certa força.
Ele sorriu.
— Eu sei, grandão. — ele apertou minha mão que estava em seu braço e aquilo me deixou mais tranquilo. Ele confiava em mim e eu não o desapontaria.
Ele se pôs de pé.
— Além do mais... — ele foi até a porta. — Eu sei me defender.
Como...
— Oi? — juntei as sobrancelhas e arqueei uma delas.
— Isso mesmo. Eu sei me defender. Eu não sei lutar como você, mas sei derrubar alguém. — disse ele com firmeza.
— Tá certo — o olhei desconfiado. — E onde aprendeu isso?
— Eu andei tendo um treinamento com certo ninja, sabe?
O que ele queria dizer com isso?
— Eu não te ensinei nada. — falei desconfiado. Não era possível que Ernie estaria treinando com o Ninja De Preto. Isso era inadmissível!
— Eu venho te observando. Seus movimentos... — disse ele.
Aproximei-me dele e fechei a porta que ele havia aberto.
— Como assim? — o olhei sério.
— Eu tenho assistido a todas as suas visitas. Todos os dias em que você sai à noite, eu estou assistindo. — disse ele um tanto orgulhoso. — Na verdade, todas as vezes que você veste o quimono.
— Como?
— Tem uma hiper microcâmera em seu quimono. Eu mesmo que instalei. — agora ele realmente estava orgulhoso de si mesmo.
— Entendi. — falei. — Mostre-me o que sabe. — falei em posição de ataque.
Ele riu e, no segundo seguinte, segurou meu braço direito, torceu o mesmo, passou o pé direito por trás do meu e, segurando em meu pescoço, me fez cair no chão rapidamente.
Ouvi sua risada.
— E então? — perguntou ele, ainda rindo.
— Nada mal, mas... — lhe dei uma rasteira e parei com uma mão atrás de sua cabeça e com a outra mão em seu peito. Ele me olhou desesperado quando o deitei no chão com aquela posição. — cuidado. Nunca baixe sua guarda em uma luta. Lembre-se disso. — o soltei e o pus de pé. Ele respirou mais aliviado.
Por incrível que pareça, Ernie e eu ficamos trinando o resto da tarde inteira em meu quarto — logo após eu ter afastado minha cama (sozinho, porque ele não quis me ajudar), meu guarda-roupa e a mesa em que meu computador ficava. O espaço que ficou em meu quarto era o suficiente para que Ernie e eu pudéssemos treinar um pouco. Era apropriado que ele treinasse, pois eu não estaria com ele vinte e quatro horas por dia. Ele tinha de se defender. Principalmente contra os capangas que viviam perseguindo ele na escola. Então, ele tinha de treinar e foi o que fizemos.
De início, Ernie tentou me jogar no chão um bilhão de vezes, mas acabou conseguindo apenas duas. Eu disse que ele não conseguiria se sair bem estivesse preocupado demais. Ele tinha de libertar a mente se quisesse alguma coisa e foi o que ele fez.
Depois de eu tê-lo derrubado imensas vezes, Ernie estava conseguindo me bloquear. Ele também estava conseguindo me jogar no chão — não mais do que dez vezes —, mas ele havia feito um grande progresso. Ele estava conseguindo entrar em combate comigo, mas não tão focado assim. Ele parecia estar com medo de alguma coisa — provavelmente por conta do assassino. Ele precisava de um incentivo. E, o único que me ajudava era...
— Ernie? — falei, assim que consegui bloqueá-lo e lhe dado uma chave de braço.
— Autch... Autch... Autch! — reclamava ele. — Me solte primeiro!
O soltei e ele tentou me dar dois socos, mas eu os prendi com as mãos.
— Estou tentando ter uma conversa. Podemos? — ele balançou a cabeça em negativa e o soltei. — O.K.. O que tenho para lhe dizer é o seguinte: raiva. Eu sempre consigo me concentrar, me focar mais quando estou com raiva. Tente.
— Mas...
— Tente. — o olhei sério.
Ele assentiu e fechou os olhos.
De repente, Ernie ficara totalmente vermelho, igual a um tomate. Suas mãos começaram a tremer e ele abriu os olhos e partira para cima de mim no mesmo segundo.
Mais uma coisa que deve saber sobre os nerds-nanicos: nunca o provoque ou o deixe extravasar sua raiva em você. Isso pode ser uma das últimas coisas que você queria experimentar na vida. Eu tive o azar de experimentar a fúria de Ernie. Ernie havia me socado no estômago quatro vezes com uma incrível força e rapidez, seguido de um chute em minha panturrilha, me fazendo agachar e depois me dera mais dois socos no rosto, me fazendo cair.
Senti o gosto de sangue em minha boca, mas eu ri. Ri de excitação e felicidade. Eu havia ensinado perfeitamente, isso me fez feliz, porque isso provava que eu aprendera muito bem com o meu mestre. Ernie se saiu bem e eu me saíra bem por ensiná-lo. Agradeci mentalmente a meu mestre por seu treinamento. Eu nunca o esqueceria.
— Do que está rindo? — perguntou ele.
Ri mais um pouco.
— Você conseguiu, Ernie! — me pus de pé em um pulo. — Aprendeu a golpear com força e rapidez. Estou feliz porque consegui lhe ensinar isso.
Ele corou e murmurou sem jeito:
— Obrigado.
— De nada. — pus a mão em seu ombro e o derrubei com facilidade.
— Autch! — ele me olhou, se pôs de pé e me empurrou.
— Não se esqueça, Ernie: nunca baixe a guarda. — sorri para ele e lhe afaguei o braço, onde ele riu e começamos a treinar novamente.
Nas horas seguintes, Ernie e eu paramos de treinar por conta da exaustão dele — eu nunca ficava exausto. A não ser se meu adversário for mais forte do que eu e, até então, eu só havia ficado exausto com o Ninja De Preto e meu mestre. Fora eles, ninguém havia conseguido me deixar exausto. Já Ernie... bem, ele estava mais suado do que eu conseguia lembrar de Jason quando voltava de seu treino de futebol.
Assim que escureceu, Ernie — já tomado banho e de roupas trocadas — e eu fomos para a sala de estar. Na sala, avistei Tommy e o pequeno Taylor assistindo tevê. Deixei que Ernie e Taylor conversassem e brincassem um pouco — Ernie adorava crianças — e me sentei ao lado de Tommy.
Eu sentia saudades de ver Tommy. Depois que ele havia saído da boate de meu irmão, eu nunca mais havia tido uma conversa com ele. Essa seria a primeira e ele parecia um pouco abatido. Mas não conversamos sobre sua vida, conversamos sobre como Taylor havia parado com Laurel e seus pais mortos. Ele me explicou que o assassino havia matado os pais de Taylor e Taylor era o próximo, mas ele havia conseguido escapar, mas o assassino havia conseguido a localidade da casa de Laurel, de onde Tommy e Laurel — e juntamente com Taylor — haviam sofrido uma pequena e desagradável invasão domiciliar.
Thea e Moira apareceram a nossa casa naquela tarde, mas não ficaram por muito tempo. Thea havia saído para encontrar seu suposto namorado — o que eu não gostei muito. Entendam: eles podem namorar, mas eu não conheço o cara ainda, então... é de desconfiar; Moira havia saído para fazer não sei o quê da empresa — uma tremenda mulher de negócios, vocês imaginam, mas não tenho tanta certeza, porque ninguém sai para trabalhar as oito da noite e numa noite em que estava trovejando. Mas eu também não me importei, Moira não era importante para mim naquela hora. Ao menos ela e Thea estariam fora de casa, e estariam seguras.
Ernie e eu estávamos andando no andar superior a sala de estar, quando vimos Oliver e Laurel conversando. Vi que Oliver me olhara meio constrangido e dei um breve aceno de cabeça, e peguei Ernie pelo braço — educadamente — e comecei a levá-lo para o outro lado do corredor, mas as luzes se apagaram. Olhei diretamente para Ernie e dei meia volta, indo para onde Oliver e Laurel estava e vi que Tommy também estava lá. Eles estavam sérios. Ao menos Tommy e Oliver estavam.
— Vocês dois, fiquem aqui com o Taylor. — disse Oliver.
Mas eu cheguei bem a tempo.
— Correção — disse eu, logo assim que cheguei perto deles. — Vocês três.
Eles me olharam. Laurel estava totalmente preocupada. Tommy estava com certo espanto em seu rosto, mas ele lutava para não demonstrar isso. Olive me olhara sério, como se estivesse tentando me dizer: “E você também, pode entrar no quarto!”, mas eu o olhei sério de volta e ele relaxou a expressão.
Virei-me para Ernie, me abaixei até seu ouvido e disse baixinho em seu ouvido, de modo que só ele pudesse me ouvir:
— Se algo vier a acontecer, lute. Se depender, lute para matar. Entendeu? — o olhei sério.
Ernie apareceu espantado, mas ele entendeu o recado. Ou ele matava, ou ele morria. Ele tinha que matar. De uma maneira ou de outra. Eu me sentia completamente culpado por colocá-lo nessa posição, mas era a única maneira de deixá-lo vivo. Ele tinha que matar. Por fim, dei tapinhas em seu ombro esquerdo com a mão direita e o pus dentro do quarto. Ele ficou olhando pela janela a procura de algo. Bom garoto, pensei.
— Aonde você vai?
— A casa é velha. — disse Oliver. — Fusíveis estouram o tempo todo, não foi nada. Por favor. Entrem. — ele soou nervoso, mas Laurel não pareceu notar.
Tommy assentiu para Laurel e ela entrou, mas, antes que Tommy entrasse, puxei seu braço e falei baixo para só ele ouvir?
— Sei que não precisará, mas, se der, tome conta de Ernie para mim? Por favor. Ele é importante para mim. — assim que pedi, ele me olhou e me lançara um sorriso franco e dissera sem som: “Eu prometo!”, para mim. Aquilo me deixou feliz.
— Hã, Theo, me ajude lá trás? — perguntou Oliver.
Mas, antes que eu pudesse responder, Oliver fechara a porta daquele quarto e chutara a maçaneta, fazendo com que a porta ficasse trancada.
Ele me olhou.
— Com certeza. — falei com seriedade na voz e nós dois saímos dali.
Oliver e eu andamos até certo ponto do corredor... O.K.. Volte. Primeiro de tudo, tenho que admitir que meu irmão não se parecia mais como um riquinho metido a besta. Ele parecia mais um lobo feroz ou coisa do tipo. Ele sabia que havia entrado em encrenca e realmente queria concertar aquilo. Ele estava realmente furioso e aquilo me fez lembrar o perigo que ele tinha feito Ernie passar. Eu também estava com raiva e, segundo meu mestre, eu parecia mais um leão feroz em busca de sua presa quando estava com raiva, então... era como eu estava e eu gostava de estar assim para o combate.
Sendo assim, estávamos andando até certo ponto do corredor quando ouvimos um tiro. Ele me olhou e eu o olhei de volta. Outro tiro. Nós dois olhamos para frente e não vimos nadas. Voltamos a nos olhar por um momento e apenas assentimos com a cabeça, e cada um fora para um lado.
Em meu lado do corredor, estava tudo completamente escuro. Não conseguia enxergar nada, mas eu conseguia ouvir. Eu ouvia os trovões do lado de fora, o som do ar cortando pelo corredor que eu acabara de passar e... respirações?
Olhei automaticamente para trás e vi três homens. Um cara, um de pele morena e um de cabelos pretos. Parei em posição de ataque e comecei a andar para trás. Um deles sacou a arma e apontara a arma para mim. Eu sabia que aquele lado era o quarto de Thea e eu não iria arriscar a possibilidade deles arruinarem a porta do quarto de Thea ou, que sá, o quarto de Thea — ela me mataria se soubesse que deixei isso acontecer.
Eles continuaram a me seguir e parei de andar no corredor perto da escada. Os outros dois sacaram as armas para mim — ambas estavam no silenciador — e não pude deixar de dar um sorriso debochado. Eu não acreditava que eles realmente poderiam me acertar, mas, antes que eu pudesse fazer alguma coisa, senti alguém bater em minhas costas e não me mexi.
— Theo? — ouvi a voz de meu irmão.
— Oliver? — perguntei de volta. O que ele estava fazendo aqui? — Quantos têm aí? — perguntei reparando que um dos três homens que estavam virados para mim, riu.
— Um. — respondeu ele. — E com você?
— Três. — falei sério.
Honestamente, seria fácil acabar com eles três, eu já havia enfrentado quantidade maior do que três homens armados. Em minha primeira visita de minha vida, eu havia enfrentado muito mais do que aquilo. Seria fácil.
O de cara de pele morena preparou a arma para atirar e aquilo foi demais. Avancei para ele como um borrão e tirei a arma de sua mão com um chute de direita, dei uma cotovelada em sua barriga e, com o dorso da mão, bati em seu rosto, fazendo-o ficar completamente tonto, onde girei e uni os pulsos com as mãos abertas, e o empurrei, fazendo-o cair ao chão.
Seus amigos me olharam e ambos vieram para cima de mim e, a primeira coisa que fiz, foi tirar a arma de suas mãos. Foi fácil. Apenas chutei uma mão de um, como havia feito com o primeiro e cotovelei a arma de outro e os derrubei para o chão com uma rasteira. Eles levantaram rapidamente e eu não contava com isso.
O da direita veio em minha direção com o punho levantado, mas peguei seu punho, o passei por meu ombro e o derrubei no chão. O outro cara veio gritando atrás de mim, mas eu — ainda segurando o braço do careca — estiquei minha perna e o acertei no peito. Voltei-me para o careca e o desmaiei com um soco em cheio em seu rosto. O de cabelos pretos veio para cima de mim de novo, mas eu corri em sua direção, pus meus pés em seu pescoço e, em pleno ar, puxei sua cabeça para o chão, onde ela caiu juntamente com meus pés e fizera um grande som quando sua cabeça bateu com força ao chão. Ele desmaiou.
Ouvi o som de uma arma se preparando e me virei. O homem de pele morena havia se levantado e correu em minha direção também, e eu avancei na direção dele com os punhos fechados. Ele apontou a arma para mim e disparou, mas eu consegui desviar indo para o lado bem na hora em que a bala passou por meu rosto — uma das outras vantagens de ser um ninja: você sempre consegue ver tudo ao seu redor lentamente. Por isso que eu consigo correr tão rápido, muito mais rápido que qualquer um. Continuei avançando e, quando cheguei perto dele, corri para ficar atrás do mesmo e, pegando o seu pescoço, o virei, fazendo seu pescoço quebrar e ele morrer. Menos um.
Olhei para meu irmão e ele não estava mais lá.
Andei pelo corredor em completo silêncio. Você se pergunta como eu poderia ter feito isso, fácil. Canalize sua energia e seu peso para outro ponto. Você irá conseguir? Talvez, levei anos de prática para isso acontecer e não tenho certeza se você conseguirá de primeira. Pois bem, eu consegui. Andei em perfeito silêncio até do outro lado do salão e pude ver meu irmão levando uma tremenda surra.
Ele estava lutando com um homem careca... quero dizer, apanhando para um cara careca. Eu não gostei daquilo. Aproximei-me dele bem devagar...
— Levante-se, seu riquinho metido a besta! Levante-se! — disse ele quando havia dado um guincho no queixo de meu irmão.
Aquilo foi demais para mim. A raiva se consumiu em mim de tal forma, que eu não consegui controlar a tremedeira de minhas mãos e o impulso de ir até ele.
— Hey, você! — gritei para o careca e ele olhou para trás.
Marchei até ele, ele deu um sorriso para mim e veio em minha direção com a arma apontada para mim. Eu não hesitei, continuei marchando e, quando ele apertou o gatilho, eu já havia desviado da bala e já estava perto dele.
Derrubei sua arma facilmente com um chute com minha perna esquerda, fazendo a arma voar até o outro lado do corredor. Olhei completamente furioso para ele. Eu sentia minhas mãos tremerem mais do que eu queria.
— Como... — falei lhe dando um chute com muita força com minha perna direita em sua barriga — você... — outro chute — se... — outro chute — atreve... — outro chute — a... — outro chute — chamar... — outro chute — o... — outro chute — meu... — outro chute — irmão... — outro chute — disso? — ele me olhou e pude ver o sangue saindo por sua boca. Dei um soco também com muita força em seu rosto, quebrando o seu nariz e de lá também saiu sangue. — Só... — outro soco em seu rosto — eu... — outro soco — posso... — outro soco — chamá-lo... — outro soco — dessa... — outro soco. — maneira... — lhe dei outro soco em seu rosto. Ele me olhara completamente tonto e aproveitei a oportunidade. Girei-me e lhe dei um chute em seu peito, onde ele deslizara até o parapeito do corrimão e caíram, despencando de cabeça para baixo, para o primeiro andar. Ouvi um estalo forte.
Cheguei até o parapeito e vi seu corpo imóvel lá embaixo. Ele estava morto. Ótimo. Virei-me para Oliver e estendi a mão para ele. Ele segurou minha mão e se levantou.
— Você está bem? — perguntei, mas provavelmente ele não estava.
Oliver tinha sangue em sua boca e seu rosto parecia inchado. Ele não parecia nada bem.
— Sim, estou. — disse ele e ouvimos dois disparos.
Nos entre olhamos e ele foi para uma direção, e eu para a outra.
Para onde fui não havia sinal nenhum. Não havia ninguém com quem eu pudesse lutar. Então dei meia volta e voltei para onde eu estava com Oliver, e ele também não estava lá. Segui para o corredor à esquerda e o avistei lutando com um homem negro e ele continha arma.
Eu não podia me mexer, eu sabia que se eu me mexesse, ele, talvez, machucaria Oliver. E eu não queria isso. Eu apenas fiquei olhando eles lutarem completamente imóveis. Não totalmente imóvel, eu fui até o parapeito para vê-lo. Eu sempre tinha alguma kunai ou shuriquen em meu bolso — por emergência. Se ele atirasse em Oliver, eu não pensaria em duas vezes, senão matá-lo.
Eu não sabia que Oliver tivera aulas de luta em sua vida. Para mim, ele sempre fora aquele riquinho metido a besta que aquele careca havia lhe chamado. Nunca se imaginaria Oliver dando socos daquela frequência e tampouco pulando a escada daquela maneira como ele havia feito. Mas eu tinha de admitir: ele sabia lutar. Sei disso porque senti seus socos uma vez. Mas os meus era melhores. Sempre seriam.
Por fim, Oliver havia ido com o cara até o outro lado da entrada, ficando acima de nossa porta de entrada de casa e ambos caíram no chão, quebrando a mesinha que tinha bem abaixo de onde eles estavam. Pus minha mão me meu bolso e peguei minha kunai e preparei para acertar o cara com quem Oliver lutava. Do ponto onde eu estava, seria fácil matá-lo. Só precisaria acertar sua cabeça e atirar.
O homem havia pegado Oliver pelo pescoço e eles se levantaram. Oliver havia tentado se soltar, mas foi o homem quem havia lhe empurrado para perto da lareira.
O homem havia pegado sua arma e apontado para Oliver, que estava no chão. Mirei minha kunai para a cabeça careca daquele homem e, antes que eu pudesse atirá-la, Oliver havia pegado um cutucador, bateu com ele na mão do homem, girando sua arma e a mesma foi para longe. Oliver bateu o cutucador na perna do homem e eu podia ouvir o som de algo se rasgando e em seguida, Oliver perfurou o cutucador bem no coração daquele cara.
O homem morreu e meu irmão desabou no chão.
Tudo bem, eu não havia carregado Oliver do primeiro andar até o segundo, eu apenas fui até ele e o acordei, pois ele havia tirado um pequeno cochilo (amador). Contudo, o pai de Laurel veio até nós, mas Oliver o fez me liberar e eu também não queria argumentar contra aquele cara. Ele não iria acreditar como um simples segurança havia acabado com seis homens.
Então eu fui até o segundo andar, onde eu havia deixado Ernie com Tommy e Laurel. Assim que apareci em frente à porta, eu a arrombei e vi Ernie em posição de ataque, e Tommy e Laurel, segurando Taylor em seus braços, atrás dele. Ao lado da janela, havia um corpo de outro homem careca (francamente, só havia assassinos carecas por Starling City?) caído com sangue ao seu redor e pedaços de cacos de vidro.
— Ele foi brilhante. Conseguiu acabar com ele em menos de um minuto. Ele é um gênio. — disse Tommy com um sorriso vacilante em seu rosto.
Eu não pude deixar de sorrir para Ernie.
— É melhor vocês descerem. — falei para Tommy e Laurel.
Ambos assentiram e saíram do quarto com Taylor perto deles, deixando-me as sós com Ernie. Ouvi a porta bater e reclamei mentalmente, porque estava óbvio que estávamos trancados, mas lembrei de que podia abrir a porta por dentro. Mais privacidade para mim e para Ernie.
— Meus parabéns, nanico! — falei sorrindo para ele e lhe abraçando.
Ouvi estalos vindo dele.
— Autch...! Para! Está me machucando... me largue, Theo! — pedia ele.
Eu ria.
— Estou orgulhoso de você. — o soltei. E eu realmente estava. Ernie aprendera a se defender em apenas um dia e já havia derrubado um homem armado? Era de se alegrar.
— Sim, sim, O.K., mas não me chame de nanico. — ele me fuzilara com os olhos.
Ri para ele e saímos do quarto, indo em direção ao meu.
No caminho, Ernie havia descido para pegar alguma coisa para nós comermos e Tommy havia aparecido em meu campo de visão.
Eu estranhei.
— Está tudo bem? — perguntei franzindo a testa.
— Sim, sim, claro... — disse ele meio atrapalhado. — Olhe, eu ia pedir seu número.
— Para quê? — agora eu estava desconfiado.
— Bem, na empresa do meu pai precisamos de mais pessoas no setor financeiro. Eu treinei você e sei do que é capaz e, se quiser um trabalho realmente melhor do que ficar trancado em um minúsculo escritório...
Eu não pensei duas vezes.
— Sim, tome... — ele me entregou seu celular e anotei meu número no dele.
Ele sorriu.
— O.K., se prepare para uma entrevista, Theo. — ele apontou para mim e se fora.
Era esquisito. Eu pensava que Tommy estaria com raiva de mim também — por eu ser irmão mais novo do cara que ainda gostava de sua namorada. Mas eu não era o culpado disso. Nem de garotas eu gostava, pelo amor de Deus! Mas eu vi que era apenas coisa de minha cabeça.
Contudo, Ernie havia aparecido em meu campo de visão com diversos tipos de comida e, sorrindo, fomos para meu quarto, onde comemos, rimos e conversamos sobre o acontecido daquele dia com bastante entusiasmo.
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