O Nascimento
1 Capítulo 1 - A História
Notas iniciais
A História do Nascimento
– Já disse que não, Silvanus!
Só mesmo a jovem Rebeca pra gritar com o Centurião Silvanus, um homem muito respeitado em toda a Roma. O que o amor não é capaz de fazer?
– Rebeca, por favor! Do que você tem medo? Acha que o seu pai não vai deixar? – o jovem centurião perguntou, indo atrás da moça que caminhava entre os corredores da hospedaria. Rebeca virou-se e respondeu:
– Não, acho. Tenho certeza! Meu pai não irá permitir o nosso casamento, Silvanus, eu sei disso!
– Mas por quê?
– Porque você é um romano!
– Não exatamente. Sou filho de mãe romana. Meu pai é judeu como o seu.
– Mesmo assim, mesmo assim! O meu pai é muito rígido e odeia os estrangeiros.
Este era o dilema do jovem casal. O apaixonado centurião de apenas vinte e quatro anos amava de coração a judia Rebeca, de quinze anos, amor que era correspondido. Como todo casal apaixonado (apesar de tal paixão ser proibida) desejavam se casar. Mas para sua infelicidade, o pai de Rebeca, Eliabe, era um homem muito rígido e fiel seguidor das leis de Moisés, além de odiar qualquer tipo de estrangeiro. Ele jamais permitiria o casamento de sua filha mais nova com um soldado romano que matava o seu povo.
Rebeca já havia pedido à mãe que falasse com Eliabe, mas só em ouvir o nome “romano”, o homem quase teve uma apoplexia.
– O que faremos, Rebeca?
– Eu não sei! Desejo muito casar-se contigo, Deus sabe o quanto! Mas tenho medo do meu pai e não quero desobedece-lo.
– Por que seu pai odeia tanto os romanos? Eu juro pelo nosso Deus que nunca fiz nada contra alguém do nosso povo. Eu sou um centurião romano, mas nunca ergui um dedo contra um judeu. Eu sou um judeu, e assumo isso com todo o orgulho. Por que ele me odeia tanto, Rebeca?
– Meu pai é fiel seguidor das leis, Silvanus. E ele detesta os romanos pelo fato de terem dominado o nosso povo e nos maltratado tanto. Ele espera que o Messias venha logo, assim como todos nós esperamos. Ele odeia tanto vocês, que quase não deixou você ficar aqui na nossa hospedaria. Foi necessária uma enorme quantia para você pagar.
Silvanus sufocou uma risada.
– Tem razão, Rebeca. Tive que gastar muito dinheiro para ficar ao lado da mulher que eu amo.
Rebeca sorriu.
– E valeu a pena?
– Muito a pena.
Silvanus beijou-a na testa. Ah, como ele amava aquela garota linda e espevitada. E ela amava tanto aquele homem sério e durão, mas de um coração enorme.
Escondidos nos corredores da hospedaria, abraçaram-se com força. Rebeca fechou os olhos e lembrou-se de quando começaram a se encontrar, há um ano.
. . .
Rebeca andava pelas ruas de Jerusalém, divertindo-se no mercado. Adorava a Páscoa, quando seus pais iam visitar o Templo. A jovem de quatorze anos aproveitava para divertir-se com sua prima Joquebede, que morava em Nazaré.
– Veja Rebeca! – exclamou Joquebede. – Vamos ver aquelas joias!
As moças correram para uma barraca que vendia lindas joias, uma mais bonita do que a outra. Rebeca logo encantou-se por um colar de esmeraldas, que o vendedor disse serem muito raras. A distração das moças foi interrompida pelo tropel de cavalos, que logo elas conheceram serem soldados romanos.
Silvanus era um deles. Fazia a ronda diária com alguns soldados, quando deparou-se com uma beleza ímpar. Aquela garota de baixa estatura e lindos olhos verdes o observava fixamente, e ele retribuiu o olhar com igual interesse. Por Deus, era uma linda garota.
Rebeca encantou-se com aquele centurião, que não parava de olhá-la. Tímida, baixou a cabeça, mas continuou a encará-lo disfarçadamente. Ele era lindo. E que Deus a perdoasse por estar pensando essas coisas.
Ele se foi, deixando uma atônita Rebeca para trás. O que havia acontecido ali? O coração da moça estava disparado e suas mãos tremiam. Joquebede cutucou a prima, perguntando o que havia acontecido. Rebeca não sabia responder.
Dias depois, como se fosse obra do destino, eles se encontraram no mesmo local. Dessa vez, Silvanus desceu do cavalo e segurou o seu braço, encarando-a firmemente. Dois corações disparados, dois olhares se encontrando.
A partir daí, os dois passaram a se encontrar todos os dias, às escondidas, sendo cobertos por Joquebede. Um romance proibido começou a brotar, e logo os dois se viram apaixonados.
Em Jerusalém, Rebeca conheceu uma jovem de quinze anos chamada Maria, que também tinha ido ao templo com sua família. Ela morava em Nazaré, e era conhecida de sua prima. Meses depois, Rebeca decidiu passar um tempo na casa de Joquebede e ir visitar sua amiga Maria.
Ao chegar na casa de sua tia Rute, foi logo perguntando por Maria, e sua tia respondeu:
– Maria está morando longe da comunidade, longe das pessoas descentes.
Sem entender o porque, decidiu ir atrás da casa de sua amiga. Logo entendeu o motivo de tal afirmação. Maria estava grávida de três meses.
A alegria de Maria em reencontrar sua amiga foi indescritível. A jovem abraçou Rebeca com força, enquanto chorava aos soluços. Rebeca não estava diferente. Embora confusa pela gravidez de Maria, sua alegria era muito grande. As duas choraram juntas, abraçadas.
– Rebeca, eu não acredito que estou te vendo! O que você está fazendo em Nazaré? Como você está? E sua família? Você ainda se encontra com Silvanus? – perguntava uma grávida eufórica, enquanto arrastava Rebeca pela casa e a convidava a sentar-se.
– Eu vim visitar minha tia, e aproveitei para te ver. Eu estou bem, a minha família também. A última vez que vi Silvanus foi em Jerusalém. – Rebeca respondeu, tentando tomar fôlego para tantas perguntas. Ainda enxugando as lágrimas, tomou ar e perguntou da forma mais suave possível: — E esta gravidez? O que aconteceu, Maria?
Automaticamente, Maria pôs as mãos no ventre e seus olhos lacrimejaram. Tomando erroneamente a sua reação, Rebeca exclamou:
–Oh, meu Deus! Você foi forçada, Maria?
– Não, não! Jamais! Rebeca, eu vou te contar o que aconteceu, mas preciso que você acredite em mim.
Rebeca assentiu, pois estava disposta a entender.
– Foi depois que voltei de Jerusalém. Eu estava em meus afazeres, quando ouvi uma voz me chamando. Era um anjo.
– Um anjo?
– Sim, um anjo. Ele me chamou de “agraciada” e disse que o Senhor era comigo, e eu era bendita entre as mulheres. Eu fiquei assustada com suas palavras, mas ele falou para eu não temer, pois havia achado graça aos olhos de Deus. Ele também disse que eu iria ficar grávida, e que esse filho seria o Salvador. Bom, obviamente fiquei muito confusa, e lhe disse que ainda era virgem. Então ele me respondeu que desceria sobre mim o Espírito Santo, e eu conceberia um filho. Acredite, Rebeca. Eu não me deitei com varão algum. A criança que carrego em meu ventre é um... Um milagre.
Maria falava com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso singelo no rosto. Ao mesmo tempo, uma alegria imensurável encheu o coração de Rebeca. Era como se Deus dissesse a ela que era verdade. Maria estava falando a verdade.
– Maria, eu acredito em você. – disse, em lágrimas. – Esse bebê... É o meu Salvador! Maria, você é abençoada, por ser a mãe do meu Senhor! Eu sou bendita por ser sua amiga!
Aos prantos de alegria, Rebeca abraçou Maria, glorificando a Deus.
– E como vai ser o nome do bebê?
– Ele se chamará Jesus.
– Jesus? O que significa?
– Salvador. – uma voz masculina respondeu. Rebeca virou-se e viu entrando um homem limpando as mãos em um pano. – Olá Rebeca. Eu sou José, noivo de Maria. Ela me falou muito sobre você.
– José! É um prazer. Maria também me falou sobre você. Quando vocês se casarão?
– Na próxima semana.
Dias depois, foi realizado o casamento de José e Maria, com Rebeca sendo uma das damas. Ela fez o casal prometer que ensinariam o bebê a chama-la de titia.
. . .
– Rebeca!
A moça deu um pulo.
– Ai, Silvanus! Porque gritar?
– Estou te chamando há tempos e você aí, distraída. No que estava pensando?
– Em Maria e José. Os visitei há seis meses. Já está na época do bebê nascer.
– O que você diz ser o Messias?
– Sim. E eu me lembro que as profecias dizem que ele nascerá aqui em Belém. Como há um recenseamento, há muita gente nessa cidade. A família de José, por exemplo, é daqui. Provavelmente eles virão para Belém, e espero que se hospedem aqui.
O pai de Rebeca era dono de uma hospedaria, uma das maiores de Belém. E por causa do censo ordenado por César, toda a cidade estava em alvoroço, e as hospedarias todas lotadas.
– Gostaria de conhecer esses seus amigos. Vamos convidá-los para o nosso casamento.
– Se houver um casamento, Silvanus. Eu vou criar coragem. E pedir a Deus que toque o coração de meu pai. Eu amo você, Silvanus, e enfrentarei o que for preciso para ficar ao seu lado.
Silvanus abraçou sua amada com força. Ele estaria ao lado dela, não importa o que acontecesse.
Rebeca ouviu o seu nome ser chamado. Era o seu pai. Provavelmente tinha que servir mais clientes.
– Tenho que ir. Odeio aqueles clientes, a maioria deles são homens rudes e bárbaros que ficam querendo passar a mão em mim e em minhas irmãs. São nojentos.
– Não se preocupe. Eu estarei lá.
Enquanto Rebeca servia o jantar a uma família, Eliabe brigava com sua esposa Juliana. A mulher havia esquecido de cozinhar um carneiro, e o marido estava revoltado. Ana, uma das filhas do casal, disse ao pai que havia um casal pedindo hospedagem.
– Mande-os embora. Não há mais vagas. – Eliabe respondeu, rudemente.
– Mas pai, a mulher está prestes a dar à luz!
– Pois que morram! – o homem exclamou. – Não quero saber de pobretões e de crianças choronas por aqui. Já está tudo lotado.
Ana saiu, contrariada, e teve que despedir o casal. A mulher chorava de dor, com as mãos na barriga, e o marido estava desesperado. Não havia encontrado lugar algum em Belém, e a criança estava para nascer. Precisavam de um lugar urgentemente.
Com pena, Ana fechou a porta, pedindo a Deus que cuidasse daquela família. A moça grávida parecia tão jovem...
Momentos depois, Ana contava a história para Rebeca, que enchia alguns copos de vinho.
– Você disse que a mulher estava grávida?
– Sim. Coitada, estava quase a dar à luz e não havia encontrado hospedagem em nenhum lugar.
– Diga-me, Ana. Como era essa mulher?
– Ela era baixa, olhos e cabelos escuros, e o marido dela usava o cabelo partido ao meio, como os nazarenos. Ah, e lembro-me que ele a chamou de Maria.
Rebeca soltou um grito e derrubou a jarra de vinho no chão.
– Meu Deus, é Maria! Maria e José! Para onde eles foram, Ana?
– Eu não sei! Fechei a porta quando eles saíram!
– Meu Deus, meu Deus! Não pode ser! Não pode ser!
Rebeca quase entrou em desespero. Sua amiga estava em Belém, na sua hospedaria, e não foi lhe oferecido abrigo! E o pior, Jesus estava para nascer! Ela precisava fazer alguma coisa. Achar Maria e José e trazê-los em segurança. Mas como? Como ela os encontraria?
– Silvanus! Silvanus!
Rebeca correu pela casa, procurando por seu amado centurião. Ele estava jantando com um grupo de judeus.
– O que houve, Rebeca? – o jovem romano espantou-se ao ver o rosto desesperado de Rebeca.
– Silvanus, você precisa me ajudar! Maria e José estiveram aqui, e ela está para dar à luz! Você precisa me ajudar a encontra-los!
Silvanus assentiu e puxou Rebeca pela mão. Eliabe viu a filha correndo pela casa com o romano, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, eles já haviam saído. Silvanus desamarrou o cavalo e ajudou a moça a montar, e saíram em disparada.
Andaram por toda a cidade. Pediram informações, ninguém sabia dizer onde o casal estava. Rebeca já chorava, preocupada com sua amiga. Silvanus tentava acalmá-la, quando uma mulher disse que os viu indo em direção ao campo.
E lá foram o romano e a judia atrás de Maria e José. Agarrada à cintura de Silvanus, Rebeca orava, pedindo a Deus que os ajudasse a encontrar seus amigos.
Um grupo de pastores estava no campo, cuidando de suas ovelhas. Cada um distraído com seus próprios pensamentos, quando viram um soldado romano em sua direção. Rapidamente ficaram de pé, temendo o pior.
– Pelo amor de Deus! – o soldado exclamou. – Vocês viram um casal passando por aqui? A mulher está grávida e precisamos encontrá-la!
Antes que pudessem responder, uma luz imensa iluminou o céu. Rebeca e Silvanus desceram, espantados, assim como os pastores. Uma voz ecoou, dizendo:
– Não tenham medo.
Um ser iluminado apareceu, dizendo tais palavras. Rebeca sentiu no seu coração que era um anjo enviado do Senhor.
– Eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo. Na cidade de Belém, vos nasceu o Salvador: Cristo, o Senhor. E este será o sinal: achareis o menino envolto em panos, deitado em uma manjedoura.
Imediatamente, milhares de vozes, como em um coral, começaram a cantar dizendo:
– Glórias a Deus nas alturas, paz na Terra! Boa vontade para com os homens!
Rebeca começou a chorar, com o coração aos pulos.
– Silvanus, Jesus nasceu! O Salvador, o Messias nasceu!
Silvanus não conseguia acreditar. Acabara de ver uma multidão de anjos cantando. Nunca imaginou que veria isso na sua vida, e ainda mais, anunciando o nascimento do Messias. Imediatamente montou o cavalo junto com Rebeca e partiram em direção à estrebaria indicada pela luz. Rebeca tremia dos pés a cabeça, emocionada e maravilhada.
Uma estrela iluminava aquele humilde lugar. Mas estava tudo tão silencioso. Até os animais que ali ficavam estavam calados. Silenciosamente, Silvanus e Rebeca desceram do cavalo, e entraram na estrebaria. Quando entraram, uma paz inexplicável tomou conta de seus corações.
Lá estavam Maria e José, ao lado da manjedoura. Uma linda criança jazia deitada ali, envolta em panos, como o anjo havia anunciado. Maria estava calma, com um rosto tranquilo. Seus olhos brilharam e ela alegrou-se ao ver quem os visitava na estrebaria.
Silenciosamente, Rebeca ajoelhou-se diante da manjedoura e beijou a testa do pequeno bebê, que dormia. Os olhos da moça brilhavam de alegria, pois contemplava o Salvador da humanidade. Na porta da estrebaria, Silvanus chorava silenciosamente.
– Meu Salvador. – Rebeca sussurrou. – Bendito és Tu, Filho de Deus.
Uma paz, um sentimento inexplicável inundava o coração de Rebeca. Ela sentia-se imensamente honrada em estar diante do Filho de Deus.
– Aquele é Silvanus? – Maria perguntou, em um sussurro. Rebeca assentiu, e Maria pediu ao centurião que se aproximasse.
– Eu... Eu não sou digno. – Silvanus respondeu, com a voz baixa. O grande centurião, que dava ordens e era obedecido aonde quer que fosse, humilhava-se agora perante uma criança.
– Nenhum de nós é digno, Silvanus. — respondeu Maria. — Mas Jesus veio por nós. Ele é o nosso presente, Ele é quem nos dignifica.
Devagar, Silvanus aproximou-se da manjedoura e ajoelhou-se ao lado de Rebeca. O bebê abriu os olhos e olhou para Silvanus. O mesmo sentimento inexplicável que Rebeca sentia tomou conta de Silvanus. Ele sentia-se um homem diferente, uma nova criatura. Aquele pequeno bebê era o seu Rei, o seu Senhor.
Logo chegaram os mesmos pastores que viram os anjos. Todos se ajoelharam e adoraram ao Senhor, emocionados. Maria assistia a tudo, enchendo seu coração de alegria. José, abraçado a sua esposa, glorificava a Deus no seu íntimo. Silvanus sentia-se o homem mais feliz do mundo, e Rebeca sentia-se bendita e abençoada. Estava contemplando o Messias, o Salvador. A profecia se cumpriu. Entre eles estava o Emanuel.
“Deus está conosco. Deus visitou o seu povo." Rebeca pensou, com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso no rosto.
E assim ficaram Silvanus e Rebeca ajoelhados ao lado de Jesus, de mãos dadas, contemplando a Salvação.
. . .
Doze anos depois.
Uma linda mulher de longos cabelos negros passeava por entre a multidão. A cidade de Jerusalem estava lotada, pois era Páscoa. Com porte altivo como de uma nobre, a linda mulher romana observava o mercado de Jerusalém. Lembrava-se da primeira vez em que viu um certo centurião romano. Sorriu ao contemplar a barraca de joias, que ainda estava ali, no mesmo local. Dali se via o Templo, a grande e linda construção. A mulher acariciou o ventre, que já estava grande e visível. Ela sonhava com o dia que traria o seu filho para conhecer o Templo de Jerusalém e mostrar-lhe a grandeza de Deus.
Entre as várias vozes que ouvia, uma voz conhecida destacou-se:
– E este, meu filho, é o famoso Templo de Jerusalém.
A mulher se arrepiou. Há quanto tempo não escutava aquela voz? Reconheceu imediatamente a voz meiga de sua amiga, que não via há longos doze anos. Procurando-a, viu a mesma moça, agora mais velha, ao lado de um rapaz quase de sua altura e de um homem, que ela reconheceu como o seu marido.
– Maria? — chamou, na esperança de que a mulher a reconhecesse.
Maria, que estava com a mão no ombro de um rapaz, olhou assustada para aquela mulher romana. Sua voz era inconfundível.
– Não posso acreditar... Rebeca?
A mulher romana, Rebeca, correu para abraçar sua amiga. O seu coração batia forte. Depois de tanto tempo, de tantas lágrimas de saudade, finalmente se reencontraram.
Sorrindo e chorando ao mesmo tempo, era assim que as mulheres estavam.
– Meu Deus, Rebeca! Você está tão mudada! E está tão linda! Por que está vestida como romana?
Rebeca sorriu. Maria nunca perdia a mania de fazer várias perguntas ao mesmo tempo.
– Me tornei cidadã romana há onze anos. Estou morando em Roma com Silvanus.
– Quando isso aconteceu? Quando vocês se casaram?
– Um ano após o nascimento de Jesus. Vocês estavam no Egito. Acredita que Silvanus teve que subornar o meu pai para casar-se comigo?
Ambas riram. A felicidade que emanava delas era imensa.
– Que felicidade! E não me diga que você está grávida!
Com os olhos lacrimejantes, Rebeca respondeu:
– Sim, estou! — e então lhe contou sua história. Durante dez anos Rebeca tentou engravidar. Todos diziam que ela era estéril. Por dez anos, Rebeca clamou a Deus por um milagre, e agora, finalmente, ela concebera uma criança.
José e Jesus acompanhavam a conversa com o olhar, não querendo se intrometer no “papo” das duas mulheres.
– Mas me diga Maria, onde está Jesus?
Maria então puxou o seu filho pela mão. Jesus era um rapazinho de doze anos.
Emocionada, Rebeca abraçou o rapaz com muita força. Estavam todos diferentes, mais velhos. José não parecia mais o mesmo. Era um homem diferente agora.
– Esta é sua tia Rebeca, Jesus. – disse José, sorrindo. Estava admirado com a mudança de Rebeca. – E aquele que vem chegando, é o esposo dela, Silvanus.
Silvanus, que fazia a ronda por ali, ficou extremamente surpreso quando viu José e Maria. Ele também estava mais velho, mas a mesma cara de durão de sempre.
– Meu Deus! Não esperava encontra-los aqui! Como estão?
– Estamos bem, Silvanus. – Maria respondeu. – Há quanto tempo não nos vemos!
As duas mulheres resolveram se encontrar depois para conversar direito. Depois de doze anos sem se falarem, tinham tanto o que conversar!
No dia em que eles foram embora (depois de Maria e José haverem perdido Jesus por três dias), Rebeca e Silvanus assistiam a partida da família que tanto amavam. O coração da mulher estava apertado, pois sentiria muita saudades de sua melhor amiga. De mãos dadas com o marido, Rebeca sentiu uma alegria imensa no coração. A felicidade era sua companheira diária agora. Casada com o homem que amava, grávida de seu tão sonhado filho, e vendo o Filho de Deus.
De mãos dadas, Silvanus e Rebeca acompanharam o nascimento de Jesus, e o viram crescer. E foi assim, de mãos dadas, que eles choraram a sua morte na cruz, muitos anos depois.
Porém, Rebeca nunca esqueceria o dia em que viu pela primeira vez, o rosto de Jesus. O dia em que o Emanuel veio ao mundo. A noite mais linda, mais importante.
Rebeca e Silvanus sabiam que o mundo nunca mais seria o mesmo.
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