Notas iniciais
Oi, gente! Perdão pela demora, a vida simplesmente não me deixou parar para escrever kkkk Mas para compensar esse é um capítulo especial. Espero que gostem!

Observei-o mais uma vez. Ele continuava deitado, com os olhos fechados, mas ainda não estava dormindo. Parecia que ele esperava que eu falasse algo, mas eu não sabia o que dizer. Até que ele abriu os olhos e se levantou, ficando sentado no meio do colchão inflável. Eu estava sentado mais na ponta.

Ele se aproximou, os olhos fixos nos meus, senti meu coração acelerar cada vez mais conforme ele ia se aproximando.

— Você não vai falar nada? — ele perguntou, com a voz ainda meio arrastada.

— O que você quer que eu fale? — perguntei mesmo sabendo a resposta.

— Não sei…

— Olha, você tá bêbado ainda! Eu acho que é melhor deitar e amanhã a gente conversa…

— Deita comigo. — ele me interrompeu.

— Mas é claro que eu vou deitar com você, a gente tá dividindo o colchão inflável, esqueceu? — eu falei quase rindo, mas era mais um riso de nervoso do que por achar a situação engraçada.

— Não, mas eu não quero assim…

— Vamos dormir, vai? — parte de mim já estava perdendo a paciência.

Por fim, ele acabou concordando e voltou a se deitar. Eu me deitei ao seu lado. Quando estava prestes a virar para o outro lado, para dormir, ele me puxou para mais perto dele e acariciou meu rosto.

— É assim que eu quero deitar com você. — ele disse.

Parecia que eu estava sonhando igual daquela vez que eu sonhei que estávamos só nós dois no vestiário. Mas dessa vez não era sonho, era real. Mas ele não estava sóbrio. Eu não podia esquecer disso. Ele ainda estava sob efeito de álcool.

— Tá bom, Hugo. Vamos dormir que já tá tarde e você tá precisando descansar.

— Não quero dormir ainda.

Antes que eu pudesse processar falar qualquer outra coisa, Hugo se aproximou ainda mais de mim, encostando sua testa na minha. Eu queria resistir, mas não consegui. Foi aí que aconteceu. Hugo me beijou e eu acabei cedendo ao beijo. O beijo começou suave, mas logo se tornou intenso. Eu tinha sonhado com isso várias vezes, mas nenhuma das vezes tinha sido assim. Com Hugo bêbado, eu sentia o resquício do gosto de bebida alcoólica enquanto ele me beijava, mas mesmo assim eu queria mais.

Eu não sabia o que fazer, sabia que isso não deveria estar acontecendo, mas não conseguia afastá-lo. Naquele instante, todos os medos, dúvidas e inseguranças desapareceram. Só existia Hugo. E eu.

Quando o beijo terminou, ele se afastou um pouco, os olhos ainda fixos aos meus, como se quisesse ler a minha mente e saber o que eu sentia.

— Eu... eu não sei o que isso significa, Renato. Só precisava que você soubesse — murmurou.

Mais uma vez fiquei sem palavras. Minha mente estava uma bagunça, mas as palavras dele ecoavam dentro de mim. Só sabia que as coisas estavam prestes a mudar e que, talvez, não houvesse mais volta. Olhei para ele mais uma vez e dessa vez o cansaço tinha vencido e ele tinha adormecido.

***

A luz da manhã entrou pela fresta da barraca, invadindo todo o espaço e nos acordando. Hugo se mexia no colchão, e eu, continuei deitado, sem me mover, fingindo que ainda estava dormindo. Ainda não estava preparado para lidar com o que tinha acontecido na noite passada. O que mais me angustiava é que eu não sabia se ele se lembraria do que tinha acontecido. Senti os movimentos dele no colchão, percebi que ele se sentou.

— Bom dia! — ele falou.

Não respondi, continuei fingindo que ainda dormia. Ele não insistiu. Mas eu sabia que não poderia ficar desse jeito para sempre. Permaneci deitado por alguns minutos, até que tomei coragem e decidi levantar. Fingi que tinha despertado apenas naquele momento e não que eu já estava acordado há algum tempo. Espreguicei e virei para o lado onde ele estava sentado, mexendo no celular.

— Bom dia! — falei sentando-me ao seu lado.

— Bom dia, dorminhoco! Eu fico bêbado e você que apaga? — ele falou rindo.

Eu dei uma risada forçada. Depois, ficamos em silêncio por um tempo, até que tomei coragem para perguntar:

— Hugo, você tá bem?

— Estou sim! Desculpa por ontem, acabei passando do ponto. — ele respondeu.

— Você se lembra de tudo que aconteceu ontem à noite?

— Bom, não de tudo exatamente, mas de bastante coisa.

Ele disse isso olhando fundo nos meus olhos, como se confirmasse que ele lembrava do beijo. Eu não sabia se isso me deixava aliviado. Ao mesmo tempo que eu queria que ele lembrasse, uma parte de mim não queria.

— Aquilo não devia…

— Eu sei. — ele não me deixou terminar.

— Desculpa.

— Você não tem que pedir desculpa de nada. Eu é que tenho. Não saiu nada como eu planejei.

— Como assim? O que você quer dizer com isso?

Hugo respirou fundo antes de explicar.

— Eu queria me declarar pra você durante os jogos. Desde o dia em que eu te convidei pra dividir a barraca comigo eu já estava pensando em como ia fazer isso. Pensei que se a gente dividisse a barraca, eu podia fazer isso quando ninguém estivesse por perto, quando estivesse só nós dois. Mas aí eu acabei bebendo um pouco e vi você ficando com aquele cara. Não sei o que me deu. Na verdade eu sei sim. Eu senti ciúmes e eu sabia que você podia ficar com quem quisesse e eu não tinha direito de me sentir assim. Por isso, acabei bebendo além da conta e as coisas acabaram acontecendo daquele jeito. Eu que peço desculpa.

Eu não conseguia acreditar no que eu estava ouvindo. Ele queria se declarar pra mim? Demorei um tempo para processar aquilo e, por fim, consegui falar:

— Tá tudo bem. Eu tinha sonhado com isso tantas vezes, mas a vida real é sempre diferente dos sonhos, não é mesmo? Eu queria ter me declarado faz tempo…

— Você também?

Nos dois rimos.

— Somos dois idiotas mesmo. — ele disse ainda rindo.

— Acho que eu me apaixonei por você desde o dia em que a gente se conheceu. Desde aquele dia que você me acertou com uma bola de vôlei.

— Parece que acabou sendo um ótimo jeito de seduzir alguém então? — ele brincou.

— Mas aí eu te conheci como o namorado da minha ex. A partir daí minha vida virou de cabeça pra baixo, todas as vezes que eu te via, sentia meu coração acelerar. Quanto mais a gente se aproximava e se tornava amigos, esse sentimento crescia. Quando você resolveu terminar com a Fernanda, eu fiquei num dilema. Queria te falar o que eu sentia, mas ao mesmo tempo não queria estragar minha amizade com ela e nem com você.

— Eu senti o mesmo. No começo, eu realmente só queria ser seu amigo, te achei um cara legal. O fato de a gente ter se conhecido de uma maneira inusitada e você acabar sendo ex da minha agora ex também, acabou sendo uma coincidência. Eu só não esperava que ia me conectar tanto com você. Foi por isso que eu decidi terminar com a Fernanda, sabia que não seria fácil, mas não conseguia mais. Eu estava confuso. Mas ao terminar, acabei no mesmo dilema entre contar e acabar estragando tudo.

— Você nunca desconfiou de que eu tava a fim de você? — eu quis saber.

— Acho que sim, mas eu tentava não pensar nisso. E você?

— Eu também. Somos dois idiotas mesmo! — falei rindo.

— Mas e agora, o que a gente faz? Eu quero estar com você, quero te beijar, te tocar…

— Eu também quero. Mas ainda temos um grande dilema, não é? Eu quero estar com você, mas não quero magoar a Fernanda.

— Eu sei, eu também não quero. E se a gente começar a ficar, mas sem ninguém saber?

— Ficar escondido, é isso?

— Só até passar um tempo.

Eu sabia que não era uma boa escolha, mas não conseguia mais resistir. Ele estava lá ao meu lado, confessando que sentia o mesmo que eu. Era o que eu mais queria. Não falei mais nada, apenas me aproximei dele e o beijei. Nós nos entregamos novamente a um beijo longo e intenso, cheio de um desejo que vinha sendo reprimido a um bom tempo. E dessa vez, ele estava sóbrio e eu tinha a certeza de que ele queria o mesmo. Naquele momento, o resto do mundo pareceu desaparecer. Foi quando, um barulho me trouxe de volta para a realidade. Eu ouvi o som da barraca sendo aberta. Era um dos meninos do time de atletismo, que estava vindo nos chamar para alguma atividade. Atrás dele tinham mais outros integrantes do time. Interrompemos o beijo, mas já era tarde demais.

Ele nos olhou com os olhos arregalados e nós o olhamos de volta.

— Desculpa. — foi só o que ele conseguiu dizer e fechou a barraca.

Ficamos eu e Hugo parados, em silêncio, apenas olhando um para o outro.

Notas finais
É, gente... a partir de agora entramos em uma nova fase da trama rsrsrs Espero que continuem acompanhando! Nos vemos no próximo capítulo!