O Mutante
2 Capítulo 2: Transformação
Notas iniciais
—Eu te amo! – acabo de me declarar a pessoa que amo.
Meu nome é Chad, sou um estudante da normal que cursa a oitava série. Sou bem baixo se comparado aos outros homens da sala, e também sou muito magro. Mas voltando a esse momento decisivo em minha vida, estou me declarando para minha amada Sabrina. Ela é uma menina da minha sala, gosto dela dês da quinta série, mas só agora tive coragem de me declarar.
Agora mesmo estamos em na festa de formatura da turma, e talvez a ultima vez que eu verei.
— Quer namorar comigo? –Pego o buquê de flores que trouxe e entrego a ela — Vendo que após algum tempo, ela só tinha me encarado, entreguei o buque, a pedindo em namoro. Nossa, estou escutando meu coração bater, parece que ele vai subir e sair do meu corpo, mas sei que isso é culpa das glândulas suprarrenais, que estão injetando adrenalina no meu sangue. Então vejo ela abrindo a boca para me responder:
— Afff... Cai fora otário! – Pega minhas flores que dei a ela, solta elas no chão e vira de costas, indo embora.
Fiquei parado ali por alguns minutos. Uma sensação muito ruim corre pelo meu corpo. Não sei por quê, mas achava que ela iria me aceitar, e viveríamos felizes para sempre. Olho para o lado, onde estão todos os meus amigos rindo e apontando para mim, exceto meu melhor amigo, Hildebrando – Sim, ele tem um nome bem incomum — que deve ter ido atrás da Sabrina, para brigar com ela, mas tenho medo que ele bata nela, ele é bem violento.
Me sento num banco qualquer, com uma cara de tacho de dar pena. Após alguns minutos, quando eu olho para a multidão da sala dançando, meu corpo é preenchido pela raiva. Não tenho palavras para descrever o isso, Hildebrando e a Sabrina, se abraçando e se abraçando, juntinhos.
Não aguento mais ficar nesse lugar. Saio do salão e vou caminhando para casa sozinho mesmo, o salão é próximo de minha casa, só uns vinte minutos de caminhada. Meu pai viria me buscar, mas foda-se, não to ligando. Apenas não quero ficar mais lá. A rua está completamente deserta, e apesar de ser uma da manhã mais ou menos, os postes ainda não acenderam. Mas no final da rua dá pra ver uma luz, provavelmente foi nessa rua que deve ter caído a energia ou algo assim. A última coisa que me lembro é de estar mais ou menos na metade da rua, quando tudo ficou preto.
Ai. Sinto uma picada em meu peito, bem onde fica o coração, depois dessa picada, vem uma sensação de calor, muito calor, começo a suar, e então a dor. Muita, muita, mas muita dor, e após um tempo, essa mesma dor completamente começa a se espalhar pelo meu corpo. Guiado pela dor, abro meus olhos, que mesmo sendo ofuscados pela forte luz, não conseguia fechar, e começo a gritar. Ao mesmo tempo que comecei a gritar e me contorcer, ouvi outros gritos, muitos outros. Quando consegui focar minha visão, percebi que estava preso a uma mesa, tipo aquelas de tortura da idade média, prendendo meus braços, pernas e meu tronco. Via também, pessoas com um jaleco branco, fincando umas seringas com um líquido roxo no coração de todas as pessoas da sala, que deviam ser umas trinta.
Gritando e gritando, essa dor parecia nunca acabar. Via quem estava na cama ao meu lado, ela era bem bonita, devia ter uns 25 anos. Ela estava na exata situação do que eu: não sabemos o por quê, apenas fomos submetidos a algum tipo de experiência maluca, sendo obrigados a sentir essa dor, em cada mínimo músculo pelo sangue. Julgando pelo o que parece, eles devem ter injetado algum líquido pelo sangue, e o coração fez o resto, espalhando ele pelo corpo. Então, a mulher para de se mexer. É como se fosse uma reação em cadeia, todas as outras pessoas da sala, vão parando de se mexer, mas minha dor não passa.
Passado alguns segundos, só havia eu gritando e me contorcendo, solitariamente, na sala, e essas pessoas de branco começaram a me encarar, alguns assustados, outros com um rosto esperançoso. Mas a dor não passa, e já está insuportável. Quero morrer também, como aconteceu com os outros.
Após algumas horas nesse estado, talvez até dias, ao tentar mover minha mão, ela se mexe. Quando olho, a tranca de metal está solta, mas eu não a senti. Não sinto a cama onde estou em cima, não sinto se o tempo está quente ou frio, apenas dor, que ainda não parou. Quando olho para a cara do único cientista que estava perto, segurando uma prancheta, ele faz uma cara de susto, e começa a correr. Em um movimento desesperado, vou atrás dele, para que alguém possa me explicar que porra eles fizeram comigo. Ele deu apenas um único passo, e eu já havia o alcançado, e seguro o ombro dele.
Então, minha visão é tampada por uma mancha vermelha. Quando passo a mão tirando o que poderia estar tampando minha visão, vejo o cientista caindo no chão, sem seu ombro direito. Sem entender, olho para minha mão direita: O que restou do ombro do cientista, triturado por minhas mãos, e o sangue escorrendo ao redor.
Desespero, dor, dúvida, não consigo descrever o que sinto, Como assim? Dês de quando... an? Logo em seguida, entram na sala homens com o uniforme do exército, muito bem armados. Apontam suas armas para mim, e sem hesitação, afundam o dedo no gatilho. Senti as balas acertando várias partes de meu corpo, arredando-o para trás, mas essas balas não perfuravam muito, paravam quando ultrapassavam a pele. Quer dizer que, ao falharem em tentar me matar envenenado, sei lá, tentam me matar a tiros?! E que merda é essa? como assim? Não vão ajudar o cientista? Não vou ME ajudar? Querem tanto assim me matar? Não mereço estar vivo para vocês?! Então que se FODAM!!!!
Não entendo, mas ao que parece, esses filhos de uma puta fizeram algo com meu corpo. Esses filhos da puta transformaram a mim em um monstro, que resisti a balas e arranca ombros sem perceber. Pelo o que parece, eles nem queriam que eu ficasse vivo, queriam que eu morresse, junto das outras pessoas. Provavelmente, eles estavam fazendo isso até com o intuito de nos matar, então, para compensar, vou matá-los, duvido que eles queiram me dar uma cura. Já vi desenhos de mais para saber que agora vou ter que conviver com o que sou, e tenho que dar uma forma de lucrar com isso. Ao mesmo tempo em que vou pensando o que fazer da minha vida, vou testando meu “novo corpo”. Ao que parece, ele é bem rápido, esses “humanos” parecem nem ver quando eu chego do lado deles, e arranco o medíocre crânio com simples movimento com as mãos. Não vou matar todos, alguns ficarão vivos, e me darão as informações necessárias para eu entender que merda está rolando por aqui.
Em alguns minutos, talvez segundos para eles, está tudo acabado. Todos estão mortos, mas eu escuto sons de pessoas respirando nos andares de cima.
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