O Namorado da Minha Ex
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Passamos a tarde inteira discutindo se deveríamos ir à festa. Cada possibilidade trazia um medo diferente: o julgamento dos colegas, o silêncio constrangedor, os olhares curiosos. E, por trás de tudo, a dúvida mais simples e pesada de todas: estávamos prontos para ser vistos juntos?
— O mais fácil é a gente não ir — disse eu, depois de tanto rodar em círculos.
— Sim, o melhor seria ficarmos em casa — concordou Hugo, mas sua voz não parecia convencida.
Olhamos um para o outro e, por um momento, percebi que a hesitação dele era igual à minha.
— Então por que estamos discutindo isso há tanto tempo? — perguntei.
— Porque no fundo nós dois queremos ir, não é?
Senti um aperto no peito. Era verdade.
— Confesso que estou com saudades de sair, de ir a uma festa sem ter que pensar em quem vai estar lá ou no que vão dizer — admiti.
— Eu também estou — disse Hugo.
Ficamos em silêncio. A frase do Eduardo ecoava na minha cabeça.
— Você sabe, o que ele disse faz sentido. Se a gente ficar esperando o momento certo, talvez ele nunca chegue — falei.
— Talvez ele tenha razão — concordou Hugo.
— Pensei nisso também. Talvez o melhor seja ir de uma vez. Enfrentar logo isso, como quem arranca um curativo. Vai doer, mas pelo menos a gente para de adiar.
— Pode ser. Você realmente quer ir? — perguntou Hugo, olhando nos meus olhos.
— Quero. E você?
— Também quero.
Respiramos fundo, quase aliviados. A decisão estava tomada.
— Agora que já decidimos, tem uma coisa que eu queria fazer — disse Hugo, com um sorriso diferente, mais ousado.
— Ah é? E o que seria? — perguntei, entrando no jogo.
— Acho que você sabe — ele respondeu, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, seus lábios encontraram os meus.
O beijo começou devagar, mas logo ganhou urgência. As mãos dele deslizaram pelo meu rosto, pelos meus cabelos, e eu o puxei para mais perto. Naquele momento, tudo o que tinha acontecido antes, o time, Fernanda, as fofocas, parecia distante e sem importância.
Hugo se afastou um pouco, sorrindo.
— Acho que vou ficar mal acostumado com isso, sabia?
— Com o quê? — perguntei, beijando-o de novo.
— Com dormir junto todas as noites — ele disse. — Um dia na sua casa, outro na minha...
— Agora que você falou, nem tinha percebido. Parece que estamos quase morando juntos — comentei.
— Pois é — disse ele, sério de repente. — Você não acha que estamos indo rápido demais?
Pensei por um instante. O medo estava ali, mas era diferente do medo do mundo lá fora.
— Não sei. Só sei que estou gostando e quero continuar — respondi com honestidade.
Voltamos a nos beijar. As roupas caíram pelo chão e o resto vocês já sabem…
***
No dia seguinte, acordamos quase ao mesmo tempo. Hugo estava virado para mim, tão perto que nossas respirações se misturavam.
— Bom dia, meu amor — ele disse, e o apelido soou natural, como se já fizesse parte da nossa rotina. Ele me deu um beijo rápido.
— Bom dia — respondi, ainda sonolento.
— Hoje é o grande dia — disse ele.
— Grande dia? — perguntei, bocejando.
— É. O dia em que vamos à festa juntos. Como casal.
— Nossa, tinha até esquecido. Acho que não quero mais, vou voltar a dormir — brinquei, me cobrindo com o travesseiro.
Hugo riu e puxou o travesseiro de cima de mim.
— Para com isso. Eu também estou com medo, mas decidimos juntos e vamos enfrentar juntos.
Olhei para ele e senti que, apesar do receio, estava mais preparado do que nunca.
— Eu sei. Estou com medo, sim. Mas estando com você, me sinto mais forte — disse.
Nos beijamos mais uma vez, devagar. Depois levantamos, rindo dos cabelos bagunçados e da cara de sono, e começamos a nos arrumar para o dia que estava apenas começando. Um dia que prometia ser difícil, mas também, pela primeira vez em muito tempo, cheio de esperança.
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