Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês! Espero que gostem!

Novamente, eu preferi focar nas provas finais do semestre, afinal, eu não tinha muita opção, eu só queria ir bem e ter férias.Todo mundo parecia querer o mesmo, só via gente andando com livros e estudando pelo campus.

Foi assim que demorei um pouco para perceber que Eduardo estava passando mais tempo comigo do que normal. Estudávamos juntos, também almoçávamos e algumas vezes ele até ia em casa pra gente comer pizza e assistir algum filme. Reparei que não o via mais com Fernanda.

Um dia, estávamos na biblioteca, cada um com uma pilha de livros e anotações espalhadas pela mesa. Era véspera de prova, Eduardo estava quieto, rabiscando no caderno, quando soltei, apenas para puxar assunto:

— Você tem vindo muito pra cá ultimamente.

Ele levantou o olhar, meio surpreso.

— É, acho que todo mundo. — Deu de ombros, rindo.

Fiquei em silêncio por um instante, observando-o. Hesitei antes de perguntar:

— Você e a Fernanda... Vocês brigaram?

Eduardo parou de rabiscar. Ficou olhando para o caderno por um tempo, como se estivesse decidindo o que responderia. Eu sabia o que tinha acontecido porque tinha ouvido, sem querer, a discussão deles na biblioteca, mas não queria falar isso pra ele ainda.

Ele suspirou e disse:

— Brigamos, sim. Eu cansei de toda essa situação.

— Então você brigou com ela por minha causa?

Eduardo fechou o caderno devagar, como se precisasse de uma pausa para encontrar as palavras certas.

— De certa forma, sim. Ela acha que você quis magoá-la, que vocês dois não pensaram no que ela sentia. Eu tentei dizer que não era tão simples, que as coisas já estavam ruins antes mesmo do término. Ela não quis ouvir. Disse que eu estava tomando partido.

Eu senti um aperto no peito. Não era fácil ouvir que duas pessoas que eu amava estavam se afastando por minha causa.

— Eu não queria que você tivesse que escolher um lado — falei, quase num sussurro.

Eduardo olhou para mim, sério.

— Eu não estou escolhendo lado. Só estou tentando não deixar que todo mundo se destrua de uma vez. Às vezes, parece que é isso que está acontecendo.

Fiquei em silêncio. O barulho dos outros estudantes, o som de páginas virando, o teclado de alguém duas mesas adiante, tudo parecia distante. Foi nesse momento que decidi contar.

— Edu... Eu ouvi vocês. Na biblioteca, naquele dia. Ouvi só uma parte e foi sem querer. Desculpa.

Ele arregalou os olhos, surpreso, mas depois relaxou.

— Tudo bem. Acho até bom que você tenha ouvido.

Eduardo ficou em silêncio por um tempo. Depois, colocou a mão no meu ombro, como se quisesse me lembrar que eu ainda estava ali, que ainda tínhamos um ao outro.

— Obrigado por me defender — disse a ele. — E obrigado por não ter sumido também. Eu sei que as coisas ficaram complicadas pra caramba. Mas não quero que você deixe de ser amigo da Fernanda por minha causa. Ela é importante pra mim. E pra você também. Eu não quero perder ninguém, mas não sei como consertar isso.

— Eu também não sei, mas você tentou, eu tentei também… não acho que tenha muito mais o que fazer além de esperar que ela supere essa mágoa. — falou Eduardo.

Olhamos juntos para as pilhas de livros, como se elas fossem um porto seguro. As provas, pelo menos, eram objetivas: certo ou errado, notas, fim da história. Já as amizades, o amor, as mágoas, tudo isso era muito mais difícil.

Notas finais
Até o próximo capítulo!