Notas iniciais
Mais um capítulo, pra compensar minha ausência hehe

Passamos a tarde inteira discutindo se deveríamos ir à festa. Cada possibilidade trazia um medo diferente: o julgamento dos colegas, o silêncio constrangedor, os olhares curiosos. E, por trás de tudo, a dúvida mais simples e pesada de todas: estávamos prontos para ser vistos juntos?

— O mais fácil é a gente não ir — disse eu, depois de tanto rodar em círculos.

— Sim, o melhor seria ficarmos em casa — concordou Hugo, mas sua voz não parecia convencida.

Olhamos um para o outro e, por um momento, percebi que a hesitação dele era igual à minha.

— Então por que estamos discutindo isso há tanto tempo? — perguntei.

— Porque no fundo nós dois queremos ir, não é?

Senti um aperto no peito. Era verdade.

— Confesso que estou com saudades de sair, de ir a uma festa sem ter que pensar em quem vai estar lá ou no que vão dizer — admiti.

— Eu também estou — disse Hugo.

Ficamos em silêncio. A frase do Eduardo ecoava na minha cabeça.

— Você sabe, o que ele disse faz sentido. Se a gente ficar esperando o momento certo, talvez ele nunca chegue — falei.

— Talvez ele tenha razão — concordou Hugo.

— Pensei nisso também. Talvez o melhor seja ir de uma vez. Enfrentar logo isso, como quem arranca um curativo. Vai doer, mas pelo menos a gente para de adiar.

— Pode ser. Você realmente quer ir? — perguntou Hugo, olhando nos meus olhos.

— Quero. E você?

— Também quero.

Respiramos fundo, quase aliviados. A decisão estava tomada.

— Agora que já decidimos, tem uma coisa que eu queria fazer — disse Hugo, com um sorriso diferente, mais ousado.

— Ah é? E o que seria? — perguntei, entrando no jogo.

— Acho que você sabe — ele respondeu, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, seus lábios encontraram os meus.

O beijo começou devagar, mas logo ganhou urgência. As mãos dele deslizaram pelo meu rosto, pelos meus cabelos, e eu o puxei para mais perto. Naquele momento, tudo o que tinha acontecido antes, o time, Fernanda, as fofocas, parecia distante e sem importância.

Hugo se afastou um pouco, sorrindo.

— Acho que vou ficar mal acostumado com isso, sabia?

— Com o quê? — perguntei, beijando-o de novo.

— Com dormir junto todas as noites — ele disse. — Um dia na sua casa, outro na minha...

— Agora que você falou, nem tinha percebido. Parece que estamos quase morando juntos — comentei.

— Pois é — disse ele, sério de repente. — Você não acha que estamos indo rápido demais?

Pensei por um instante. O medo estava ali, mas era diferente do medo do mundo lá fora.

— Não sei. Só sei que estou gostando e quero continuar — respondi com honestidade.

Voltamos a nos beijar. As roupas caíram pelo chão e o resto vocês já sabem…

***

No dia seguinte, acordamos quase ao mesmo tempo. Hugo estava virado para mim, tão perto que nossas respirações se misturavam.

— Bom dia, meu amor — ele disse, e o apelido soou natural, como se já fizesse parte da nossa rotina. Ele me deu um beijo rápido.

— Bom dia — respondi, ainda sonolento.

— Hoje é o grande dia — disse ele.

— Grande dia? — perguntei, bocejando.

— É. O dia em que vamos à festa juntos. Como casal.

— Nossa, tinha até esquecido. Acho que não quero mais, vou voltar a dormir — brinquei, me cobrindo com o travesseiro.

Hugo riu e puxou o travesseiro de cima de mim.

— Para com isso. Eu também estou com medo, mas decidimos juntos e vamos enfrentar juntos.

Olhei para ele e senti que, apesar do receio, estava mais preparado do que nunca.

— Eu sei. Estou com medo, sim. Mas estando com você, me sinto mais forte — disse.

Nos beijamos mais uma vez, devagar. Depois levantamos, rindo dos cabelos bagunçados e da cara de sono, e começamos a nos arrumar para o dia que estava apenas começando. Um dia que prometia ser difícil, mas também, pela primeira vez em muito tempo, cheio de esperança.

Notas finais
Próximo capítulo será a festa. O que vocês acham que vai acontecer? Acredito que estamos nos encaminhando pra reta final, talvez mais uns 10 capítulos de acordo com meu planejamento. Espero que continuem acompanhando até o fim!