O Namorado da Minha Ex
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Mais um dia começou e seguimos para a faculdade de manhã, como de costume. O trajeto era o mesmo, o sol já se erguia com uma luz suave, e eu podia sentir uma leve brisa enquanto caminhávamos. Apesar do dia estar agradável, eu preferia ter ficado dormindo na minha cama. No caminho, encontrei Hugo, como sempre acontecia. Ele sorriu, e eu retribuí, mas havia algo diferente no ar, uma tensão que eu não sabia explicar. Ao chegarmos à faculdade, Fernanda e Eduardo já estavam lá, perto da entrada. Cumprimentei os dois, mas notei que os olhares de Fernanda e Hugo se cruzaram de maneira breve e tensa. Havia ali algo que transmitia um certo desconforto.
Nós quatro caminhamos juntos até a sala, mas a conversa era mínima. Eu e Eduardo tentamos puxar algum assunto, apenas para quebrar o gelo, mas as frases saíam curtas, sem graça, como se cada palavra pudesse desencadear algo maior. Antes de entrarmos na sala, puxei Eduardo de lado e sussurrei, quase sem querer:
— Foi só eu que percebi o clima estranho?
Ele me olhou com um sorriso amarelo e respondeu baixo:
— É mais fácil perguntar quem não percebeu.
Nos entreolhamos, cientes de que aquilo ia além de um simples mal-estar. Entramos e cada um tomou seu lugar. Hugo sentou-se ao meu lado, como costumava fazer. Notei que Fernanda hesitou, como se quisesse se aproximar, mas ao ver Hugo já instalado, deu meia-volta e foi para o outro lado da sala, onde algumas amigas a aguardavam.
— Acho que ela ainda não quer sentar perto de mim — Hugo comentou, quase num sussurro.
— Parece que não mesmo — concordei, sentindo o peso da situação.
— Será que não vai ser um problema você sentado ao meu lado?
— Espero que não. Eu conversei com ela ontem, disse que não queria tomar partido.
— Mas ela pode achar que você já tomou.
— Só que foi ela quem escolheu se afastar. O que eu deveria fazer? Sentar no meio da sala, pra não ficar perto nem de você, nem dela?
Ele ficou em silêncio.
Eu já estava começando a me cansar de tudo aquilo, todo o drama entre eles e o meu próprio drama particular que eu nem tinha coragem de admitir para mim mesmo. Estávamos parecendo três adolescentes.
O professor entrou nesse momento e eu tentei acalmar meus pensamentos. Mas não importava o que eu fizesse ou o quanto eu tentasse, meus pensamentos não paravam. Só conseguia pensar que estava acontecendo exatamente o que eu temia: os dois distantes, e eu, no meio, tentando equilibrar sentimentos e amizades. E, além de tudo, tentando controlar o que sentia por Hugo. Por que a vida tinha que ser tão complicada? Eu gostava de Fernanda, minha ex-namorada e amiga de longa data, e não queria magoá-la. Mas também sentia algo por Hugo, algo que ia além da amizade. Não sabia se ele sentia o mesmo, e tinha medo de perguntar. Tinha medo de perder a amizade dele, ou de que Fernanda descobrisse e se magoasse ainda mais eu perdesse a amizade dela também.
***
Ao final da aula, decidi ir direto para casa. Não quis esperar por ninguém. Precisava de silêncio, de espaço para pensar em outra coisa que não fosse aquele emaranhado de sentimentos e situações. Cheguei, sentei-me na cadeira do meu quarto, coloquei os fones e escolhi uma música calma. Gostava de estudar assim, para abafar o mundo lá fora. Mas, naquele dia, o barulho que eu não conseguia abafar era o das minhas próprias ideias, dos meus próprios sentimentos.
Tentei me concentrar, mas não adiantou. Desisti, deitei na cama e fiquei olhando para o teto, tentando organizar os pensamentos. Foi quando o celular vibrou. Era Hugo.
“Hey! Nem te vi na saída, tá tudo bem?”
Respondi, tentando soar natural:
“Tá sim! Só estava com pressa pra estudar e comecei a sentir dor de cabeça também :/”
Não era de todo mentira, aquela situação toda realmente estava me dando dor de cabeça. Ele respondeu com preocupação, e eu agradeci, mas não continuei a conversa. Mal larguei o celular, outra vibração. Era Fernanda.
“Oie! Desculpa se deixei as coisas estranhas hoje, eu só não me senti confortável em sentar perto de vocês. Perdão.”
Respondi tentando ser leve, mas ao mesmo tempo não sabia direito o que falar. Ela explicou que precisava de espaço, e eu entendi. Tentei fazer graça, mas não tinha graça nenhuma. Depois, coloquei o celular ao lado e virei de lado na cama, tentando não pensar em nada. Mas era impossível. O silêncio só tornava tudo mais alto dentro de mim.
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