Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem!

Ficamos ali no banco por mais tempo do que eu esperava. Uma brisa leve começou a soprar, trazendo o cheiro de terra molhada de algum jardim próximo. Foi Fernanda quem quebrou o silêncio de novo.

— Renato — ela começou, e eu percebi que ela estava escolhendo as palavras com cuidado —, eu preciso te dizer uma coisa. Sobre o Hugo.

Eu me virei para ela, esperando. O rosto dela estava sério, mas tranquilo.

— Está tudo bem você namorar com ele — ela disse, sem rodeios. — Eu não sinto mais nada por ele. Eu sentia, mas agora isso já passo. Eu acho que estava mais apegada a uma lembrança do que a gente foi, mas já não somos mais. E eu não quero que você ache que eu ainda estou magoada por causa disso. Não estou. De verdade.

Eu fiquei em silêncio por um instante, absorvendo aquilo. Era estranho como, mesmo depois de um tempo afastamento, uma única frase podia aliviar o peso que eu estava carregando.

— Fernanda — falei, e minha voz saiu mais baixa do que eu queria — muito obrigado. Isso significa muito pra mim. De verdade.

— Eu sei. Foi por isso que resolvi vir falar com você. Eu quero sua amizade de volta e quero que você seja feliz. Também quero que o Hugo seja feliz. Eu vi o quanto você dois se amam e não quero mais atrapalhar isso. Também espero que vocês voltem para o time de atletismo, vocês fazem muita falta.

Eu sorri, mas a alegria durou pouco. A lembrança veio de repente.

— O problema é que o Hugo foi embora — falei. — Ele saiu daqui direto para a rodoviária. Foi para a cidade dos pais dele, no interior. Disse que ia ser difícil a gente se ver até as férias terminarem.

Fernanda franziu a testa, pensativa.

— E por que você não vai até lá?

Eu olhei para ela, surpreso.

— Como assim?

— Sério, Renato. Por que não? As aulas e as provas terminaram. As férias começaram. Você não tem nada te prendendo aqui. Se você quer vê-lo de verdade, por que não vai? Pega um ônibus, vai até a rodoviária, compra uma passagem. Ou vai de carro, se conseguir carona. O que te impede?

Eu fiquei quieto. A ideia era boa, mas parecia grande demais. Eu não tinha pensado nisso. Tinha aceitado a distância como algo inevitável, como se fosse uma regra que eu tivesse que obedecer.

— Eu não sei — respondi, honestamente. — Não sei se ele espera isso de mim. Não sei se eu posso simplesmente aparecer lá, sem avisar. E se ele não quiser mais me ver? Depois que eu o dispensei…

Fernanda olhou para mim com uma expressão que eu conhecia muito bem.

— Renato — ela falou, firme mas gentil —, você não vai estragar nada. Se ele veio falar com você hoje, então ele quer te ver. Você sabe que ele quer.

Eu ia responder, mas antes que eu conseguisse, uma voz veio de trás do arbusto que ficava ao lado do banco.

— Se você quiser ir, eu vou com você.

Eu me virei, surpreso. Era Eduardo. Ele estava ali, parado, com a mochila nas costas e o copo de café já vazio na mão. Devia ter ficado por perto o tempo todo, talvez esperando para ver se a conversa ia dar certo. Ou talvez só não tivesse vontade de ir para casa ainda.

Fernanda olhou para ele e sorriu.

— Eu sabia que você não tinha ido embora, seu fofoqueiro — ela disse, rindo.

Eduardo deu de ombros.

— A cantina estava cheia demais. E eu não ia perder o melhor momento do dia — falou, olhando para mim. — Sério, Renato. Se você decidir ir, eu te acompanho. Não precisa ir sozinho. Podemos pegar um ônibus, dividir a passagem, fazer companhia um pro outro no caminho. Eu tenho certeza de que o Hugo vai ficar feliz em te ver.

Eu olhei para os dois, sem saber o que dizer. Era estranho como, em poucos minutos, tudo tinha mudado. Eu tinha recuperado minha amiga, e agora meus dois melhores amigos estavam ali, me dando coragem para fazer algo que eu nem tinha considerado possível.

— Vocês dois são loucos — falei, mas estava sorrindo. — E se eu decidir ir amanhã cedo?

— A gente arruma as malas — disse Eduardo, sem hesitar.

Fernanda riu.

— Eu faço o café — ela disse. — E te levo até a rodoviária, se precisar.

Eu olhei para o céu, que agora estava quase todo escuro, com as primeiras estrelas aparecendo entre as luzes do campus. Por um momento, senti medo. Medo de ir, medo de não encontrar Hugo, medo de encontrar e as coisas não serem como eu esperava. Mas senti também algo que fazia tempo que não sentia: esperança.

— Será que não é melhor a gente avisar? — perguntei.

— Não, eu acho que ele vai gostar da surpresa. — disse Eduardo.

— Eu também acho. — concordou Fernanda.

Eu sabia que era uma ideia maluca, mas não sei porque depois de refletir um pouco, eu pensei que poderia ser uma boa ideia.

— Tudo bem, nós vamos! Eu sei que é loucura, mas que seja. Amanhã de manhã vamos pra rodoviária.

Eduardo e Fernanda comemoraram.

— Você não quer ir também, Nanda? — perguntei.

— Acho melhor não. Eu quero conversar com o Hugo, mas prefiro fazer isso depois. Mas eu posso deixar vocês na rodoviária, pode ser?

— Tá ótimo, obrigado! Eu tive uma ideia, porque vocês dois não dormem na minha casa e aí a gente pede alguma coisa e amanhã acordamos cedo pra ir pra rodoviária? — sugeri.

— Eu topo! Nós três novamente fazendo um programa juntos! — vibrou Eduardo.

— Eu topo também! — disse Fernanda.

Nós três nos juntamos em um abraço em grupo e depois seguimos para a minha casa.

Notas finais
E estamos chegando ao final, o próximo será o penúltimo capítulo!!! Até lá!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.