O Muro
8 Volta
Notas iniciais
que saudades de voces hahah
hoje e ontem tentei postar um capítulo mas por n motivos não consegui, mas ai está!
beijinhos
2 semanas haviam passado e eu estava quase me esquecendo de Tom. Ele não escrevia e eu não podia me distrair com tão pouco. Tinha a loja e a minha irmã, que havia voltado a escola então a loja só abriria quando ela voltasse. Nos encontraria na assim que voltasse.
Os negócios em nossa pequena loja do Estado iam bem. Com o monopólio iminente de sermos os únicos a vender doces de toda a Alemanha Oriental, tínhamos que evidentemente exportar, e aquilo dava uma quantia surpreendente de dinheiro. Apesar do dinheiro que ía para o governo, estávamos bem como nunca antes. Vendendo mais. De certo modo, o sucesso de nosso negócio me dava uma certa auto-estima. Quando estava com meus pais essa auto-estima existia. Há dois longos anos atrás. Eu cresci, me sentia uma mulher. Lembro de observar minha mãe na cozinha, ela cozinhava como ninguém, assim como na hora de costurar, sua paciência era indestrutível. Minha mãe era a minha maior inspiração em momentos de dúvida.
Mais algumas semanas e eu não me lembrava mais do nome Tom Kaulitz. Julia me lembrava do breve acidente ao irmos comprar pão, mas já não sentia a paixão adolescente como antes. As flores do soldado haviam murchado, assim como a memória de Tom caindo da escada, me fazendo rir, já não trazia mais um sorriso bobo ao meu rosto. Tom Kaulitz me fez amadurecer mesmo contra a minha vontade. Gostaria de ter segurado sua mão, abraçado, mas esse desejo já havia virado um passado.
Um passado que não durou muito.
Eu havia acordado. Era uma manhã qualquer. Julia já havia ido a escola e eu desci silenciosamente para fazer o café da manhã para mim e para Dave, que dormia levemente. Já não nevava tanto.
Eu preparava o chá e esquentava alguns pães, vestindo algumas roupas rasgadas da falecida Frau Fritzwald, que ocupavam apenas partes essenciais do meu branco corpo. A casa era silenciosa, e o único barulho que havia era o som do fogão esquentando a água para o chá matinal. Em meus pensamentos, a contagem constante de abrir a loja e Tom. Fazia tempo que não o via. Alguns meses desde a sua misteriosa ida se passaram. O bastante para ter se casado, ter filhos ou até morrido, mas essa seria uma opção improvável. Ele era doce, mas sabia como agir em prol de sua profissão.
Meus pensamentos não duraram muito até que a água ferveu e alguém bateu na porta. Desliguei o forno rapidamente e tentei abaixar minhas roupas de modo que parecessem menos inapropriadas. Abri a porta, ainda abaixando meu vestido e uma surpresa bateu a minha porta: flores. As mesmas flores que Tom havia me trazido para se desculpar. Tinha um cartão que imaginei serem notícias dele. "Resista a tentação" falei a mim mesma. Agradeci ao entregador desconhecido e entrei em casa calmamente quando queria entrar e ver logo o que o cartão dizia. Finalmente, tirei o pequeno cartão, abri e soltei um insesperado sorriso. Era mesmo de Tom.
Querida Anne,
estou te mandando este pequeno cartão para avisá-la que voltei. Passarei mais tarde na loja para te ver.
Sinceramente,
Tom Kaulitz
Então ele passaria na loja. Eu não queria vê-lo. Não queria saber das notícias. Tinha um medo inapropriado que ele dissesse que havia se casado. Tinha finalmente se livrado dele e agora ele havia voltado para sua vida.
Coloquei as rosas na água, tentando me manter calma quando na verdade estava zangada e estonteada. Fiquei olhando-as e lendo o cartão um seguido do outro, e joguei os dois fora. Eu tinha que resistir.
Finalmente, Dave desceu, tomamos o chá e fui para a loja me sentindo infeliz. Não sabia o que esperar e evitei minhas expectativas. Mas tudo aquilo era demais. Tom ia me ver e eu não queria nem estava pronta para vê-lo. O que Herr Fritzwald pensaria? Ele, que ficara cabisbaixo e frustrado ao contá-lo sobre aquele charmoso e doce soldado. Resisti. Tentei me distraír conversando com Dave o caminho todo. Encontramos Julia e entramos. Mais um dia de trabalho havia começado. Tudo corria bem até que uma figura alta entrou pela porta de vidro de nossa rústica loja.
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