Notas iniciais
Estou on fire com todos esses capítulos saindo tão rápido hahaha. Mas a reta final se aproxima, estamos chegando na olimpíada! Acredito que não chegaremos a 30 capítulos. Hora de desvendar o passado do nosso Francês. Espero que gostem, esse é um capítulo mais introspectivo, focado em Camus mesmo.

Milo ajustava o GPS enquanto Camus terminava de colocar suas coisas no carro, era um pouco mais difícil com um braço só, mas ele havia negado a ajuda do loiro. Seriam sete horas de viagem, cruzariam a França de norte a sul. Iriam direto para o hospital, resolver as burocracias necessárias e, obviamente, visitar a mãe do francês. Milo estava um pouco ansioso por conhecer a família dele, tinha tão poucas informações sobre eles que era como se fossem personagens fictícios.

Camus apenas queria ver seu irmão, estava preocupado com ele, havia sido irresponsável de deixar Hyoga cuidar sozinho de sua mãe. Se sentia culpado por ele estar perdendo tempo no hospital ao invés de estudar para suas provas. Logo levaria ele para morar consigo e tudo seria melhor.

— Ok, vamos lá. — O grego ligou o carro e saiu do estacionamento do hotel. Fugiram do centro da cidade e logo já estavam na rodovia, agora era só seguir a estrada até o destino.

O francês estava em silêncio, às vezes se remexia no banco, provavelmente por algum desconforto no ombro. Olhava para fora e, se o loiro não puxasse um assunto logo, iria acabar caindo no sono.

Milo tentava formular uma frase para começar aquela conversa, que eles já deveriam ter tido a muito tempo, mas que havia ignorado por comodidade. Precisava saber sobre o passado dele, precisava entender o motivo pelo qual havia deixado o irmão sozinho e sua relação com sua mãe. Coisas que pessoas em um relacionamento discutiriam normalmente, mas um relacionamento com Camus era algo diferenciado.

Não queria pressioná-lo, não sabia até que ponto ele levava aquilo tudo a sério. Vinha sendo fácil conversar com o ruivo, ele vinha se mostrando mais aberto, mas tendo em vista os últimos acontecimentos, talvez ele não quisesse conversar.

Mas Milo era incapaz de ficar sete horas em silêncio. Decidiu seguir o coração.

— Camus… – Chamou sem jeito, era agora ou nunca. — Eu sei que você está passando por um momento difícil, e eu quero ajudar… Ao máximo possível.

O francês não olhava diretamente para o grego, mas podia vê-lo em sua visão periférica. Milo tentava manter os olhos na estrada, mas as vezes precisava olhar para o ruivo, as poucas expressões eram um sinal se a conversa ia bem ou não.

— Para eu poder te ajudar, preciso entender o que está acontecendo… — Suspirou, talvez fosse injusto cobrar isso dele naquele momento, mas ele precisava. — Eu preciso entender o que te perturbou tanto ao ponto de você se desconcentrar em uma prova.

Milo pousou a mão direita sobre a coxa do ruivo, precisava do contato, não queria que ele se sentisse acuado por tantas perguntas e se afastasse. Para sua alegria, Camus levou sua mão direita até a dele, segurando com carinho.

— Eu não sei o que somos… Digo, não me importo com rótulos, estou com você e está ótimo. Mas eu preciso que confie em mim.

O grego seguia seu monólogo, precisou colocar a mão de volta no volante.

— Camus, até hoje, eu não sabia que você tinha um irmão… — Os olhares se encontraram por um segundo, o menor suspirou. — Eu conheço o cavaleiro, mas eu quero conhecer mais sobre a pessoa com quem eu durmo…

Era justo, Milo sempre era muito aberto, não teve o menor problema em lhe contar sobre sua família, relacionamentos antigos, até sobre as dificuldades no intercâmbio, o que foi visualmente difícil para ele.

Por mais que se abrir fosse não fosse fácil, precisava dar esse voto de confiança a ele, se quisesse que aquele relacionamento perdurasse e, principalmente, se quisesse que ele tivesse motivos para permanecer ali. O ruivo se ajeitou novamente, seu braço doía, era difícil manter uma posição por muito tempo.

— Tudo bem. — Suspirou com um sorriso leve. — Temos um longo caminho pela frente…

“Eu nasci em Toulouse, meu pai era engenheiro da fábrica de aviões e minha mãe é professora de direito, veio como convidada da universidade de St. Petersburgo, e ficou na universidade da cidade. Eu sempre tive uma vida confortável, nossa casa era afastada do centro por escolha, assim meu pai podia ir a pé me levar para a escola e ir para a fábrica. Em uma dessas idas, eu vi um friesian pela primeira vez.

Havia uma fazenda no caminho para a escola, depois de um longo inverno, eles soltaram os cavalos no momento em que passamos. Foi uma das coisas mais incríveis que meu eu criança viu, fiquei impressionado com a força e potência deles, correndo, pulando e brincando pelo pasto. Eu e meu pai ficamos observando na cerca e, uma das éguas, jovem até, ficou curiosa e foi nos cheirar.

Eu tive medo quando ela chegou perto, era muito grande e imponente. Mas meu pai me incentivou a estender a mão e deixar que ela me cheirasse, depois a fazer carinho… Bem, depois disso não havia um dia em que eu não parasse ali para ver os cavalos. Devia ter uns seis ou sete anos.

Meu pai sempre foi muito estudioso, usava seu tempo livre para ler. Eu o acompanhava sempre, ficando horas e horas no escritório, ele começou a me dar livros sobre cavalos e equitação, despertando cada vez mais meu interesse.

Um dia, um final de semana de primavera, que saímos para caminhar, paramos na cerca para ver os cavalos e o dono da fazenda nos encontrou. inicialmente meu pai pediu um milhão de desculpas por estarmos atrapalhando, mas o senhor não estava incomodado, pelo contrário, ele nos chamou para conhecer.

A estrutura era incrível para a época, eu fiquei maravilhado, tudo o que lia nos livros estava na minha frente. Eles criavam friesian para exposições e atrelagem, estavam começando no adestramento. O dono, monsieur Pierre me perguntou se eu tinha interesse em aprender a montar.”

— Me lembro de me esconder atrás das pernas do meu pai quando ele perguntou isso. — Ele soltou um riso leve. Gostava daquela lembrança.

— Você tinha os mesmos cabelos vermelhos? — Milo formulava a imagem em sua mente, precisava de algumas características do personagem principal.-

— Sim. — Ele sorriu para o loiro. — Exatamente como os de meu pai.

“Naquele dia eu montei pela primeira vez e foi a melhor sensação da minha vida até ali. Na época não se preocupavam muito com a segurança das crianças, então só me colocaram um capacete grande e me soltaram com um cavalo de 1,69 de altura. Mas eu me saí bem.

Naquela tarde eu contei para a minha mãe e criei uma guerra interna naquela casa. Fui como qualquer criança animada com algo contar para a mãe, mas ela brigou com meu pai, dizendo que era perigoso e irresponsável, ela o proibiu de me levar lá. Você deve deduzir que a proibição não adiantou nada.

Todos os dias depois da aula, eu tinha aulas de equitação, foi muito fácil aprender com aqueles cavalos, eram todos muito mansos e muito bem treinados. Meu pai e eu vivíamos com nosso segredo. Ele dizia para minha mãe que precisava ficar uma hora a mais no trabalho e, por isso, só me buscava mais tarde. O quanto isso é saudável para uma família, eu não sei, mas para mim era incrível.

Comecei no adestramento e com cavalos professores como eles, em pouco tempo eu fazia as reprises básicas. Fui para minha primeira prova, escondido da minha mãe, com a égua que nos recebeu na cerca, Fan de Lege Geäen, e ganhamos a categoria iniciante.

Eu me senti incrível, carregava a medalha comigo para todos os lugares, mostrei para todos meus amigos na escola. A única pessoa que não podia saber era minha mãe, e eu levava isso muito a sério.”

— É por isso que você é tão bom no adestramento! — O grego estava admirado, geralmente os alunos começam no salto, pegando a base para controlar o cavalo e saltar, só depois aprendem a equitação clássica do adestramento, que é muito mais difícil.

— Eu tive uma boa base. — Sorriu, se orgulhava daquilo, monsieur Pierre foi, com seu pai, seus maiores incentivadores.

"Por incrível que pareça, vivemos dois anos tranquilamente sem que ela soubesse. Até o dia que eu caí pela primeira vez, o cavalo se assustou com algo e disparou. Havia tido uma chuva muito forte na noite anterior e algumas árvores tinham caído, eu tinha um bom acento já, consegui me segurar até ele ir em direção a um tronco, só fui junto, não sabia saltar ainda, mas aquilo me deu uma descarga de adrenalina. Eu queria fazer aquilo.

Me joguei no chão depois do salto, mas não me machuquei, só fiquei imundo. Quando chegamos minha mãe quis explicações reais do motivo daquilo, então meu pai teve que falar. Ela brigou muito, me deixou de castigo, teria colocado meu pai de castigo se pudesse. Fiquei uma semana indo de carro para a escola.

Mas não durou muito, meu pai voltou a me levar e eu voltei a montar, agora com algo novo em mente, queria saltar. O adestramento é incrível, importante, mas não tem a mesma emoção. Mas friesians não são feitos para salto, são muito pesados.

Meus primeiros saltos foram com a Fan de Lege, mas eram dois inexperientes naquilo. Tentamos algumas vezes mas monsieur Pierre não ficou satisfeito, eu fiquei frustrado, achei que nunca conseguiria saltar. Mas, uma semana depois, chegou um sela francesa no haras. Caracole já era formado, foi o primeiro cavalo com quem saltei de verdade. Minha evolução foi tão absurda, com ele, que até o monsieur ficou abismado. Em menos de um ano, eu saltava um metro com facilidade.

Nesse ponto minha mãe teve que ser avisada sobre minhas pretensões no esporte. Ela lavou as mãos, disse que eu e meu pai teríamos que arcar com tudo, ela não apoiava, então não participaria. Não me importei, meu pai estaria comigo.

Ganhei todas as provas mirins que participei com o Caracole. Minha primeira prova só com meu treinador foi em Paris, minha mãe havia acabado de anunciar a gravides e meu pai precisou ficar com ela, não ganhei mas percebi que era capaz.

Quando Hyoga nasceu eu tinha onze anos, já ia para a escola e para o haras sozinho, treinava, cuidava dos cavalos e voltava para casa. Nos finais de semana, era difícil me encontrar em casa durante o dia, sempre estava lá, ajudando.”

— Eu fazia provas no país todo e eram raras as que não estava no pódio. — Camus riu da cara de ironia do grego. — Antes que diga algo, não eu não me achava por isso. Eu queria melhorar cada vez mais.

— Nem um pouco? — Ele riu também, ele estava se soltando, era bom.

— Talvez um pouco na escola. — Assumiu com um riso leve, mas realmente não era de se comparar com os outros, seu maior desafio era ele mesmo.

“Quando eu não estava na escola ou treinando, estava com meu irmão. Passava horas vendo ele dormir, li todos meus livros para ele, em ambas as nossas línguas. Minha mãe ficava feliz quando me via com ele, era meu modo de receber algo positivo dela.

Com quinze anos participei da minha primeira prova internacional, em Oslo, quando conheci o Afrodite. Foi incrível. eu já montava o Triton, primeiro cavalo formado para mim, ele era mais novo, um pouco temperamental, mas eu conseguia controlá-lo. Fiz a primeira prova à 1,20 metros, ficando atrás só de cavaleiros mais experientes.

Quando voltei, descobri que meu pai estava internado. Havia sofrido um acidente no trabalho e não estava nada bem. Quando cheguei ao hospital, ele parecia ótimo, me perguntou da prova, se eu havia ido bem, conversamos bastante até ele dormir. Depois ele nunca mais acordou.”

Camus olhou para baixo, sentia falta de seu pai. A pessoa que mais o apoiava havia morrido precocemente, ficou à mercê das migalhas de amor dadas por sua mãe. Milo voltou a colocar a mão sobre a coxa firme dele, o dando suporte.

“Logo depois, ficamos três meses em Moscou, minha mãe precisou organizar coisas que eu não me lembro mais, também não me importava muito. Odiava viver lá, eu era o estranho dos cabelos vermelhos e com sotaque esquisito. Eu só queria voltar para Toulouse e para meus treinos.

Quando meu segundo ano do Lycée (1) estava para começar, minha mãe decidiu voltar. Eu treinei diariamente até novembro daquele ano, quando o monsieur Pierre ficou doente e faleceu, eu perdi as duas pessoas que mais me apoiaram em menos de um ano. Com a morte dele, descobri que o velho tinha deixado metade do haras e todos os cavalos para mim, em testamento, a família dele não ficou muito feliz.

Eu já era mais velho e tinha uma certa noção das coisas, entendia que aquilo era meu. Mas minha mãe ficou como responsável legal e ela fez o que eu mais temia, vendeu minha parte do terreno e todos os friesians de volta para a família do Pierre, me deixou com meus dois selas francesas, Triton e uma potra que ele comprou para mim enquanto eu estava na Rússia.

A justificativa foi de guardar o dinheiro para eu garantir meu futuro. Mas para mim, ainda mais naquele momento, aquele lugar era a minha vida. Só não saí de casa por causa do Hyoga, que ainda estava muito mal pela perda de nosso pai.

Mas, no dia seguinte ao meu aniversário de dezoito anos, eu arrumei minha mala, embarquei meus cavalos e fui para Paris, trabalhar como tratador no Du Jardin (2). Ela fez um show, dizendo que eu estava abandonado a família, abandonando tudo que meu pai tinha feito por mim, principalmente abandonando meu irmão. Foi muito difícil, mas eu fui.

Já tinha acesso ao dinheiro das vendas, posso dizer com certo sucesso que ainda colho os frutos dele. Eu vivia com o mínimo para cuidar dos meus cavalos e conseguir competir. Formei a potra, que chamei de Piemonte du Loz, depois de duas provas grandes com ela, recebi uma proposta de venda, um valor absurdo para a época.

Continuei com o Triton e fomos nos tornando mais fortes, vencemos tudo que participamos. Ganhava, muitas vezes, dos cavalos que eu mesmo tratava, então fui promovido para treinador, trabalhava iniciando os potros até os cavalos de provas grandes.

Eu ganhei a confiança do dono do haras, montava os cavalos mais caros, com o maior potencial, alguns eu acompanhava em provas, comecei no hipismo completo. Estava vivendo do jeito que queria, trabalhando com cavalos, competindo. Eu poderia ficar ali.”

— Mas as coisas nunca acontecem como queremos, não é. — O mais velho suspirou.

— Já era de se imaginar, não? — Se ajeitou no banco novamente. Agora olhava a janela.

“Hyoga ficou doente, uma pneumonia muito séria, eu quis levá-lo para Paris, ficar com ele e garantir os melhores médicos, mas minha mãe não aceitou. Eu voltei para Toulouse por ele.

Ficou três meses internado e eu fiquei os três meses com ele, não saia do hospital. Triton recebeu uma proposta de compra e, com medo de não conseguir cuidar dele, eu aceitei. Dentre tantas perdas, foi uma das piores dores que eu senti, era como se eu estivesse rompendo meu último vínculo com monsieur Pierre.

Agora, sem cavalo e sem emprego, eu não tinha mais como competir. Fiquei dois meses trancado no meu quarto, vendo só o Hyoga, parecia que tudo tinha acabado. Até que Afrodite ligou, dizendo que havia conseguido um trabalho para mim em Oslo. Não pensei duas vezes antes de ir.

Fiquei algum tempo lá, até receber a proposta da federação francesa, para treinar no centro equestre federal, com um cavalo que eles acreditavam que seria campeão olímpico. Dite me apoiou e eu voltei, comecei como auxiliar do Shion, mas ele insistiu até que eu fosse contratado como cavaleiro.

O cavalo era o Aquarius, não preciso dizer que não vivemos muita coisa juntos não é?”

Milo absorvia tudo o que havia ouvido. Na sua cabeça, Camus era como a maior parte dos cavaleiros, alguém de família rica que sempre o incentivou no esporte e o fez chegar onde chegou, como a Saori, mas não era nada disso.

— Desde que eu voltei para a França, fui poucas vezes para Toulouse. — Bocejou, já estava há muito tempo dentro de um carro e ainda não tinha dormido, era quase inédito. — Na maioria das vezes foi porque Hyoga me pediu muito.

— E o que sua mãe tem? — O grego notou que ele não havia comentado sobre a doença da mãe.

— Ela descobriu um câncer muito agressivo, há uns três anos. — Estava sério, era compreensível que ele não tivesse apego à mãe. — Fez todos os tratamentos possiveis, mas os médicos disseram que quase todos os órgãos estavam tomados e que ela poderia não aguentar mais.

— E você ficou com medo dela morrer e Hyoga estar lá sozinho para lidar com isso, não é? — O loiro acariciou os cabelos vermelhos.

— Sim… — Um suspiro mais pesado fez seu ombro latejar. — Eu… ai. Tinha minhas obrigações com a equipe, mas também não adiantou muito.

— Você teve um problema pessoal, Camus. — Milo tentava se convencer com essa frase — Você não é uma máquina…

— A federação não se importa com os meus problemas pessoais. — Riu irônico. — Eu já tive problemas pessoais de mais para eles.

O sol começava a se pôr, deveriam faltar quase três horas de viagem.

— Milô… — Ele estava cansado. — Se importa se eu dormir, um pouco?

— Você nunca me perguntou se podia dormir ou não no carro — O grego riu, Camus tinha reações engraçadas.

— Estávamos conversando, não tinha como saber se você queria continuar. — Bufou, voltando a se ajeitar. — Vou dormir então.

— Haha, está tudo bem. Descanse.

Milo ficou admirado ao sair da rodovia e entrar na cidade. Era muito colorida, as paredes dos prédios mais antigos tinham uma coloração rosada, já os prédios mais modernos eram iluminados pelas diversas luzes das pontes e ruas. Ela deveria ser ainda mais charmosa durante o dia.

Não foi difícil chegar ao hospital. Acordou o francês assim que estacionou e saiu do carro se alongando, havia sido uma viagem longa e sem paradas. Era um prédio antigo da cidade, fazendo parte da universidade de Toulouse, que ficava às margens do rio Garona.

Camus entrou, indo direto para a recepção e sendo indicado a subir dois andares. Entraram no elevador lado a lado, mas Milo podia sentir a tensão do corpo dele.

— Ei. Eu estou aqui com você, ok? — O abraçou, com mais cuidado dessa vez, acariciando os cabelos. — Não vou sair daqui.

— Milô… — Ele ponderou. — Você…

A porta se abriu e eles foram surpreendidos por um garoto de cabelos loiros e olhos luto azuis, que gritou o nome de Camus e correu até ele.

— Camus!! — Ele o abraçou com força, fazendo o francês contrair o rosto pela dor, mas logo passou.

— Ya priyekhal, brat.(3) — Ele correspondeu o abraço, estava com saudades do irmão, que era pouco mais baixo do que ele.

Eles conversavam em uma língua completamente estranha ao grego, mas que ele deduziu, com base na história anterior do francês, ser russo.

— Hyoga, esse e Milo. — O ruivo apresentou os dois, falando em francês para que o grego conseguisse entender. — Ele é veterinário dos meus cavalos e…

— Meu irmão me falou sobre você. — Os cabelos loiros eram lisos, indo até os ombros, se prestasse muita atenção, dava para ver algumas semelhanças entres os dois, mas definitivamente não pareciam irmãos.

— Espero que coisas boas. — Milo sorriu, simpático. Sentia que estava fazendo parte da vida de Camus, de verdade agora. Ele deu um meio sorriso resposta, indicando o quarto da mãe em seguida.

Era um quarto amplo, com porta automática de vidro. Havia uma cama no centro da parede, cuja paciente tinha diversos aparelhos conectados, muitas luzes piscantes e ondas coloridas. Ela dormia, tinha uma expressão serena, o rosto era pálido e magro, mas não era feio. Tinha cabelos loiros muito claros e longos, ondulados. Hyoga se parecia muito com ela.

— Ela tomou um remédio para dor há pouco tempo… — O mais novo tinha uma expressão de carinho com a mulher, mas essa não era compartilhada pelo mais velho. Camus carregava seu olhar blasé, não estava ali por ela.

— Você quer que Milo te leve para casa? — Camus se virou novamente para o irmão, apoiando sua mão livre no ombro dele. — Você pode descansar e dormir lá, eu vou ficar com ela.

O mais novo pareceu ter alguma dúvida, olhou para a mãe dormindo e depois para o grego. Realmente queria dormir em sua cama, mas deveria?

— Mas você está machucado, você precisa descansar. — Estava preocupado com o irmão, Camus nunca caia do cavalo, sentia que era de algum modo responsável por aquilo.

— Não se preocupe com isso…

Foram interrompidos, desta vez, por um médico, jovem, de cabelos castanhos arrepiados que entrou no quarto, indo em direção ao ruivo.

— Camus! Que bom que chegou. — Ele abriu os braços para abraçá-lo mas parou ao notar a tipóia. — O que houve? Caiu do cavalo, não é? Você fez exames desse braço? Sua mão está edemaciada.

— Pratico um esporte de risco. — Ele sorriu sem graça. — Obrigado por cuidar do Hyoga por mim, Izaak.

— Não precisa me agradecer. — Ele segurou a mão apoiada do outro, fez alguns movimentos leves no braço, o fazendo resmungar. — Venha, deixa eu avaliar isso enquanto conversamos.

Um mal estar tomou conta do corpo de Milo, ele chegou a dar um passo, pensando em acompanhá-los, mas recuou. Quem era aquele homem, porque ele parecia tão íntimo do cavaleiro?

Ele manteve os olhos fixos em Camus, até eles entrarem em uma das salas. Engoliu a seco. Não havia notado, mas o russo mais novo o olhava curioso, apoiado na cômoda que ficava no canto do quarto.

— Você sabe quem ele é? — Ele perguntou sério, recebendo uma negação com a cabeça. — Imaginei…

A pausa dramática incomodou ainda mais o grego, por que ele imaginava que ele não saberia?

— Isaak é ex-namorado do meu irmão. — Hyoga disse sem se alterar, mas se aproximou do outro loiro e sussurrou. — Mas minha mãe não sabe.

Não se importava se a mãe deles sabia ou não. Queria saber o por que ele não sabia, por que Camus não achou que era interessante dizer que o médico que cuidava da sua mãe moribunda era seu maldito ex-namorado?

Respirou fundo, se Camus não havia lhe contado sobre ele, é por que ele não era importante, certo?

— Eles terminaram quando Camus foi para a Suécia. — Ele continuou sua narração, como se avaliasse as reações do grego. — Mas Isaak gosta muito dele, até quis voltar quando ele foi para Orleans, mas Camus não quis, disse que não tinha tempo para relacionamentos.

— Por que está me contando isso? — Milo controlou a voz de raiva. Queria gostar de Hyoga, mas ele não estava colaborando.

— Por que eu gosto do Isaak. — Ele sorriu. Ok, o sorriso era igual ao do irmão mais velho. — E você precisava me provar que merece meu irmão ainda.

Uma enfermeira entrou para fazer os parâmetros da paciente, cortando a conversa dos dois. Milo tentava de todo modo se convencer que estava tudo bem e que Camus lhe explicaria tudo assim que possível. Péssimo momento para uma crise de ciúmes.

Camus, por sua vez, foi quase arrastado pelo médico para uma das salas de atendimento. Ele o solicitou que se sentasse na maca, o que fez sem reclamar. O moreno o ajudou a retirar a tipóia, soltando o braço.

— Você não costuma se machucar. — Ele apalpava todas as articulações do braço machucado, Camus reclamou quando tocou-lhe o ombro. — Estava preocupado com seu irmão, não é?

— Sim… — Evitava contato visual, evitava manter o assunto. Gostava de Isaak, mas o tempo deles já havia passado e não tinha o menor interesse em relembrá-lo.

— Você fez exames de imagem? Te deram algum remédio.

— Sim, eu fiz um raio x, só desloquei com a pancada. — Suspirou. — Fizeram duas aplicações e passaram alguns orais.

— Quais? Quero saber tudo que foi feito e prescrito. — O moreno era alto, tanto quanto Milo, mas menos forte. Tinha um olho castanho e outro azulado, por uma alteração genética, chamava atenção por onde passava.

— Isaak, estou aqui para falar sobre a minha mãe. — Camus o cortou, colocando a tipoia novamente e se levantando.

O médico se afastou, sentando-se à mesa, chamou o outro para fazer o mesmo.

— Sua mãe está morrendo, Camus. — Foi realista, conhecia o ruivo e sabia que ele preferia que fossem direto ao assunto. — O câncer se espalhou muito nos últimos meses, mesmo entrando com outra opção quimioterápica, ela não respondeu como esperávamos. Estamos fazendo o possível para que ela não tenha dores ou outros sintomas, mas infelizmente, o prognóstico é desfavorável.

— Bem, eu estou aqui agora, ficarei até o fim — Suspirou. — Que documentos preciso assinar?

Ele passou algumas folhas ao ruivo, que foram devidamente lidas e assinadas. Burocracias feitas, ele poderia voltar, se levantou indo até a porta.

— Camus… — Isaak segurou-lhe o braço livre. — Fazia tanto tempo que não te via. Você segue lindo…

O cavaleiro estreitou os olhos.

— Vamos deixar algo claro. — Os olhos gélidos se fixaram nos bicolores. A temperatura do cômodo pareceu despencar. — Eu sou grato pelo que fez à minha mãe e ao meu irmão. Mas não quero nada com você, há um bom tempo, então siga fazendo apenas o seu trabalho.

Se virou, saindo do cômodo e deixando o médico o observando. Milo o esperava, apoiado na parede do quarto e viu quando o ruivo deixou a sala, parecendo irritado, instintivamente foi até ele.

— Tudo bem? — Perguntou ao encontrar com ele. — Parece irritado.

— Nada de mais... — Sorriu para o veterinário. Ouviram sons vindos do leito, a mulher parecia ter acordado.

Hyoga correu até a cama, segurando a mão da mãe. O ruivo se aproximou, mas ficou ao final do leito e Milo ficou um pouco mais afastado, sua presença ali não era o foco. A mulher abriu os olhos muito azuis, como os de Hyoga, pareceu demorar para focar, mas seu rosto se alegrou ao ver o filho mais velho. Eles passaram a conversar em russo.

O grego os observava, não pareciam uma família muito carinhosa, com exceção do mais novo, que sorria e acariciava o rosto e a mão da mãe, Camus parecia indiferente às coisas que ela dizia, respondendo em poucas palavras. Assim como a mulher, que descobriu se chamar Anastácia, parecia feliz em vê-lo mas não parecia demonstrar nenhum carinho em sua fala.

O médico entrou no quarto, ignorando o grego e afundando ainda mais o humor deste.

— Boa noite, Madame. — Ele sorriu para a mulher, fazendo alguns testes de reflexos oculares com uma lanterninha. — Está feliz que seu filho chegou?

— Você já viu o ombro dele? — Ela dizia com a voz fraca. — Está tudo bem?

— Sim. — Ele sorriu para o ruivo, que suspirou pesado. — Ele deslocou na pancada.

— Eu sempre disse que ia acabar se machucando de verdade em algum momento. — Ela tossiu. Camus rolou os olhos, seria ilusão achar que ela teria mudado.

— Mamá, não se esforce. — Hyoga tirou alguns fios teimosos que caíram sobre o rosto dela. — Não está feliz que Camus chegou? Logo poderemos ir para casa…

Os três homens adultos da sala suspiraram, por mais que soubesse que não seria possível, é o que Hyoga queria e ele era só uma criança.

— Vou ficar aqui para que Hyoga possa ir para casa descansar, mãe. — Camus apenas comunicou. Ele se virou para o grego. — Pode levá-lo por favor?

Pela primeira vez a russa olhou para o grego. Uma curiosidade tomou conta de seu corpo.

— E quem é esse moço tão distinto? — Ela sorriu, tinha um sorriso bonito, mas não era o mesmo dos filhos, Milo deduziu que haviam puxado do pai.

— Este é Milo. — Camus estendeu o braço a ele, lhe oferecendo a mão. Ele hesitou, mas foi em direção ao francês. — Ele é veterinário dos meus cavalos e… Meu namorado.

O silêncio perdurou por alguns segundos. Milo estava chocado, eram namorados então? Queria chorar, abraçá-lo e beijá-lo, mas se conteve. Issak estava boquiaberto, durante todo seu relacionamento com o cavaleiro, ele nunca permitiu que a mãe soubesse, o que havia mudado? O loiro mais novo também estranhou, mas se divertiu com o choque de todos, ele era o único que sabia ali.

— Eu teria demorado muito mais para chegar, se Milo não tivesse dirigido até aqui por mim. — Ele deu um sorriso leve para o grego, apertando sua mão com força, como se solicitasse uma energia extra.

— Não foi nada de mais. — Ele respondeu com um sorriso.

A loira o observou, sua feição era indecifrável.

— Venha aqui, sim… — Ela esticou a mão ao grego, que engoliu a seco antes de caminhar até a beira da cama. Ela segurou-lhe a mão, Camus estava tenso agora, ela encarou o grego com um olhar tenro. — Muito obrigada por trazer meu filho até mim.

— Não precisa agradecer, madame. — Ele sorriu e recebeu um sorriso carinhoso como resposta.

— Se puder levar Hyoga para descansar, ele já ficou muito tempo aqui. — Ela pediu, quase como uma súplica. Milo apenas concordou.

A russa pediu ao filho para acompanhar o grego, depois de algumas reclamações, eles partiram para a casa onde o francês morou por muitos anos. Milo estava ansioso em conhecer.

Após todos os outros deixarem o quarto, a russa solicitou que o filho se sentasse ao lado dela. Camus engoliu a seco, não queria, mas precisava resolver as coisas com a mãe, ou não teriam mais essa chance.

— Namorando, então… — Ela disse, assim que ele se sentou.

— Eu não me importo se você não aprovar. — A resposta foi rápida, uma tentativa de se defender, já esperava as próximas falas dela.

— Não tenho motivo para não aprovar, Camus. — Ela sorriu, fazendo o ruivo a encarar surpreso. — Eu sou grata por ele ter trazido meu filho até mim, porque sei que você não viria sozinho.

— É, realmente fui obrigado. — Ela deu um riso baixo, tinha certeza.

— Eu errei muito com você, meu filho. — Ela acariciou os longos cabelos vermelhos, tão iguais aos do grande amor da sua vida. — Sei que é muito fácil me arrepender no final da vida, mas eu quero pelo menos, pedir que me perdoe.

Camus não respondeu, não esperava que sua mãe fosse lhe pedir perdão. Ela realmente estava arrependida?

— Eu não tenho como dizer que tinha um motivo para tudo que fiz. — Ela suspirou, pareceu sentir uma pontada no abdômen e apertou o local com a mão. — Eu poderia querer cuidar de você a todo custo, mas poderia ter feito isso de outro modo. Um modo que não te afastasse de mim.

Pela primeira vez, em muito tempo, ele a olhou com algum carinho. Os olhos gelados não estavam tão rígidos.

— Eu sei que você sofreu muito quando seu pai morreu. Dentre nós, foi quem mais sofreu. — Uma lágrima desceu pelo rosto magro e pálido da mulher. — Mas eu não soube lidar com a perda e não permiti que você lidasse também. Achei que indo para a Rússia, as coisas ficariam mais fáceis, mas eu só te afastei cada vez mais.

— Eu odiei ir para a Rússia. — Disse simplesmente. Havia deixado muito claro para a mãe que não queria ir.

— Eu sei. Mas meu maior erro foi te tirar os cavalos… — Ela estendeu a mão para tocar-lhe o rosto, mas ele não permitiu. — Você nunca mais olhou do mesmo jeito para mim depois daquilo. Como eu me arrependo, filho.

— Você teve a chance de me manter em casa, mãe. — Ele se controlou para não derramar algumas lágrimas que insistiam em se formar.

— Sim… infelizmente, filho, perdi muitas chances com você. — Ela olhou para a janela, vendo as folhas balançarem. — Não espero que me perdoe.

— Eu não sei se conseguiria... — Ele foi sincero. — Por mais que não tenha como saber se estaria no mesmo lugar hoje se tudo isso não tivesse acontecido… Tudo me machucou muito. Você me fez sair de casa, me afastou do meu irmão…

Uma enfermeira entrou no quarto, pedindo desculpas por atrapalhar a conversa, ela fez uma aplicação de medicação contra dor.

— O Dr. Isaak pediu que te entregasse esses comprimidos, disse para tomar de oito em oito horas. — Ela entregou duas cartelas para o ruivo, que agradeceu, e saiu.

— Isaak gosta de você… — Ela sorriu, já ficando um pouco zonza.

— É, mas ele não se empenhou tanto assim em gostar de mim quando teve a chance. — Disse seco, mas tomou a medicação. Seu ombro já voltava a latejar.

— Acho que não vou conseguir terminar nossa conversa, filho…

A russa dormiu e o cavaleiro ficou ali, a observando. Pensou se conseguiria perdoar tudo o que ela fez, seria difícil, ainda mais na situação atual, mas poderia tentar. Acabou por sentir sono e apoiar a cabeça na borda da cama, dormindo ao lado da mãe.

Hyoga não parecia nada animado em ir para casa com o grego, embora cansado, preferia ficar no hospital com a mãe. Fazia questão de não indicar o caminho correto para o motorista que acabou por desistir e colocar o endereço no GPS.

Chegaram muito mais tarde do que o esperado. O mais novo apenas mostrou onde era o quarto do irmão e foi para o seu. Milo suspirou, ele estava passando por um momento muito estressante, não era culpa dele. Pelo menos era com o que queria se convencer.

Deixou sua mala no quarto do cavaleiro, tudo muito bem organizado, como sempre. Havia uma prateleira, com fotos, troféus e medalhas, pareciam de quando ele era mais novo. Pegou uma das fotos, onde se viam Camus montado em uma égua toda preta, um homem de uns quarenta anos, de cabelos vermelhos e lisos e o mesmo sorriso do cavaleiro, com certeza era seu pai, eles eram incrivelmente parecidos. Também havia um senhor, de cabelos brancos e face gentil, Milo deduziu ser Pierre. Provavelmente era da primeira prova que o ruivo participou.

Retornou-a ao local e uma escarapela específica lhe chamou a atenção, tinha as cores vermelha e branca e o escrito “Tóquio 2020”, realmente nunca tinha parado para pensar onde ela estaria, uma vez que não estava na casa dele. Aquilo, era o maior prêmio de um cavaleiro, após a medalha olímpica, era a prova que ele havia competido e ficado entre os seis primeiros do mundo.

Milo olhou em volta novamente, tudo estava muito limpo, como se fizessem questão de mantê-lo em ordem para quando Camus voltasse. Sentiu-se triste por tanta coisa ter acontecido de ruim para aquela família.

Seu estômago fez questão de lembrá-lo que estava sem comer desde o café da manhã. Não tinha o ruivo para cozinhar para ele, então teria que se virar. Caminhou com cuidado até a cozinha da casa, não era grande, mas era bem completa. Olhou na geladeira, havia algumas coisas que ele poderia cozinhar, no congelador havia alguns croissants congelados, optou por assá-los e fazer um omelete.

Preparou seu prato e um para Hyoga, não sabia se ele iria querer comer, mas iria oferecer. A porta do quarto do menor estava entreaberta, um fio de luz do corredor permitiu que Milo identificasse o corpo dele deitado na cama. Entrou lentamente e pode ver que o garoto dormia abraçado à mascote da olimpíada de três anos atrás, Camus deveria ter dado a ele. O grego posicionou o prato na mesa de cabeceira e encostou de leve no jovem.

— Ei, Hyoga, fiz algo para você comer… — Não obteve resposta. — Bem está aqui, ok…

Deixou a porta ainda semi-aberta, caso algo acontecesse poderia escutar. Voltou para a cozinha, se sentando à mesa e comendo lentamente. Se perguntava como Camus estava no hospital, se ele havia conversado com a mãe… Se irritou consigo mesmo ao se perguntar se ele teria conversado com Isaak novamente.

Ao terminar, organizou as louças e voltou para o quarto, não sem antes passar pelo do mais novo e ver o prato vazio, sorriu. Quando deitou, o cansaço da viagem e tensão de tudo que havia acontecido antes cobraram seu preço, dormiu rápido em um sono sem sonhos.

Camus acordou de madrugada, com mais uma enfermeira entrando no quarto. Sentiu a mão da mãe sobre a sua e permitiu sorrir, contato físico nunca foi o forte daquela família. Seu corpo todo doía, Os remédios de Isaak o ajudaram a dormir, mas não conseguiam fazer milagres.

Ele se levantou e deitou na poltrona do quarto, um pouco mais confortável do que a cadeira que estava até agora. Antes de se acomodar, pegou seu celular, haviam muitas mensagens não respondidas:

Afrodite o havia xingado em três línguas diferentes, mas no final perguntava se ele estava bem e pedia para mandar notícias sobre sua mãe e Hyoga.

Aioria também perguntava se estava tudo bem e dizia que acompanhou o embarque do cavalo dele de volta para o centro equestre, ele voltou antes por conta das dores, mas já estava melhor. Mas caso ele quisesse que ele passasse um tempo em Londres, não acharia ruim.

Marin dizia estar com ele, para o que precisasse. Para não ligar para as besteiras que Aioria dizia. “Te amamos xoxo”

Saori perguntava sobre ele, como estava com sua mãe e irmão, havia ameaçado pegar seu avião e ir para Toulouse se ele não respondesse até a manhã seguinte.

Saga o avisava sobre o embarque e chegada de Belle Époque ao centro federal. Tudo havia ocorrido bem e ele podia descansar. O pedia notícias e dizia que eles iriam para lá caso precisasse.

Kanon dizia para ele se lembrar de todas as conversas que tiveram e não deixar de tomar os remédios. Poderia ligar se precisasse.

Hyoga o dizia que seu novo namorado era chato e que não sabia dirigir pela cidade. O que era no mínimo óbvio, uma vez que Milo nunca havia estado ali.

E, por fim, mas não menos importante, o grego o mandou uma foto de uma foto sua, da sua primeira competição de adestramento, dizendo que ele era uma criança muito fofinha. Aquilo o fez rir, Milo sabia que ele não estava bem, então se concentrou em o ajudar a sorrir.

Abraçou o celular ao se acomodar na poltrona. Milo havia sido uma das suas melhores escolhas na vida, era cedo demais para dizer que o amava?


Notas finais
Legenda: 1- Lycée: É o "ensino médio" francês. 2- Du Jardin: é um dos haras mais famosos da França, onde muitos cavaleiros olímpicos já treinaram. 3- Ya priyekhal, brat.: Segundo o google, "Eu cheguei, irmão". Não me responsabilizo por essa tradução Haha. Camus muito boiolinha pensando no Milo, amo <3 E aí, o que acharam? Espero que estejam gostando! Qualquer dúvida estou à disposição, até o próximo!