Notas iniciais
Perdão a demora rsrs mas aí está mais um capítulo! Espero que gostem!

Eu e Hugo estávamos no vestiário, recém-saídos do treino de corrida. Apenas nós dois estávamos na área dos chuveiros.

— Que estranho estarmos sozinhos aqui, não acha? — comentei, sentindo o vazio ao redor.

— É mesmo. Mas você não prefere assim? — ele respondeu, com um sorriso que tinha um tom de provocação.

— Como assim? — perguntei, sentindo o rosto esquentar.

— Não precisa se envergonhar.

Enquanto dizia isso, Hugo começou a se despir. Primeiro os shorts, depois a camiseta, até ficar apenas de cueca. Os músculos se destacavam sob a luz do vestiário, e as tatuagens, que eu já havia reparado em outras ocasiões, apareciam com mais nitidez. Tentei desviar o olhar, mas não consegui. Por fim, ele tirou a cueca e permaneceu ali, nu, olhando fixamente para mim.

— Sua vez agora! — disse, passando o dedo indicador sobre meus lábios, com aquele mesmo olhar desafiador.

— Não sei se deveríamos…

— Ninguém vai ver. Só estamos nós dois, esqueceu?

Ele se aproximou ainda mais, completamente nu. Nossos rostos estavam tão próximos que podíamos sentir o calor um do outro. Os lábios quase se tocando, quando o som estridente do despertador cortou o silêncio.

Acordei assustado, o coração batendo forte. Tinha adormecido sem perceber na noite anterior. Desliguei o alarme, ainda atordoado. Não sabia se agradecia por ter sido apenas um sonho ou se amaldiçoava o despertador por interromper justamente naquele momento. Fiquei alguns minutos tentando voltar ao sonho, mas não consegui. Melhor levantar, me arrumar e seguir para a faculdade.

No banho, o sonho voltou à mente. Como eu olharia para o Hugo depois disso? Que raiva! Às vezes odeio meu cérebro: quando estou acordado, penso nele; quando durmo, sonho com ele. Talvez fosse melhor falar tudo de uma vez, resolver logo essa confusão. Mas, ao mesmo tempo, gosto de estar perto dele. Por que tudo tem que ser tão complicado?

Como de costume, encontrei o Hugo no caminho para a faculdade. Tentei manter a mesma expressão de sempre, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse acabado de ter um sonho tão vívido (e tão bom) com ele.

— Tá tudo bem? — perguntou, como se pudesse ler meus pensamentos.

Não consegui disfarçar completamente.

— Tá sim, só estou um pouco cansado. Dormi pouco ontem.

— Ficou estudando até tarde?

— Mais ou menos. Tentei estudar, mas não rendeu muito.

— Eu te entendo. Também ando com muitos pensamentos.

— Nem me fale.

Caminhamos em silêncio por um tempo.

— Posso te pedir uma coisa? — ele perguntou.

— Claro!

— Podemos treinar um pouco hoje depois da aula? Preciso melhorar para os jogos.

— Podemos sim! Na verdade, já trouxe minha roupa de treino. Ia para a academia depois, mas posso treinar com você.

— Valeu!

— Só uma coisa... Hoje acho que vou sentar ao lado da Nanda, tá? Ontem ela ficou meio isolada, e eu sentei com você. Não sei se seria legal fazer isso de novo.

— Parecemos dois adolescentes.

— A vida é um eterno Ensino Médio, né?

Rimos juntos.

— Tem razão. Mas tudo bem, senta com ela. Nos vemos depois da aula então.

E assim foi. Sentei ao lado da Fernanda e do Eduardo, enquanto Hugo ficou um pouco mais distante.

Depois da aula, encontrei Hugo no local de treino. Ainda estava apreensivo, lembrando do sonho. Mas, ao chegar, vi que ele já estava trocado.

— Vim um pouco antes, não aguentava mais aquela aula — disse ele, ao me ver.

— Tudo bem. Vou me trocar rápido e te encontro na pista.

Troquei de roupa e logo estávamos lá, correndo juntos. Nos aquecemos com uma volta e depois partimos para o treino de verdade. Quase uma hora depois, caímos exaustos na pista.

— Hoje rendeu bastante! — disse Hugo, ofegante.

— Com certeza!

— A gente devia tirar uma foto pra registrar.

— Assim, todo acabado?

— Claro! Pra mostrar que a gente treinou de verdade.

Tiramos uma selfie deitados no chão, suados e sorrindo.

— Agora, banho! — disse ele, estendendo a mão para me ajudar a levantar.

Naquele momento, o sonho voltou à mente. Pensei duas vezes antes de ir ao vestiário com ele.

— Acho que vou tomar banho em casa. É logo ali, e ainda aproveito pra estudar um pouco mais cedo.

— Tá certo. Acho que vou fazer o mesmo. Vamos pegar nossas coisas então.