O Namorado da Minha Ex
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Eu sabia que a conversa com Fernanda não seria fácil, mas não imaginava que doeria tanto. Quando ela virou as costas, senti na pele o peso definitivo: eu havia perdido a amizade dela. A certeza caiu sobre mim como uma pedra no peito, e as lágrimas vieram sem aviso.
— Ei, calma! — Hugo me puxou para perto, enxugando meu rosto com os polegares. — Não chora assim.
— Como não chorar? Ela está furiosa conosco e eu não tenho como consertar isso. Não tem nada que eu possa fazer e isso é o pior de tudo — a voz saiu embargada, quase um lamento.
— Eu também queria que fosse diferente. Queria poder apertar um botão e desfazer a dor dela. Mas acho que ela precisa sentir tudo isso agora. Com o tempo, quem sabe, ela encontre um jeito de nos perdoar.
— Também espero. Mas eu entendo perfeitamente se ela nunca mais quiser nos ver — admiti, sentindo culpa pelo que tinha acontecido.
— É direito dela. Mas a gente também tem o direito de viver o que sente. Você não acha?
Eu não sabia mais o que pensar. Parte de mim concordava. Afinal, o relacionamento deles já estava desgastado, Hugo já não olhava pra ela do mesmo jeito. Mas outra parte de mim se sentia como um traidor, como se tivesse roubado algo que não me pertencia e magoado a pessoa que mais importava.
— Vem, vamos voltar pra barraca — Hugo sugeriu.
— Vamos passar o resto do tempo escondidos lá dentro? — perguntei.
— Não é se esconder. É só... respirar um pouco longe dos olhares, dos cochichos. Eu só tô cansado desse pessoal olhando pra gente, julgando e comentando nossa vida como se fosse uma novela.
— Eu também. — concordei.
Deixei que ele me guiasse de volta. Dentro da barraca, o ar era outro, mais quente, mais íntimo, como se ali o resto do mundo não existisse. Nos beijamos de novo, e mesmo com o coração pesado, cada toque dele ainda me deixava nervoso, como se fosse sempre a primeira vez. Era estranho: todo o caos lá fora parecia um pesadelo, mas ali, com Hugo, nada mais importava. Era como se existisse apenas nós dois. Deitei no colchão inflável, e ele veio por cima, preenchendo o espaço entre nós com seu corpo. Dessa vez, não tentei frear nada. O desejo era maior que o medo e a culpa.
— Quando estamos só nós dois aqui, parece que o mundo inteiro desaparece — murmurei contra os lábios dele.
— Eu sinto exatamente isso. Daria tudo pra ficar aqui dentro pra sempre — ele respondeu, os olhos brilhando.
— Eu também.
— E se a gente esquecesse que existe um "lá fora", pelo menos por agora? — ele sugeriu.
Não respondi com palavras, apenas levantei um pouco a cabeça e o beijei. Ele continuava em cima de mim. Minhas mãos foram até a camiseta dele, puxando o tecido para cima, descobrindo seu abdômen definido e as tatuagens que eu já tinha visto mas que agora eu podia tocar de verdade. Isso me excitava e eu sabia que agora era um ponto sem volta e eu não queria voltar. Queria me entregar totalmente para ele. E assim aconteceu. Quando percebi, não havia mais barreiras entre nós, não havia mais nenhuma roupa atrapalhando, apenas eu e ele. Nossos corpos nus, se tocando, se esfregando, sentindo o calor um do outro, o suor, a saliva, eu explorava cada milímetro do corpo dele e ele fazia o mesmo. Foi a nossa primeira vez e apesar de todo o drama envolvido, eu queria que aquele momento durasse pra sempre.
***
A claridade do amanhecer entrou pela lona da barraca. Acordamos juntos, de verdade juntos, eu com a cabeça apoiada no peito dele, ouvindo seu coração bater. Hugo se mexeu, e quando abriu os olhos, sorriu.
— Bom dia! — disse, a voz rouca de sono.
— Bom dia! — respondi, me aconchegando mais perto.
— Nem acredito que isso finalmente aconteceu! Parece até um sonho!
— Pois é! — eu concordei — Pena que o sonho vai virar pesadelo assim que a gente colocar o pé pra fora da barraca. — acrescentei.
— Não pensa nisso agora — ele me envolveu com os braços, me segurando firme. — Deixa o mundo lá fora esperar mais um pouco.
— Eu bem que queria parar de pensar nisso, mas não consigo.
— Eu sei. Mas sabe de uma coisa? Quem são eles pra nos julgar? Até parece que ninguém fez nenhuma merda, que não teve histórias piores de muita gente.
— Isso é verdade. Mas eu não me importo com as outras pessoas, me importo com a Fernanda.
— Eu também me importo. Mas ao mesmo tempo eu quero estar com você. Vamos dar um tempo pra ela, quem sabe as coisas não melhoram mais pra frente.
— Você tá certo. Mas eu sou ansioso, queria que tudo se ajeitasse logo.
Ficamos em silêncio, abraçados, ouvindo o som do acampamento acordando lá fora. Sabíamos que, em algum momento, teríamos que sair daquela bolha e enfrentar o que nos esperava. Mas por mais alguns minutos, a gente só existiu um para o outro.
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