O Nascer De Acaiah,uma História Sobre Anjos Caídos
2 Capítulo 2 - Vizinhos interessantes.
Notas iniciais
Vizinhos interessantes.
Como esperado descobriram que eu tinha tias em São Paulo, é... Só espero que elas não me flagelem com os seus rituais. No caminho da viagem só uma coisa me intrigou. O homem que me seguia apareceu em vários lugares diferentes, provavelmente aquilo seria apenas a minha imaginação querendo me pregar uma peça.
Assim que eu cheguei a meu mais novo “lar” ouvi as palavras sendo murmuradas
— Você já rezou hoje querido?
— Não!
— Pois trate de rezar para o nosso senhor para poder garantir o seu lugar no céu.
— E se eu não quiser ir para o céu?
— Ora, mas é claro que você quer ir para o céu! — Olhei com desprezo a velha chata que já imaginara que me enxeria o saco pelo resto da minha vida.
Arrumei o meu novo quarto e resolvi sair na rua, vi o filho do meu vizinho que tinha um rosto balanceado e pode se dizer mediano e fui me apresentando:
— Oi, como você chama?
— Me chamo Amardad e você?
— Meu nome é Acaiah — naquele momento, o homem me olhou com os olhos pegando fogo como se tivesse algo a esconder — me mudei hoje, minha mãe morreu e tive que morar com as minhas tias.
— Quer entrar, Acaiah?
— Não, tenho que colocar as minhas coisas no lugar e rezar com as minhas tias, sim, elas me obrigam a rezar.
— Por que você não gosta de rezar?
— Me sinto estranho, como se já fiz isso muito e não quero mais fazer.
— Entendo, não vou te prender mais do que isso.
— Ótimo, já estava dando na minha hora mesmo — Senti algo estranho, como se aquele homem sabia mais de mim do que eu mesmo, então eu entrei com aquela incógnita na minha mente, quem era aquele homem que tinha expressão facial tão saudável?
Ao entrar em casa vi as minhas tias rezando como esperado e fui para o meu quarto que estava cheio de pôsteres religiosos. Como odiava aquilo, não quero virar um engomadinho nerd cristão! O mais estranho é que tudo aquilo me queimava – não literalmente, eu só não gostava daquelas imagens – e aquela energia que senti no dia da morte de minha mãe e a mesma energia que senti com o homem se veio átona. Pensei até que minhas tias estavam mortas, mas não liguei.
As coisas estavam normais, até normais de mais. Só sentia o cheiro de biscoitos prontos, estava lendo o meu livro e ouvia a tevê ligada no canal religioso, se não bastasse isso, até que ouvi alguns sussurros de algo parecido com: “será que ele já deve saber?” e ouvi também respostas negativas em contrapartida. Fiquei curioso, admito, mas não falei nada por que sabia que elas não iriam querer me falar, então não adiantaria nada.
O primeiro dia se passou como esperado, tive que rezar antes de jantar e dormir, a dor da perda de minha mãe ainda pesava bastante. Queria o máximo possível que os policiais pegassem os canalhas que fizeram isso, mas algo estava me dizendo que seria impossível. O homem de terno caro não me saia da cabeça, como seria possível que ele desaparecesse e reaparecesse? É, acho que estou ficando louco. A pressão no trabalho, na escola e agora nesta tragédia!
Sentia falta dos carinhos de minha mãe, dos seus elogios, da sua comida e principalmente sentia falta dela. Que mundo injusto este, isso me faz me perguntar se realmente existe algo superior, pois, se existisse mesmo por que ele não fazia com que acabasse o sofrimento das pessoas? Por que ele não fazia com que acabasse a fome e todos os males da terra? E por que tudo de ruim que acontece eles culpam um ser maléfico criado para assustar as pessoas na idade média para poder se voltar para a fé cristã e deixar sua fé original – o paganismo -, não vejo o porquê de acreditar nessas coisas. Porém algo no meu peito sabia que algo assim existia por algum motivo e que eu fazia parte, mas meu lado racional só pensava uma coisa: seu idiota!
O dia amanheceu e meu coração continuou partido pela morte daquela mulher que eu amava mais do que a minha vida, a única que se preocupou comigo durante 15 anos, não como o meu pai que me deixou no meu terceiro aniversário com uma vagabunda qualquer. Mas mamãe não, ela era diferente e eu sentia isso. Eu a amava.
— Não somos como a sua mãe, mas queríamos que tomasse o café da manhã conosco. — Disse a minha tia em um som caridoso como se ela soubesse o que eu estava passando. Pelo jeito ela conseguia pensar em algo a não ser em rezar!
— Já estou indo, obrigado.
— Ande logo, os vizinhos querem conhecer você, não dê bola para eles. São estranhos e acho que são satânicos. — Olhei para ela com uma expressão de “pare com idiotices” e ela me olhou como estivesse falando seríssimo. Então me levantei e fui almoçar.
Logo depois da uma hora da tarde o Armadad chegou a minha casa me convidando para entrar em sua casa, disse ele que queria me apresentar aos pais. Fui com um receio, mas fui. Assim que cheguei senti uma energia estranha como se já tinha a vista antes, porém não era acostumado. Foi estranho.
Confesso que era estranho e tive medo, mas eu pensei comigo mesmo que não haveria nada com que me preocupar, eles são apenas pessoas normais que são um pouco estranhas.
— Vai entrar ou não? — Ouvi as palavras soando da boca de Armadad
— Vou sim. Como chama os seus pais?
—Hugo e Vitória De Assis. — Então olhei para o rapaz e entrei em sua casa e para o meu espanto senti um pano úmido, era algum líquido que me fez desmaiar instantaneamente.
***
Quando acordei vi que estava amarrado em um lugar escuro e fiquei desesperado instantaneamente, lógico, havia sido sequestrado depois de tudo que se passou na minha vida – minha mãe morta, vir morar nas minhas tias e agora ser sequestrado –, o que eu fiz para merecer isso, Deus?
— E se ele for o Acaiah errado? Outras pessoas podem ter esse nome, mas só um pode ser o novo você sabe o quê. — Ouvi alguém falando com uma voz estranha.
— Não podemos ter certeza, só fazendo aqueles testes e ainda sim o sacrifício dele pode ser em vão. — A voz deste outro alguém era familiar! Era Armamad falando! Por que eles me sequestraram?
— Alguém ai? Por que fizeram isso? O que eu fiz a vocês?
— Logo descobrirá seu imundo!
— Me solte logo!
—Iremos soltá-lo, mas primeiro faremos um pequeno teste.
— Ande logo, seus bárbaros! — E então ele olhou fundo nos meus olhos e todos os outros começaram a falar palavras em uma língua estranha, acho que hebraico ou latim e então uma roda de fogo surgiu sobre mim e Armamad. Aquilo me fez simplesmente me contorcer de medo e com o fogo o escuro que antes predominava o local foi devidamente iluminado e então vi suas faces cheias de símbolos que tinha a impressão que já tinha visto, mas não me recordava.
Depois de um tempo escutando aquelas palavras estranhas Armamad pegou uma faca e começou a me cortar, o estranho foi que não senti dor nenhuma e não saia sangue. Parecia até que eu fora imortal por um instante, e então ele gravou um símbolo na faca que me fez urrar de dor, não prestei atenção em qual símbolo era aquele, logo depois do símbolo estampado em minha pele ele começou a brilhar e logo se regenerou e então ouvi as palavras:
— Pegamos a sorte grande, veio logo para nós o novo messias do inferno.
— Continue a fazer o ritual Armamad antes que ele por um acaso se desperte. — Eu ri comigo mesmo, como assim novo messias do inferno? Cada uma que esses religiosos fanáticos fazem e agora eu estou pagando o pato para isso.
— Seus idiotas! Mas que absurdo dizer que eu sou o novo messias do inferno! Larguem-me e vão encher o saco de outro! — Então eu os vi rirem, agora os fanáticos idiotas pegando um grande livro com um pentagrama invertido em maior proporção e em volta vários símbolos escritos naquela capa de couro daquele grande livro que mais parecia uma bíblia satânica.
E então o pai de Armamad começou a ler uma parte enquanto a mãe começou a passar uma faca em algumas substâncias e conjurar algumas palavras estranhas.
— E então em uma época nebulosa de caos no céu e no inferno, uma nova espécie de anjos irá se gerar. Deus criou o mais alto ser de todo os céus tirando o próprio, com um nome desconhecido eles serão uma mistura de arcanjos com querubins e assim podendo se quiserem dizimar todo e qualquer ser do universo usando a sua força total a não ser o próprio Deus. Caso se um novo ser do mais alto combate do céu contra as forças do inferno liderado por seu mais forte anjo que se deserdou, Lúcifer, terá nome de Acaiah em sua forma terrestre e iniciará um combate: às forças do céu se juntaram ás forças do inferno para poder dar o fim neste ser de pura escuridão que antes era luz. As tropas angelicais tentarão caçar Acaiah e as tropas de demônios faram a mesma coisa, o que vencer terá o poder concedido de governar assim o mundo, se claro Deus não interferir – Este ser desde a criação dos humanos não faz mais parte do paraíso e sim de uma realidade diferente que ele criou para ele poder ficar a sós com alguns seres de baixa vibração, pois a podridão de seus anjos já chega a perto da podridão do inferno. E assim se Acaiah o único ser capaz de enfrentar todos os seres celestes e de baixa vibração será o novo líder de todos os mundos até a nova retornada d’Ele e de seu filho. Caso se conseguirem capturar Acaiah em sua forma não celeste deve se fazer um ritual e matá-lo, assim Lúcifer irás recompensá-los. — Logo depois de o pai de Armamad dizer estas palavras me assustei por completo e a mãe da família continuava fazendo o feitiço na faca e agora entalhando alguns símbolos.
— Não digam que vocês acreditam nesta bobagem? — gritei com uma destreza impressionante e só escutei altas gargalhadas.
— É hoje que iremos ganhar nosso devido prêmio, em todos os lugares do mundo ele aparece para nós! Isso é o destino conspirando ao nosso favor pai! — Ouvi essas palavras soarem da boca do Armamad e o seu pai concordando freneticamente.
— Falta só aquela última coisa para terminar a única arma capaz de matar algo assim — Disse a mãe referindo ao pai e à Armamad.
— Me entregue aqui!
— Não! Essa faca está em transição, só pode ser manejada por mim que começou a fazer o ritual! — E então Armamad abriu espação para a sua mãe passar e chegar ao jovem Acaiah.
A mãe de Armamad atravessou a roda de fogo que cercava Acaiah e então ela traçou um pentagrama invertido na coxa fazendo uma dor dilacerante no garoto e banhando a faca em sangue, em sua reação em cadeia os símbolos estampadas na faca começaram a ter um brilho estonteante de deixar qualquer um cego em dia ensolarado, e Vitória de Assis não parou por só isso. Ela também traçou uns símbolos estranhos na testa de Acaiah fazendo o brilho que saia da faca parar, porém a energia que emanava lá era três vezes mais forte de qualquer brilho que a faca podia emanar.
— Pronto! Vocês sabem o que fazer agora! — No momento em que a mãe da família disse isso eu me caguei nas calças e logo depois a família toda começou a pegar aquele livro que tinha lhe falado antes e começou a recitar várias palavras que eu nem prestei atenção para poder escrever aqui em baixo.
Vitória de Assis estava vindo em minha direção com a faca toda ensanguentada com o meu próprio sangue, o que eles não podiam esperar é que o homem que estava a me seguir apareceu de repente e assustou todos.
— O que... Que... O que é você? — Escutei essas palavras saindo da boca de alguém presente, tenho a impressão que era de Armamad.
— Quem eu sou não lhe convém!
— Sabe o que está fazendo? Está atrapalhando um ritual!
— Sei muito bem de minhas ações e ninguém aqui encostará um dedo se quer neste ser.
— Diga quem é você seu insolente! — E então a mãe da família soltou essas palavras em sua boca e com um rápido movimento aquele ser pegou uma arma desconhecida por mim e rasgou o pescoço daquela mulher. Não posso negar que eu ri e achei aqui prazeroso.
— MÃÃE! SEU BASTARDO! —Armamad disse isto aquele belo homem
— Olhe como fala que o próximo é você! Eu sou Azrael e não tenho receio nenhum em te matar humano! — Ao ouvir isso Armamad estremeceu se como alguém que estava preso em correntes.
— O que você está fazendo ajudando ele?
— Estou fazendo o que é melhor para mim. — Então Armamad calou se e começou a chorar em seu canto e o seu pai... O seu pai estava em choque, parado como uma estatua. Quando de repente vi apenas uma luz que me deixou cego por um instante, quando recuperei a visão estava em uma floresta fria, com certeza não era o Brasil, que tinha como aspectos uma flora cheia de pinheiros cobertos com neve.
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