Notas iniciais
Oii gente!
Essa é a primeira história que eu posto, então por favor, sejam legais haha

Se tiverem qualquer duvida com relação aos termos do esporte ou médicos podem me perguntar, na minha cabeça tudo faz muito sentido, mas pode não fazer para pessoas que não conhecem a fundo esse esporte maravilhoso que é o hipismo ♥

O casal principal é Camus e Milo, mas diversos outros personagem vão aparecer. Em algum momento vou escrever algo mais quente também, mas vai demorar um pouco haha.

Lembrando que ela foi postada inicialmente no Spirit Fanfics!!

Atenas, Grécia.

Outono, segunda semana de Setembro.

O dia estava bonito em Atenas. O sol brilhava, o céu estava azul com algumas nuvens fofas, uma leve brisa marítima deixava a sensação térmica confortável. Havia sido assim na última semana.

Era próximo às 10 horas de uma quarta-feira, tudo seguia como sempre em um dos centros hípicos da cidade. Alguns cavaleiros estavam trabalhando seus cavalos, os tratadores estavam limpando algumas baias, alguns cavalos estavam de folga nos piquetes e outros aguardavam seu horário de treino. Milo tirou a manhã para coletar alguns exames e realizar algumas vacinas em cavalos federados que iriam participar de algumas provas internacionais em breve.

Milo é um dos veterinários da federação equestre grega, não apenas um associado, mas um dos oficiais, cargo desejado por muitos. Com seus 28 anos, era o mais jovem entre eles, o que não diminuía sua competência ou capacitação, mas fazia dele um foco de atenção no meio de todos.

Seus longos cabelos loiros e ondulados estavam presos em um rabo de cavalo alto, com alguns fios rebeldes mais frouxos que insistiam em entrar na frente de seus olhos com a brisa do vento. Os olhos azuis capri estavam compenetrados em identificar os tubos de coleta com os dados do cavalo que estava à sua frente, sendo mantido pelo tratador. Seu corpo bem torneado era levemente visível pela calça jeans escura mais larga e o pijama cirúrgico azul que usava. Seu rosto jovial, sem marcas, com barba e sobrancelhas aparadas, passava um ar sério, porém simpático.

O hipismo grego nunca teve grande destaque nas competições internacionais, a última participação em olimpíadas foi em 2004, na Olimpíada de Atenas. A grande maioria dos atletas e cavalos estavam concentrados no salto e adestramento e treinavam em um dos sete centros de treinamento registrados pela federação ou fora do país, em grandes centros como França ou Alemanha, o que facilitava o trabalho dos veterinários gregos, mas não gerava muito fomento para o esporte. Haviam poucos cavalos federados que participavam de provas internacionais, então, em um dia, Milo conseguia fazer todas as coletas e preparações exigidas para as provas.

— Ok. Desteny, fêmea, KWPN, 12 anos, amazona Atsalaki Isampella. Vamos coletar. — Milo confirmou os dados com o tratador e deixou os tubos sobre a mesa de apoio, indo em direção ao cavalo com uma seringa de 10 ml e um algodão embebido com antiséptico.

Com a destreza de quem faz isso há algum tempo, o loiro realizou o garrote e coletou 8 ml de sangue da jugular do cavalo que sequer se movimentou, dividindo o conteúdo entre os dois tubos de coleta, imediatamente.

— Sem vacinas para essa moça hoje. Muito obrigado pela ajuda, Sr. Andreas. Vou levar essas amostras para o centro e logo os resultados e liberações devem ser enviados aos atletas e diretoria. — Ele se despediu do velho tratador, não sem antes entregar um pedaço de maçã à égua, como agradecimento pela cooperação. — Estou indo, o diretor da federação marcou uma reunião para o começo da tarde, essas reuniões repentinas nunca são boa coisa. Podem me ligar se precisarem de algo!

Os veterinários da federação helênica ficavam lotados no centro hípico olímpico Markopoulo, na região metropolitana de Atenas e local onde foram realizadas as provas hípicas da última olimpíada no país. Milo dirigiu por cerca de 40 minutos até chegar a Markopoulo, com tempo para almoçar e aguardar pela reunião, geralmente ele não realizava os atendimentos externos, mas precisou cobrir um dos veterinários que estava doente. Estacionou o carro debaixo de uma árvore e pode ver uma das principais amazonas do país saindo da pista.

— Bom dia, Milo! — Ioli Mytilinaiou saudou o veterinário, conduzindo seu cavalo em direção a ele. — Achei ele mais elástico hoje, parece que as seções de alongamento estão sendo efetivas.

— Que bom, Ioli! Amanhã vou acompanhar o treino de vocês e aproveito para ajudar com alguma dificuldade no alongamento. — Milo deu dois tapinhas no pescoço do cavalo, que lhe dava focinhadas esperando por um petisco, ele entregou um pedaço de maçã para acalmar o animal. L'artiste de Toxandra era o cavalo com as maiores chances de conseguir índice olímpico e ser selecionado para a próxima olimpíada, por isso, tinha suporte 24 horas dos veterinários da federação.

— Você fica mimando esse cavalo! — A amazona riu enquanto voltava a caminhar em direção às baias.

— É por isso que eu sou o veterinário favorito! — O loiro também seguiu seu caminho tranquilamente até o hospital.

O hospital era grande, contava com dez baias, centro cirúrgico, esteira seca e aquática, lâmpadas de infravermelho e pista própria, onde eram realizadas as fisioterapias de chão. Além de toda estrutura para os veterinários, com cozinha ampla, dormitórios, salas de reunião e de estudos. Eram 15 veterinários que atuavam no país todo, e mesmo os que não trabalhavam em Atenas, podiam solicitar transporte para Markopoulo a qualquer momento. Milo entrou na sala dos veterinários tranquilamente deixando sua mochila, caixa de isopor e caixa de atendimento externo na sua mesa, entretanto seu superior Sísifo e o outro veterinário que dividia o plantão, Daidalos, pareciam extremamente ansiosos pela chegada dele.

Sísifo era responsável por todos os veterinários que atendiam dentro e fora da cidade. Também por toda a burocracia de envio de exames e liberação dos cavalos para provas, assim como acompanhava e escolhia as equipes médicas que iriam com os animais. Embora também fosse veterinário, poucas vezes realizava os atendimentos, no máximo participava de algumas cirurgias mais complexas. Tinha seus 50 e poucos anos, cabelos castanhos bagunçados e face cansada, porém tentava sempre manter o bom humor.

Daidalos era o veterinário mais recente entre os três, embora fosse mais velho que Milo, com 38 anos, às vezes parecia ter menos. Era quem realmente pegava no pesado com o loiro, atendiam em Markopoulo, acompanhavam os treinos e provas dos cavalos mais bem colocados do ranking, faziam cirurgias quando necessário, assim como definiam todos os protocolos de tratamento, passando apenas pelo aval de Sísifo.

Shaina, Algol, June e Dante também eram veterinários lá, porém realizavam os plantões noturnos e nos finais de semana e feriados, embora muitas vezes acabassem ajudando em cirurgias e procedimentos mais específicos. Shaina era especialista em oftalmologia e sempre era chamada quando algum cavalo apresentava lesões nos olhos, ela e Milo já tiveram um affair, mas não diziam ter um relacionamento, embora alguns plantões noturno já tivessem sido muito quentes para os dois.

— Por que demorou tanto?! Eu estava achando que você não ia voltar para a reunião! — Daidalos andava de um lado para o outro, o que deixava Milo um pouco incomodado.

— Faltam 2 horas para a tal reunião, por que estão tão ansiosos? — O escorpiano tirou alguns papéis da mochila entregando para Sísifo, retirou os tubos de exame coletados pela manhã da caixa de isopor para entregar ao laboratório. Quando Daidalos passou por ele, deu um soco leve no braço do moreno. — Para de andar, homem! O que vocês sabem sobre essa reunião que eu não sei?!

— Se lembra que a federação queria levar alguns veterinários para estágios em outros países para trazer novas técnicas e melhorar nossos cavalos? — Sísifo disse querendo parecer tranquilo enquanto passava os olhos pelos documentos entregues por Milo, mas tinha um movimento de perna insistente por baixo da mesa. — Minhas fontes na diretoria disseram que vai realmente acontecer…

— E achamos que você vai ser selecionado para ir! — Daidalos interrompeu o mais velho que apenas suspirou. — Você tem os melhores índices entre nós e já ficou na França por um tempo, achamos que vão te mandar pra lá.

Milo se apoiou em sua mesa, pensativo. Durante a graduação realizou seis meses de estágio na faculdade de veterinária de Nantes, foi uma experiência ótima e havia aprendido muito, mas não se deu muito bem com os alunos, os achava arrogantes e metidos a sabichões, mesmo muitas vezes não conseguindo realizar as mesmas atividades que ele. Após isso, desenvolveu um certo preconceito com os franceses.

— Hnm, preferia ir para a Inglaterra… — Suspirou. Os dois mais velhos o olharam com indignação. Milo sabia que era bom, sabia que tinha as maiores chances dentre todos lá e se tivesse essa oportunidade, preferia ir para um lugar novo. — Bem, vou almoçar.

Milo saiu da sala carregando os tubos, passou no laboratório os deixando na geladeira de amostras, conversou com os colegas do laboratório sobre amenidades e foi em direção a cozinha. Quem o visse diria que nada o incomodava, porém, como o bom escorpiano que era, o possível assunto da reunião havia alugado um apartamento em sua mente. Havia deixado uma salada leve pronta para o almoço e, enquanto comia, sua mente estudava todas as possibilidades de algo dar errado no processo.

E se não tivesse lugar para ficar no hospital de lá? E se tivesse que alugar um apartamento longe e tivesse que pegar metrô para chegar, como faria com as emergência de madrugada? E se não conseguisse se comunicar direito? Há faziam anos do seu estágio em Nantes, seu francês estava enferrujado. E se sofresse um acidente e precisasse de cuidados médicos? E mais uma infinidade de ansiedades descabidas foram criadas até o horário da reunião.

A sala de reunião estava lotada, os sete veterinários haviam chegado primeiro e aguardaram conversando amenidades até os diretores da federação chegarem. Eram executivos, pouco entendiam sobre cavalos, o que muitas vezes causava problemas para os veterinários, mas estavam tentando fazer os esportes equestres cresceram na Grécia e investiram muito dinheiro nisso.

— Muito obrigado pela presença de todos, sei que não agendamos essa reunião com antecedência, mas a presença de todos é fundamental. — O mais velho dos executivos falou primeiro, era o presidente, Sr. Karakasilis. — Imagino que estejam todos se perguntando o motivo da reunião, então vamos direto ao ponto: Firmamos uma parceria, com auxílio da Federação Equestre Internacional, para troca de experiência entre países, o que permitirá que alguns de vocês realizem períodos de estágio junto a veterinários de outras federações que deem suporte a cavalos de alto rendimento. Tudo isso visando trazer mais qualidade aos nossos atletas, para que possamos alçar voos maiores.

Então era real, a fonte de Sísifo havia sido certeira na informação. Todos os ouvintes olharam para Milo, que já não estava mais sendo tão efetivo em esconder a ansiedade. O diretor passou a palavra para o Secretário Dimaras, que iria passar mais informações sobre os selecionados e locais de estágio.

— Realizamos a seleção com base nos índices e especializações de cada um de vocês. A escolha de locais foi um pouco mais ampla, demos preferência por locais com tradição em várias modalidades, para que vocês possam adquirir conhecimentos e aprimorar as habilidades que já tem. — Eis que a idéia de ir direto ao ponto se perdeu e o secretário começou a falar sobre todos os lugares que foram cotados, entre eles: Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, China, Dinamarca, Milo já estava quase explodindo de ansiedade quando ele finalmente anunciou os selecionados.- Inicialmente, dois de vocês foram escolhidos, a depender do aproveitamento, pretendemos que toda a equipe clínica realize esse estágio. Escolhemos Shaina para ir para a Alemanha, acompanhar o centro de adestramento e paraadestramento de Munique.

Diversos aplausos, a Alemanha era a atual potência do adestramento mundial, com certeza Shaina teria muito o que aprender lá. Milo ficou feliz por ela.

— E Milo, você irá para Lamotte-Beuvron, na França. A federação francesa tem um centro de treinamento de hipismo completo extremamente capacitado, Sísifo tem um contato lá que irá realizar sua supervisão.

— Saga é o veterinário chefe da equipe francesa de hipismo completo, ele acompanha de perto todos os cavalos principais e reservas, você irá o acompanhar onde ele for. — Sísifo falou tranquilamente e sorriu ao notar a face de indignação de Milo e Daidalos, ele já sabia de tudo desde o início, só não podia contar. — Tanto você quanto Shaina irão ficar acomodados nos alojamentos dos referidos centros de treinamento, então não precisam se preocupar com acomodação, continuarão recebendo salários e conseguirão se manter sem problemas.

— Vocês viajam no início do mês, as passagens já estão compradas, irão pagar apenas as malas despachadas. — O diretor voltou para encerrar o assunto e dar outros avisos sobre como ficaria a escala e sobre as próximas competições, mas Milo não estava mais prestando atenção.

Era isso, iria voltar para a França, tinha pouco mais de 2 semanas para reavivar seu francês, embora soubesse que todos se comunicavam muito bem em inglês lá, teria que arrumar malas e convencer seus pais de que não os estava abandonando.

Milo não morava mais com seus pais, mas às vezes era como se morasse, passava boa parte do seu tempo livre lá, os ajudando com atividades da casa. Era filho único, então se sentia responsável por cuidar dos dois. Sua mãe queria um filho médico, e o pai preferia um agrônomo, mas o amor de Milo pelos animais não permitiria que ele fosse nada que não veterinário, eles aceitaram, porém nunca foram convencidos, diziam que Milo viajava demais e que era um trabalho perigoso. Quando ele foi para Nantes, sua mãe o ligava diversas vezes pedindo que retornasse para casa, pois seu pai precisava de ajuda ou porque ela estava doente (geralmente um resfriado), foi um período difícil, mas Milo resistiu e permaneceu até seu último dia. Esperava que fosse mais fácil conversar com eles agora.

O restante do dia se manteve com os acompanhamentos dos treinos e preparativos para a viagem de Milo, papeladas e organização para evitar sobrecarregar os demais veterinários, passagem de casos, organização de materiais. Daidalos ficaria como responsável e June iria passar para o turno do dia para ajudá-lo.

Milo chegou na casa de seus pais próximo às oito horas da noite. Era uma casa simples, no centro antigo de Atenas, mas não muito longe do apartamento que ele alugava há alguns anos. Sua mãe, Selene, o recebeu na porta, com um abraço caloroso.

— Que bom que veio filho! Seu pai teve uma crise de asma essa noite, fiquei preocupada. — Ela o dirigiu até a cozinha, onde havia acabado de servir o jantar. — Diga pra ele o que sentiu, Kardia.

O senhor Laskaris tinha 68 anos, tentava fazer não parecer, mas era debilitado por conta de um sério problema cardíaco, mesmo assim, ele era muito vaidoso e sempre estava praticando atividades físicas. Tinha um corpo forte para um senhor, era um pouco mais baixo que Milo e tinha diversos fios grisalhos entremeados com fios castanhos, em um corte curto e desarrumado.

— Eu não senti nada de mais, Selene! Foi só asma! — Reclamou enquanto colocava uma porção de carneiro com batatas na boca. — Só tomei o remédio e melhorei!

— Não fale enquanto mastiga! Olha o exemplo para o seu filho! — A mulher ralhou com o marido enquanto entregava um prato para o mais novo. — Eu fico preocupada! O Milo pode ter essa doença também, vocês deveriam procurar um médico!

Ela recebeu um uníssono de "Eu já fui ao médico!" e só bufou como resposta. Era bom estar em casa, nada melhor do que as reclamações da família para te fazer esquecer de um longo dia de reclamações no trabalho.

Eles comeram enquanto conversavam sobre amenidades, Selene não permitia que houvesse brigas ou discussões na mesa de jantar. Ela era magra, com longos cabelos loiros, parecidos com os do filho. Aparentava ser mais jovem do que seus 60 anos, podia-se dizer que Milo tinha de quem puxar seu porte físico e beleza.

Após ajudar a mãe a lavar a louça, se sentaram na sala para assistirem televisão, Milo aproveitou para comunicar sobre sua viagem.

— Mãe, pai, precisamos conversar…

— Você está namorando?! — Kardia interrompeu o filho e foi interrompido por Silene.

— Você vai finalmente nos dar netos?! — Ela ficou extremamente animada com a possibilidade. — Lembra, ele saia com aquela moça do trabalho, Shaina né? Muito bonita ela.

— Teve aquela sua namoradinha da faculdade também, como se chamava? Uma loira, ele encontrou com ela recentemente, eu me lembro! — Kardia dizia mais para a esposa do que para o filho.

— Fazem 3 anos que não a vejo, pai. — Milo passou a mão pelo rosto e respirou fundo, era sempre assim quando precisava conversar algo sério com eles. — Não estou namorando e não vou ter um filho, me deixem falar!

Os senhores pareceram ficar chateados e até perder um pouco do interesse na conversa. Mas ficaram em silêncio para que o filho desse continuidade.

— Ótimo. Eu recebi uma proposta no trabalho, para ficar 6 meses em Lamotte-Beuvron, na França, trabalhando em um dos centros hípicos de lá. Foi mais uma intimação do que uma escolha. Vou viajar no mês que vem. — Ele parou de falar, respirou fundo e observou seus pais, Selene parecia ter perdido o chão enquanto Kardia só se apoiou na poltrona e suspirou.

— Você vai ficar seis meses longe de nós?! Mas filho, e se acontecer alguma coisa?!

— Eu volto mãe, París não é tão longe e tem vôo direto para cá. — Ele falou tentando acalmar a mãe. — São 4 horas de viagem, posso ir e voltar no mesmo dia se for necessário.

— E vai ficar onde lá? Tem lugar já? É caro morar na França, mesmo no interior, vai conseguir se manter só com seu salário? — Kardia era mais objetivo, se preocupava mais com a parte prática.

— Vou ficar no alojamento e eu não ganho mal, pai, consigo me manter tranquilamente. — Estava revivendo o momento em que falou aos pais que faria intercâmbio na graduação, a diferença é que dessa vez não ia precisar contar moedas da bolsa de estudos como na época.

— É muito necessário que você vá? — Selene tentou argumentar. — Você sabe, me preocupo com a saúde do seu pai…

— Sim mãe, é muito necessário. Eu estou trabalhando para evoluir como veterinário e ir para lá é uma possibilidade de ter novos rumos. — Suspirou. — Além disso, tem outras pessoas da família que podem ajudar se vocês precisarem de algo.

— Mas nenhum deles é meu filho… — Ela se levantou e foi em direção ao quarto. Dava a conversa como encerrada, sabia que não ia mudar a posição do filho, mas deixaria claro que não apoiava.

Milo suspirou cansado, sabia que seria mais difícil com sua mãe, ela realmente se preocupava muito com a saúde de seu pai, e ter o filho por perto lhe dava segurança. Mas ele não podia negar essa oportunidade e faria o que pudesse para continuar dando suporte aos pais, mesmo que de longe.

— Ela vai entender. — Kardia disse por fim. — Sei que é importante para você e sua carreira, ela só tem medo de algo acontecer e estar sozinha.

— Eu sei pai, eu também tenho. — Milo se inclinou para a frente, ainda sentado no sofá e apoiou os cotovelos nos joelhos. Olhou para seu pai, que lhe sorriu de volta. — Antes de eu viajar, vamos ao médico e refazer todos os exames, quero garantir que esteja tudo certo.

Milo ficou ainda mais um tempo na casa dos pais, contando como seria o período na França e assistindo bobagens na televisão com o pai. Quando foi se despedir da mãe, ela já estava repousando, sussurrou um "boa noite, mamá" e saiu, passaria lá no dia seguinte para conversar com ela novamente.

Chegou na própria casa próximo às onze horas, juntamente com uma mensagem de Shaina. Logo que entrou no pequeno apartamento, retirou os sapatos e o restante da roupa enquanto ia para o banheiro e trocava mensagens com a mulher. A ideia era tomar um banho relaxante e dormir, mas talvez Shaina tivesse ideias melhores.

"Acho que como vamos ficar longe um do outro, deveríamos aproveitar o tempo que temos.

A propósito, parabéns pela seleção, vai arrasar corações na França." — 22:50

"Acho a ideia muito válida, mas acabei de chegar em casa e, você não está de plantão hoje?!

A propósito, parabéns pela seleção, vai arrasar corações em Munique, ao contrário de mim, que sou um santo e estou indo para a França exclusivamente trabalhar e trazer conhecimentos para casa" — 22:51

"Poupe-me do seu falso moralismo, Milo. Você pode ser tudo, menos santo.

E sim, estou de plantão, mas isso nunca nos impediu de nada, querido." — 22:52

"Acho que estamos falando do Milo errado, eu sempre fui santo.

Se eu aparecer nesse hospital e tiver alguma emergência, eu não vou ajudar. Estou indo." — 22:54

Notas finais
É isso pessoal, primeiro capitulo entregue.

Lembrando, qualquer coisa que não ficar clara, podem me avisar, vou melhorando aos poucos.