O Namorado da Minha Ex
21 Capítulo 21
Notas iniciais
O dia seguiu seu curso normal até que a hora da festa se aproximou. Fui ficando ansioso,enquanto Hugo e eu nos arrumávamos na casa dele.
— O que foi? — ele perguntou, percebendo que eu estava inquieto.
— Nada — eu tentei disfarçar.
— Fala, meu amor. O que foi? Tá ansioso por causa da festa? — ele insistiu.
Respirei fundo, decidi ser sincero:
— Não é exatamente a festa. É mais o que a nossa presença lá pode provocar.
Hugo assentiu, como se já esperasse aquilo.
— Eu também tô nervoso — admitiu. — Mas a gente combinou de ir, lembra? Pra resolver de uma vez. Estaremos juntos o tempo todo. Uma hora as pessoas vão se acostumar.
— Você tá certo! — falei, beijando-o.
***
Quando deu o horário da festa, já estávamos prontos e saímos. Fomos andando porque a festa seria a poucas ruas de casa. Quando chegamos lá, encontramos o lugar ainda quase vazio. Aproveitamos para pegar bebidas.
— Olha só! Vocês vieram! — Eduardo surgiu de repente, nos abraçando.
— Sim, resolvemos vir! — respondi meio sem jeito.
— Então vamos aproveitar! — falou Eduardo.
— Calma que a festa ainda nem começou direito — eu disse rindo.
— É, ainda tá bem vazio por aqui — completou Hugo.
— Eu sei! Mas daqui a pouco todo mundo deve chegar.
A ideia de que “todo mundo” logo estaria ali me apertou o peito. Parte de mim torcia para que certas pessoas não aparecessem; outra parte sabia que era melhor enfrentar logo aquilo de uma vez.
O tempo foi passando, e os convidados foram chegando aos poucos. Alguns colegas do time de atletismo nos cumprimentaram com um olhar estranho, mas logo deram tapinhas nas nossas costas como se nada fosse diferente. “Talvez realmente esteja passando”, pensei. Talvez agora eles consigam nos ver sem estranhamento.
A calma durou pouco. Vi Fernanda entrar e, instintivamente, virei de lado, levando o copo aos lábios.
— A Nanda chegou — sussurrei para Hugo, sem encará-la.
A ansiedade voltou com força, pesando no estômago.
— Relaxa — Hugo murmurou, apertando minha mão. — Vai dar tudo certo.
Por mais que eu me esforçasse para evitar o olhar de Fernanda, foi inevitável. Nossos olhares se cruzaram por um segundo, rápido e tenso. Esbocei um sorriso, mas ela desviou imediatamente, o rosto fechado. Não importava que o resto do time de atletismo já estivesse mais amigável, ela ainda não tinha nos perdoado.
— Vou lá fora respirar um pouco — avisei a Hugo.
— Tá tudo bem? Quer que eu vá com você? — ele perguntou.
— Não, preciso de um minuto sozinho.
Ele assentiu e eu saí. Havia um espaço externo onde as pessoas usavam como fumódromo, eu não fumava, mas não me incomodei, eu só queria ficar um pouco sozinho. Sentei em um banquinho e fiquei por lá, olhando para o nada por alguns segundos.
— Renato! — alguém me chamou.
Era Eduardo que vinha em minha direção.
— Não tá curtindo a festa? — ele perguntou, sentando ao meu lado.
— Eu tô sim, tá sendo legal! — respondi.
— Mas você não tá com cara de quem está achando legal.
— Eu só precisava de um tempo sozinho, só isso.
— Tem a ver com a Fernanda, não tem?
— Sim, eu a vi quando ela chegou, tentei evitá-la, mas teve um momento em que nossos olhares se encontraram e ela simplesmente desviou.
— Ela não deve estar pronta ainda. Mas pelo menos o pessoal do atletismo está de boa, não achou?
— Sim, pelo menos ninguém tratou a gente mal, nem nada. Acho que eles só estão ignorando o que aconteceu.
— Também acho. Então, vamos voltar pra festa? O Hugo está lá sozinho.
Voltamos para a festa. Começamos a dançar e até que a música estava boa, o lugar, as pessoas… por um momento me esqueci de Fernanda. Mas algo começou a me incomodar. Por mais que ninguém tenha nos tratado mal, ninguém de fato quis falar com a gente ou estar apenas comigo e o Hugo, apenas Eduardo. Eles não estavam nos excluindo, mas eu me sentia excluído. Olhei para Hugo e pude perceber que ele também sentia o mesmo.
— Acho que quero ir pra casa — ele sussurrou no meu ouvido.
— Eu também — sussurrei de volta.
***
Fomos para casa de Hugo em silêncio, mal falamos durante o caminho. Tínhamos ficado umas duas horas na festa, saímos meio escondidos para não termos que falar com ninguém ou explicarmos porque estávamos indo embora. Mas acho que ninguém, tirando Eduardo, se importaria.
— O que achou da festa? — perguntou Hugo quando estávamos entrando em casa.
— Achei boa, mas ao mesmo tempo estranha. Não sei explicar.
— Não precisa explicar, eu achei a mesma coisa. Por isso quis ir embora logo.
— O pessoal até tratou bem a gente, mas ao mesmo tempo eu me senti excluído. Não conseguia acompanhar as conversas, nem as piadinhas internas. Parece que faz um século que a gente saiu do time de atletismo.
— Também me senti assim. Ninguém também fez questão de falar com a gente quando estávamos só nós, percebeu isso?
Assenti com a cabeça.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que eu decidi falar:
— Eu estou cansado. Não sei se aguento mais isso, Hugo.
— Aguentar o que?
— Ser excluído por todo mundo. Como se eles tivessem nos punindo por estarmos juntos.
— Eu também não queria que fosse assim. Mas o que nós vamos fazer?
Deixei a pergunta dele ecoar pelo ar, como se eu não soubesse a resposta. Mas no fundo eu sabia. Por fim, tomei coragem, respirei fundo e falei:
— Acho que a gente tem que parar com isso.
— Com isso o que?
— Com isso — falei apontando para nós dois.
— Você quer terminar? — ele perguntou.
Eu não consegui responder, apenas olhei para ele com os olhos cheios d’água.
Fale com o autor