O Número um da França
5 Pós Prova
Notas iniciais
A equipe, finalmente, estava de volta a Lamotte-Beuvron. Depois de nove dias de viagem, o restante da semana seria de descanso para os cavalos, apenas trabalhos leves e fisioterapia. Os cavaleiros que possuíam mais cavalos continuavam treinando normalmente, o que significava que, para a equipe técnica, nunca existia descanso.
No caminho de volta, não foi trocada uma palavra entre Camus e Milo dentro do carro, como o clima tenso já existia antes, Saga não se importou tanto, mas fez questão de tirar fotos de ambos dormindo.
Milo realmente não contou sobre o ocorrido na praia para seu superior, embora o francês tivesse dito que nada aconteceria a ele, preferiu não arriscar. Afinal, nada aconteceu, não é mesmo? Quando Saga chegou para embarcá-los, o cavalo estava completamente limpo, como se nunca tivesse saído da baia. O grego não soube em que momento Camus o banhou.
No último dia em Marselha, o tratador de Belle Époque teve uma intoxicação alimentar e precisou ser hospitalizado, ficando afastado por quinze dias. A contragosto do francês, a federação colocou um substituto, que estava sofrendo um pouco nas mãos do cavaleiro.
O tratador deveria ter seus 30 anos, não era inexperiente, já trabalhava lá há algum tempo, mas parecia totalmente perdido com a nova responsabilidade. Ele parou na porta da sala dos veterinários e deu duas batidinhas no batente.
— Com licença, Sr. Saga. Só queria confirmar as suplementações do cavalo. — Nachi carregava um balde com ração, provavelmente de Belle Époque, que já deveria ter comido, visto que já eram quase nove da manhã.
— Camus te esfola vivo se chegar aqui e o cavalo dele não tiver comido ainda. — Saga avisou como um amigo, colocando a mão no ombro do tratador e indo em direção a sala onde eram guardadas as suplementações. — Recomendo que trate dele primeiro.
Milo ficou com pena do homem, não era fácil lidar com as requisições do cavaleiro, mas por outro lado, entendia que o cavalo precisava de uma regularidade, era um atleta de alto rendimento, afinal.
Ele passou quase o dia todo escrevendo um relatório sobre a prova para enviar à federação grega, a vida de intercambista não era só de glórias. Seu relatório semanal estava atrasado, então quanto antes o entregasse, melhor.
O tratador de Fígaro e Ego deixou os cavalos o dia todo no piquete, Milo apoiou, era bom eles terem um day free, sem olhar para a cara dos veterinários. Fígaro já bufava na hora que o grego entrava na sua baia.
Tudo seguia normal no centro, os cavaleiros que não competiram continuaram montando, entre os que competiram, Elga chegou próximo às dez horas para montar seus outros cavalos. Camus também chegou perto desse horário, felizmente Belle Époque já tinha terminado sua ração e estava caminhando no caminhador automático. O cavalo relinchou feliz ao ver o ruivo se aproximando.
O tempo passava arrastado, tudo parecia tranquilo demais para o grego. A calmaria que antecede a tempestade.
Não demorou para Shion aparecer na porta da sala dos veterinários.
— Saga, preciso de uma avaliação. — O treinador parecia irritado e cansado. Tinha algumas rugas novas próximas aos olhos, o cabelo estava bagunçado, não era como Shion costumava se apresentar.
O veterinário concordou com alguma estranheza, talvez algum cavalo tivesse se machucado durante o treino. Ele chamou Milo para o acompanhar.
Ao chegar em uma das pistas de apoio, eles entenderam o motivo da irritação do homem. Camus estava montado em uma égua tordilha pedrêz, as manchinhas marrons sobre o pelo cinza muito claro formava um contraste bonito. Ele vestia roupas de treino comuns, o culote preto de sempre e uma camiseta azul marinho presa por um sinto, seus cabelos estavam presos em uma trança baixa que dançava a cada movimento do animal.
— Estou tentando fazer esse cabeça dura aceitar que precisa mais um cavalo. — Shion apontou para o cavaleiro que fazia círculos ao passo com a égua.
— E eu estou provando que não preciso. — O Francês respondeu sem se alterar, sua fala tirou um riso baixo de Milo, que se policiou em seguida.- Ela está sentindo o posterior esquerdo.
— Ele está procurando motivos que justifiquem não ficar com ela. — Shion bradou, mas foi ignorado pelo ruivo.
Avaliar claudicação dos membros posteriores é muito mais difícil do que dos anteriores, Saga e Milo ativaram o modo veterinário ortopedista e observaram a égua se movimentar por vários ângulos, ao passo e ao trote.
— Acho que ela tem um leve desconforto ao trote, mas muito difícil de observar. — Milo disse após longos minutos de silêncio. Saga concordou, se montada ela só demonstrava ao trote, sem o cavaleiro não ia apresentar alteração nenhuma.
— Camus, me deixe montar. — Aquela fala pegou o grego de surpresa. Não sabia que Saga montava. — Milo, filme, por favor.
Camus desmontou em um movimento único, sem nenhuma dificuldade, tirou o capacete e ofereceu ao veterinário que aceitou. Saga, por sua vez, precisou de ajuda para montar a égua de quase 1,70 de altura.
Naquele lugar, todos eram caixinhas de surpresa para Milo. Saga montava impressionantemente bem, a postura era ótima, suas pernas tinham um contato excelente com o animal, quase não balançavam durante o trote, as mãos permaneciam sempre na mesma posição. O grego estava embasbacado enquanto filmava.
Após muitas idas e voltas. O veterinário devolveu a égua ao cavaleiro. E analisou os vídeos. Com exceção de Camus, que acariciava e conversava amigavelmente com a égua, os outros presentes aguardavam ansiosamente o parecer de Saga.
— Ela sente um pouco o posterior esquerdo mesmo. — Ele disse por fim, para o desgosto de Shion e triunfo de Camus. — Vamos retirar o material, deixar ela esfriar um pouco e fazer o exame completo.
Deixaram a égua descansar enquanto separavam o material para o exame, pinças de casco, raio-x e ultrassom.
— Me fale um pouco mais sobre ela, Shion. — Saga lia a documentação da égua enquanto aguardava.
— Ela veio de Paris, um criador local mandou especificamente para o Camus. — Shion disse encarando o ruivo com irritação. — Tem um papel excelente, é jovem, tem muito potencial! Mas esse cabeça dura não aceita!
— Eu não pedi que ela viesse. — O francês pontuou. Sem se importar muito, fazendo o treinador bufar. — Ela pode ser ótima, eu só não a quero.
Milo veio com a égua das duchas até a área onde eram feitos os exames ortopédicos, por conta de uma pista com diferentes tipos de terrenos. Ela se chamava Viscomtesse du Toulon, tinha 6 anos, 1,68 de altura de cernelha, pelagem tordilha pedrêz, com crina e cauda de um cinza escuro. Era muito mansa, mesmo sendo jovem. Fora a levíssima claudicação, o grego não entendia qual era o problema do francês com ela.
Começaram a avaliação e, como não se tratava do cavalo de Camus, Milo pode participar ativamente de todo o exame. Fez o ultrassom dos membros, para identificar alguma lesão nos tendões, discutiu com Saga sobre os raio-x, que não apresentavam nenhuma alteração significativa. E analisou a égua em movimento. Realmente, sem um cavaleiro, ela não apresenta nenhuma alteração.
— Vou fazer as medidas, Shion. — Saga analisava o raio-x buscando qualquer detalhe. Apontou um local na imagem mostrando para Milo — Talvez algo no navicular (1)? Tem uma área mais radiolucente (2) aqui, mas é muito leve.
— Pode ser inicial. Podemos tentar fazer o bloqueio e ver se ela continua claudicando quando montada. — Saga concordou com a ideia do grego, mas fariam isso no dia seguinte, para não forçar demais o animal.
— Tente você convencer esse teimoso, então! — Shion estava irado. — Veja se com você explicando, ele entende que se acontecer alguma coisa com o Belle Époque, ele está fora da olimpíada!
— Nada vai acontecer com meu cavalo! — Camus retrucou em um tom mais elevado, esse era um assunto muito sensível para ele, por mais que quisesse ganhar o ouro olímpico, seu cavalo era mais importante que tudo. Milo estranhou a reação dele, não achava Camus capaz de se alterar.
— Shion está certo, Camus. — Saga tentou acalmar os ânimos, não precisavam que o cavaleiro ficasse sem treinador faltando seis meses para a maior competição do mundo. — Você precisa pensar que em algum momento vai precisar poupar o Belle Époque, ele pode descansar, mas você precisa continuar treinando.
O francês bufou e saiu andando em direção às baias.
— Não é só porque venceu tudo até agora, que vai vencer na olimpíada! — Shion gritou com ele e foi na direção oposta. Deixando os dois veterinários e a égua parados sem muita reação.
Após algum tempo de silêncio, Milo se pronunciou.
— Um dia tranquilo, posso dizer. — Riu com ironia. — Vou levá-la para a baia.
— Nem me fale. — Saga concordou esfregando as têmporas. Camus era difícil, muito difícil, mas Shion não ficava muito atrás.
Milo levou a égua a entregando para o tratador que a guardou. Ele estava voltando a sala dos veterinários quando passou pela baia de Belle Époque e ouviu um cantarolar baixo vindo dela.
Camus estava sentado na baia, ao lado do cavalo deitado com a cabeça sobre suas pernas, ele acariciava o fronte do alazão que quase dormia com o carinho e a serenata. Milo ficou os observando, definitivamente não era todo conjunto que tinha esse vínculo, deveria ser difícil para ele pensar em ter outro cavalo, talvez pensasse estar traindo Belle Époque, mas era importante para sua carreira no esporte.
Deixou os dois antes que Camus percebesse que estava sendo vigiado e foi se encontrar com o veterinário loiro na sala.
— Vocês sabiam que o Saga monta? — Milo questionou os outros dois, que concordaram com a cabeça, indignado. — Por que essa informação nunca chegou em mim?
— Só não é muito comum. — Saga riu. — Eu já competi no amador, mas faz uns bons anos. Agora só monto quando preciso avaliar alguém.
— Saga era bom! — Sorento comentou, e ofereceu café ao grego, ele sempre aceitaria. — Parou pois a vaga na federação como veterinário não dava tempo para treinar.
— E bem, é caro manter um cavalo, mesmo sendo veterinário dele — O mais velho completou saudosista.- Eu não tinha condições para isso na época, e agora, não tenho mais tanta vontade. Montar de vez em quando é legal, e é mais que o suficiente.
Milo nunca tinha tido interesse em montar, gostava muito de cavalos, mas gostava de cuidar deles, não competir. Voltou para sua cadeira para continuar seu relatório. O restante do dia se passou normal, como se nada nunca tivesse acontecido.
O dia seguinte teria sido tão normal quanto, se Camus não tivesse desaparecido.
— Mas que merda de garoto mimado! — Shion esbravejava. Ele havia pedido para o criador acompanhar o próximo treino de Camus com Vicomtesse e a avaliação dos veterinários. O dono da égua já havia chegado, mas o cavaleiro não.
— Vou tentar ligar para ele, algo deve ter acontecido. — Saga estava realmente preocupado, não era do perfil de Camus fazer esse tipo de birra.
— Aconteceu sim, a vitória subiu à cabeça. — Shion foi tentar entreter o criador, até acharem o ruivo.
Saga caminhava de um lado para o outro com o celular na orelha. Os outros três veterinários o observavam sem saber se podiam se meter. Depois de 5 tentativas, o ruivo atendeu o telefone.
— Camus, por favor, me fala que você ESTÁ no centro! — Saga tentou manter a calma. — Como assim não? Você sabe que tinha um compromisso, não é? Quê?!
O homem respirou fundo, olhou para os outros três com descrença, e começou a rir.
— Você colocou combustível? — Saga não tinha filhos, mas às vezes tinha certeza que deus havia colocado Camus no caminho dele para que ele nunca tivesse. — Eu vou te buscar.
Ao desligar, o veterinário mais velho se apoiou em sua mesa, rindo.
— O carro não funcionou. — Ele cobriu os olhos com as mãos — Eu tenho certeza que ele não colocou combustível. Milo, vem comigo, vamos buscar ele.
— Por que, eu?! — A resposta foi automática, saiu mais rápido do que ele pudesse pensar.
— Porque eu quero. — O olhar psicótico que o outro lhe deu, fez Milo apenas se levantar de sua cadeira e seguir o mais velho.
Ele avisou o treinador sobre o ocorrido, Shion continuou bravo, mas pelo menos ele tinha uma desculpa parcialmente convincente.
Antes de ir para Orleans, pararam em um posto de combustíveis, por garantia e compraram um pouco de gasolina. Saga conseguia tranquilamente ir e voltar em 40 min, mas precisava de menos, o dono da égua já estava a muito tempo aguardando.
— Saga… A gente precisa chegar vivo para poder trazer ele de volta… — Milo sentia o corpo colar na poltrona do carro. — Pode ir mais devagar…
— Mas eu nem estou rápido! — Ele riu alto, com o velocímetro do carro chegando a 200 km por hora. Milo teve certeza que não voltaria vivo para a Grécia.
Depois de 20 minutos de pura ansiedade, eles estacionaram na frente de um prédio. Era um bairro chique, com casas muito bem arquitetadas, o prédio tinha um ar clássico. O grego nunca ficou tão feliz de sair de um carro na vida.
Saga conversou com o porteiro, que parecia já o conhecer, e foram liberados para entrar. Quando chegaram à garagem, o francês estava sentado dentro do carro, com a porta aberta, lendo um livro.
Você não pensou em avisar? — Internamente, o loiro maior queria esmagar o pescoço do cavaleiro. Milo o seguia tentando parecer invisível, mas foi exatamente a presença dele que mais chamou a atenção do ruivo.
— Por que você trouxe ele junto? — Camus questionou assim que viu o grego, que fez uma cara emburrada como resposta. — E eu mandei uma mensagem para o Shion, não tenho culpa se ele não vê o celular.
— Porque você precisa dele. — O mais velho não deu muita bola para o ruivo. Foi até o banco, virou a chave e o carro tentou dar partida, todas as luzes se acenderam, inclusive a de abastecimento sendo a única que se manteve ligada, se virou para o cavaleiro com uma leve irritação — Você falou que tinha colocado combustível.
Camus virou o rosto e, desviando o olhar do grego, respondeu com um "tenho certeza que não preciso". Milo rolou os olhos, maldita soberba, Camus o fazia lembrar dos colegas de classe na época do intercâmbio.
— Eu coloquei há três semanas. — O ruivo se justificou, ou pelo menos tentou. — Ele está gastando combustível de mais, quase nem sai de casa.
— Seu cavalo vive sem comida? — Saga respirou fundo para não agredir o francês, que negou em resposta. Milo estava parado segurando o riso, era interessante ver ele ser obrigado a confirmar que errou. — O carro também não! Olha, se não fosse eu, você estava perdido, não sei como sobreviveu por tantos anos.
— Eu sobrevivi sem um carro. — Camus resmungou, sem se dar por vencido.
Resolvido o problema da falta de combustível, carro ligando novamente, tudo parecia certo e Milo ainda não sabia o motivo pelo qual tinha vindo.
— Ok, resolvido. Você… — Saga apontou para o ruivo que tinha seu típico olhar blasé. — Vai comigo, estão te esperando há muito tempo já.
Camus só confirmou tirando suas coisas do próprio carro.
— E você. — Ele se virou para o grego, jogando a chave do carro do francês para ele. — Coloca gasolina nessa caralha, e volta pro centro.
— O que?! — Os dois mais jovens gritaram ao mesmo tempo. Camus não queria que o grego dirigisse seu carro, Milo menos ainda queria ser responsável por algo do francês. Os dois se encararam com desdém.
Saga apenas os olhou, com um rosto demoníaco, olhos fixos e um sorriso diabólico.
— Se… Mais alguém… Questionar algo… — Ele dizia lentamente, caminhando em direção aos dois, que engoliram em seco. — Eu mato… Vocês.
Camus seguiu em direção à saída do estacionamento e Milo entrou no carro do francês, engatando a ré para sair da vaga, sequer perguntou com que dinheiro faria isso, então ia precisar cobrar o dono do carro depois. Pelo menos ia poder voltar na velocidade que quisesse. Ninguém mais ousou falar com o geminiano.
Quando Milo chegou, quase uma hora depois de sair do prédio do ruivo em Orleans, Camus já havia montado, a égua já havia sido bloqueada e realmente tinha apresentado melhora, o dono já havia pedido desculpas por consumir o tempo precioso do francês com um animal lesionado e ela já estava sendo embarcada para voltar para Paris.
Shion estava menos bravo, Saga menos psicótico e Camus caminhava com Belle Époque por aí. Tudo parecia resolvido.
— O que acha que vão fazer com ela? — Milo perguntou ao mais velho enquanto observavam o trailer partir.
— Ele vai manter ela como matriz, o papel é realmente muito bom, infelizmente tem essa lesão e nunca vai poder competir em alto nível. — Saga se virou, sendo acompanhado pelo grego, voltando para a sala.
— Talvez amador?
— Talvez.
Milo passou pela baia vazia do garanhão e viu comida no cocho, achou estranho, ainda não era o horário de alimentação. Talvez tivesse adiantado pois ele estava caminhando e por conta da diminuição no número de tratadores.
Novamente o dia terminou bem. Camus voltou para casa dirigindo escoltado por Saga. Os outros veterinários terminaram o turno e foram para seus aposentos. Ao deitar na cama, Milo se lembrou de seu primeiro dia, quando Sorento o deu boas vindas ao hospício, ele não levou em consideração, mas agora começava a fazer sentido.
Milo havia esquecido seu carregador na sala dos veterinários, então pela primeira vez desde que começou ali, não passou pelas baias antes de entrar na sala, estava sem bateria então o celular não despertou, acabou acordando atrasado. Saga teria um compromisso e iria demorar. Mime e Sorento já estavam organizando algumas vacinas que precisavam ser feitas quando o grego chegou.
— Oi! Desculpem, fiquei sem bateria no meio da noite. — Milo sorriu amarelo, ele podia ter voltado para buscar o objeto, mas ficou com preguiça. — E sabem, eu moro muito longe, não deu pra voltar pegar o carregador.
Os outros dois riram e começaram a passar para o grego o que seria feito.
Foram ouvidos passos rápidos no corredor, em poucos segundos, um Camus com olhar desesperado apareceu na porta dos veterinários, buscando pelo grego com os olhos:
— Milô! — Camus arfava. O grego que estava de costas para a porta se virou assustado. — Belle Époque está com cólica!
Milo não disse nada, apenas saiu correndo atrás do francês até a baia do cavalo que estava deitado, taquipneico e suando muito.
— Por favor, faça alguma coisa…! — Com aquela súplica, Camus parecia prestes a começar a chorar.
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