Queria um respiro, mas, ao mesmo tempo, temia ficar sozinho com minha mente. Foi então que vi Hugo. Ele estava um pouco afastado, num canto da festa, rodeado por algumas pessoas. Parecia se divertir, mas havia algo diferente nele, talvez uma tensão, quase imperceptível. Quando nossos olhares se cruzaram, seus olhos me passavam algo que eu não sabia interpretar.

Tentei ignorá-lo, tentei voltar para onde tinha deixado Carlos, mas o que aconteceu depois mudou tudo.

De repente, Hugo se afastou do grupo e caminhou em direção à pista de dança. Seus olhos procuravam algo ou alguém. Foi então que nossos olhares se cruzaram. Ele percebeu que eu não estava mais na pista de dança, não estava mais com Carlos. Hugo apenas veio em minha direção. Ele estava com uma garrafa de cerveja na mão e foi quando o vi andando que percebi que ele parecia estar meio bêbado. Ele parou na minha frente e eu perguntei:

— Você está bem?

Ele olhou para a garrafa, deu um gole e respondeu, a voz arrastada:

— Estou... ótimo.

— Tem certeza?

— Claro que sim! Por que a gente não vai até o bar e bebe mais? Vamos?

— Acho que você bebeu demais já, não acha?

— Não acho.

E dizendo isso, Hugo simplesmente foi em direção ao bar pegar mais uma bebida e logo depois voltou para a pista de dança. Eu permaneci no mesmo lugar, parado, apenas observando-o. A festa continuava animada, mas eu já não conseguia me concentrar na música nem nas conversas ao redor. A tensão me corroía por dentro. Só conseguia pensar no que tinha acontecido, no que estava acontecendo com Hugo. Ele estava ali, tentando se enturmar, dançando. Ou melhor, tentando dançar. Foi aí que eu realmente me dei conta: ele não estava bem.

Não pensei duas vezes. Corri até ele com o coração disparado. Ele já não tava mais conseguindo ficar em pé direito.

— Hugo, acho que tá na hora de irmos dormir.

Peguei o braço dele e o coloquei em volta de mim para que ele se apoiasse.

— Estou ótimo... só um pouco... intoxicado — ele falou rindo.

— Acho que você já tá bastante intoxicado.

Hugo soltou uma gargalhada.

— Eu não... não tô nem aí. Só quero me distrair.

— Vamos, Hugo. Vou te levar para a barraca — falei.

Ele se apoiou em mim e eu sabia que o mais importante era garantir que ele chegasse em segurança. Não podia deixá-lo ali, tão fora de si. A caminhada até a barraca foi lenta. Hugo tropeçava de vez em quando, e eu mal conseguia manter o equilíbrio enquanto o sustentava. Eu sendo mais baixo que ele e magrelo, não tinha tanta força para sustentá-lo e não conseguia encontrar nenhum de nossos amigos para ajudar. O calor da noite, as risadas e a música da festa pareciam cada vez mais distantes. Só existia aquele momento: Hugo e eu, tentando chegar ao nosso destino. Quando finalmente chegamos, ele se deixou cair no colchão inflável da barraca com um suspiro aliviado.Sentei-me ao lado dele, o coração ainda acelerado, tentando processar tudo o que havia acontecido. Queria perguntar o que estava se passando na cabeça dele, mas algo em sua expressão me fez hesitar. Ele estava quieto, vulnerável.

— Como você tá, Hugo? — perguntei novamente.

Ele estava deitado de olhos fechados e não respondeu. Pensei que já tinha pego no sono. Até que ele respondeu, com a voz baixa, mas séria:

— Renato... eu não sei como você... não sabe o que eu sinto por você.

Por um momento eu pensei que não tinha escutado direito. O que ele estava dizendo? Queria entender, mas as palavras continuavam a sair embaralhadas, afinal, ele estava bêbado.

— Hugo, o que você quer dizer com isso? — perguntei, o coração batendo mais rápido, misturando medo e expectativa.

Ele apenas me olhou.

— Eu... eu não sei, cara. Mas não consigo mais ignorar. Não consigo fingir que não sinto isso.

Respirei fundo, tentando entender aonde ele queria chegar. Agora, a noite que tinha começado leve, estava carregada, tensa, e eu sabia que não dava mais para fugir. Nem eu e nem ele.

Notas finais
Será que vem aí finalmente? kkkk Nos vemos no próximo capítulo ;)