O Ninja De Branco.

14 Capítulo 14 — A Primeira Ação.


ERNIE E EU JÁ HAVÍAMOS CONSEGUIDO ORGANIZAR TUDO SOBRE O QUE IRÍAMOS FAZER. Na verdade, ele quem havia conseguido fazer quase tudo. Eu só ajudei no dinheiro, me senti péssimo com isso. Mas ele era bastante esperto. Ele conseguiu o lugar em que transformaríamos em um QG, havia conseguido montar todo o sistema dos computadores que havia nele... ele realmente era um gênio! Ele conseguiu desvendar o que meu pai havia me mandado fazer com aquele caderninho. Ele conseguiu, de alguma forma, fazer com que nomes surgissem naquele caderninho. Eu nem perguntei como ele havia feito aquilo, eu tinha medo de suas respostas bizarras de ultima inteligência. Sem contar que Ernie conseguira comprar mais armas para mim como adagas, pequenas shurikens e kunais — agradeci aos céus por ter contado a ele que queria atuar como um ninja e ele saber desses lances, provavelmente viu muito filme sobre o assunto — e duas mini-espadas, caso eu precisasse.

Ele também começara a frequentar minha casa constantemente. Meus irmãos e minha mãe aceitaram em casa — após eu ter tido uma longa discussão com minha mãe sobre ele saber o nosso segredo e quase ter saído no braço com Oliver novamente. Ernie parecia se sentir bem com a gente, ao menos comigo, porque ele passava mais tempo comigo do que dentro de casa.

Ernie parecia mais excitado com isso do que eu — eu não estava com tanta excitação assim, eu estava apenas via como obrigação e sentia certo nervosismo —, o garoto tinha mais ideias de como poderíamos fazer isso do que eu mesmo havia pensado no assunto. Mas eu o alertei que era eu quem faria as visitas às pessoas, não ele, mas ele pareceu meio desapontado com isso. Pena.

Ele não tinha futuro com lutas, talvez se eu o treinasse, mas eu não faria isso. Ele não poderia correr perigo, ele era muito novo para se meter nesse tipo de coisa. O convenci — depois de muito esforço, ele era teimoso — que o que ele fazia era o máximo que ele podia fazer por mim.

Estava quase tudo pronto. Só faltava a última ida ao QG antes de ir visitar a primeira pessoa do caderninho de meu pai.

Assim que dobrei as duas esquinas do quarteirão da escola, entrei na primeira rua a direita e vi um pequeno depósito abandonado, entrei pela porta lateral do depósito que ficava em um pequeno beco sem saída.

Ernie já estava lá, olhando para as três telas planas de computador que havia em cima da mesa, e só havia apenas um teclado para aquilo tudo. Assim que me aproximei dele e vi as telas, elas continham linhas e informações estranhas que eu não sabia o que significava. Eu sabia que não daria conta daquilo sozinho e agradeci aos céus por me darem Ernie de presente para me ajudar com essas coisas.

— Hey, cyber... — eu comecei a chama-lo daquela maneira desde que ele começara a vir me ajudando. Ele gostava. — O que tem para me dizer? — perguntei.

Ele me olhou por um segundo e riu, e voltou a olhar os computadores. Trinquei os dentes.

— Bem, você está atrás de James Valderick. Ele tem roubado sete milhões dos fundos da cidade desde o janeiro do ano passado. — ele mexia no teclado e a imagem de um homem de cabelos pretos com fios brancos e de blusa social branca apareceu na tela. Ele tinha pele branca e aparência de ter trinta e tantos anos. — Você tem que ouvir isso: Valderick tem roubado de Starling City desde janeiro. A partir daquele mês, ele vem trocando parte do dinheiro por exportação de drogas para outros Estados. Você tem que detê-lo o mais rápido possível.

— Quando a próxima mercadoria chega? — perguntei.

— Esta noite, na ponte principal da cidade. — ele mexeu em algumas teclas do teclado e apareceu um mapa na tela do centro com um pontinho vermelho. — Ele está se deslocando de casa. Está indo para lá. — disse ele me olhando.

— Como você...? — franzi a testa e apontei para o pontinho vermelho na tela do computador.

— Vantagens de ser um cyborg... — disse ele, pondo um sorriso em seu rosto. — Agora vá!

— O.K., estou indo. — falei para ele sério e fui me trocar.

Assim que entrei na sala para me trocar, pus o manto branco que eu havia encontrado junto com minhas espadas. Passei os braços e pernas por onde deviam e, quando me olhei no espelho que continha na sala, vi que eu parecia um ninja. Um ninja de branco e era aquilo que eu queria. Só o que aparecia de mim eram meus olhos. Eu estava com luvas brancas e meu capuz que cobria todo o meu cabelo e tinha uma pequena máscara que cobria a minha boca — o que não me dificultava a respirar —, por isso eu só tinha meus olhos à mostra.

Pus as duas espadas cruzadas em minhas costas, as mini-espadas em minhas cinturas e verifiquei se as shurikens e kunais estavam nos pequenos bolsos em forma de caixinhas em minha calça — estavam —, verifiquei minhas adagas nos outros bolsos das calças e da parta da blusa do quimono — também estavam. Olhei-me pela última vez no espelho e disse:

— Estou indo te orgulhar, pai. — senti meus olhos lacrimejarem, mas eu respirei fundo e chacoalhei a cabeça, e saí da sala.

Ernie ainda estava de frente para as telas do computador e o cutuquei no ombro e ele dera um pulo quando me olhara. Eu ri.

— Cara, você quase me matou completamente de susto! — ele pôs a mão no coração. Ele respirou fundo e voltou a olhar para o computador e vi que o pontinho vermelho no mapa começara a se mover. — Você tem que ir. — disse ele, sério e assentindo para mim. — Antes, tome isso... — ele pegou um aparelho minúsculo preto e jogou-o para mim.

— O que é isso? — perguntei, pegando o objeto no ar.

— Você vai poder me ouvir com isso e eu também. Agora vai! — ele me olhou sério.

— O.K.. Estou indo. Mantenha-me informado de tudo, entendido? — o olhei sério também.

Ele assentiu e eu corri para a porta de saída — a qual também era a entrada.

Desliguei meu cérebro. Eu tinha que prestar atenção no que eu fazia, nada podia me desconcentrar. Nada de minha mãe, nada de Thea, nada de Oliver e nada, inclusive, de Ernie. Ninguém! Ninguém podia me deixar desconcentrado. Eu tinha que fazer aquilo e era só o que importava.

Nada mais importava agora. Tudo o que podia vir em minha cabeça era James Valderick. Só ele vinha em minha cabeça e só o desejo de fazer a justiça que meu pai havia me concebido. Só queria isso.

E foi o que eu dei início.

Foi fácil chegar até a ponte. Eu só tinha que correr — o que eu mais gostava de fazer —, ver as ruas virarem borrões ao meu redor, sentir o vento em meu rosto era uma sensação de alívio e prazerosa ao mesmo tempo. Eu me sentia bem correndo, me sentia mais... vivo. Era como se aquilo fosse a minha natureza — mesmo eu ter parado de correr dessa maneira há dois anos.

Eu sentia falta de quase tudo quando eu era treinado... sentia falta de usar as espadas de treinamento e, principalmente, de ser invisível e correr a vontade. Eu também sentia saudades do meu mestre, mas isso não era hora para pensar nisso. Eu tinha uma meta a cumprir e eu estava atrás dela.

Subir no capô de alguns caminhões, correr e repetir o processo mais duas vezes. Foi tudo o que eu precisei fazer para chegar mais perto da ponte de onde seria o encontro de James com os vendedores. Não foi difícil — afinal, desde quando para um ninja as coisas eram difíceis? Quase nunca.

Eu cheguei perto da ponte, me reservei atrás de um latão de lixo ali perto. No meu campo de visão, dava para ver uma minivan preta parada perto de um pequeno muro de grade. Havia alguns homens parados em frente a essa minivan com armas de fogo. Ri com aquilo. Não seria problema. De onde eu estava dava para acertá-los com minhas shurikens. Seria fácil. Moleza.

Pus a mão no bolso das shurikens e esperei. Eu sabia que viria mais um carro, caso contrário, eles não estariam ali e daquela maneira.

Ele está chegando... cuidado — ouvi Ernie dizer em um rádio em meu ouvido.

Pus o dedo no ouvido e senti um pequeno barulhinho e disse:

— Entendido. — Olhei para cima e tinha uma escada de incêndio. Estava fácil demais.

Saltei e agarrei o primeiro degrau da escada com o maior silêncio possível — isso era bom de ser ninja, ser silencioso em tudo —, subi até a cobertura do prédio e saltei para o prédio da frente, que ficava mais perto deles. Eles não me enxergavam e nem desconfiavam de mim ali, mas eu tinha meu alvo e eu estava a sua espera... logo eles saberiam quem eu era e a justiça que meu pai havia me pedido estaria começando.

Outro carro preto apareceu e, assim que a porta se abriu, revelou o homem da foto que Ernie havia me mostrado no QG. Essa era a minha deixa. Puxei três shurikens em cada espaço dos dedos de cada mão e fiquei na espera.

Ele se aproximou de outro homem, esse, contudo, era magro e alto.

O magro mostrou uma maleta e a abriu. Minha hora...

Lancei uma shuriken na maleta prateada e os homens armados miraram suas armas de fogo para mim e atiraram, mas eu não estava mais lá. Eu já havia pulado do prédio e conseguido — com anos de treinamento, amém — saltar atrás de um dos que atiraram onde eu estava. Também agradeci pelo prédio onde eu estava ser muito mais perto deles.

Derrubei o primeiro, o paralisei facilmente; movi-me como um raio até o segundo que estava mais a minha esquerda, chutando a arma de sua mão, segurando sua mão direita com a minha e lhe dei três chutes em suas costelas, eu ouvi um estalo; os três homens seguidos, os derrubei com agilidade, tirei suas armas e em seguida os desmaiei, fazendo com que apenas o magro e James ficassem ilesos e, porém, trêmulos ao me verem.

Tirei minhas espadas e, quando chutei a maleta para alto, parti a maleta em duas com uma das espadas. O magro tentou fugir, mas eu consegui aparecer em sua frente, dar uma joelhada em sua barriga e seguido de um soco em seu rosto. Ele também desmaiou.

Um homem de terno preto mostrou a arma para mim e, antes que ele conseguisse puxar o gatilho, eu havia tirado uma kunai do bolso de minha perna esquerda e jogado em seu peito, onde ele caiu ao chão sangrando e desacordado.

Voltei como um raio para as costas de James e pus a ponta de minhas espadas em suas costas.

James ficara imóvel.

— James Valderick... — ele emitia sons ridículos com sua boca aberta. — Você deve a essa cidade. — falei com voz tão séria que nem reconheci a minha própria voz. — Você deve pagar por seus roubos...

— Mas eu...

— Não há, mas. — o interrompi. — Devolva o dinheiro que você roubou e vem roubado, ou terá mais visitas minhas. — aproximei-me dele com a espada de minha mão direita apontada para ele. Guardei a outra espada devagar e ele levantou as mãos ao céu, e começara a tremer. Contive a vontade de rir. Segurei a espada com as duas mãos. — Você vai querer mais visitas minhas? — perguntei com a espada perto de seu pescoço.

Ele balançou a cabeça em negativa ridiculamente.

— Então faça o que eu mandei fazer e o deixarei em paz, e não roube. Caso contrário... — aproximei mias a ponta de minhas espadas de seu pescoço e vi uma pequena linha escarlate brotar em seu pescoço — me verá novamente. — terminei de falar e, num movimento rápido, guardei minhas espada e corri como um raio para longe dele, sem ser visto.

Minha primeira justiça feita! Eu não conseguia conter a emoção. Meu pai se orgulharia de mim, disso eu tinha certeza! Eu só o queria por perto para ver o que eu havia feito por ele, mas eu sabia que, onde ele estivesse ele estava me observando e se orgulhando de mim.

— Enrie? Está me ouvindo? — perguntei pondo o dedo no dispositivo em minha orelha.

Sim, estou. — disse ele firme.

— Confira a conta de James. Rápido. — falei com certa ordem e acrescentei: — Por favor.

Ernie ficara em silêncio por dois longos minutos e disse logo em seguida:

— Ele transferiu dinheiro, Theo. Você conseguiu! — se eu pudesse vê-lo, teria certeza de que ele estaria pulando de excitação.

— Obrigado, Ernie! Hey, risquei o nome dele no caderninho por mim, por favor? — pedi.

— Claro, farei isso! — disse ele, ainda empolgado.

— Obrigado, Ernie! — agradeci a ele e desliguei a ligação.

Com toda a certeza meu pai estaria orgulhoso de mim.