- Que tipo de pessoa se chama Número 3?

- O tipo de pessoa que você não é – falou Número 3.

- E o que você é? – perguntou Taylor.

- Ora, você ainda não percebeu minha querida? – perguntou, mas sem esperar por respostas. – Sou o que vocês, humanos, chamam de extraterrestre – disse dando ênfase ao pronunciar extraterrestre, como se tal palavra lhe causasse náuseas.

“Oh Deus! Sim, extraterrestre. Como foi que não pensei nisso antes?” pensou Taylor.

- Vocês, humanos, nunca foram capazes de acreditar em nós. Por isto é que são tão... – mais uma vez suas palavras ficaram perdidas. Tinham acabado de chegar à frente da maior casa que havia no vilarejo. Três andares, mas apenas uma pequena janela. Era a primeira vez que Taylor via uma casa como esta.

Pela janela podia-se ver uma luz bruxuleante, que pensou ser produzida por velas. Foi tomada instantaneamente por uma vontade de entrar naquela grande casa, mas limitou-se apenas a olhar para Número 3.

- Só quero lhe avisar algo antes de entrarmos, Taylor – falou, com pequenas rugas de preocupação formando-se em sua testa.

- Pode dizer.

- Você terá que me prometer que não irá comentar nada com ninguém. Você promete?

- Mas por que não poderei falar nada? Vocês me parecem tão incríveis.

- Isso tudo você ficará sabendo em breve minha querida. Mas por ora preciso apenas que me prometa nunca contar a ninguém.

- Sim, eu prometo – jurou Taylor, sem pensar nenhuma vez mais.

Número 3 sorriu, pegou sua mão e levou-a para dentro. Ao passar pela porta, Taylor sentiu como se houvesse ultrapassado as barreiras de um campo eletromagnético, pois teve a sensação de ter seu corpo comprimido. Apertou com força a mão de Número 3, mas assim que a sensação passou, soltou-a.

Ela tinha razão, toda a iluminação daquela casa vinha de velas. Muitas velas por sinal, constatou Taylor. Sentia-se protegida lá dentro, e quente. As velas transmitiam calor também, afinal.

Ficou olhando de um lado para o outro, encantada, até perceber uma terceira pessoa. Era uma garota alta, com cabelos escuros e olhos no mesmo tom. Sua beleza combinava perfeitamente àquela casa. A garota estava sentada numa poltrona a um canto, e sorria.

Levantou-se com um salto gracioso, estendeu sua mão e falou com uma voz doce:

- Bem vinda à Casa Grande, Taylor.