O Mundo do Amanhã

5 Capítulo 5 - Treinamento


Notas iniciais
E é aqui que nosso outro personagem principal faz sua primeira (e escandalosa) aparição.

Na carta também estava escrito que Lucca deveria comparecer a sede principal do exército dali a três dias para inicio do treinamento assim, três dias depois, Lucca se encontrava num auditório gigantesco onde havia apenas umas poucas pessoas espalhadas. Ele sentou-se na última fileira, a mais longe do palco e mais perto da porta. Não era como se ali fosse ter algum perigo, mas a natureza desconfiada de Lucca fazia com que ele preferisse ficar perto da porta.

Junto com Lucca no auditório não havia mais do que 30 pessoas o que, considerando as outras 70 pessoas que fizeram o teste com ele, e mais o total de 1500 que haviam feito o teste em outros dias, era muito pouco.

Mais duas pessoas chegaram e, depois delas entrarem, um homem grande que tinha vindo de trás do palco fechou a porta, o que fez Lucca se sobressaltar um pouco.

Está tudo bem, ele só encostou a porta, não está trancada. — ele pensou, tentando se acalmar.

De repente, Lucca teve de novo aquela sensação estranha que tivera no dia da inscrição, como se alguém o observasse de longe. Ele olhou ao redor, as outras pessoas no auditório tinham preferido sentar mais para frente, para ouvir melhor, e a pessoa mais perto dele era uma mulher esquisita sentada na mesma fileira de cadeiras que ele, mas do lado direito do corredor que dividia o auditório, e ela olhava entediada para os próprios pés.

Lucca tentava se acalmar, mas a estranha sensação não passava quando, de repente, ele olhou bruscamente para a esquerda onde, depois de mais algumas cadeiras, havia uma parte escura onde não se via nada. Lucca encarou o escuro e teve a impressão de ver algum movimento lá.

— Bom dia a todos! — Lucca olhou para frente, enquanto ele tinha se distraído, algumas pessoas tinham subido ao palco, e uma mulher falava no microfone — Eu sou a cabo Meg e hoje eu vou explicar a vocês, que passaram no teste, como funcionam as coisas na EAA. — Meg parecia estar a ponto de explodir de vergonha, e quase deixou o microfone cair das mãos enquanto falava. — Estes atrás de mim são o coronel Theodore e o 2º tenente Maurice — disse indicando as pessoas atrás dela.

— O 2º tenente Maurice vai ser o responsável pelo treinamento de você justo com algumas outra pessoas que vocês conhecerão depois. O coronel Theodore é o líder regional do EAA, ele é a autoridade militar máxima nesta cidade.

Ela entregou o microfone para o coronel.

— O EAA dá boas vindas aos novos recrutas! Esperamos que não morram durante o treinamento!

— Coronel... — murmurou Meg, ele passou a mão na cabeça dela gentilmente.

— Brincadeira! Mas de toda forma, no máximo 25 de vocês vão ser aceitos como soldados na EAA. Quem não conseguir passar pelos primeiros 3 meses de treinamento vai ter que cair fora. — ele olhou para o relógio de pulso — Humm... Olha a hora! Eu tenho outro compromisso a que preciso ir, tome conta deles Meg! — e com isso ele devolveu o microfone para ela e desapareceu na parte escura do palco.

— Bem, — murmurou Meg — como o coronel disse, no máximo 25 pessoas vão ser aceitas como membros do exército, os outros terão de se retirar! Nos primeiros três meses de treinamento, vocês serão treinados e avaliados, e ao final desses três meses serão indicados para um dos oito batalhões. Caso algum de vocês não saiba, o EAA funciona da seguinte maneira — ela fez uma pausa para respirar e continuou — Temos as divisões das áreas e dos batalhões, todos os postos, desde recruta até 1º sargento precisam fazer parte de um batalhão, soldados pertencentes a outros postos podem fazer parte apenas de uma área, ou de uma área e um batalhão, mas é claro que existem exclusões. Se você for escolhido como parte de um exército pessoal, por exemplo, sua situação vai ser diferente de membros do exército comuns. Cada um dos oito batalhões funciona de forma diferente e tem funções diferentes, enquanto alguns batalhões fazem exclusivamente patrulhas na cidade, outros tem membros com funções especificas...

Ela continuou falando coisas sobre os batalhões que Lucca já sabia, inclusive sobre ele, a lenda que revolucionou o exército, o capitão do 1º batalhão.

— É claro que o batalhão para o qual serão selecionados vai ter haver com suas habilidades especificas, e somente aqueles que realmente se sobressaírem vão ser escolhidos para o 1º batalhão do capitão Mayron...

Ela continuou a falar coisas que Lucca já sabia, sobre as divisões de áreas, a área de desenvolvimento de aeronaves, a área de desenvolvimento de armas, a área de desenvolvimentos químicos, entre outras. Lucca não se importava com que área ficaria desde que pudesse chutar a bunda dos aliens.

— Sem mais delongas, — disse ela, para alivio de Lucca — eu vou explicar como vai funcionar o treinamento. Na verdade é bem simples, vamos ter o treinamento prático, que vão ser treinamentos de lutas e de uso dos equipamentos, e treinamentos teóricos, onde você vão aprender sobre as fraquezas dos aliens, estratégias de lutas, etc. Durante essa fase do treinamento, vocês vão vir até aqui e treinar 10 horas por dia, depois estão liberados para ir pra casa ou para onde quiserem. Depois da primeira semana, um ranking vai estar disponível no portão de entrada para vocês saberem em que lugar estão de cada habilidade exigida, velocidade, agilidade, força, inteligência, etc.

Ela entregou o microfone para o 2º tenente Maurice.

— Vamos começar esse treinamento de uma vez, me sigam! — ele desceu do palco e foi até a porta do auditório, Lucca e o resto das pessoas o seguiram. Do lado de fora havia uma grande área aberta cercada por algumas construções, inclusive o auditório em que eles estavam.

O tenente Maurice os guiou até o meio da área e ordenou que esperassem, ele foi até um dos grandes galpões e voltou arrastando um grande e pesado saco de onde tirou uma espada de madeira.

— Nessa primeira semana de treinamento, vamos nos focar em ver o que vocês já sabem. Vamos começar com isso. — ele agitou a espada de madeira — Cada um pegue uma dessas e vamos ver o que podem fazer.

Lucca, assim como o restante do grupo, pegou uma espada de madeira e a analisou. Era leve e ele duvidava que o melhor assassino do mundo conseguisse matar alguém com uma coisa daquelas.

— Como você já devem ter percebido, essas espadinhas não matam nem uma mosca, mas vai ser com elas que vocês vão começar a treinar. Agora lutem! — ele gritou.

Assim que ele gritou a confusão começou, alguns davam gritos estridentes antes de partirem para atacar o primeiro que vissem pela frente. Lucca deu alguns passos para trás para observar melhor a situação, parecia um que uma manada de elefantes havia estourado.

Ele viu Maurice observando a confusão ao longe quando, de repente, Maurice olhou para alguma coisa por cima do ombro de Lucca. No mesmo momento, Lucca ouviu passos atrás dele e virou. Um homem vinha por trás e tentou acerta-lo com a espadinha de madeira, mas ele desviou bem na hora e chutou o homem na perna, fazendo-o cair.

Lucca andou mais alguns passos para trás e, dessa vez, quem o atacou foi a mulher da faca de manteiga do teste. Ele a golpeou com o cotovelo e girou, tirando a espada da mão dela.

— Opa! Acho que eu não sou tão boa em lutas quanto em armadilhas! – ela deu de ombros – A propósito, meu nome é Claire! Você foi muito bem no teste aquele dia! – ela sorriu.

— Claire! — ele disse cinicamente — Você realmente acha que um campo de batalha é lugar pra ficar dando esses sorrisinhos de "eu estou flertando com você"?

Ela ficou extremamente vermelha.

— Errr...N-n-não... — antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, um homem veio na direção dela com uma espada de madeira e Lucca se meteu na frente dela.

— Quer dizer que ele não é tão grosseiro com as damas quanto parece? — disse o homem rindo.

— O que você quer dizer com isso?

— Não se faça de sonso! Eu ouvi o que você acabou de dizer para ela! — o sorriso maldoso dele aumentou.

Lucca deu um passo para trás e riu.

— Falar a verdade agora é grosseria?

O tenente Maurice interrompeu a discussão.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou irritado ao homem que estava discutindo com Lucca.

— Dando uma volta? — ele riu de um jeito travesso, parecendo mais uma criança bobinha do que a pessoa com uma força absurda que tinha atacado Lucca.

O homem deu um abraço de urso no tenente Maurice e puxou um sorriso na sua boca. O tenente o espantou como que estapeava uma mosca.

— Volte para o seu posto!

— Nhá, mas eu tô cum priguiça... ele fez biquinho e rebolou.

Todos tinham parado de lutar e encaravam a cena com uma cara de "mais o quê?".

— Tuuuduuu beeem vô voutá pru meu posto, mas só pruque você pidiuu Maurinho! — ele cutucou o tenente Maurice, deixando-o ainda mais irritado.

— Não me chame assim!

— Hi hi! — ele saiu correndo na direção de um dos prédios, de repente ele parou, se virou, e acenou — Tchau Luquinha, a gente se vê por aí! — e sumiu no meio dos prédios.

— Quem é essa criatura? — perguntou Lucca — E mais importante, por que ele sabe o meu nome? — ele olhou para o tenente.

— Bem... os nomes e outras informações dos recrutas estão disponíveis para a maioria dos membros do exército... — isso não convenceu Lucca, mas o tenente Maurice parecia um pouco abalado com aquele assédio, então Lucca deixou isso de lado — Caso ele comece a importunar você me avise que eu vou tomar uma providencia, — pela cara de Maurice, a providencia ia de enforcamento a transformar em picadinho já ele não parecia gostar muito daquele homem esquisito — mas é quase certo que ele venha se meter nos treinamentos... o que não é um problema desde que ele não faça nada abusivo...

— Defina abusivo! — pediu Claire.

— Vocês vão ver... ou melhor, torçam pra não ver!

Notas finais
Sobre a hierarquia do EAA: a hierarquia do EAA funciona da seguinte maneira; (nível mais baixo) Recruta; Soldado; Cabo; 2º Sargento; 1º Sargento; 2º Tenente; 1º Tenente; Sub-Capitão; Capitão; 2º Coronel (ou vice-coronel); Coronel; Autoridade Máxima do EAA (nível mais alto)